Que uma criança é curiosa por natureza já é um fato amplamente sabido e incontestado. Mas por que uma mãe, tendo ciência disso, facilitaria a aplicação dessa característica pela filha pequena, sabendo também que a desobediência da criança poderia levar a consequências nefastas? É a dúvida que paira em Vinil Verde.
Na trama, Mãe (sem nome de personagem, apenas “Mãe”) presenteia a Filha (também sem nome) com uma caixa de discos em vinil. Diz que a criança pode escutar a todos, com exceção de um específico vinil verde. Faz a Filha prometer que jamais escutará o citado disco, mesmo ele estando inserido dentro da caixa com os outros vinis que, ora, a própria Mãe deu de presente. É claro e esperado que a criança irá desobedecer.
Mas esperado somente pelo espectador, ou também pela mãe? Se sim, como pode uma mãe lidar com tamanha irresponsabilidade uma, duas, três vezes? São questões que o conteúdo filme levanta de uma forma elegante e distinta.
Com o tom de fábula, toda a história nos é apresentada não com imagens em movimento tradicionais ao cinema, mas por uma sequência de fotos durante seus mais de vinte minutos de duração. Isso permite, junto com o som de ruído do vinil e da narração de voz grossa e fala cadenciada, que o desenrolar da trama se dê de forma um tanto quanto fantasmagórica, talvez por remeter a um passado onde esses três elementos (fotos com aparência antiga, som do vinil e narração empostada) tragam associações normalmente ligadas ao medo (é comum que fantasmas venham do passado, que histórias de terror se passem em uma época distante).
Mas não é somente o horror pelo que ocorre de forma mais impactante visualmente que funciona em Vinil Verde, mas sim uma mistura de gêneros e subgêneros muito bem dosada e que alcança o incômodo. No drama, existe uma angústia latente e cortante pela sensação de vermos uma criança sozinha em casa e sem ninguém para ajudá-la. Na comédia, há um tom de desconforto quase cômico quando o filme dobra e triplica a aposta nas (supostas) consequências da ação da menina. Além disso, se há tons de fábula, como falado anteriormente, o elemento da “moral” aqui não vem de forma clara, como seria característica dessa narrativa.
Não há “ensinamento” explícito e talvez nem haja implícito. Existem interpretações, teorias das mais variadas possíveis, mas que são sustentadas e precedidas por um curta que se baseia em uma antiga fábula russa, mas que traz em sua forma, na maneira como nos é apresentado, muito de instigante e incômodo.
“Leve Nossa Senhora. Ela vai te proteger”, diz a mãe Lúcia (Soia Lira), enquanto se despede dos filhos que estão em uma carroça. A música se acentua, subindo de volume e alcançando notas mais altas e quase paródicas. A garota Diana (Débora Ingrid) contempla pela janela a liberdade do irmão mais novo brincando com uma pipa enquanto ela, presa em casa por razões alheias à sua vontade, conversa com a mãe, em um plano que se repete uma, duas, três vezes.
“Olha o menino brincando com a pipa enquanto a irmã não pode sair de casa. Percebeu? Não entendeu? Deixa eu te mostrar de novo. Achou pouco? Ah, vamos colocar mais uma vezinha.”. Se Doce de Coco fosse uma pessoa, talvez essas seriam palavras proferidas pelo filme enquanto cutuca a gente com o cotovelo e pisca um olho.
O diretor Allan Deberton se delicia com o estereótipo melodramático de parte da família migrando para a cidade, a construções de linguagem um tanto óbvias e insistentes. Não que o melodrama seja ruim. O meu sangue latino, formado em acompanhar uma ou outra novela mexicana quando mais novo e que traz quase como consequência a preferência pelo Almodóvar rasgado do início da carreira em vez da sua última fase mais comportada não me deixaria mentir.
O problema é quando esse melodrama parece mal construído. Volto à cena da pipa (eu sei, mas ela é emblemática): de onde raios surgiu esse irmão mais novo? Ele é citado nas conversas anteriores? Ele aparece na casa da família ou o fato de eu assistir ao curta por uma tela de notebook me fez perder esse momento? Ou ele está ali só para construir um contraste imagético?
