Resident Evil sem terror. O filme tinha absolutamente tudo para agradar tanto a fan base dos games quanto o novo público, mas percorreu um caminho enfadonho do famoso alívio cômico em cenas pitorescas onde a única reação do público é pensar ''Que merda é essa?''...
Execução completamente quebrada depois do primeiro ato, mas o filme atrai pelos efeitos visuais e de câmera. Eu assistiria em casa, mas me arrependi de ter ido ao cinema.
O filme me prendeu do início ao fim, esse ar de mistério, mas ao mesmo os seres aparecem de forma clara e agressiva trazem uma atmosfera que você não sabe o momento que tudo pode dar merd...
Entretanto, algumas coisa começam a incomodar no que tange o próprio conceito dos personagens...
Como pode uma família do interior dos Estados Unidos descobrir uma invasão alienígena e literalmente não se armar, não se defender ou procurar ajuda decente? O final do filme também ficou bem fraco com essa tentativa metafísica vinculada a figura do Padre da Shopee, enfim...
Tem seus problemas de conclusão, mas vale a experiência sem dúvidas!
''Cenários desabarem é coisa que acontece. Acordar, bonde, quatro horas no escritório ou na fábrica, almoçar, bonde, quatro horas de trabalho, jantar, sono e segunda terça quarta quinta sexta e sábado no mesmo ritmo, um percurso que transcorre sem problemas a maior parte do tempo. Um belo dia surge o “por quê?” e tudo começa a entrar numa lassidão tingida de assombro”
Acho que essa citação do Camus ecoa na vida de tantos trabalhadores ao redor do mundo. A Iris vivia esperando um porquê e nem isso a realidade da existência maquinal do indivíduo reduzido a uma peça de produção conseguiu produzir para ela. Em uma imensidão de fósforos nem um, nem ao menos um acendeu o coração dela.
Nosso coração fica partido, mas no fundo todos nós somos um pouco ela, talvez com mais distrações tecnológicas, mas ao nos deitarmos a solidão está ali, esperando para nos desprezar a cada instante.
É o tipo de angústia que só a imensidão do espaço pode causar no ser humano. Somos menos, muito menos que um pálido ponto azul. Em termos de escala, não somos nada.
Ainda que algumas camadas poderiam ter sido mais exploradas o filme é perfeito em mostrar de forma linear uma temática que sempre se perde para metafísica ou soluções divinas, que é nada mais nada menos que: A realidade e o mundo real. Um dos maiores méritos desse filme, na minha opinião, foi exatamente isso, não cair na visão religiosa, na culpa divina ou no existencialismo cristão. Somos o que somos, seja na terra ou na vastidão do universo.
Agora, algo que me irritou profundamente foi a sonda que chegou na nave virar apenas um tópico curto do filme sem nenhuma explicação plausível ou que inferiu algo na trama. Na vastidão do universo um objeto estranho alcança uma nave e mesmo que não seja exatamente o que eles queriam fica por isso mesmo? Outra coisa é a falta de contato externo (Com os residentes de marte ou da terra) porque não faz sentido não haver nenhum tipo de contato, não é como se fossem uma nave que se tornou a única habitação humana, ela estava justamente indo para outro planeta, mas enfim, o foco do filme realmente não foi isso.
Tentativas superficiais de mesclar ciência e religião, ou algum tipo de crença que justifique a importância humana, apenas para, no fim, deixar tudo no âmbito metafísico.
Grande potencial desperdiçado por medo de arriscar uma trama inovadora. Mais do mesmo, só que mais lento e preguiçoso.
Como é delicioso assistir algo que não é óbvio e muito disso vez de ser uma temática explorada quase que exclusivamente por estadunidenses e aqui na ótica de uma nacionalidade que não costuma trazer ao cinema esse tipo de filme. FANTÁSTICO!
Tudo é muito bem feito! Arrisco dizer que uma série teria sido melhor ainda! Você termina a obra instigado a querer conhecer mais desse universo que é o retrato para onde, assim como eles, estão caminhando...
Deuses não cabem em duas horas de filme, mas nós apreciamos o que há de se condensar do melhor deles.
Esse filme poderia ser uma trilogia e até mesmo uma série, realmente muitas coisas a gente quer entender melhor como foi e o porquê, mas ficam atropeladas...
O filme poderia se chamar "Ensaio sobre o Desprezo" e ainda assim seria um título condizente com a trama...
Não há um único personagem que pratique uma boa ação. A ideia de empatia simplesmente não existe no universo que permeia tanto as classes pobres quanto as ricas da história. Tudo é um jogo de aparências com breves momentos de prazer contido. Sem dúvida, um retrato fiel de uma burguesia clássica que usa outros seres humanos apenas para seus próprios fins.
