Acho que o único outro filme que me fez pensar minha posição como telespectador de maneira semelhante foi Dogville. Funny Games é tão subversivo (e genial) quanto.
Tenho sentimentos conflitantes. Quando pequeno eu amava, depois de rever achei dos piores, e agora revendo outra vez (após ler o livro) achei bastante decente como adaptação.
Se perdeu muito de uma trama incrível e bem mais complexa sobre o Bartô Crouch Jr., que eu acho fantástica, além de o filme ter alguns aspectos bem estranhos (Daniel Radcliffe teve provavelmente sua pior atuação como Harry, e o Dumbledore passou o filme inteiro cheirando cola). Gostaria de ter visto mais do Cedrico e do Krum, do Snuffles, Dobby e Winky, das inseguranças do Harry e do Rony, dele treinando para as tarefas... mas aí já são problemas de tempo para adaptar. Apesar dos cortes de algumas tramas, eu achei que o roteiro fez um trabalho bastante satisfatório para adaptar tudo de fundamental sobre o livro dentro de um longa: o Torneio Tribuxo e o Renascimento do Voldemort. Brendan Gleeson e principalmente Ralph Fiennes deram um show à parte, Fiennes rouba o clímax do filme e incorpora um dos vilões mais memoráveis da história.
Era meu filme favorito da saga e agora revi após ler o livro. Eu sempre tive, por algum motivo, a impressão de que esse era o mais fiel, mas tava bem enganado.
Em alguns pontos, o filme acabou ficando inevitavelmente bastante corrido, em outros eu acho que é até mesmo superior ao próprio livro. Esteticamente e no quesito direção esse é disparado o melhor da saga, é visível o cuidado extremo da primeira cena até o final dos créditos, até mesmo com o menor dos detalhes (Newt no Mapa dos Marotos!). Cuáron deu vida a Hogwarts, que já era bela nos filmes anteriores, de uma forma ainda mais mágica.
Mas foi também, nesse filme, que se passou a sofrer pelo tempo para contar a história. Várias informações foram omitidas
Toda aquela parte do Encontro na Casa dos Gritos podia ter revelado muito mais do que se revelou: o passado dos Marotos e Lilly, a relação com o Snape e a peça que o Sirius pregou nele, o fato deles todos terem virado animagos pelo Lupin, como Sirius fugiu de Azkaban e como encontrou o Pettigrew, o que exatamente aconteceu 12 anos atrás, o porquê do Patrono do Harry ser um Cervo, e o mais importante QUEM ERAM ALUADO, RABICHO, ALMOFADINHAS E PONTAS. Eu não consigo acreditar que eles não tenham deixado claro para o Harry isso e o quanto valorizavam a amizade com o pai dele.
Alguns cortes eu até compreendo: - O conflito Rony x Hermione por causa do Rabicho e do Bichano foi quase completamente cortado do filme, na verdade a aproximação deles é oposta a isso; - Por mais que eu gostaria de ver muito mais de Hogsmeade entendo também que não havia tempo; - O desespero da Hermione por ter pegado tantas disciplinas; - Os ataques e investidas do Sirius à Hogwarts que deixavam ele muito mais suspeito; - Todo o plot do Bicuço é muito mais resumido no filme, o que não acho que afete em nada; - Mas o que mais me doeu foi terem tido que cortar a Grifinória ganhando a Taça de Quadribol depois de anos (No último ano do Olívio!).
O filme porém se adaptou bem aos cortes, o roteiro é sólido apesar de em vários momentos apelar para a compreensão dos espectadores de fatos que nem ele mesmo explica muito bem. A passagem de tempo acaba um pouco prejudicada (e mesmo assim Cuáron faz questão de mostrar frames do Salgueiro em diferentes estações, tamanho o cuidado para evitar isso) e o grande problema, que é a forma corrida que a maioria dos acontecimentos passa, acabou dando um bom tempo para o clímax do filme, que é sensacional. David Thewlis e Gary Oldman personificaram com perfeição meus dois personagens favoritos, Remo Lupin e Sirius Black, e apesar de todos os cortes que acrescentariam e MUITO na história daqueles 4, eles entregaram toda a carga dramática das vidas despedaçadas dos Marotos. ("I did my waiting... 12 years of it... In Azkaban!" é para mim uma das cenas mais emblemáticas da franquia)
Além da explicação sobre os Marotos ao Harry, outra coisa que eu não compreendo o corte era a simples menção a situação do Fiel do Segredo de seus pais. Seria muito simples e rápido de se explicar e acrescentaria MUITO a um personagem tão complexo como o Sirius, que se culpa pelas mortes do Tiago e da Lílian a 12 anos. O filme também ameniza e muito o personagem do Snape, ele mostra um lado muito mais desequilibrado e descontrolado nos livros (E por essas e outras que não compreendo a idolatração à ele no final, Albus Remus Potter sim seria um nome justo a se dar). Especialmente em relação a Mione, ele tem atitudes muito duvidosas e até mesmo abusivas, que não chegaram ao filme.