No entanto, existem aspectos que fazem com que Doce de Côco ainda assim, seja saboroso. Os planos-detalhes do cozimento do coco, acompanhados por uma breve e carinhosa conversa entre pai e filha e uma trilha (não tão) doce da abertura dão o tom da relação entre aquela família. Aliás, se pensarmos em termos arquitetônicos, a direção de arte fez um trabalho bastante competente ao encontrar uma casa na qual conseguimos ver o entrelaçamento daquele grupo: por não existir corredor, vemos uma sequência de portas, onde para se chegar a um cômodo, necessariamente você precisa passar pelo outro.
Ainda, o curta se mostra instigante ao retratar a descoberta do sexo e sua negação, ao nos apresentar uma passagem na qual ultrapassa-se a linha do aceitável (tendo em vista que diversas vezes a personagem feminina nega as investidas de um rapaz), mas o aproveitamento da inocência da moça pelo personagem masculino e mais malicioso fala mais alto. Existe um equilíbrio que caminha da doçura (de novo) de uma garota tomando banho em um rio, à tensão pelo que pode acontecer posteriormente.
Além disso, quando não está ocupado pensando em estratégias de como deixar a pobreza mais espetacular e dramática, o filme se beneficia de alguns aspectos, como a montagem inserir um corte seco entre um beijo no rio ao movimento repetitivo da ralação do coco entre as pernas da garota, o que leva a associação elegante pelo cinema, mas incômoda na vida da personagem, de uma penetração.
Ou quando o curta se aproveita do que está fora de quadro em vez de mostrar um menino com uma pip..: o que acontece quando Diana entra e vai esquentar a comida do pai? Por que a mãe, depois disso, muda de opinião em relação ao destino da filha? Essa valorização do que não vemos constitui uma técnica que aqui é muito bem aproveitada para atiçar a curiosidade do espectador, nos levar a conjecturar, imaginar e pensar com o filme o que aconteceu. A fuga imposta para Diana seria uma espécie de salvação da protagonista rejeitada, mas que ainda permanecerá com as memórias de casa.
Ao final, fica a impressão de um cinema clássico demais, com lampejos de provocações bem-vindas, mas que padecem em favor uma construção melodramática que não se percebe como artificialidade exagerada.
Um doce de côco cujo um dos ingredientes é a pura sacarina.
Infelizmente, não pude assistir direito, pois meus olhos ficaram o tempo todo marejado a com essa fofura. É uma bela lição de como um documentário pode tratar de um tema simples sem ser exploratório, sem tentar chamar atenção para as técnicas cinematográficas ou para os diretores atrás das câmeras.
Vou falar uma coisa que serve para todos os curtas do Wes Anderson lançados na Netflix e baseado nas obras do Roald Dahl: o estilo esquisitinho do Anderson casou de forma linda com a declamação acelerada feita pelos personagens, quase como se aquilo fosse uma história lida por nós enquanto deixamos o resto para a nossa imaginação.
No mosaico dos 4 curtas, este talvez seja o menos impactante, apesar de ainda gostar muito do que é feito com a câmera no momento de tensão do final.
Vou falar uma coisa que serve para todos os curtas do Wes Anderson lançados na Netflix e baseado nas obras do Roald Dahl: o estilo esquisitinho do Anderson casou de forma linda com a declamação acelerada feita pelos personagens, quase como se aquilo fosse uma história lida por nós enquanto deixamos o resto para a nossa imaginação. Adoro o trabalho de iluminação da fotografia no momento da "disputa" entre o rato e o caçador, que remete a Nosferatu.
Vou falar uma coisa que serve para todos os curtas do Wes Anderson lançados na Netflix e baseado nas obras do Roald Dahl: o estilo esquisitinho do Anderson casou de forma linda com a declamação feita pelos personagens, quase como se aquilo fosse uma história lida por nós enquanto deixamos o resto para a nossa imaginação. Aqui há um tom sombrio e melancólico tocante, que é ainda mais ressaltado quando surgem os letreiros finais. Dos quatro, é o meu favorito.