Quanto à dupla dinâmica: de um lado, um esquizofrênico quase dadaísta, e do outro... Como defini-los? Eles simplesmente existem, e não sabemos por quê. Mas, ao existirem, também sofrem, e esse sofrimento é o fio condutor que permeia tudo.
A sensação que me resta ao terminar o filme é que todas as camadas da sociedade são tão sujas que é difícil dizer qual ato é mais malévolo. Não há escapatória, tudo está corrompido, tudo pode ser corrompido e tudo sucumbirá ao mal.
Quem foi assistir esperando Interestelar se decepcionou com força! Eu já sabia da proposta do filme, fui com a mente aberta e me diverti muito.
O filme não é um besteirol propriamente dito, mas ele também não consegue se decidir que posição vai ocupar nessa história. Em alguns momentos vira um sci-fi e em outros piadocas de tio, mas que funcionam na trama. Me pergunto sobre as motivações do personagem principal que, infelizmente, o filme não revelou tanto sobre seu passado e falta de motivações.
Existe um mundo e este mundo a que me refiro é este que vivemos.
São poucas as obras que em sua continuação conseguem superar o primeiro trabalho. A criatura superar o criador é um momento único e que acontece muito poucas vezes no âmbito cinematográfico.
O filme é irretocável em todos os sentidos. Como é bom ter certeza de estar vivendo no lançamento e na continuação do que será um clássico do cinema mundial.
O cinema vive nas mãos de quem se entrega a ele.
Obrigado por Blade Runner e agora mais um obrigado por Duna, Villeneuve.
Existem algumas coisas humanas que nem todos os humanos sentem ao longo de sua vida.
Um dia comum de céu azul e sol e de repente... O luto nasce no seu coração e não há nada que lhe prepare para isso! Você é impedido de aproveitar toda beleza que circunda cada centímetro quadrado da sua vida e não há data para esse sentimento acabar. É só você e, somente você, que pode dar sentido a vida após isso.
Alguns personagens aparecem na trama apenas para servir de trampolim para algum sentimento da protagonista o que não traz profundidade para a trama, acentuando ainda mais a camada de egoísmo e insensibilidade travestida de desprezo que ela tenta transpassar. No fundo, é uma alma penada sofrendo por anos em um local pequeno demais para tanto sofrimento...
Uma história que caberia em um curta ou um conto, mas que aqui se estende desnecessariamente ao formato e duração de filme! Agradável de se assistir e ambientado em uma das cidades que já foi o pico da humanidade, mas acaba esquecendo que o telespectador, que aqui ocupa a figura de 'espiar' o protagonista também se cansa dos interlúdios e fica curioso para saber os desfechos e motivações!
Fomos enganados por quase duas horas propositalmente.
Me pergunto o quanto a tecnologia tornou mais vívido sentimento de perseguir e descobrir informações de outras pessoas e que no mundo de hoje tornou-se uma muleta para o existir. Estamos apenas assistindo nosso próprio protagonismo nas redes e no fundo temos prazer em saber que o inferno são os outros...
Em termos teóricos e ao longo da história a humanidade ainda não conseguiu desenvolver uma forma de voltar no tempo. Nós imaginamos e desejamos tentar mudar algo que poderia ter sido em outra direção, um segundo a menos ou em uma data diferente, mas em vão... O cérebro e nossa mente vagueiam no campo da imaginação para tentar responder a uma resposta que desafia nossa capacidade de ser racional. Ficamos à deriva em uma cenário de querer, mas não poder...
Esse final é, em termos práticos, o mais próximo que podemos ter de uma máquina do tempo. É encontrar nosso eu do passado e fazer as pazes da forma mais sincera e intensa possível, para só assim conseguir vislumbrar os próximos passos de um destino que antes era completamente nebuloso. É uma catarse tão forte que que dói, mas nos alivia.
O que falar sobre a nostalgia e a melancolia? Nem mesmos as cores em preto e branco tornam amargas as lembranças do que um dia foram os melhores momentos da sua vida...
Não quero mais aprender a viver, sinto que o período de absorver e entender os elementos que regem o mundo já se maturaram em mim e agora e por boa parte da minha vida me resta processar esse volume enorme entre o estar vivo e o não estar. Estamos inexoravelmente reféns do tempo e das lembranças de alegria.
Nós sabemos muito bem por que vocês que criticam tanto os minutos iniciais. Com toda certeza não permeiam questões de roteiro, filmografia ou direção, mas sim aquele motivo que é tema central do filme.
Sátira é tudo aquilo que usa da arte para inflar um problema real e torná-lo cômico e, com isso, tecer crítica a este problema. Eu de verdade não enxerguei momentos em que inflaram a temática do filme. É literalmente o que está acontecendo no país que supostamente é uma democracia. Contra fatos não há argumentos, meus queridos senhores.
