Os primeiros minutos são realmente engraçados e de cara já nos prende.
Incrível como fica explicito o sentimento de que quando não estamos com alguém que nos completa, sempre ficará aquela sensação de vazio, de que falta algo importante. O filme transmite muito bem esse sentimento. Adorei a sinergia que existiu entre os atores principais, que apesar de serem tão jovens e tratarem de uma história adolescente, conseguiram passar tamanha maturidade. Realmente é um filme que fala sobre preconceitos, quebras de paradigmas e, principalmente, fala da descoberta do amor verdadeiro.
Filme escrito por Simon Beaufoy, de naturalidade inglesa, também participou como diretor de documentários na Bournemouth College of Art and Design e depois se tornou roteirista. Seus créditos nesta função incluem ainda os filmes "Ou Tudo ou Nada", "Yasmin - Uma Mulher, Duas Vidas" e "Fuga Alucinada". Na TV, Beaufoy assinou o thriller de duas partes chamado "Burn Up", baseado na política da exploração do petróleo e das mudanças climáticas. Quem quer ser um milionário (Slumdog Millionaire) é o ganhador do Oscar 2009 de melhor filme; é um drama que compreende os elementos mais desejados dos públicos. O filme tem muito de real, começando pela Índia, Mumbai, a cidade mais populosa, onde se passa toda a história. O filme coloca o telespectador no coração da metrópole de um país que lembra um pouco o nosso, porém, bem mais frustrado: um país das desigualdades, de miseráveis e nobres. Jamal (Ayush M. Khedekar – criança, Tanay Chheda - jovem e Dev Patel - Adulto) e Salim (Azharuddin M. Ismail – criança, Ashutosh L. Gajiwala – jovem e Madhur Mittal - adulto) são dois irmãos que perdem a mãe ainda crianças, em um tumulto popular por motivos religiosos, e a partir daí são lançados às aventuras apavorantes que fazem parte do roteiro dos excluídos, literalmente, da vida. Mas não estão sozinhos, Latika (Rubiana Ali – criança, Tanvi G. Lonkar – jovem e Freida Pinto - adulta), na mesma situação, também estará presente, em uma série de encontros e desencontros. É nesse contexto que ambos são lançados às desgraças do mundo civilizado, e a miséria e o sabor dos dólares. Mas as três crianças irão crescer e se enredar nas tramas humanas diante do infinito poder de corrupção do dinheiro. Ambos tomarão caminhos diferentes, não porque planejaram, mas pelos encontros acidentais de suas vidas em seus vários contextos. Jamal, o irmão mais novo, ganhava a vida servindo chá, Salim, o mais velho, encontrou a vida no crime, e Latika conhecerá o gênero masculino em variações repugnantes. Jamal e Latika mais do que companheiros de miséria, também se descobriram nas surpresas afetivas, porém, o conto de fadas moderno reservará muita infelicidade. Um dia Jamal se inscreve para um programa de perguntas e respostas onde poderá se tornar milionário. Mas se engana quem pensa que ele está em busca de milhões, o amor será mais uma vez colocado primeiro lugar - e não é no mundo ocidental, mas não podemos esquecer que a globalização também é moral. Garoto pobre, que tinha tudo para ser mais um miserável, nutria um inocente amor de infância com Latika, mas que parece cada vez mais distante, e ainda tem a possibilidade de ser um milionário! - Eis a consagrada sopa de sucesso servida ao público pela indústria cultural. A cada pergunta feita pelo apresentador, Jamal encontrava a resposta nas árduas lembranças de sua infância - no melhor dos estilos casuais, ou “nada é por acaso” para os mais crentes - outra fórmula de sucesso entre o público. O final fica por conta do telespectador, mas nada que um conto de fadas moderno não se revele por si só. Recomendamos, principalmente, para fugir do insosso cardápio hollywoodiano. Embora a história se passe na Índia, é difícil dizer que você verá a cultura indiana, ou um mundo diferente, pelo contrário, tudo ali é muito ocidentalizado - aliás, nem uma vaca você verá durante o filme todo. Exceção disso são os atores que em sua grande maioria são indianos. A música também é “indiana”, com muitas aspas, pois está estilizada no ritmo pop do ocidente. O filme é recomendado para jovens a partir dos 16 anos, e adultos que estejam dispostos a ver um drama romântico e repleto de cenas cheias de dinamismo, algumas até engraçadas, e ótima fotografia. Mas mesmo que nada no filme o agrade, o ingresso é pouco para ver a linda criança Latika, e a hipnotizante beleza que aquela criança se transformou na personagem da indiana Freida Pinto.