Vou falar uma coisa que serve para todos os curtas do Wes Anderson lançados na Netflix e baseado nas obras do Roald Dahl: o estilo esquisitinho do Anderson casou de forma linda com a declamação feita pelos personagens que vemos, quase como se aquilo fosse uma história lida para nós por outra pessoa, enquanto olhamos de vez em quando as figuras no livro e deixamos o resto para a nossa imaginação. A fábula de Henry Sugar se equilibra de forma competente entre o divertido e o profundo.
Instigante, mas com um final um tanto quanto anticlimático, deixando a impressão de que poderia ter sido melhor elaborado. Nunca gosto de continuações hipotéticas de obras já completas, mas nesse caso, a continuação que o Almodóvar imagina na entrevista me pareceria desenvolver melhor os personagens e dar um final mais impactante.
Com linguagem criativa, conceitos rápidos e irônicos, o texto encapsula com maestria e acidez uma breve e forte reflexão sobre o funcionamento da sociedade.
Cresci vendo Chaves e Trapalhões, então dá pra ver muito da fonte que Chespirito e Renato Aragão beberam antes de criarem seus personagens inocentes e adoráveis. Incrível como Chaplin consegue usar elementos da mise-en-scène pra criar cenas engraçadas, como o momento que ele entra pelos fundos e acaba com os malfeitores e capangas se escondendo e dando pauladas na cabeça de cada um, algo que parece ter sido ensaiado à exaustão e que funcionou muito bem.
Mesmo simples, ainda consegue ser muito efetivo também no drama, como na cena na qual o protagonista recusa o dinheiro empurrando o braço da mulher que lhe oferece as cédulas, mas com o olhar fixo na garota com quem conviveu, porque sabe que aquele momento pode ser a despedida de um amor.
“Estaria eu vivendo ou só trabalhando pra pagar boletos?”
Poderia ser mais um filme que usa esse tema de forma rasa, mas em 11 minutos o curta cativa pelo traço estético dos personagens (Neil e o Avestruz são fofos demais) e pelo desenvolvimento emocional proporcionado pelas descobertas do protagonista.
Vistos os cinco curtas que concorrem na categoria, esta seria minha ordem de preferência:
1. Ice Merchants 2. An Ostrich Told Me the World Is Fake and I Think I Believe It 3. My Year Of Dicks 4. The Flying Sailor 5. O Menino, a Toupeira, a Raposa e o Cavalo
Um melodrama bobo, quase insistindo pra que o espectador chore e apostando em uma relação superficial dos dois irmãos que não funciona. Ainda possui uma trilha que sublinha fortemente tudo o que está sendo mostrado na tela de forma óbvia e batida: um momento triste ganha uma música melosa, a montagem dos desejos sendo cumpridos é acompanhada por uma trilha radiante e animada.
Por fim, enfiam piadas escatológicas de peido pra ser engraçadinho. Not today, satan.
Finalizados os live actions, assim ficou minha ordem de preferência:
1. Le Pupille 2. The Red Suitcase 3. Ivalu 4. Night Ride 5. An Irish Goodbye
Além de ter uma protagonista cativante pela forma despojada com a qual conta uma história íntima, o curta ainda envolve por utilizar bem alguns elementos animados pra transparecer o estado emocional dos personagens, como Pam "derreter", mudar de forma e arrancar as orelhas ao ouvir os conselhos do pai sobre sexo.
a mãe abraçando os dois na queda, ou a mudança de cores da base ao topo da "montanha de boinas": do vermelho e amarelo, ao vermelho, amarelo e laranja, depois somente vermelho e laranja.
Constrói a tensão de forma simples e incrivelmente envolvente. Há inúmeras mulheres que sofrem abuso e convivem ao nosso redor sem que jamais percebamos. O diretor Cyrus Neshvad põe essa reflexão na mesa por meio de um plano final sagaz.
