Eu tinha certeza de que, ao final de Ainda Estou Aqui, o cinema seria tomado por aplausos estrondosos. Mas o que aconteceu foi completamente diferente.
Um silêncio denso pairou sobre nós, como se estivéssemos todos dentro do mesmo pesadelo. E, de fato, estávamos. O pesadelo dos Paiva — e de um Brasil inteiro.
Porque Ainda Estou Aqui não é só um filme. É uma ferida reaberta, um espelho, um mergulho incômodo no passado, um lembrete de que o Brasil nunca encarou de frente seus fantasmas.
A história dos Paiva, com um pai arrancado de sua família pela ditadura, revela cicatrizes profundas e reforça a urgência de revisitar e compreender nossa história.
Essa ferida histórica é personificada com sensibilidade arrebatadora pela atuação de Fernanda Torres.
Sua Eunice Paiva é tão contida quanto devastadora, ancorando o filme em uma realidade emocional que dilacera pela sutileza.
Eunice nos faz sentir a profundidade de uma dor que nunca se permite explodir, mas que permanece ali, pulsando.
Ao final dos créditos, aquele peso ainda pairava sobre todos nós. Os aplausos vieram, mas de forma tímida — mais um suspiro compartilhado do que uma celebração.
Não era alívio, porque o filme não nos liberta. Era reconhecimento. Reconhecimento de que Ainda Estou Aqui é um lembrete doloroso de que só há futuro quando encaramos as sombras do passado.
Que saudades de um vilão de verdade! Sujo, mentiroso, sem nenhum pudor.
The Penguin é um drama policial daqueles que você prende o fôlego no começo do primeiro episódio e só solta na última reviravolta – e que final.
Recusando os atalhos fáceis, a trama aqui impacta sem precisar de lutas ou mortes coreografadas. O apelo psicológico eleva a tensão em cada gesto, em cada olhar – e faz isso num crescente de uma teia de intrigas que te puxa mais fundo a cada cena.
O Oswald Cobblepot de Colin Farrell é um manipulador nato, repulsivo e distante de qualquer ideal de herói – ou mesmo de anti-herói. É justamente essa ausência de filtros, a falta de tentativas de humanizar ou justificar suas ações, que o torna tão fascinante. Um lembrete de que nem todo personagem precisa de redenção para se tornar inesquecível.
The Penguin prova que a Gotham de Matt Reeves ainda tem muito a oferecer – e que suas histórias podem brilhar mesmo sem o Cavaleiro das Trevas.
Aqui, os verdadeiros protagonistas são o silêncio e os detalhes sutis. Exige uma atenção meticulosa para vivenciar uma alienação que faz fronteira com o terror dos campos de concentração, mas nunca o encontra de fato - e é justamente a presença dessa ausencia que torna a experiência tão perturbadora.
Concorre a Melhor Filme Estrangeiro, mas merece menção porque é mais complexo e desafiador que os aspirantes ao prêmio principal. Na minha inóspita opinião, é claro.
Marina é uma mulher trans. Quando seu parceiro morre, a personagem se vê diante da cegueira da raiva e preconceito da família dele. Marina luta por seu direito de sofrer - com a mesma energia ininterrupta que luta para ser aceita pela sociedade.
A atriz Daniela Vega é cativante na escalada dramática de uma personagem que vive a pior semana de sua vida. Em alguns momentos extremamente vulnerável com as ameaças e provocações da família do parceiro. Em outros, resistente e segura, porém sem exageros caricatos. Aqui não tem jornada do herói.
É aí que está o grande mérito de UMA MULHER FANTÁSTICA: o filme não opta pelo caminho simplório do melodrama. É simples e direto: menos é mais. O resultado é o retrato de uma vida que pode ser difícil ou injusta, mas também (como vemos nessas cenas iniciais) maravilhosa. A vida real.
Vale informar que o diretor e roteirista - Sebastián Lelio e Gonzalo Maza – trouxeram as experiências da própria Daniela Vega como uma mulher trans e moldaram a trama em torno delas.