Willa linda demais! Di Caprio como sempre sendo um ótimo desequilibrado e toda a estrutura de relações entre os personagens é brilhante.
O filme possui duas horas de duração, mas teria sido MUITO MAIS PROVEITOSO se houvesse um final diferente... Por que a necessidade de realmente explicitar as coisas? O final em aberto pode ser mais proveitoso para uma trama do que alguns minutos a mais que acabam dando uma certeza...
Adorei toda a ambientação, as atuações e também a temática, que passeia desde teorias da conspiração até o corporativismo e o capitalismo predatório.
Sempre sinto que o Yorgos vai bem, mas nunca consegue ser 100%
PS: Acabo de descobrir que o filme é uma releitura do Save the Green Planet, sul coreano. Assim fica difícil defender...
O ditado combina exatamente com o filme pois se trata dessa relação interpessoal de tentar quantificar o sofrimento de quem se amou no outro... Esperamos até o último segundo para a primeira garfada pútrida e gelada desse prato chulo que não traz ao menos o sabor do gozo de saber que a justiça foi feita, mas sim de que, de alguma forma, inferimos dor e agonia a aquele que odiamos...
Uma é sobre as consequências que um pai fraco e sem personalidade tem em seu núcleo familiar. A crítica é justamente que para compor uma família é necessário ter personalidade e saber quem você realmente é. Demonstrar fraqueza a cada ato nada mais é que permitir que tudo aconteça sob seus olhos. O filme já se inicia com o pai cedendo a algo.
A segunda é sobre como o ato de ceder pode destruir o bem-estar social, independente de onde você esteja. É perigoso tentar interpretar as ações e permitir as consequências respeitando sempre a moral vigente que você está acostumado. O mundo não vai perdoar ao enxergar sua passividade e sua fraqueza perante a ele.
No fim, é sobre o ato de permitir. No fundo, eles deixaram...
Acho que o final desse filme flerta muito com a concepção do Absurdo do Camus. Lutamos bravamente para criar algum sentido em um existência sem objetivos. Mesmo que haja uma vida após a morte a razão não nos permite verificar essa possibilidade, tornando qualquer especulação sobre o pós vida uma total e insignificante metafísica.
A grande questão é: Quem são os indivíduos dispostos a criar sentido para essa vida e quem são os que, diante dessa liberdade infinita, não irão conseguir lidar com o fato de que o sentido da vida vem apenas de SI MESMO? Martyrs é sobre como escolher dar sentido à nossas vidas e assim escolhemos, sim, escolhemos a todo instante gastar energia vital para responder um por quê.
Por que fazer um ser humano sofrer tanto? A dúvida da vida após a morte faz sentido entre os ressentidos. Velhos que viveram o bastante e desejam viver mais ou deixaram de viver o que gostariam e acabam depositando suas esperanças em um mundo/realidade paralelos (Platão/Cristianismo).
O final do filme é justamente isso: Não há responde que salve a seita. A completa inexistência de um outro plano torna toda investigação uma perda de tempo na única vida existente. São todos velhos. Decrépitos e sem vida. Escolheram gastar suas energias depositando o sentido na resposta.
Se existe vida após, há algumas possibilidades:
- Ela é relacionada com esse plano, sendo uma extensão direta do que você fez ou faz aqui. Isso traria sofrimento há um bando de velhos ressentidos que buscam na resposta uma salvação. ''Gastei minha energia torturando pessoas que se conectam com a outra vida''
- Ela existe, mas não se relaciona em nada com esse mundo, ou seja, apesar de existir o pós vida o que você é agora não irá fazer nenhum sentido ou questão de existir em outro plano. É a mesma coisa que dizer que existe um outro planeta terra e um outro você. Eles existem, mas não se relacionam.
- Ela existe, se relaciona com esse plano e este plano interfere no pós vida. Neste caso nem precisamos falar: Torturar mulheres e crianças sistematicamente por anos irá trazer quais benefícios na outra vida?
No fim eles buscam apenas o motivo e quando ela teve a certeza, se matou. Os demais estão no mundo e perderam a viagem, esperando o tempo passar para terem a experiência da dúvida...
Dei uma nova oportunidade ao New French Extremity, pois há alguns anos iniciei com o BRILHANTE e na minha humilde opinião MELHOR filme de terror/suspense da história que é o Martyrs.
Entretanto, nesse filme os elementos gráficos até apelam para o gore e para a violência e o filme realmente te prende, isto é inegável! Porém, o entusiasmo pelo movimento aclamado cai por terra quando...