Assim como em português, a língua italiana possui dois significados pra palavra “pupila”: criança normalmente órfã que precisa de proteção, ou aquela parte preta do olho humano. Os dois conceitos funcionam pro filme, então o título de duplo sentido “le pupille” não é nenhuma coincidência (até pelo foco que a diretora dá nos olhos das crianças em diversos momentos, inclusive nos créditos, ou pelo fato de elas estarem com medo de um "mau olhado" no início).
Se pensarmos que “pupila” é a parte do olho que permite a entrada de luz para que possamos enxergar, bem, foram aquelas crianças que enxergaram as situações fora da moral rígida e inflexível das freiras para chegarem a conclusões possivelmente mais caridosas e inteligentes.
A exposição da narração e dos vários flashbacks me tirou um pouco do filme, que tem sua maior força nos poucos bons momentos de misticismo que a irmã mais velha ensina pra mais nova.
Vinil Verde
3.7 186 Assista AgoraQue uma criança é curiosa por natureza já é um fato amplamente sabido e incontestado. Mas por que uma mãe, tendo ciência disso, facilitaria a aplicação dessa característica pela filha pequena, sabendo também que a desobediência da criança poderia levar a consequências nefastas? É a dúvida que paira em Vinil Verde.
Na trama, Mãe (sem nome de personagem, apenas “Mãe”) presenteia a Filha (também sem nome) com uma caixa de discos em vinil. Diz que a criança pode escutar a todos, com exceção de um específico vinil verde. Faz a Filha prometer que jamais escutará o citado disco, mesmo ele estando inserido dentro da caixa com os outros vinis que, ora, a própria Mãe deu de presente. É claro e esperado que a criança irá desobedecer.
Mas esperado somente pelo espectador, ou também pela mãe? Se sim, como pode uma mãe lidar com tamanha irresponsabilidade uma, duas, três vezes? São questões que o conteúdo filme levanta de uma forma elegante e distinta.
Com o tom de fábula, toda a história nos é apresentada não com imagens em movimento tradicionais ao cinema, mas por uma sequência de fotos durante seus mais de vinte minutos de duração. Isso permite, junto com o som de ruído do vinil e da narração de voz grossa e fala cadenciada, que o desenrolar da trama se dê de forma um tanto quanto fantasmagórica, talvez por remeter a um passado onde esses três elementos (fotos com aparência antiga, som do vinil e narração empostada) tragam associações normalmente ligadas ao medo (é comum que fantasmas venham do passado, que histórias de terror se passem em uma época distante).
Mas não é somente o horror pelo que ocorre de forma mais impactante visualmente que funciona em Vinil Verde, mas sim uma mistura de gêneros e subgêneros muito bem dosada e que alcança o incômodo. No drama, existe uma angústia latente e cortante pela sensação de vermos uma criança sozinha em casa e sem ninguém para ajudá-la. Na comédia, há um tom de desconforto quase cômico quando o filme dobra e triplica a aposta nas (supostas) consequências da ação da menina. Além disso, se há tons de fábula, como falado anteriormente, o elemento da “moral” aqui não vem de forma clara, como seria característica dessa narrativa.
Não há “ensinamento” explícito e talvez nem haja implícito. Existem interpretações, teorias das mais variadas possíveis, mas que são sustentadas e precedidas por um curta que se baseia em uma antiga fábula russa, mas que traz em sua forma, na maneira como nos é apresentado, muito de instigante e incômodo.
Doce de Coco
3.7 12“Leve Nossa Senhora. Ela vai te proteger”, diz a mãe Lúcia (Soia Lira), enquanto se despede dos filhos que estão em uma carroça. A música se acentua, subindo de volume e alcançando notas mais altas e quase paródicas. A garota Diana (Débora Ingrid) contempla pela janela a liberdade do irmão mais novo brincando com uma pipa enquanto ela, presa em casa por razões alheias à sua vontade, conversa com a mãe, em um plano que se repete uma, duas, três vezes.