Uma obra sobre autoafirmação e um estudo complexo sobre as nuances de identidade. Tal profundidade, muitas vezes, é substituída por um espetáculo surrealista, usado para aliviar a angustia de ver a personagem principal cada vez mais sozinha e desprotegida.
Em suma, um filme necessário para nossa sociedade que insiste em eleger os “diferentes” e empurrá-los as margens a espera que se contentem com um status invisível e de segunda classe.
Muito me agrada o intercâmbio de gêneros no cinema. Aqui, no caso, um mix de contos de fada com os antigos filmes de monstro. Praticamente um A Bela e a Fera contemporâneo.
A criatura de Guilherme Del Toro é uma referência direta ao Monstro da Lagoa Negra, clássico de 1954. Pra um cinéfilo de plantão, muitas outras referências vão saltar aos olhos.
Uma obra feita de cores vivas e sombras profundas onde elementos fantásticos são contrastados com virtudes políticas de maneira primorosa. Ao final, ficou uma sensação acachapante: uma obra completa.
Os contornos da história são bem conhecidos. Tudo sucede quando a Alemanha está prestes a invadir a Grã-Bretanha durante a Segunda Guerra Mundial. No meio do turbilhão, Winston Churchill (Gary Oldman) toma posse do cargo de Primeiro Ministro com intuito de impedir que a terra da rainha seja invadida e deflorada pelo exército de Hitler.
O filme é parado, quase estático, retratando uma guerra que o espectador nunca vê de fato. Tudo acontece nos bastidores. O roteiro é um problema sério porque foca em Churchill a exaustão. Com isso, deixa personagens promissores em segundo plano. As atuações de Kristin Scott Thomas, como a irônica esposa de Churchill, e Lily James, como a escrivã do Primeiro Ministro, são exemplos claros de tal displicência.
Algumas cenas usadas como alívio cômico ajudam a tirar o peso e o tédio da reconstrução do período, mas falta carisma e viradas mais satisfatórias. Em muitos momentos, me senti em uma interminável aula de história.
Mas o que realmente vale o ingresso é o trabalho magistral de Gary Oldman como Winston Churchill. Oldman, auxiliado por uma maquiagem com grandes chances de levar a estatueta, abraça o papel com um prazer quase palpável. O ator está claramente se divertindo.
Além dar vida ao lado mais dramático do personagem, a atuação de Oldman se destaca também pelos momentos mais silenciosos: uma respirada mais profunda, um gole no uísque, um fungada no charuto. Isso somado ao sarcasmo e intensidade do personagem devem dar a estatueta ao ator.
Seu grande mérito é manter o espectador com os olhos pregados na tela sem o uso de plot twists. A narrativa é direta e reta, algo raro em uma Hollywood cada vez mais pasteurizada. O roteiro é muito, muito bom. Merecida a indicação a estatueta. E só.
De resto, é a velha história da garota que cresce e precisa enfrentar as mandíbulas do mundo. Nada de novo. Aquela temática ~mamãe quero ser indie~ que, a mim, não engana. É o Boyhood da vez.
Esperei anos pela continuação do ótimo A MALDIÇÃO DE CHUCKY e o resultado foi desastroso, horrível, péssimo, pífio. Poderia ficar aqui citando adjetivos até o fim da vida. Mas não vou perder mais tempo além dos 90 minutos que o filme me tirou.
Mais um terror vazio, sem nada a acrescentar. Daqueles que entram para o hall de filmes do gênero que contam com o mesmo personagem principal: a estupidez humana.
Os personagens não tem desenvolvimento. Estão ali para morrer e pronto. Alguns deles, como o paciente com múltiplas personalidades e o Dr. Foley, tem até potencial. Mas pecam quando, diante do terror, tomam atitudes esdruxulas e inverossímeis até mesmo para um filme do gênero.