Você percebe que o roteirista era esquizofrênico e quis empurrar esquizofrenia, mas entregou algo místico sem pé nem cabeça (literalmente). Em vários momentos é impossível para o andamento da trama que tenha tido a possibilidade da mesma pessoa ter feito duas ações em locais diferentes. Porém, algumas cenas sendo revistas realmente deixam mais claro como desde o início era, supostamente, a Marie, como é a cena da mãe da Alex perguntando ''por que? por que?''.
Acho que podemos enxergar esse filme de três formas e termos paz no coração:
Primeira: Aproveite a violência e o suspense e ponto final, tudo faz sentido de alguma forma.
Segunda: O motorista da Van e a Marie são a mesma pessoa e de alguma forma ela conseguiu fazer aquilo tudo e ainda ocupar dois locais ao mesmo tempo
Terceira e mais ousada: O final do filme na verdade mostra o universo real onde Marie é esquizofrênica e em meio a muitos surtos foi parar em um hospital psiquiátrico onde relata toda essa história de terror onde ela salva sua grande amada Alex. Faz certo sentido na minha cabeça porque a Alex vai visita-la com certo sentimento (botando a mão no vidro e demonstrando preocupação). Isso jamais faria sentido se ela, de fato, tivesse assassinado sua família inteira. Me parece que o roteirista gastou 99% para explicar o ponto de vista da Marie e na última gota mostrar a realidade, mas sem deixar claro que realmente é.
Posso estar viajando? Sim, mas essa foi minha percepção!
Creio que a maior parte das pessoas irão compreender e entender esse filme como um filme sobre a frieza, sobre a psicopatia ou até mesmo o niilismo... Diferente de muitas resenhas que li e, creio que essa tenha sido a intenção do diretor, o filme mostra justamente o contrário e enfatiza de forma bem 'cru' o que é ter que lidar com o que existe além do campo dos sentimentos: As consequências.
Qual é a dor do filme? Existe? Dor, tristeza ou arrependimento são sentimentos inerentes a espécie humana, mas que emergem de formas muitos subjetivas dependendo, principalmente, de onde e como você viveu...
Sinceramente eu senti que esse ambiente meio Tecnocrata onde os pais possibilitam tudo para os filhos e o fazem ser máquinas e metas é um dos pontos centrais da trama. Se existe um problema logo existe uma solução, assim como uma dívida ou um juros a ser quitado. As relação tem um peso linear e a subjetividade entra para o campo onde somente o que EU sinto importa. O protagonista REALMENTE não se importa com seus atos porque seu Modus Operandis é esse: O que importa é a MINHA curiosidade. O mundo que existe a minha frente é o meio de explorar o que eu desejo. As consequências não importam e, nessa família, realmente não importam...
Para ser sincero o filme é EXTREMAMENTE monótono, até porque a intenção é mostrar como uma sociedade com conflitos políticos e guerras urbanas ainda assim possuem elites que permitem a certos seres humanos a possibilidade de viver bem.
O Benny é o exemplo perfeito de como o mal nasce, existe e é perpetuado. Não importa se ele acha algo bom ou ruim, mas sim que ele possui PLENA consciência de que as consequências de seus atos são fugazes. Seus pais são lobos em pele de cordeiro que ao perceberem que o filho fez algo errado tentam entender o que ele tirou de lição para isso, enquanto outro ser humano foi BRUTALMENTE ASSASSINADO.
Mesmo assim, em meio a surtos de sua mãe, lapsos de culpa e um ambiente familiar estéril ele decide em sua última ação chegar no limite dos seus atos que é: Tentar encontrar a experiência de punir seus pais, que na mesma proporção são seus algozes...
Resident Evil
3.6 221Resident Evil sem terror. O filme tinha absolutamente tudo para agradar tanto a fan base dos games quanto o novo público, mas percorreu um caminho enfadonho do famoso alívio cômico em cenas pitorescas onde a única reação do público é pensar ''Que merda é essa?''...
Execução completamente quebrada depois do primeiro ato, mas o filme atrai pelos efeitos visuais e de câmera. Eu assistiria em casa, mas me arrependi de ter ido ao cinema.
Sinais
3.5 1,4K Assista AgoraO filme me prendeu do início ao fim, esse ar de mistério, mas ao mesmo os seres aparecem de forma clara e agressiva trazem uma atmosfera que você não sabe o momento que tudo pode dar merd...
Entretanto, algumas coisa começam a incomodar no que tange o próprio conceito dos personagens...
Como pode uma família do interior dos Estados Unidos descobrir uma invasão alienígena e literalmente não se armar, não se defender ou procurar ajuda decente? O final do filme também ficou bem fraco com essa tentativa metafísica vinculada a figura do Padre da Shopee, enfim...
Tem seus problemas de conclusão, mas vale a experiência sem dúvidas!