Joseph Daniel Sargente (diretor de Quase Deuses - 2004) nascido em 22 de julho, 1925, em Jersey City, Nova Jersey, ator, produtor e, diretor, iniciou sua carreira na década de 1950 atuando em séries dramáticas de televisão ao vivo, e decidiu passar rapidamente para trás das câmeras. Ele posteriormente se tornou um dos mais experientes e, fracassados no cinema, abandonando as telonas após ser indicado ao Framboesa de Ouro com seu "Tubarão - A Vingança" (1987) e se manteve firme dirigindo filmes para a TV, até que a experiência lhe trouxe muitos Emmys e dois prêmios consecutivos como o Directors Guild Of America por "Quase Deuses" e "Warm Springs". O filme “Something the lord made”, traduzido aqui no Brasil como “Quase Deuses”, lançado em 2004, é sem sombra de dúvidas o melhor de seus trabalhos, recebeu 2 indicações ao Globo de Ouro, ganhou 3 prêmios no Emmy, sendo um de melhor filme. O longa-metragem é parcialmente baseado no artigo jornalístico "Something the Lord Made", escrito por Katie McCabe e publicado no Washingtonian. Conta a história verdadeira e emocionante de dois homens que desafiaram as regras em sua época para iniciar uma revolução médica. Mos Def e Alan Rickman, interpretam a história real de Vivien Thomas (1910 - 1985) e, Alfred Blalock (1899 - 1964), responsáveis pela primeira cirurgia feita no coração - antes disso o órgão era visto como algo intocável pela medicina - que corrigia um erro de percurso numa das veias do coração que ocasionava em morte, conhecida como “Tetralogia de Fallot” ou “Síndrome do Bebê Azul”. Vivendo em mundos diferentes, eles se conhecem em uma época marcada por fatos históricos como a Grande Depressão de 1930, a Segunda Guerra Mundial e a Segregação Racial. O Dr. Alfred Blalock (Alan Rickman, de Harry Potter) e o técnico de laboratório Vivien Thomas (Mos Def, de Uma Saída de Mestre) realizam cirurgias cardíacas usando uma técnica diferente, atuando como equipe de uma maneira impressionante. Mas ao mesmo tempo em que lutam contra o tempo para salvarem a vida de um bebê, ambos ocupam diferentes condições sociais na cidade. Thomas é negro e pobre, um habilidoso carpinteiro, que tinha um nome feminino pois sua mãe achava que teria uma menina e, quando veio um garoto, não quis mudar o nome escolhido,. Blalock é o ambicioso homem branco que dirige o Departamento Cirúrgico do Hospital Johns Hopkins; O primeiro é um jovem que almeja cursar uma faculdade, casar e se tornar médico e, vai trabalhar como faxineiro no laboratório do segundo. Quando Blalock e Thomas desbravam um novo campo na medicina, salvando milhares de vidas graças ao processo, as pressões sociais ameaçam minar sua parceria e por um fim à amizade que nasceu entre eles. O racismo é muito presente e nos mostra, sem julgamentos dos personagens, uma parte triste da história norte-americana. Apesar disso Thomas, não se deixou abater e soube usar a oportunidade a seu favor de forma invejável, mostrando suas habilidades como pessoa e correndo atrás de seus sonhos, tornando-se um “Doutor” por mérito. Dando o primeiro passo para as novas técnicas descobertas, percebemos que hoje em dia foi, sem dúvida alguma, de suma importância a primeira cirurgia cardíaca, pois desta forma foi desmistificada a idéia de que o coração seria um órgão intocável. A partir daí, abriram-se portas para novas descobertas, novos procedimentos cirúrgicos e até mesmo para o primeiro transplante cardíaco, fazendo com que a medicina se abarcasse em uma evolução refinada de aventuras, traçadas por sonhos, perseverança, ousadias, improvisações e, acima de tudo, vontade de ajudar ao próximo. Desse modo, o filme mostra que a falta de oportunidades na vida imposta, por exemplo, pelo preconceito racial pode ser uma barreira difícil de ser superada, mas, ainda assim, não é capaz de acabar, definitivamente, com o sonho de ninguém. Por outro lado, mostra também que vale à pena ter coragem e determinação para enfrentar o desconhecido, pois a compensação pode ser inumerável.
