Nunca fui um apreciador do estilo de Petra Costa. Ela sempre parte do olhar em primeira pessoa para tecer seus comentários sobre o que retrata em seus filmes. Esse recurso me parece um tanto limitado quando o objetivo que ela se propõe é discutir temas políticos de tamanha amplitude e complexidade. Tudo fica um tanto superficial, o resultado limitando-se ao que a realizadora conseguir descobrir sobre o objeto que antes desconhecia. Esse parece ser um objetivo nobre, porém insuficiente. Os documentários de Petra Costa, esse e Democracia em vertigem, no entanto, ilustram muito bem certa mentalidade do setor hegemônico de uma certa esquerda de classe média. Alienados e distantes das classes populares, ficam atônitos frente ao avanço dos evangélicos no Brasil. Quem anda nas periferias brasileiras sabe que esse fenômeno não é recente e esse tópico é abordado de forma bem superficial no documentário. No mais, me incomoda também, certa romantização da democracia brasileira, num evidente canto de bem nascida que tem todas as boas intenções, mas não tem o estofo necessário para sair de sua perspectiva.
Segue uma tendência ruim de certos filmes brasileiros contemporâneos em explicitar a crítica social, subestimando a capacidade de interpretação do espectador. A crítica é boa, mas um filme não é uma dissertação e, portanto, ela não se expressa na forma do filme. O que vemos são referências a filmes de carros - Christine, Mad Max, Titane - e alguns diálogos que poderiam ser encontrados no feed do twitter. As personagens não esboçam qualquer tipo de conflito, não vemos qual é o papel da luta política em suas vidas, parecendo estereótipos vivos do militante comum. E a crítica ao governo da época é bem óbvia, emulando um meme famoso, que mostra o desespero do filme em dizer algo politicamente relevante, mesmo ao custo de sua coesão.
Estava sofrendo para acompanhar, só queria terminar. A primeira temporada foi muito instigante mas, de fato, a tendência é evitar que a estória se desenvolva para garantir outras temporadas e obter o maior lucro possível, semelhante à Casa do Dragão.
Achei a escolha acertada da produção em fugir do melodrama - que é a saída mais convencional em filmes que abordam o luto - para apostar numa dramaturgia do cotidiano que se torna bem palpável ao espectador com os posicionamentos da câmera em relação ao cenário, quase esculpindo situações concretas, confiando na sensibilidade e interpretação do espectador. [spoiler][/spoiler] Nesse mesmo sentido, situam-se as cenas do parto e a da tentativa frustrada da relação sexual do casal. Importa mais ao filme expor esses fragmentos do cotidiano do que desenvolver a narrativa em diálogos autoexplicativos ou expressivos. Essa opção traz uma concretude sensorial muito forte ao filme, onde seu aspecto formal também apresenta essa crueza que no fundo, é a situação que a protagonista enfrenta. Foge também do melodrama a performance de Vanessa Kirbi e também a opção final em indicar que a vida continua. Um ótimo filme, na minha opinião.
Pra quem já viu Good Timeso filme é bem previsível. Ambos os personagens de Pattison, em Good Time, e Sandler estão fadados aos fracasso desde o início. Posto isso, achei a solução para a personagem de Sandler meio gratuíta.
Até a metade o filme soube sustentar um clima piegas que ao mesmo tempo é criativo, já que coloca o espectador no lugar da criança q vê o programa. Essa sacada justamente suaviza o aspecto piegas, já que assim toda o jogo lúdico criado faz sentido, e o filme nos faz conectar ou nos perguntarmos por nossa criança interior. No entanto, a necessidade de dar fim ao roteiro, com a reconciliação forçada entre pai e filho, diminuiu o brilho dessa filme que me já me surpreendia. Se sustentasse até o fim o jogo lúdico com o espectador sem se render ao clichê moralista familiar, seria uma ótima surpresa.
Acredito que o filme se expressa numa linguagem alegórica, onde a jornada de Bubby reflete a luta humana pelo autoconhecimento e o conhecimento do mundo.
[ O filme começa com referências ao mito da caverna platônico e o complexo de édipo, para tematizar essa busca do Eu. Interessante atentar para a capacidade mimética dessa personagem, parecendo que a obre propõe uma visão materialista da alma humana. Não existe uma personalidade inerente em Bubby, ele imita tudo ao seu redor. Bubby só consegue se encontrar, porém, quando para de mimetizar e passa a criar a si mesmo. Acho que pra mim, essa foi a mensagem mais bela do filme].
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Batem à Porta
3.1 671Shyamalan ilustra muito bem q no cristianismo o amor sempre é punido com a morte.