A Garota da Fábrica de Fósforos
3.9 175''Cenários desabarem é coisa que acontece. Acordar, bonde, quatro horas no escritório ou na fábrica, almoçar, bonde, quatro horas de trabalho, jantar, sono e segunda terça quarta quinta sexta e sábado no mesmo ritmo, um percurso que transcorre sem problemas a maior parte do tempo. Um belo dia surge o “por quê?” e tudo começa a entrar numa lassidão tingida de assombro”
Acho que essa citação do Camus ecoa na vida de tantos trabalhadores ao redor do mundo. A Iris vivia esperando um porquê e nem isso a realidade da existência maquinal do indivíduo reduzido a uma peça de produção conseguiu produzir para ela. Em uma imensidão de fósforos nem um, nem ao menos um acendeu o coração dela.
Nosso coração fica partido, mas no fundo todos nós somos um pouco ela, talvez com mais distrações tecnológicas, mas ao nos deitarmos a solidão está ali, esperando para nos desprezar a cada instante.
Somos apenas unidades que os outros impõem valor.
O Incrível Circo Digital
4.0 24 Assista AgoraI have no mouth but i want to scream, mas suavizado e palatável ao públcio geral.
Animação muito bonita e dispenso comentários para a dublagem... EXCELENTE!
Aniara
3.4 44 Assista AgoraÉ o tipo de angústia que só a imensidão do espaço pode causar no ser humano. Somos menos, muito menos que um pálido ponto azul. Em termos de escala, não somos nada.
Ainda que algumas camadas poderiam ter sido mais exploradas o filme é perfeito em mostrar de forma linear uma temática que sempre se perde para metafísica ou soluções divinas, que é nada mais nada menos que: A realidade e o mundo real. Um dos maiores méritos desse filme, na minha opinião, foi exatamente isso, não cair na visão religiosa, na culpa divina ou no existencialismo cristão. Somos o que somos, seja na terra ou na vastidão do universo.
Agora, algo que me irritou profundamente foi a sonda que chegou na nave virar apenas um tópico curto do filme sem nenhuma explicação plausível ou que inferiu algo na trama. Na vastidão do universo um objeto estranho alcança uma nave e mesmo que não seja exatamente o que eles queriam fica por isso mesmo? Outra coisa é a falta de contato externo (Com os residentes de marte ou da terra) porque não faz sentido não haver nenhum tipo de contato, não é como se fossem uma nave que se tornou a única habitação humana, ela estava justamente indo para outro planeta, mas enfim, o foco do filme realmente não foi isso.
Memórias
4.1 93Magnetic Rose - A angústia existe até mesmo no vácuo do espaço e somos nós mesmos que construímos as histórias pelas quais escolhemos sofrer
Stink Bomb - A ineficiência do ser humano é brutal
Cannon Fodder - 1984, apenas.
Dia D
3.0 551Um esforço monumental para um final medíocre.
Tentativas superficiais de mesclar ciência e religião, ou algum tipo de crença que justifique a importância humana, apenas para, no fim, deixar tudo no âmbito metafísico.
Grande potencial desperdiçado por medo de arriscar uma trama inovadora. Mais do mesmo, só que mais lento e preguiçoso.
Mars Express
3.9 26 Assista AgoraComo é delicioso assistir algo que não é óbvio e muito disso vez de ser uma temática explorada quase que exclusivamente por estadunidenses e aqui na ótica de uma nacionalidade que não costuma trazer ao cinema esse tipo de filme. FANTÁSTICO!
Tudo é muito bem feito! Arrisco dizer que uma série teria sido melhor ainda! Você termina a obra instigado a querer conhecer mais desse universo que é o retrato para onde, assim como eles, estão caminhando...
Michael
3.8 539 Assista AgoraDeuses não cabem em duas horas de filme, mas nós apreciamos o que há de se condensar do melhor deles.
Esse filme poderia ser uma trilogia e até mesmo uma série, realmente muitas coisas a gente quer entender melhor como foi e o porquê, mas ficam atropeladas...
Jaafar Jackson é Oscar de melhor ator, sem mais!
Mulheres Diabólicas
4.0 100 Assista AgoraO filme poderia se chamar "Ensaio sobre o Desprezo" e ainda assim seria um título condizente com a trama...
Não há um único personagem que pratique uma boa ação. A ideia de empatia simplesmente não existe no universo que permeia tanto as classes pobres quanto as ricas da história. Tudo é um jogo de aparências com breves momentos de prazer contido. Sem dúvida, um retrato fiel de uma burguesia clássica que usa outros seres humanos apenas para seus próprios fins.