Walter Carvalho e Silva (João Pessoa, 1947) é fotógrafo e cineasta brasileiro. Walter é herdeiro do Cinema Novo. Começou no cinema ajudando o irmão — o também cineasta Vladimir Carvalho — como fotógrafo (e sendo muito influenciado por ele). Aos poucos, foi assumindo outros projetos de fotografia em cinema até se tornar, ele próprio, também diretor de cinema. Sua apurada fotografia cinematográfica tem a marca inconfundível do cinema brasileiro da segunda metade do século 20, assim como testemunha as transformações sociais, políticas e culturais pelas quais o Brasil tem passado nas últimas décadas. Seu filho, Lula Carvalho, também enveredou na carreira cinematográfica e está se tornando um dos mais importantes diretores de fotografia do cinema brasileiro contemporâneo, junto com o pai. João Jardim é carioca, estudou cinema na Universidade de Nova York e começou como assistente de direção. Trabalhou com Paul Mazursky em Luar sobre Parador (1988), com Murilo Salles em Faca de dois gumes (1989) e com Carlos Diegues em Dias melhores virão (1989). Montou programas musicais para televisão, produzidos pela Conspiração Filmes, entre os quais Tudo ao mesmo tempo agora (1991), com os Titãs, Mais (1991), com a cantora Marisa Monte, e Caetano 50 anos (1992), com Caetano Veloso. Seu primeiro longa-metragem para cinema, Janela da alma (2002), co-dirigido com o fotógrafo Walter Carvalho, foi o quarto maior público para um documentário desde a década de 90, e ganhou o prêmio do júri e do público na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Na Rede Globo integrou o núcleo de produção dirigido por Carlos Manga e editou e dirigiu minisséries, entre elas Engraçadinha. Em 2005, finalizou Pro dia nascer feliz, documentário que aborda a educação pública na adolescência em diversas regiões do país, que ganhou o prêmio especial do júri no 10º Cine-PE e foi selecionado pro Festival de Gramado 2006. Filme brasileiro premiado, Janela da Alma é um documentário. Dá voz e vez a dezenove pessoas com deficiências visuais diversas, desde a miopia discreta até a cegueira total. Elas apresentam sua visão de si mesmas, suas observações acerca dos outros e suas percepções do mundo. Fazem revelações pessoais e inesperadas sobre vários aspectos relativos à visão. A película resulta em uma reflexão emocionada sobre o ato de ver, ou não, o mundo e como isso é feito. Entre essas pessoas, um dos mais interessantes depoimentos é o do escritor português José Saramago, celebridade convidada por ter, em 1995, publicado o romance Ensaio sobre a Cegueira (um dos meus filmes favoritos). Com essa obra, conquistou o Prêmio Nobel de Literatura três anos depois. O grande autor fala sobre a vida e a relação entre os homens. Ele acredita, por exemplo, que se Romeu tivesse os olhos de falcão, provavelmente não teria se apaixonado por Julieta. Isso significa que a percepção que essa ave tem da realidade é muito mais ampla, profunda e repleta de detalhes não captados pelo olhar humano. Sobre esse exemplo, um oftalmologista afirmou ao ver o filme que Saramago, mesmo não sendo oftalmologista, demonstra uma grande sensibilidade sobre a visão e suas possibilidades e potencialidades. E que o autor deu um exemplo que normalmente esses médicos observam na prática: pacientes que fizeram cirurgia para melhorar a visão, não gostaram do que viram. Saramago assume, ainda, como lhe é peculiar, uma posição política fundada no conceito de cegueira da sociedade capitalista e de consumo. Enfatiza a cegueira do ver. Analisa a atual conjuntura sócio-política e econômica do mundo. Reafirma: "O que eu acho é que nós nunca estivemos tão próximos da caverna do Platão, como hoje..." Diz ele que, com a globalização e a quantidade excessiva de informação circulante, as pessoas estão cada vez mais enxergando o mundo por meio de sombras. As reflexões do autor estão entre as que melhor sintetizam a essência do filme. O documentário destoa da maioria, apresenta um tom levemente filosófico-poético, alcançando a dramaticidade e a comédia em determinados momentos, a produção de Walter Carvalho e João Jardim é bastante sensível e inteligente, explanando sobre as diferentes possibilidades de vermos o mundo, seja ela consciente, inconsciente ou imposta por alguma limitação física. Ele encerra-se através da imagem de um parto, que é quando o mundo surge diante dos olhos do bebê, o mundo real lhe é apresentado. Particularmente, eu achei um documentário fantástico. Principalmente para os amantes da fotografia como eu. Posso dizer com certeza que ele será mais uma obra cinematográfica que estará na minha lista de favoritos. E com letras garrafais.