“Olha o menino brincando com a pipa enquanto a irmã não pode sair de casa. Percebeu? Não entendeu? Deixa eu te mostrar de novo. Achou pouco? Ah, vamos colocar mais uma vezinha.”. Se Doce de Coco fosse uma pessoa, talvez essas seriam palavras proferidas pelo filme enquanto cutuca a gente com o cotovelo e pisca um olho.
O diretor Allan Deberton se delicia com o estereótipo melodramático de parte da família migrando para a cidade, a construções de linguagem um tanto óbvias e insistentes. Não que o melodrama seja ruim. O meu sangue latino, formado em acompanhar uma ou outra novela mexicana quando mais novo e que traz quase como consequência a preferência pelo Almodóvar rasgado do início da carreira em vez da sua última fase mais comportada não me deixaria mentir.
O problema é quando esse melodrama parece mal construído. Volto à cena da pipa (eu sei, mas ela é emblemática): de onde raios surgiu esse irmão mais novo? Ele é citado nas conversas anteriores? Ele aparece na casa da família ou o fato de eu assistir ao curta por uma tela de notebook me fez perder esse momento? Ou ele está ali só para construir um contraste imagético?
No entanto, existem aspectos que fazem com que Doce de Côco ainda assim, seja saboroso. Os planos-detalhes do cozimento do coco, acompanhados por uma breve e carinhosa conversa entre pai e filha e uma trilha (não tão) doce da abertura dão o tom da relação entre aquela família. Aliás, se pensarmos em termos arquitetônicos, a direção de arte fez um trabalho bastante competente ao encontrar uma casa na qual conseguimos ver o entrelaçamento daquele grupo: por não existir corredor, vemos uma sequência de portas, onde para se chegar a um cômodo, necessariamente você precisa passar pelo outro.
Ainda, o curta se mostra instigante ao retratar a descoberta do sexo e sua negação, ao nos apresentar uma passagem na qual ultrapassa-se a linha do aceitável (tendo em vista que diversas vezes a personagem feminina nega as investidas de um rapaz), mas o aproveitamento da inocência da moça pelo personagem masculino e mais malicioso fala mais alto. Existe um equilíbrio que caminha da doçura (de novo) de uma garota tomando banho em um rio, à tensão pelo que pode acontecer posteriormente.
Além disso, quando não está ocupado pensando em estratégias de como deixar a pobreza mais espetacular e dramática, o filme se beneficia de alguns aspectos, como a montagem inserir um corte seco entre um beijo no rio ao movimento repetitivo da ralação do coco entre as pernas da garota, o que leva a associação elegante pelo cinema, mas incômoda na vida da personagem, de uma penetração.
Ou quando o curta se aproveita do que está fora de quadro em vez de mostrar um menino com uma pip..: o que acontece quando Diana entra e vai esquentar a comida do pai? Por que a mãe, depois disso, muda de opinião em relação ao destino da filha? Essa valorização do que não vemos constitui uma técnica que aqui é muito bem aproveitada para atiçar a curiosidade do espectador, nos levar a conjecturar, imaginar e pensar com o filme o que aconteceu. A fuga imposta para Diana seria uma espécie de salvação da protagonista rejeitada, mas que ainda permanecerá com as memórias de casa.
Ao final, fica a impressão de um cinema clássico demais, com lampejos de provocações bem-vindas, mas que padecem em favor uma construção melodramática que não se percebe como artificialidade exagerada.
Um doce de côco cujo um dos ingredientes é a pura sacarina.
Instruments of a Beating Heart
3.6 30Infelizmente, não pude assistir direito, pois meus olhos ficaram o tempo todo marejado a com essa fofura. É uma bela lição de como um documentário pode tratar de um tema simples sem ser exploratório, sem tentar chamar atenção para as técnicas cinematográficas ou para os diretores atrás das câmeras.
Samuel foi trabalhar
3.7 1Pensou imóvel? Pensou Zardana.