Se fosse apenas esse o problema, estaria tudo certo. Mas neste novo capítulo da franquia, conseguiram a proeza de acabar com um personagem tão singular quanto o Chucky. Algo que eu julgava impossível na mão de seu criador, Don Mancini.
O que me deixa mais puto é que o filme anterior tinha levado a franquia a bons rumos. Agora nem as piadas irônicas e escrachadas funcionam mais no boca do boneco. Nica perdeu a graça e o carisma, tornando-se uma personagem extremamente fraca, vulnerável e suscetível a mudanças de opinião. Algo, digamos, fora de contexto para uma ~scream queen~.
Outra coisa: cadê o suspense? Nos outros capítulos era algo usado como artigo primoroso. Pouco a pouco o boneco ia entrando em cena, até que, quando menos se esperava, boom. O terror era irreversível.
Em O CULTO DE CHUCKY a trama enche linguiça por 1h, entregando tudo sempre de bandeja. Chucky, muitas vezes, só está lá para fazer micagens sem sentido. As cenas que melhor funcionam com ele só as chupadas (na cara dura) dos filmes anteriores. What a shame, Don Mancini. Esqueceu que o senso de humor peculiar é 50% do personagem? Ele (o senso de humor) até aparece, mas de maneira exagerada e posta em diálogos horríveis.
Quando finalmente o roteiro começa a explicar o que é o tal CULTO, tive um fio de esperança. Mas a maneira preguiçosa e desleixada que juntaram o quebra-cabeça é para judiar de qualquer inteligência com mais de dois neurônios. Eu vi a resolução do clímax pensando: “Chucky, o que fizeram com você?”. Se não pensaram em resolver o conflito principal de uma maneira minimamente plausível, imagina o resto. O roteiro é nível filme de criança.
A única coisa que salva é o gore e os antigos personagens que voltam (mesmo de maneira apagada). Muito pouco para uma obra que, pelo menos pra mim, já foi a melhor franquia de horror de todos os tempos. Mas os tempos mudam. E os verdadeiros clássicos saem de moda, sim. Para que tá feio, Don Mancini. Reinventa tudo numa série de TV.
nunca tinha visto um filme venezuelano. uma experiência muito diferente do que estamos acostumados. as relações de hierarquia, classe social e sexualidade são abordadas de maneira fria, quase documental.
tudo é sugerido de maneira extramente sutil, colocando o espectador na mesma situação dos personagens. tornando sua descoberta ainda mais fascinante. viva o cinema que se reinventa e não repete velhos clichês.
Achei um final digno. Merecido depois de quase 20 anos de espera. Claro que os efeitos CGI são bizarros, mas dá pra relevar. O lance de focar na paranoia do Reggie também foi compreensível, a julgar pela idade avançada de todo o elenco. O Tall Man foi usado de maneira inteligente.
[spoiler][/spoiler] Gostei muito do lance da demência. Assim como no final do primeiro filme, fica a dúvida se aquilo é real ou fantasia de criança. Aqui, o roteiro inverte, trazendo Reggie pra situação de ~vitima~.
Claro que esperava mais, mas sei que a franquia nunca foi das mais investidas. Será eterna e nossos corações.
Acabei de ver “Goodnigth Mommy” e tenho que assumir que o filme é bem acima de média. Mas também não acho que seja essa obra prima que tem sido chamada até de novo “Iluminado” (!!!), “neo-clássico” (da onde surgiu este termo?) e blá blá blá. O conjunto da obra é incrível realmente, mas acho que clássico é um termo que se conquista com o tempo. Quem sabe daqui umas décadas. Mas volto a dizer, o filme é do caralho. E merece a atenção que tem tido, afinal, estamos no gênero mais desgastado de todos atualmente, o terror.