Chuck Palahnuik é um grande escritor norte americano da atualidade. Além de jornalista é considerado um grande escritor de livros de romance, e com estilo áspero pode-se dizer que mantém viva a chama do underground. Seus livros, No sufoco, Sobrevivente, Diário e Cantiga de Ninar, trazem em si as características sombrias, como anti-heróis e muita crítica ao capitalismo. Mas não é emblemático e nem pretende ser, por isso é underground autêntico. Escreve o que vê e sente. Uma forma de protestar artística e politicamente incorreta. A história de como surgiu seu famoso livro Clube da Luta é bastante interessante. Ouve-se dizer que seu livro Sobrevivente também será adaptado para o cinema. Tomara que não. Alguns livros nascem apenas para serem lidos, melhor dizendo, a maioria deles. O filme sob a direção de David Fincher é abrilhantado pelo personagem de Edward Norton que narra a história. É um executivo que trabalha como investigador em uma companhia de seguros e vive muito confortavelmente, embora a sua existência seja vazia. Atormentado por insônias descobre finalmente uma cura: participar em sessões de terapia de grupo. Sente-se vivo e completo ao lado de pessoas cuja vida é indescritivelmente pior que a sua. A sua paz de espírito só é interrompida pela chegada da sensual e excêntrica Marla Singer (Helena Bonham Carter), uma sociopata com tendências suicidas cujos motivos para frequentar as sessões de terapia de grupo são parecidas com as dele próprio. Casualmente, o narrador conhece Tyler Durden (Brad Pitt) numa viagem de avião, um homem fora do normal que ganha a vida como vendedor de sabonetes. Chegado a casa recebe a notícia que o seu apartamento explodiu. Sem saber o que fazer telefona a Tyler e encontram-se num bar onde, depois de este lhe propor que passasse uns dias em sua casa, o convence a lutar com ele. Tyler apresenta-lhe então um novo estilo de vida: desligar-se da opressão social libertando a sua agressividade latente em lutas corpo-a-corpo. Assim nasce o clube que dá nome ao filme, que ganha cada vez mais adeptos ansiosos por aliviar as suas tensões lutando clandestinamente. Com o tempo o clube de combate evolui para algo mais: o Projeto Caos (Project Mayhem), uma organização anarco-primitivista orquestrada por Tyler que visa a propagação de seus ideais antimaterialistas e a destruição da própria estrutura econômica da sociedade de consumo. Ao longo do tempo, organiza ações como explosões de bancos, destruição de cafeterias (Starbucks) e a maior ação planejada, destruir sedes de prédios financeiros no país. Entrelaçando a arte cinematográfica a publicidade, pude perceber que o cinema normalmente se cinge ao diálogo, às imagens e a música (basta pensar em quantos filmes a escrita, a grafia, tem qualquer preponderância: muito poucos...), a publicidade constrói um discurso extremamente rico de sons, onomatopéias, grafias e efeitos visuais. Mas também aqui se pode adivinhar que o futuro do cinema será diferente. Como diferente se tem tornado ao nível de tipos de planos utilizados (nem sempre com vantagens narrativas, convenhamos, mas nos melhores casos com inegável benefício estético): a ousadia e a variedade gráfica acentuada dos planos na gramática visual publicitária (como nos vídeo clips) bem como a sua ligação mais curta e a ligação entre planos artificiosamente tem vindo influenciar a estética cinematográfica – daí resultando muitas vezes equívocos é certo, mas também ocasionalmente momentos de gênio visual. Um filme onde as estratégias de promoção e a própria obra são indestrinçáveis, onde a publicidade e o produto integram um e o mesmo todo – porque sem um o outro não existia. Não haveria narrativa. E podemos perguntar: neste caso, quem vampiriza quem? É a publicidade que vampiriza o filme ou é o filme que vampiriza a publicidade? Ou não acontece uma coisa nem outra e os dois compõem um único organismo, simbiótico e não predador? Para finalizar, resta apenas dizer que a publicidade não parece mais vampiresca do que o cinema, a pintura ou a literatura. E, a ser vampiresca, ela tem pelo menos uma coisa assegurada: a vida eterna. A menos, claro, que uma estaca seja espetada no coração do capitalismo. E, porque não dizer, da democracia.
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O Primeiro Amor
4.1 1,3K Assista AgoraFilme lindo e envolvente.
Os primeiros minutos são realmente engraçados e de cara já nos prende.
Tron: O Legado
3.2 1,8K Assista Agoraachei enfadonho e quase dormi no cinema pela primeira vez na minha vida
A Morte dos Lactobacilos Vivos
3.9 54KKKKKKK que bizarrice doida da mulésta. xD
Watchmen: O Filme
4.0 2,9K Assista AgoraA sena de sexo foi realmente engraçada, porém desnecessária. Se gostam muito de HQ assistam, mas não esperem muita coisa.