Quanto à dupla dinâmica: de um lado, um esquizofrênico quase dadaísta, e do outro... Como defini-los? Eles simplesmente existem, e não sabemos por quê. Mas, ao existirem, também sofrem, e esse sofrimento é o fio condutor que permeia tudo.
A sensação que me resta ao terminar o filme é que todas as camadas da sociedade são tão sujas que é difícil dizer qual ato é mais malévolo. Não há escapatória, tudo está corrompido, tudo pode ser corrompido e tudo sucumbirá ao mal.
Devoradores de Estrelas
4.0 805 Assista AgoraQuem foi assistir esperando Interestelar se decepcionou com força! Eu já sabia da proposta do filme, fui com a mente aberta e me diverti muito.
O filme não é um besteirol propriamente dito, mas ele também não consegue se decidir que posição vai ocupar nessa história. Em alguns momentos vira um sci-fi e em outros piadocas de tio, mas que funcionam na trama. Me pergunto sobre as motivações do personagem principal que, infelizmente, o filme não revelou tanto sobre seu passado e falta de motivações.
Duna: Parte Dois
4.2 867 Assista AgoraExiste um mundo e este mundo a que me refiro é este que vivemos.
São poucas as obras que em sua continuação conseguem superar o primeiro trabalho. A criatura superar o criador é um momento único e que acontece muito poucas vezes no âmbito cinematográfico.
O filme é irretocável em todos os sentidos. Como é bom ter certeza de estar vivendo no lançamento e na continuação do que será um clássico do cinema mundial.
O cinema vive nas mãos de quem se entrega a ele.
Obrigado por Blade Runner e agora mais um obrigado por Duna, Villeneuve.
Mudando o Destino
3.5 173Existem algumas coisas humanas que nem todos os humanos sentem ao longo de sua vida.
Um dia comum de céu azul e sol e de repente... O luto nasce no seu coração e não há nada que lhe prepare para isso! Você é impedido de aproveitar toda beleza que circunda cada centímetro quadrado da sua vida e não há data para esse sentimento acabar. É só você e, somente você, que pode dar sentido a vida após isso.
Alguns personagens aparecem na trama apenas para servir de trampolim para algum sentimento da protagonista o que não traz profundidade para a trama, acentuando ainda mais a camada de egoísmo e insensibilidade travestida de desprezo que ela tenta transpassar. No fundo, é uma alma penada sofrendo por anos em um local pequeno demais para tanto sofrimento...
A Conversação
3.9 241 Assista AgoraUma história que caberia em um curta ou um conto, mas que aqui se estende desnecessariamente ao formato e duração de filme! Agradável de se assistir e ambientado em uma das cidades que já foi o pico da humanidade, mas acaba esquecendo que o telespectador, que aqui ocupa a figura de 'espiar' o protagonista também se cansa dos interlúdios e fica curioso para saber os desfechos e motivações!
Fomos enganados por quase duas horas propositalmente.
Me pergunto o quanto a tecnologia tornou mais vívido sentimento de perseguir e descobrir informações de outras pessoas e que no mundo de hoje tornou-se uma muleta para o existir. Estamos apenas assistindo nosso próprio protagonismo nas redes e no fundo temos prazer em saber que o inferno são os outros...
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
4.1 488 Assista AgoraEm termos teóricos e ao longo da história a humanidade ainda não conseguiu desenvolver uma forma de voltar no tempo. Nós imaginamos e desejamos tentar mudar algo que poderia ter sido em outra direção, um segundo a menos ou em uma data diferente, mas em vão... O cérebro e nossa mente vagueiam no campo da imaginação para tentar responder a uma resposta que desafia nossa capacidade de ser racional. Ficamos à deriva em uma cenário de querer, mas não poder...
Esse final é, em termos práticos, o mais próximo que podemos ter de uma máquina do tempo. É encontrar nosso eu do passado e fazer as pazes da forma mais sincera e intensa possível, para só assim conseguir vislumbrar os próximos passos de um destino que antes era completamente nebuloso. É uma catarse tão forte que que dói, mas nos alivia.
A única saída é ser humano.
Demasiadamente humano.
Morangos Silvestres
4.4 663O que falar sobre a nostalgia e a melancolia? Nem mesmos as cores em preto e branco tornam amargas as lembranças do que um dia foram os melhores momentos da sua vida...
Não quero mais aprender a viver, sinto que o período de absorver e entender os elementos que regem o mundo já se maturaram em mim e agora e por boa parte da minha vida me resta processar esse volume enorme entre o estar vivo e o não estar. Estamos inexoravelmente reféns do tempo e das lembranças de alegria.
O que nos resta é lembrar com carinho...
Avatar: Fogo e Cinzas
3.5 357 Assista AgoraCGI primorosa e de qualidade incomparável, história previsível, mas emocionante e um pouquinho mais sobre esse universo lindo que essa trilogia traz!