É fato que o trailer que pipocou nas redes e viralizou é extremamente bem montado, mas não se engane, o filme ainda trará surpresas e tem muita novidade em 1 hora e 40 minutos de duração. A ausência de trilha sonora e a lentidão proposital preparam para um final sádico e eletrizante que vai pegar de jeito os fãs do gênero. A lentidão, aliás, possibilita uma experiência visual mais apurada, em que a beleza daquela casa deserta, do milharal e dos eucaliptos contrastam com a desconfiança dos gêmeos com a mãe a cada cena. Aí é que o terror psicológico começa a se instalar e, pouco a pouco, “Goodnigth Mommy” vai chegando ao seu clímax memorável.
O roteiro é engenhoso e, pelo menos comigo, conseguiu manter o mistério até os minutos finais, quando é revelado de fato. Quando o filme acabou, pensei: “nossa eu deveria ter percebido isso”. E essa é beleza do cinema: surpreender. “Goodnigth Mommy” é filme dentro de vários filmes, que tem ritmo e se transforma sem pressa, num experiência visual absurda e complexa sobre a convivência humana. Nessa atual safra de filmes do gênero, uma obra feita para assistir agradecendo de joelhos.
Você lê o título e o ano em que esse filme foi feito e já pensa automaticamente ser mais um do amontoado de filmes slasher’s que vieram na onda Sexta-Feira 13 no começo dos anos 80.
Aquele do assassino indestrutível, dos gritos, do sangue e cabeças rolando a película inteira. Está certo. Mas só pelo fato desse ser um filme de horror produzido e dirigido por Amy Holden (uma mulher!), já merece no mínimo ser discutido, diferente de suas continuações (com exceção da parte 2 que é bem trash-engraçada) que são péssimas.
É difícil ver uma mulher produzindo, quanto mais dirigindo um filme do gênero. Aqui temos os dois exemplos.
O roteiro é assinado por Rita Mae Brown outra mulher, uma escritora de histórias de mistérios com uma tendência feminista, seus romances geralmente tem lesbianismo e muito fetishe. Picante, né?
Um slasher feito com um toque feminino, pois já saiba de bate-pronto que não tenta a nenhum instante ser bonitinho. Pelo contrário.
Slumber Party Massacre é um filme divertido, se você encará-lo como tal, se levar em conta a época em que foi feito e para qual público.
É uma película que se leva a sério até assustando algumas vezes quando foge do “susto-fácil” e nas fortes investidas da trilha sonora juntamente com o barulho da furadeira do assassino na carne dos pobres jovens, por outro lado é aquele tipo completamente previsível e que se você procurar falhas vai encontrar certamente.
Valeu ver uma mulher a frente de um trabalho tão sangrento, apesar de ficar aquela impressão que faltou um pouco mais de suspense, tudo é jogado na cara do espectador sem dó, o mesmo feijão com arroz de sempre, porém inferior aos mestres Jason, Leatherface e Michael Myers. Mas vale a diversão, afinal o filme tem todos os ingredientes de anos 80 e dos slasher’s movies.
Ainda vejo esse filme com um certo charme. Feminino? Por que não...
Ainda Estou Aqui
4.5 1,5K Assista AgoraEu tinha certeza de que, ao final de Ainda Estou Aqui, o cinema seria tomado por aplausos estrondosos. Mas o que aconteceu foi completamente diferente.
Um silêncio denso pairou sobre nós, como se estivéssemos todos dentro do mesmo pesadelo. E, de fato, estávamos. O pesadelo dos Paiva — e de um Brasil inteiro.
Porque Ainda Estou Aqui não é só um filme. É uma ferida reaberta, um espelho, um mergulho incômodo no passado, um lembrete de que o Brasil nunca encarou de frente seus fantasmas.
A história dos Paiva, com um pai arrancado de sua família pela ditadura, revela cicatrizes profundas e reforça a urgência de revisitar e compreender nossa história.
Essa ferida histórica é personificada com sensibilidade arrebatadora pela atuação de Fernanda Torres.
Sua Eunice Paiva é tão contida quanto devastadora, ancorando o filme em uma realidade emocional que dilacera pela sutileza.
Eunice nos faz sentir a profundidade de uma dor que nunca se permite explodir, mas que permanece ali, pulsando.