Watchmen: O Filme
4.0 2,9K Assista AgoraNão me empolgou o quanto esperava.
À Procura da Felicidade
4.2 2,8K Assista AgoraChoro e vibro sempre que assisto. Perdi as contas do tanto que vi. Assistam.
P.S. Eu Te Amo
3.7 2,7K Assista AgoraNão existe uma palavra mais adequada para descrever esse filme que não seja "PERFEITO" !!! *-*
Pequena Miss Sunshine
4.1 2,8K Assista AgoraAbigail Breslin além de ser linda com aquele cabelão invejável, é um taleto sem medida. ^^
Assistam.
Crossroads: Amigas para Sempre
2.6 668 Assista Agoraachei uma bosta... nem quero ver mais.
Quem Quer Ser um Milionário?
4.0 2,4K Assista AgoraFilme escrito por Simon Beaufoy, de naturalidade inglesa, também participou como diretor de documentários na Bournemouth College of Art and Design e depois se tornou roteirista. Seus créditos nesta função incluem ainda os filmes "Ou Tudo ou Nada", "Yasmin - Uma Mulher, Duas Vidas" e "Fuga Alucinada". Na TV, Beaufoy assinou o thriller de duas partes chamado "Burn Up", baseado na política da exploração do petróleo e das mudanças climáticas.
Quem quer ser um milionário (Slumdog Millionaire) é o ganhador do Oscar 2009 de melhor filme; é um drama que compreende os elementos mais desejados dos públicos. O filme tem muito de real, começando pela Índia, Mumbai, a cidade mais populosa, onde se passa toda a história. O filme coloca o telespectador no coração da metrópole de um país que lembra um pouco o nosso, porém, bem mais frustrado: um país das desigualdades, de miseráveis e nobres.
Jamal (Ayush M. Khedekar – criança, Tanay Chheda - jovem e Dev Patel - Adulto) e Salim (Azharuddin M. Ismail – criança, Ashutosh L. Gajiwala – jovem e Madhur Mittal - adulto) são dois irmãos que perdem a mãe ainda crianças, em um tumulto popular por motivos religiosos, e a partir daí são lançados às aventuras apavorantes que fazem parte do roteiro dos excluídos, literalmente, da vida. Mas não estão sozinhos, Latika (Rubiana Ali – criança, Tanvi G. Lonkar – jovem e Freida Pinto - adulta), na mesma situação, também estará presente, em uma série de encontros e desencontros. É nesse contexto que ambos são lançados às desgraças do mundo civilizado, e a miséria e o sabor dos dólares.
Mas as três crianças irão crescer e se enredar nas tramas humanas diante do infinito poder de corrupção do dinheiro. Ambos tomarão caminhos diferentes, não porque planejaram, mas pelos encontros acidentais de suas vidas em seus vários contextos.
Jamal, o irmão mais novo, ganhava a vida servindo chá, Salim, o mais velho, encontrou a vida no crime, e Latika conhecerá o gênero masculino em variações repugnantes. Jamal e Latika mais do que companheiros de miséria, também se descobriram nas surpresas afetivas, porém, o conto de fadas moderno reservará muita infelicidade.
Um dia Jamal se inscreve para um programa de perguntas e respostas onde poderá se tornar milionário. Mas se engana quem pensa que ele está em busca de milhões, o amor será mais uma vez colocado primeiro lugar - e não é no mundo ocidental, mas não podemos esquecer que a globalização também é moral.
Garoto pobre, que tinha tudo para ser mais um miserável, nutria um inocente amor de infância com Latika, mas que parece cada vez mais distante, e ainda tem a possibilidade de ser um milionário! - Eis a consagrada sopa de sucesso servida ao público pela indústria cultural.
A cada pergunta feita pelo apresentador, Jamal encontrava a resposta nas árduas lembranças de sua infância - no melhor dos estilos casuais, ou “nada é por acaso” para os mais crentes - outra fórmula de sucesso entre o público. O final fica por conta do telespectador, mas nada que um conto de fadas moderno não se revele por si só.
Recomendamos, principalmente, para fugir do insosso cardápio hollywoodiano. Embora a história se passe na Índia, é difícil dizer que você verá a cultura indiana, ou um mundo diferente, pelo contrário, tudo ali é muito ocidentalizado - aliás, nem uma vaca você verá durante o filme todo. Exceção disso são os atores que em sua grande maioria são indianos. A música também é “indiana”, com muitas aspas, pois está estilizada no ritmo pop do ocidente. O filme é recomendado para jovens a partir dos 16 anos, e adultos que estejam dispostos a ver um drama romântico e repleto de cenas cheias de dinamismo, algumas até engraçadas, e ótima fotografia. Mas mesmo que nada no filme o agrade, o ingresso é pouco para ver a linda criança Latika, e a hipnotizante beleza que aquela criança se transformou na personagem da indiana Freida Pinto.