Era Uma Vez Um Estúdio
4.3 50Ô besteira (chorei que só).
Veneno
3.3 35 Assista AgoraVou falar uma coisa que serve para todos os curtas do Wes Anderson lançados na Netflix e baseado nas obras do Roald Dahl: o estilo esquisitinho do Anderson casou de forma linda com a declamação acelerada feita pelos personagens, quase como se aquilo fosse uma história lida por nós enquanto deixamos o resto para a nossa imaginação.
No mosaico dos 4 curtas, este talvez seja o menos impactante, apesar de ainda gostar muito do que é feito com a câmera no momento de tensão do final.
O Caçador de Ratos
3.1 39 Assista AgoraVou falar uma coisa que serve para todos os curtas do Wes Anderson lançados na Netflix e baseado nas obras do Roald Dahl: o estilo esquisitinho do Anderson casou de forma linda com a declamação acelerada feita pelos personagens, quase como se aquilo fosse uma história lida por nós enquanto deixamos o resto para a nossa imaginação. Adoro o trabalho de iluminação da fotografia no momento da "disputa" entre o rato e o caçador, que remete a Nosferatu.
O Cisne
3.4 38 Assista AgoraVou falar uma coisa que serve para todos os curtas do Wes Anderson lançados na Netflix e baseado nas obras do Roald Dahl: o estilo esquisitinho do Anderson casou de forma linda com a declamação feita pelos personagens, quase como se aquilo fosse uma história lida por nós enquanto deixamos o resto para a nossa imaginação. Aqui há um tom sombrio e melancólico tocante, que é ainda mais ressaltado quando surgem os letreiros finais. Dos quatro, é o meu favorito.
A Incrível História de Henry Sugar
3.6 179 Assista AgoraVou falar uma coisa que serve para todos os curtas do Wes Anderson lançados na Netflix e baseado nas obras do Roald Dahl: o estilo esquisitinho do Anderson casou de forma linda com a declamação feita pelos personagens que vemos, quase como se aquilo fosse uma história lida para nós por outra pessoa, enquanto olhamos de vez em quando as figuras no livro e deixamos o resto para a nossa imaginação. A fábula de Henry Sugar se equilibra de forma competente entre o divertido e o profundo.
Estranha Forma de Vida
3.3 187 Assista AgoraInstigante, mas com um final um tanto quanto anticlimático, deixando a impressão de que poderia ter sido melhor elaborado. Nunca gosto de continuações hipotéticas de obras já completas, mas nesse caso, a continuação que o Almodóvar imagina na entrevista me pareceria desenvolver melhor os personagens e dar um final mais impactante.
Ilha das Flores
4.5 1,0K Assista AgoraCom linguagem criativa, conceitos rápidos e irônicos, o texto encapsula com maestria e acidez uma breve e forte reflexão sobre o funcionamento da sociedade.
Michael Jackson: Bad
4.3 22O conflito iniciando, você chega pro outro e diz assim:
“YOUR BUTT IS MINE”
Sempre funciona.
O Vagabundo
4.1 25Chaplin quebrando a 4ª parede desde 1915 e tem gente que vê isso nos filmes atuais achando inovador. (:
O Vagabundo
4.2 16Cresci vendo Chaves e Trapalhões, então dá pra ver muito da fonte que Chespirito e Renato Aragão beberam antes de criarem seus personagens inocentes e adoráveis. Incrível como Chaplin consegue usar elementos da mise-en-scène pra criar cenas engraçadas, como o momento que ele entra pelos fundos e acaba com os malfeitores e capangas se escondendo e dando pauladas na cabeça de cada um, algo que parece ter sido ensaiado à exaustão e que funcionou muito bem.
Mesmo simples, ainda consegue ser muito efetivo também no drama, como na cena na qual o protagonista recusa o dinheiro empurrando o braço da mulher que lhe oferece as cédulas, mas com o olhar fixo na garota com quem conviveu, porque sabe que aquele momento pode ser a despedida de um amor.