Ao final dos créditos, aquele peso ainda pairava sobre todos nós. Os aplausos vieram, mas de forma tímida — mais um suspiro compartilhado do que uma celebração.
Não era alívio, porque o filme não nos liberta. Era reconhecimento. Reconhecimento de que Ainda Estou Aqui é um lembrete doloroso de que só há futuro quando encaramos as sombras do passado.
Pinguim (1ª Temporada)
4.4 293Que saudades de um vilão de verdade! Sujo, mentiroso, sem nenhum pudor.
The Penguin é um drama policial daqueles que você prende o fôlego no começo do primeiro episódio e só solta na última reviravolta – e que final.
Recusando os atalhos fáceis, a trama aqui impacta sem precisar de lutas ou mortes coreografadas. O apelo psicológico eleva a tensão em cada gesto, em cada olhar – e faz isso num crescente de uma teia de intrigas que te puxa mais fundo a cada cena.
O Oswald Cobblepot de Colin Farrell é um manipulador nato, repulsivo e distante de qualquer ideal de herói – ou mesmo de anti-herói. É justamente essa ausência de filtros, a falta de tentativas de humanizar ou justificar suas ações, que o torna tão fascinante. Um lembrete de que nem todo personagem precisa de redenção para se tornar inesquecível.
The Penguin prova que a Gotham de Matt Reeves ainda tem muito a oferecer – e que suas histórias podem brilhar mesmo sem o Cavaleiro das Trevas.
Zona de Interesse
3.6 700 Assista AgoraAqui, os verdadeiros protagonistas são o silêncio e os detalhes sutis. Exige uma atenção meticulosa para vivenciar uma alienação que faz fronteira com o terror dos campos de concentração, mas nunca o encontra de fato - e é justamente a presença dessa ausencia que torna a experiência tão perturbadora.
O Mecanismo (1ª Temporada)
3.5 525 Assista Agorao mecanismo não engrena.
Uma Mulher Fantástica
4.1 429 Assista AgoraConcorre a Melhor Filme Estrangeiro, mas merece menção porque é mais complexo e desafiador que os aspirantes ao prêmio principal. Na minha inóspita opinião, é claro.
Marina é uma mulher trans. Quando seu parceiro morre, a personagem se vê diante da cegueira da raiva e preconceito da família dele. Marina luta por seu direito de sofrer - com a mesma energia ininterrupta que luta para ser aceita pela sociedade.
A atriz Daniela Vega é cativante na escalada dramática de uma personagem que vive a pior semana de sua vida. Em alguns momentos extremamente vulnerável com as ameaças e provocações da família do parceiro. Em outros, resistente e segura, porém sem exageros caricatos. Aqui não tem jornada do herói.
É aí que está o grande mérito de UMA MULHER FANTÁSTICA: o filme não opta pelo caminho simplório do melodrama. É simples e direto: menos é mais. O resultado é o retrato de uma vida que pode ser difícil ou injusta, mas também (como vemos nessas cenas iniciais) maravilhosa. A vida real.
Vale informar que o diretor e roteirista - Sebastián Lelio e Gonzalo Maza – trouxeram as experiências da própria Daniela Vega como uma mulher trans e moldaram a trama em torno delas.
Uma obra sobre autoafirmação e um estudo complexo sobre as nuances de identidade. Tal profundidade, muitas vezes, é substituída por um espetáculo surrealista, usado para aliviar a angustia de ver a personagem principal cada vez mais sozinha e desprotegida.
Em suma, um filme necessário para nossa sociedade que insiste em eleger os “diferentes” e empurrá-los as margens a espera que se contentem com um status invisível e de segunda classe.
A Forma da Água
3.9 2,7KMuito me agrada o intercâmbio de gêneros no cinema. Aqui, no caso, um mix de contos de fada com os antigos filmes de monstro. Praticamente um A Bela e a Fera contemporâneo.