Quase Deuses
4.2 510 Assista grátisJoseph Daniel Sargente (diretor de Quase Deuses - 2004) nascido em 22 de julho, 1925, em Jersey City, Nova Jersey, ator, produtor e, diretor, iniciou sua carreira na década de 1950 atuando em séries dramáticas de televisão ao vivo, e decidiu passar rapidamente para trás das câmeras. Ele posteriormente se tornou um dos mais experientes e, fracassados no cinema, abandonando as telonas após ser indicado ao Framboesa de Ouro com seu "Tubarão - A Vingança" (1987) e se manteve firme dirigindo filmes para a TV, até que a experiência lhe trouxe muitos Emmys e dois prêmios consecutivos como o Directors Guild Of America por "Quase Deuses" e "Warm Springs". O filme “Something the lord made”, traduzido aqui no Brasil como “Quase Deuses”, lançado em 2004, é sem sombra de dúvidas o melhor de seus trabalhos, recebeu 2 indicações ao Globo de Ouro, ganhou 3 prêmios no Emmy, sendo um de melhor filme.
O longa-metragem é parcialmente baseado no artigo jornalístico "Something the Lord Made", escrito por Katie McCabe e publicado no Washingtonian. Conta a história verdadeira e emocionante de dois homens que desafiaram as regras em sua época para iniciar uma revolução médica. Mos Def e Alan Rickman, interpretam a história real de Vivien Thomas (1910 - 1985) e, Alfred Blalock (1899 - 1964), responsáveis pela primeira cirurgia feita no coração - antes disso o órgão era visto como algo intocável pela medicina - que corrigia um erro de percurso numa das veias do coração que ocasionava em morte, conhecida como “Tetralogia de Fallot” ou “Síndrome do Bebê Azul”.
Vivendo em mundos diferentes, eles se conhecem em uma época marcada por fatos históricos como a Grande Depressão de 1930, a Segunda Guerra Mundial e a Segregação Racial. O Dr. Alfred Blalock (Alan Rickman, de Harry Potter) e o técnico de laboratório Vivien Thomas (Mos Def, de Uma Saída de Mestre) realizam cirurgias cardíacas usando uma técnica diferente, atuando como equipe de uma maneira impressionante. Mas ao mesmo tempo em que lutam contra o tempo para salvarem a vida de um bebê, ambos ocupam diferentes condições sociais na cidade. Thomas é negro e pobre, um habilidoso carpinteiro, que tinha um nome feminino pois sua mãe achava que teria uma menina e, quando veio um garoto, não quis mudar o nome escolhido,. Blalock é o ambicioso homem branco que dirige o Departamento Cirúrgico do Hospital Johns Hopkins; O primeiro é um jovem que almeja cursar uma faculdade, casar e se tornar médico e, vai trabalhar como faxineiro no laboratório do segundo.
Quando Blalock e Thomas desbravam um novo campo na medicina, salvando milhares de vidas graças ao processo, as pressões sociais ameaçam minar sua parceria e por um fim à amizade que nasceu entre eles. O racismo é muito presente e nos mostra, sem julgamentos dos personagens, uma parte triste da história norte-americana. Apesar disso Thomas, não se deixou abater e soube usar a oportunidade a seu favor de forma invejável, mostrando suas habilidades como pessoa e correndo atrás de seus sonhos, tornando-se um “Doutor” por mérito.
Dando o primeiro passo para as novas técnicas descobertas, percebemos que hoje em dia foi, sem dúvida alguma, de suma importância a primeira cirurgia cardíaca, pois desta forma foi desmistificada a idéia de que o coração seria um órgão intocável. A partir daí, abriram-se portas para novas descobertas,
novos procedimentos cirúrgicos e até mesmo para o primeiro transplante cardíaco, fazendo com que a medicina se abarcasse em uma evolução refinada de aventuras, traçadas por sonhos, perseverança, ousadias, improvisações e, acima de tudo, vontade de ajudar ao próximo.
Desse modo, o filme mostra que a falta de oportunidades na vida imposta, por exemplo, pelo preconceito racial pode ser uma barreira difícil de ser superada, mas, ainda assim, não é capaz de acabar, definitivamente, com o sonho de ninguém. Por outro lado, mostra também que vale à pena ter coragem e determinação para enfrentar o desconhecido, pois a compensação pode ser inumerável.