An Ostrich Told Me the World Is Fake and I …
3.7 38“Estaria eu vivendo ou só trabalhando pra pagar boletos?”
Poderia ser mais um filme que usa esse tema de forma rasa, mas em 11 minutos o curta cativa pelo traço estético dos personagens (Neil e o Avestruz são fofos demais) e pelo desenvolvimento emocional proporcionado pelas descobertas do protagonista.
Vistos os cinco curtas que concorrem na categoria, esta seria minha ordem de preferência:
1. Ice Merchants
2. An Ostrich Told Me the World Is Fake and I Think I Believe It
3. My Year Of Dicks
4. The Flying Sailor
5. O Menino, a Toupeira, a Raposa e o Cavalo
An Irish Goodbye
3.5 29Um melodrama bobo, quase insistindo pra que o espectador chore e apostando em uma relação superficial dos dois irmãos que não funciona. Ainda possui uma trilha que sublinha fortemente tudo o que está sendo mostrado na tela de forma óbvia e batida: um momento triste ganha uma música melosa, a montagem dos desejos sendo cumpridos é acompanhada por uma trilha radiante e animada.
Por fim, enfiam piadas escatológicas de peido pra ser engraçadinho. Not today, satan.
Finalizados os live actions, assim ficou minha ordem de preferência:
1. Le Pupille
2. The Red Suitcase
3. Ivalu
4. Night Ride
5. An Irish Goodbye
My Year of Dicks
3.3 35Além de ter uma protagonista cativante pela forma despojada com a qual conta uma história íntima, o curta ainda envolve por utilizar bem alguns elementos animados pra transparecer o estado emocional dos personagens, como Pam "derreter", mudar de forma e arrancar as orelhas ao ouvir os conselhos do pai sobre sexo.
Ice Merchants
3.7 36Encantador, tanto por trabalhar muito bem a perspectiva pra criar vertigem, mas principalmente por extrair doçura de detalhes simples, como
a mãe abraçando os dois na queda, ou a mudança de cores da base ao topo da "montanha de boinas": do vermelho e amarelo, ao vermelho, amarelo e laranja, depois somente vermelho e laranja.
The Flying Sailor
2.8 38Bonitinho e chama atenção pelo traço e design dos “flashbacks”, mas o desenrolar é um tanto quanto simples, não sendo o suficiente pra marcar.
O Menino, a Toupeira, a Raposa e o Cavalo
4.0 157 Assista AgoraSe isso é doçura, acho que sou diabético. Deus, eu devo estar ficando cada vez mais cínico com o passar dos anos.
The Red Suitcase
4.0 29Constrói a tensão de forma simples e incrivelmente envolvente. Há inúmeras mulheres que sofrem abuso e convivem ao nosso redor sem que jamais percebamos. O diretor Cyrus Neshvad põe essa reflexão na mesa por meio de um plano final sagaz.
Night Ride
3.2 28Apresenta e desenvolve a ideia de “união dos rejeitados” de forma meio bobinha, pedestre e rasa por apostar no maniqueísmo como motor propulsor.
Le Pupille
3.5 45Assim como em português, a língua italiana possui dois significados pra palavra “pupila”: criança normalmente órfã que precisa de proteção, ou aquela parte preta do olho humano. Os dois conceitos funcionam pro filme, então o título de duplo sentido “le pupille” não é nenhuma coincidência (até pelo foco que a diretora dá nos olhos das crianças em diversos momentos, inclusive nos créditos, ou pelo fato de elas estarem com medo de um "mau olhado" no início).
Se pensarmos que “pupila” é a parte do olho que permite a entrada de luz para que possamos enxergar, bem, foram aquelas crianças que enxergaram as situações fora da moral rígida e inflexível das freiras para chegarem a conclusões possivelmente mais caridosas e inteligentes.
“O destino opera de maneiras infinitas”.
Ivalu
3.1 23A exposição da narração e dos vários flashbacks me tirou um pouco do filme, que tem sua maior força nos poucos bons momentos de misticismo que a irmã mais velha ensina pra mais nova.