A criatura de Guilherme Del Toro é uma referência direta ao Monstro da Lagoa Negra, clássico de 1954. Pra um cinéfilo de plantão, muitas outras referências vão saltar aos olhos.
Uma obra feita de cores vivas e sombras profundas onde elementos fantásticos são contrastados com virtudes políticas de maneira primorosa. Ao final, ficou uma sensação acachapante: uma obra completa.
O Destino de Uma Nação
3.7 723 Assista AgoraOs contornos da história são bem conhecidos. Tudo sucede quando a Alemanha está prestes a invadir a Grã-Bretanha durante a Segunda Guerra Mundial. No meio do turbilhão, Winston Churchill (Gary Oldman) toma posse do cargo de Primeiro Ministro com intuito de impedir que a terra da rainha seja invadida e deflorada pelo exército de Hitler.
O filme é parado, quase estático, retratando uma guerra que o espectador nunca vê de fato. Tudo acontece nos bastidores. O roteiro é um problema sério porque foca em Churchill a exaustão. Com isso, deixa personagens promissores em segundo plano. As atuações de Kristin Scott Thomas, como a irônica esposa de Churchill, e Lily James, como a escrivã do Primeiro Ministro, são exemplos claros de tal displicência.
Algumas cenas usadas como alívio cômico ajudam a tirar o peso e o tédio da reconstrução do período, mas falta carisma e viradas mais satisfatórias. Em muitos momentos, me senti em uma interminável aula de história.
Mas o que realmente vale o ingresso é o trabalho magistral de Gary Oldman como Winston Churchill. Oldman, auxiliado por uma maquiagem com grandes chances de levar a estatueta, abraça o papel com um prazer quase palpável. O ator está claramente se divertindo.
Além dar vida ao lado mais dramático do personagem, a atuação de Oldman se destaca também pelos momentos mais silenciosos: uma respirada mais profunda, um gole no uísque, um fungada no charuto. Isso somado ao sarcasmo e intensidade do personagem devem dar a estatueta ao ator.
Lady Bird: A Hora de Voar
3.8 2,1K Assista AgoraSeu grande mérito é manter o espectador com os olhos pregados na tela sem o uso de plot twists. A narrativa é direta e reta, algo raro em uma Hollywood cada vez mais pasteurizada. O roteiro é muito, muito bom. Merecida a indicação a estatueta. E só.
De resto, é a velha história da garota que cresce e precisa enfrentar as mandíbulas do mundo. Nada de novo. Aquela temática ~mamãe quero ser indie~ que, a mim, não engana. É o Boyhood da vez.
Amores Canibais
2.4 398 Assista AgoraKeanu Reeves aka Pablo Escobar
Amores Canibais
2.4 398 Assista Agoramais um exemplo de que no cinema atual vale mais o trailer do que o filme.
O Culto de Chucky
2.3 616 Assista AgoraEsperei anos pela continuação do ótimo A MALDIÇÃO DE CHUCKY e o resultado foi desastroso, horrível, péssimo, pífio. Poderia ficar aqui citando adjetivos até o fim da vida. Mas não vou perder mais tempo além dos 90 minutos que o filme me tirou.
Mais um terror vazio, sem nada a acrescentar. Daqueles que entram para o hall de filmes do gênero que contam com o mesmo personagem principal: a estupidez humana.
Os personagens não tem desenvolvimento. Estão ali para morrer e pronto. Alguns deles, como o paciente com múltiplas personalidades e o Dr. Foley, tem até potencial. Mas pecam quando, diante do terror, tomam atitudes esdruxulas e inverossímeis até mesmo para um filme do gênero.
Se fosse apenas esse o problema, estaria tudo certo. Mas neste novo capítulo da franquia, conseguiram a proeza de acabar com um personagem tão singular quanto o Chucky. Algo que eu julgava impossível na mão de seu criador, Don Mancini.