Janela da Alma
4.3 194 Assista AgoraWalter Carvalho e Silva (João Pessoa, 1947) é fotógrafo e cineasta brasileiro. Walter é herdeiro do Cinema Novo. Começou no cinema ajudando o irmão — o também cineasta Vladimir Carvalho — como fotógrafo (e sendo muito influenciado por ele). Aos poucos, foi assumindo outros projetos de fotografia em cinema até se tornar, ele próprio, também diretor de cinema. Sua apurada fotografia cinematográfica tem a marca inconfundível do cinema brasileiro da segunda metade do século 20, assim como testemunha as transformações sociais, políticas e culturais pelas quais o Brasil tem passado nas últimas décadas. Seu filho, Lula Carvalho, também enveredou na carreira cinematográfica e está se tornando um dos mais importantes diretores de fotografia do cinema brasileiro contemporâneo, junto com o pai.
João Jardim é carioca, estudou cinema na Universidade de Nova York e começou como assistente de direção. Trabalhou com Paul Mazursky em Luar sobre Parador (1988), com Murilo Salles em Faca de dois gumes (1989) e com Carlos Diegues em Dias melhores virão (1989). Montou programas musicais para televisão, produzidos pela Conspiração Filmes, entre os quais Tudo ao mesmo tempo agora (1991), com os Titãs, Mais (1991), com a cantora Marisa Monte, e Caetano 50 anos (1992), com Caetano Veloso. Seu primeiro longa-metragem para cinema, Janela da alma (2002), co-dirigido com o fotógrafo Walter Carvalho, foi o quarto maior público para um documentário desde a década de 90, e ganhou o prêmio do júri e do público na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Na Rede Globo integrou o núcleo de produção dirigido por Carlos Manga e editou e dirigiu minisséries, entre elas Engraçadinha. Em 2005, finalizou Pro dia nascer feliz, documentário que aborda a educação pública na adolescência em diversas regiões do país, que ganhou o prêmio especial do júri no 10º Cine-PE e foi selecionado pro Festival de Gramado 2006.
Filme brasileiro premiado, Janela da Alma é um documentário. Dá voz e vez a dezenove pessoas com deficiências visuais diversas, desde a miopia discreta até a cegueira total. Elas apresentam sua visão de si mesmas, suas observações acerca dos outros e suas percepções do mundo. Fazem revelações pessoais e inesperadas sobre vários aspectos relativos à visão. A película resulta em uma reflexão emocionada sobre o ato de ver, ou não, o mundo e como isso é feito. Entre essas pessoas, um dos mais interessantes depoimentos é o do escritor português José Saramago, celebridade convidada por ter, em 1995, publicado o romance Ensaio sobre a Cegueira (um dos meus filmes favoritos). Com essa obra, conquistou o Prêmio Nobel de Literatura três anos depois. O grande autor fala sobre a vida e a relação entre os homens. Ele acredita, por exemplo, que se Romeu tivesse os olhos de falcão, provavelmente não teria se apaixonado por Julieta. Isso significa que a percepção que essa ave tem da realidade é muito mais ampla, profunda e repleta de detalhes não captados pelo olhar humano. Sobre esse exemplo, um oftalmologista afirmou ao ver o filme que Saramago, mesmo não sendo oftalmologista, demonstra uma grande sensibilidade sobre a visão e suas possibilidades e potencialidades. E que o autor deu um exemplo que normalmente esses médicos observam na prática: pacientes que fizeram cirurgia para melhorar a visão, não gostaram do que viram. Saramago assume, ainda, como lhe é peculiar, uma posição política fundada no conceito de cegueira da sociedade capitalista e de consumo. Enfatiza a cegueira do ver. Analisa a atual conjuntura sócio-política e econômica do mundo. Reafirma: "O que eu acho é que nós nunca estivemos tão próximos da caverna do Platão, como hoje..." Diz ele que, com a globalização e a quantidade excessiva de informação circulante, as pessoas estão cada vez mais enxergando o mundo por meio de sombras. As reflexões do autor estão entre as que melhor sintetizam a essência do filme.
O documentário destoa da maioria, apresenta um tom levemente filosófico-poético, alcançando a dramaticidade e a comédia em determinados momentos, a produção de Walter Carvalho e João Jardim é bastante sensível e inteligente, explanando sobre as diferentes possibilidades de vermos o mundo, seja ela consciente, inconsciente ou imposta por alguma limitação física. Ele encerra-se através da imagem de um parto, que é quando o mundo surge diante dos olhos do bebê, o mundo real lhe é apresentado.