Apocalipse nos Trópicos
3.8 189 Assista AgoraNunca fui um apreciador do estilo de Petra Costa. Ela sempre parte do olhar em primeira pessoa para tecer seus comentários sobre o que retrata em seus filmes. Esse recurso me parece um tanto limitado quando o objetivo que ela se propõe é discutir temas políticos de tamanha amplitude e complexidade. Tudo fica um tanto superficial, o resultado limitando-se ao que a realizadora conseguir descobrir sobre o objeto que antes desconhecia. Esse parece ser um objetivo nobre, porém insuficiente. Os documentários de Petra Costa, esse e Democracia em vertigem, no entanto, ilustram muito bem certa mentalidade do setor hegemônico de uma certa esquerda de classe média. Alienados e distantes das classes populares, ficam atônitos frente ao avanço dos evangélicos no Brasil. Quem anda nas periferias brasileiras sabe que esse fenômeno não é recente e esse tópico é abordado de forma bem superficial no documentário. No mais, me incomoda também, certa romantização da democracia brasileira, num evidente canto de bem nascida que tem todas as boas intenções, mas não tem o estofo necessário para sair de sua perspectiva.
Carro Rei
2.9 30Segue uma tendência ruim de certos filmes brasileiros contemporâneos em explicitar a crítica social, subestimando a capacidade de interpretação do espectador. A crítica é boa, mas um filme não é uma dissertação e, portanto, ela não se expressa na forma do filme. O que vemos são referências a filmes de carros - Christine, Mad Max, Titane - e alguns diálogos que poderiam ser encontrados no feed do twitter. As personagens não esboçam qualquer tipo de conflito, não vemos qual é o papel da luta política em suas vidas, parecendo estereótipos vivos do militante comum. E a crítica ao governo da época é bem óbvia, emulando um meme famoso, que mostra o desespero do filme em dizer algo politicamente relevante, mesmo ao custo de sua coesão.
Dito isso, saudade do Cinema Marginal.
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Leon Morin, o Padre
4.1 26a fé como sublimação (inefetiva) do desejo.
Ruptura (2ª Temporada)
4.1 351 Assista AgoraEstava sofrendo para acompanhar, só queria terminar. A primeira temporada foi muito instigante mas, de fato, a tendência é evitar que a estória se desenvolva para garantir outras temporadas e obter o maior lucro possível, semelhante à Casa do Dragão.
Ninotchka
4.1 117 Assista AgoraPropaganda antissoviética engraçadinha.
Pedaços De Uma Mulher
3.8 545 Assista AgoraAchei a escolha acertada da produção em fugir do melodrama - que é a saída mais convencional em filmes que abordam o luto - para apostar numa dramaturgia do cotidiano que se torna bem palpável ao espectador com os posicionamentos da câmera em relação ao cenário, quase esculpindo situações concretas, confiando na sensibilidade e interpretação do espectador. [spoiler][/spoiler]
Nesse mesmo sentido, situam-se as cenas do parto e a da tentativa frustrada da relação sexual do casal. Importa mais ao filme expor esses fragmentos do cotidiano do que desenvolver a narrativa em diálogos autoexplicativos ou expressivos. Essa opção traz uma concretude sensorial muito forte ao filme, onde seu aspecto formal também apresenta essa crueza que no fundo, é a situação que a protagonista enfrenta. Foge também do melodrama a performance de Vanessa Kirbi e também a opção final em indicar que a vida continua.
Um ótimo filme, na minha opinião.
Joias Brutas
3.7 1,2K Assista AgoraPra quem já viu Good Timeso filme é bem previsível. Ambos os personagens de Pattison, em Good Time, e Sandler estão fadados aos fracasso desde o início. Posto isso, achei a solução para a personagem de Sandler meio gratuíta.
Um Lindo Dia Na Vizinhança
3.5 280 Assista AgoraAté a metade o filme soube sustentar um clima piegas que ao mesmo tempo é criativo, já que coloca o espectador no lugar da criança q vê o programa. Essa sacada justamente suaviza o aspecto piegas, já que assim toda o jogo lúdico criado faz sentido, e o filme nos faz conectar ou nos perguntarmos por nossa criança interior. No entanto, a necessidade de dar fim ao roteiro, com a reconciliação forçada entre pai e filho, diminuiu o brilho dessa filme que me já me surpreendia. Se sustentasse até o fim o jogo lúdico com o espectador sem se render ao clichê moralista familiar, seria uma ótima surpresa.
Bad Boy Bubby
4.0 149Acredito que o filme se expressa numa linguagem alegórica, onde a jornada de Bubby reflete a luta humana pelo autoconhecimento e o conhecimento do mundo.
[ O filme começa com referências ao mito da caverna platônico e o complexo de édipo, para tematizar essa busca do Eu. Interessante atentar para a capacidade mimética dessa personagem, parecendo que a obre propõe uma visão materialista da alma humana. Não existe uma personalidade inerente em Bubby, ele imita tudo ao seu redor. Bubby só consegue se encontrar, porém, quando para de mimetizar e passa a criar a si mesmo. Acho que pra mim, essa foi a mensagem mais bela do filme].
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