A trama é muito parecida com os antecessores, o formato não se renova, mas não achei piegas e nem um pouco entediante.
Nosso Deus está morto, mas ela não.
Uma Batalha Após a Outra
3.7 687 Assista AgoraNós sabemos muito bem por que vocês que criticam tanto os minutos iniciais. Com toda certeza não permeiam questões de roteiro, filmografia ou direção, mas sim aquele motivo que é tema central do filme.
Sátira é tudo aquilo que usa da arte para inflar um problema real e torná-lo cômico e, com isso, tecer crítica a este problema. Eu de verdade não enxerguei momentos em que inflaram a temática do filme. É literalmente o que está acontecendo no país que supostamente é uma democracia. Contra fatos não há argumentos, meus queridos senhores.
Willa linda demais! Di Caprio como sempre sendo um ótimo desequilibrado e toda a estrutura de relações entre os personagens é brilhante.
Bugonia
3.6 566 Assista AgoraO filme possui duas horas de duração, mas teria sido MUITO MAIS PROVEITOSO se houvesse um final diferente... Por que a necessidade de realmente explicitar as coisas? O final em aberto pode ser mais proveitoso para uma trama do que alguns minutos a mais que acabam dando uma certeza...
Adorei toda a ambientação, as atuações e também a temática, que passeia desde teorias da conspiração até o corporativismo e o capitalismo predatório.
Sempre sinto que o Yorgos vai bem, mas nunca consegue ser 100%
PS: Acabo de descobrir que o filme é uma releitura do Save the Green Planet, sul coreano. Assim fica difícil defender...
7 Dias
3.4 85A vingança é um prato que se come frio!
O ditado combina exatamente com o filme pois se trata dessa relação interpessoal de tentar quantificar o sofrimento de quem se amou no outro... Esperamos até o último segundo para a primeira garfada pútrida e gelada desse prato chulo que não traz ao menos o sabor do gozo de saber que a justiça foi feita, mas sim de que, de alguma forma, inferimos dor e agonia a aquele que odiamos...
Eu faria pior!
Não Fale o Mal
3.6 830 Assista AgoraEntendi o filme sob duas óticas:
Uma é sobre as consequências que um pai fraco e sem personalidade tem em seu núcleo familiar. A crítica é justamente que para compor uma família é necessário ter personalidade e saber quem você realmente é. Demonstrar fraqueza a cada ato nada mais é que permitir que tudo aconteça sob seus olhos. O filme já se inicia com o pai cedendo a algo.
A segunda é sobre como o ato de ceder pode destruir o bem-estar social, independente de onde você esteja. É perigoso tentar interpretar as ações e permitir as consequências respeitando sempre a moral vigente que você está acostumado. O mundo não vai perdoar ao enxergar sua passividade e sua fraqueza perante a ele.
No fim, é sobre o ato de permitir. No fundo, eles deixaram...
Mártires
3.9 1,7K Assista AgoraAcho que o final desse filme flerta muito com a concepção do Absurdo do Camus. Lutamos bravamente para criar algum sentido em um existência sem objetivos. Mesmo que haja uma vida após a morte a razão não nos permite verificar essa possibilidade, tornando qualquer especulação sobre o pós vida uma total e insignificante metafísica.
A grande questão é: Quem são os indivíduos dispostos a criar sentido para essa vida e quem são os que, diante dessa liberdade infinita, não irão conseguir lidar com o fato de que o sentido da vida vem apenas de SI MESMO? Martyrs é sobre como escolher dar sentido à nossas vidas e assim escolhemos, sim, escolhemos a todo instante gastar energia vital para responder um por quê.
Por que fazer um ser humano sofrer tanto? A dúvida da vida após a morte faz sentido entre os ressentidos. Velhos que viveram o bastante e desejam viver mais ou deixaram de viver o que gostariam e acabam depositando suas esperanças em um mundo/realidade paralelos (Platão/Cristianismo).
O final do filme é justamente isso: Não há responde que salve a seita. A completa inexistência de um outro plano torna toda investigação uma perda de tempo na única vida existente. São todos velhos. Decrépitos e sem vida. Escolheram gastar suas energias depositando o sentido na resposta.
Se existe vida após, há algumas possibilidades:
- Ela é relacionada com esse plano, sendo uma extensão direta do que você fez ou faz aqui. Isso traria sofrimento há um bando de velhos ressentidos que buscam na resposta uma salvação. ''Gastei minha energia torturando pessoas que se conectam com a outra vida''
- Ela existe, mas não se relaciona em nada com esse mundo, ou seja, apesar de existir o pós vida o que você é agora não irá fazer nenhum sentido ou questão de existir em outro plano. É a mesma coisa que dizer que existe um outro planeta terra e um outro você. Eles existem, mas não se relacionam.