O que me deixa mais puto é que o filme anterior tinha levado a franquia a bons rumos. Agora nem as piadas irônicas e escrachadas funcionam mais no boca do boneco. Nica perdeu a graça e o carisma, tornando-se uma personagem extremamente fraca, vulnerável e suscetível a mudanças de opinião. Algo, digamos, fora de contexto para uma ~scream queen~.
Outra coisa: cadê o suspense? Nos outros capítulos era algo usado como artigo primoroso. Pouco a pouco o boneco ia entrando em cena, até que, quando menos se esperava, boom. O terror era irreversível.
Em O CULTO DE CHUCKY a trama enche linguiça por 1h, entregando tudo sempre de bandeja. Chucky, muitas vezes, só está lá para fazer micagens sem sentido. As cenas que melhor funcionam com ele só as chupadas (na cara dura) dos filmes anteriores. What a shame, Don Mancini. Esqueceu que o senso de humor peculiar é 50% do personagem? Ele (o senso de humor) até aparece, mas de maneira exagerada e posta em diálogos horríveis.
Quando finalmente o roteiro começa a explicar o que é o tal CULTO, tive um fio de esperança. Mas a maneira preguiçosa e desleixada que juntaram o quebra-cabeça é para judiar de qualquer inteligência com mais de dois neurônios. Eu vi a resolução do clímax pensando: “Chucky, o que fizeram com você?”. Se não pensaram em resolver o conflito principal de uma maneira minimamente plausível, imagina o resto. O roteiro é nível filme de criança.
A única coisa que salva é o gore e os antigos personagens que voltam (mesmo de maneira apagada). Muito pouco para uma obra que, pelo menos pra mim, já foi a melhor franquia de horror de todos os tempos. Mas os tempos mudam. E os verdadeiros clássicos saem de moda, sim. Para que tá feio, Don Mancini. Reinventa tudo numa série de TV.
De Longe Te Observo
3.4 91 Assista Agoranunca tinha visto um filme venezuelano. uma experiência muito diferente do que estamos acostumados. as relações de hierarquia, classe social e sexualidade são abordadas de maneira fria, quase documental.
tudo é sugerido de maneira extramente sutil, colocando o espectador na mesma situação dos personagens. tornando sua descoberta ainda mais fascinante. viva o cinema que se reinventa e não repete velhos clichês.
vale muito a experiência.
Fantasma: Devastador
2.7 53Achei um final digno. Merecido depois de quase 20 anos de espera. Claro que os efeitos CGI são bizarros, mas dá pra relevar. O lance de focar na paranoia do Reggie também foi compreensível, a julgar pela idade avançada de todo o elenco. O Tall Man foi usado de maneira inteligente.
[spoiler][/spoiler]
Gostei muito do lance da demência. Assim como no final do primeiro filme, fica a dúvida se aquilo é real ou fantasia de criança. Aqui, o roteiro inverte, trazendo Reggie pra situação de ~vitima~.
Claro que esperava mais, mas sei que a franquia nunca foi das mais investidas.
Será eterna e nossos corações.
Fui Comprar Cigarros
3.7 38Link para assistir o curta:
https://vimeo.com/48261836
Boa Noite, Mamãe
3.5 1,5K Assista AgoraAcabei de ver “Goodnigth Mommy” e tenho que assumir que o filme é bem acima de média. Mas também não acho que seja essa obra prima que tem sido chamada até de novo “Iluminado” (!!!), “neo-clássico” (da onde surgiu este termo?) e blá blá blá. O conjunto da obra é incrível realmente, mas acho que clássico é um termo que se conquista com o tempo. Quem sabe daqui umas décadas. Mas volto a dizer, o filme é do caralho. E merece a atenção que tem tido, afinal, estamos no gênero mais desgastado de todos atualmente, o terror.