Particularmente, eu achei um documentário fantástico. Principalmente para os amantes da fotografia como eu. Posso dizer com certeza que ele será mais uma obra cinematográfica que estará na minha lista de favoritos. E com letras garrafais.
Clube da Luta
4.5 4,9K Assista AgoraChuck Palahnuik é um grande escritor norte americano da atualidade. Além de jornalista é considerado um grande escritor de livros de romance, e com estilo áspero pode-se dizer que mantém viva a chama do underground. Seus livros, No sufoco, Sobrevivente, Diário e Cantiga de Ninar, trazem em si as características sombrias, como anti-heróis e muita crítica ao capitalismo. Mas não é emblemático e nem pretende ser, por isso é underground autêntico. Escreve o que vê e sente. Uma forma de protestar artística e politicamente incorreta.
A história de como surgiu seu famoso livro Clube da Luta é bastante interessante. Ouve-se dizer que seu livro Sobrevivente também será adaptado para o cinema. Tomara que não. Alguns livros nascem apenas para serem lidos, melhor dizendo, a maioria deles.
O filme sob a direção de David Fincher é abrilhantado pelo personagem de Edward Norton que narra a história. É um executivo que trabalha como investigador em uma companhia de seguros e vive muito confortavelmente, embora a sua existência seja vazia. Atormentado por insônias descobre finalmente uma cura: participar em sessões de terapia de grupo. Sente-se vivo e completo ao lado de pessoas cuja vida é indescritivelmente pior que a sua. A sua paz de espírito só é interrompida pela chegada da sensual e excêntrica Marla Singer (Helena Bonham Carter), uma sociopata com tendências suicidas cujos motivos para frequentar as sessões de terapia de grupo são parecidas com as dele próprio.
Casualmente, o narrador conhece Tyler Durden (Brad Pitt) numa viagem de avião, um homem fora do normal que ganha a vida como vendedor de sabonetes. Chegado a casa recebe a notícia que o seu apartamento explodiu. Sem saber o que fazer telefona a Tyler e encontram-se num bar onde, depois de este lhe propor que passasse uns dias em sua casa, o convence a lutar com ele. Tyler apresenta-lhe então um novo estilo de vida: desligar-se da opressão social libertando a sua agressividade latente em lutas corpo-a-corpo. Assim nasce o clube que dá nome ao filme, que ganha cada vez mais adeptos ansiosos por aliviar as suas tensões lutando clandestinamente. Com o tempo o clube de combate evolui para algo mais: o Projeto Caos (Project Mayhem), uma organização anarco-primitivista orquestrada por Tyler que visa a propagação de seus ideais antimaterialistas e a destruição da própria estrutura econômica da sociedade de consumo. Ao longo do tempo, organiza ações como explosões de bancos, destruição de cafeterias (Starbucks) e a maior ação planejada, destruir sedes de prédios financeiros no país.
Entrelaçando a arte cinematográfica a publicidade, pude perceber que o cinema normalmente se cinge ao diálogo, às imagens e a música (basta pensar em quantos filmes a escrita, a grafia, tem qualquer preponderância: muito poucos...), a publicidade constrói um discurso extremamente rico de sons, onomatopéias, grafias e efeitos visuais. Mas também aqui se pode adivinhar que o futuro do cinema será diferente. Como diferente se tem tornado ao nível de tipos de planos utilizados (nem sempre com vantagens narrativas, convenhamos, mas nos melhores casos com inegável benefício estético): a ousadia e a variedade gráfica acentuada dos planos na gramática visual publicitária (como nos vídeo clips) bem como a sua ligação mais curta e a ligação entre planos artificiosamente tem vindo influenciar a estética cinematográfica – daí resultando muitas vezes equívocos é certo, mas também ocasionalmente momentos de gênio visual.
Um filme onde as estratégias de promoção e a própria obra são indestrinçáveis, onde a publicidade e o produto integram um e o mesmo todo – porque sem um o outro não existia. Não haveria narrativa. E podemos perguntar: neste caso, quem vampiriza quem? É a publicidade que vampiriza o filme ou é o filme que vampiriza a publicidade? Ou não acontece uma coisa nem outra e os dois compõem um único organismo, simbiótico e não predador?
Para finalizar, resta apenas dizer que a publicidade não parece mais vampiresca do que o cinema, a pintura ou a literatura. E, a ser vampiresca, ela tem pelo menos uma coisa assegurada: a vida eterna. A menos, claro, que uma estaca seja espetada no coração do capitalismo. E, porque não dizer, da democracia.