- Ela existe, se relaciona com esse plano e este plano interfere no pós vida. Neste caso nem precisamos falar: Torturar mulheres e crianças sistematicamente por anos irá trazer quais benefícios na outra vida?
No fim eles buscam apenas o motivo e quando ela teve a certeza, se matou. Os demais estão no mundo e perderam a viagem, esperando o tempo passar para terem a experiência da dúvida...
Alta Tensão
3.5 591Dei uma nova oportunidade ao New French Extremity, pois há alguns anos iniciei com o BRILHANTE e na minha humilde opinião MELHOR filme de terror/suspense da história que é o Martyrs.
Entretanto, nesse filme os elementos gráficos até apelam para o gore e para a violência e o filme realmente te prende, isto é inegável! Porém, o entusiasmo pelo movimento aclamado cai por terra quando...
Você percebe que o roteirista era esquizofrênico e quis empurrar esquizofrenia, mas entregou algo místico sem pé nem cabeça (literalmente). Em vários momentos é impossível para o andamento da trama que tenha tido a possibilidade da mesma pessoa ter feito duas ações em locais diferentes. Porém, algumas cenas sendo revistas realmente deixam mais claro como desde o início era, supostamente, a Marie, como é a cena da mãe da Alex perguntando ''por que? por que?''.
Acho que podemos enxergar esse filme de três formas e termos paz no coração:
Primeira: Aproveite a violência e o suspense e ponto final, tudo faz sentido de alguma forma.
Segunda: O motorista da Van e a Marie são a mesma pessoa e de alguma forma ela conseguiu fazer aquilo tudo e ainda ocupar dois locais ao mesmo tempo
Terceira e mais ousada: O final do filme na verdade mostra o universo real onde Marie é esquizofrênica e em meio a muitos surtos foi parar em um hospital psiquiátrico onde relata toda essa história de terror onde ela salva sua grande amada Alex. Faz certo sentido na minha cabeça porque a Alex vai visita-la com certo sentimento (botando a mão no vidro e demonstrando preocupação). Isso jamais faria sentido se ela, de fato, tivesse assassinado sua família inteira. Me parece que o roteirista gastou 99% para explicar o ponto de vista da Marie e na última gota mostrar a realidade, mas sem deixar claro que realmente é.
Posso estar viajando? Sim, mas essa foi minha percepção!
Vale a pena assistir com a família, rs.
O Vídeo de Benny
3.6 247 Assista AgoraCreio que a maior parte das pessoas irão compreender e entender esse filme como um filme sobre a frieza, sobre a psicopatia ou até mesmo o niilismo... Diferente de muitas resenhas que li e, creio que essa tenha sido a intenção do diretor, o filme mostra justamente o contrário e enfatiza de forma bem 'cru' o que é ter que lidar com o que existe além do campo dos sentimentos: As consequências.
Qual é a dor do filme? Existe? Dor, tristeza ou arrependimento são sentimentos inerentes a espécie humana, mas que emergem de formas muitos subjetivas dependendo, principalmente, de onde e como você viveu...
Sinceramente eu senti que esse ambiente meio Tecnocrata onde os pais possibilitam tudo para os filhos e o fazem ser máquinas e metas é um dos pontos centrais da trama. Se existe um problema logo existe uma solução, assim como uma dívida ou um juros a ser quitado. As relação tem um peso linear e a subjetividade entra para o campo onde somente o que EU sinto importa. O protagonista REALMENTE não se importa com seus atos porque seu Modus Operandis é esse: O que importa é a MINHA curiosidade. O mundo que existe a minha frente é o meio de explorar o que eu desejo. As consequências não importam e, nessa família, realmente não importam...
Para ser sincero o filme é EXTREMAMENTE monótono, até porque a intenção é mostrar como uma sociedade com conflitos políticos e guerras urbanas ainda assim possuem elites que permitem a certos seres humanos a possibilidade de viver bem.
O Benny é o exemplo perfeito de como o mal nasce, existe e é perpetuado. Não importa se ele acha algo bom ou ruim, mas sim que ele possui PLENA consciência de que as consequências de seus atos são fugazes. Seus pais são lobos em pele de cordeiro que ao perceberem que o filho fez algo errado tentam entender o que ele tirou de lição para isso, enquanto outro ser humano foi BRUTALMENTE ASSASSINADO.
Mesmo assim, em meio a surtos de sua mãe, lapsos de culpa e um ambiente familiar estéril ele decide em sua última ação chegar no limite dos seus atos que é: Tentar encontrar a experiência de punir seus pais, que na mesma proporção são seus algozes...