É fato que o trailer que pipocou nas redes e viralizou é extremamente bem montado, mas não se engane, o filme ainda trará surpresas e tem muita novidade em 1 hora e 40 minutos de duração. A ausência de trilha sonora e a lentidão proposital preparam para um final sádico e eletrizante que vai pegar de jeito os fãs do gênero. A lentidão, aliás, possibilita uma experiência visual mais apurada, em que a beleza daquela casa deserta, do milharal e dos eucaliptos contrastam com a desconfiança dos gêmeos com a mãe a cada cena. Aí é que o terror psicológico começa a se instalar e, pouco a pouco, “Goodnigth Mommy” vai chegando ao seu clímax memorável.
O roteiro é engenhoso e, pelo menos comigo, conseguiu manter o mistério até os minutos finais, quando é revelado de fato. Quando o filme acabou, pensei: “nossa eu deveria ter percebido isso”. E essa é beleza do cinema: surpreender. “Goodnigth Mommy” é filme dentro de vários filmes, que tem ritmo e se transforma sem pressa, num experiência visual absurda e complexa sobre a convivência humana. Nessa atual safra de filmes do gênero, uma obra feita para assistir agradecendo de joelhos.
Aquarius: Os Crimes de Charles Manson (1ª Temporada)
3.5 22 Assista AgoraAlguém mais com problemas p assistir pelo site da NBC?
Fui Comprar Cigarros
3.7 38Link para assistir ao curta:
Raça das Trevas
3.1 91Clive Barker é você? Tem certeza!?
Brinquedo Assassino 3
2.9 402 Assista Agora"SAYONARA SUCKERS"
O Aprendiz
3.7 228 Assista AgoraA cena da marcha na cozinha é simplesmente magistral.
O Lixo e a Fúria
4.2 31Impactante, forte, intenso.
Nada que o Sex Pistols não tenha sido. E mais.
O melhor ducumentário sobre bandas que meus olhos já avistaram.
Imperdível pra quem é fã da banda e pra que ama cinema.
Sociedade dos Poetas Mortos
4.3 2,4K Assista AgoraMuito bom. Só podia economizar no dramalhão.
Slumber Party - O Massacre
3.0 146 Assista AgoraVocê lê o título e o ano em que esse filme foi feito e já pensa automaticamente ser mais um do amontoado de filmes slasher’s que vieram na onda Sexta-Feira 13 no começo dos anos 80.
Aquele do assassino indestrutível, dos gritos, do sangue e cabeças rolando a película inteira. Está certo. Mas só pelo fato desse ser um filme de horror produzido e dirigido por Amy Holden (uma mulher!), já merece no mínimo ser discutido, diferente de suas continuações (com exceção da parte 2 que é bem trash-engraçada) que são péssimas.
É difícil ver uma mulher produzindo, quanto mais dirigindo um filme do gênero. Aqui temos os dois exemplos.
O roteiro é assinado por Rita Mae Brown outra mulher, uma escritora de histórias de mistérios com uma tendência feminista, seus romances geralmente tem lesbianismo e muito fetishe. Picante, né?
Um slasher feito com um toque feminino, pois já saiba de bate-pronto que não tenta a nenhum instante ser bonitinho. Pelo contrário.
Slumber Party Massacre é um filme divertido, se você encará-lo como tal, se levar em conta a época em que foi feito e para qual público.
É uma película que se leva a sério até assustando algumas vezes quando foge do “susto-fácil” e nas fortes investidas da trilha sonora juntamente com o barulho da furadeira do assassino na carne dos pobres jovens, por outro lado é aquele tipo completamente previsível e que se você procurar falhas vai encontrar certamente.
Valeu ver uma mulher a frente de um trabalho tão sangrento, apesar de ficar aquela impressão que faltou um pouco mais de suspense, tudo é jogado na cara do espectador sem dó, o mesmo feijão com arroz de sempre, porém inferior aos mestres Jason, Leatherface e Michael Myers. Mas vale a diversão, afinal o filme tem todos os ingredientes de anos 80 e dos slasher’s movies.
Ainda vejo esse filme com um certo charme. Feminino? Por que não...
Fahrenheit 451
4.1 419 Assista AgoraNão tem aquele brilho de Jules & Jim, mas é muito acima da média.