Por fim, aquilo que o filme melhorou em relação aos livros, a situação do Vira-Tempo:
Eu gostei da forma indireta que eles afetam os acontecimentos, no livro eu fiquei com a impressão de que tudo tinha acontecido sem eles estarem lá da primeira vez, o que não fazia sentido com o Harry se vendo na outra margem do lago. Eu notei que algumas pessoas compreenderam mal, mas o Bicuço nunca realmente morreu no filme, da pra ver o Albus voltando para dentro para beber algo com o Hagrid e o que o trio vê é o Carrasco cortando uma abóbora. O filme amarrou bem todas as partes da viagem no tempo, eles atirando a pedra na janela, a Mione pisando no galho e uivando, e finalmente o Harry conjurando o Patrono para salvar a ele mesmo e o seu padrinho. Eu posso estar enganado, mas não lembro do livro deixar claro o que aconteceu e se os eus-futuros do Harry e da Mione já tinham salvado o Bicuço (Como o filme mostra na cena do Carrasco cortando a abóbora em dois ângulos diferentes, deixando claro que eles já tinham alterado aquilo e o tempo é um loop fechado).
Enfim, eu nem sei exatamente o que pensar sobre o Prisoneiro de Azkaban agora, mas ele certamente ainda tem um grande valor nostálgico para mim, Hogsmeade, as aulas do professor Lupin com o bicho-papão, o coral do professor Flitwick, o voo do Harry no hipogrifo, Sirius Black... o roteiro em alguns momentos pode ter se enrolado um pouco, mas tem os ingredientes suficientes para continuar memorável.
Enquanto os dois filmes anteriores miravam no épico e acertavam no cafona, este aqui mirou no cafona e conseguiu ser muito mais épico que os outros dois juntos.
Adorei a estética, o visual e a trilha de Sakaar, seria ótimo um filme só lá.
O primeiro eu entendo, mas a nota desse aqui é muito injusta. Desbunde visual e técnico, criação de mundo, maquiagens, coreografias, personagens, tudo no ponto.
O filme ganha pontos comigo em especial pelo seu princípio, um Homem Aranha do bairro, que quebra as coisas, cai, pega o cara errado, conhece o senhor da lanchonete, levanta a máscara para comer no telhado. O uso dos destroços dos Chitauri para estabelecer uma boa gama de vilões do aranha foi criativa, e o paralelo de ambos (Parker e Toomes) viverem a sombra dos grandes (Iron Man e Tony Stark) é interessante, mas só. O vilão é visualmente do caralho mas pouco cativante, como a maioria dos vilões da Marvel. A trama tem várias conveniências de roteiro, desde parentesco de personagens até um nerd adolescente conseguindo quebrar a criptografia de um traje de tecnologia mega-avançada sem que ninguém notasse.
Apesar de eu achar que em algum momentos levaram too far o quão "bobão" o Peter Parker é, o filme é bastante engraçado, o que aqui casa bem (cof ao contrário de Doutor Estranho cof), muito graças a dupla Peter/Ned. O resto do "grupinho" é pouco ou nada interessante, e polêmicas a parte em relação a Flash/Michelle, são dois personagens unidimensionais e bem sem graças que deviam ter sido como são, de fato. O primeiro chega a dar vergonha alheia. A participação do Robert Downey Jr. porém, me surpreendeu positivamente, é bem menor e mais pontual do que eu esperava. Não sei até qual ponto gostei da Karen, e do quão necessária seria ela nesse início do Aranha.
Gostei também por o filme mostrar que existem heróis no Universo Cinematográfico da Marvel que se preocupam com o micro, com bairros, as pessoas, e não apenas ameaças de escala global como os Vingadores, e ninguém melhor que o amigão da vizinhança pra isso. O filme não é ruim, mas apesar de não vermos o Tio Ben sendo baleado continua passando um sentimento de mais do mesmo. A introdução de personagens como Shocker e Escorpião não me animam muito, apesar de reclamar de mais do mesmo acho que a Marvel devia aproveitar para finalmente adaptar correctamente o maior nêmesis do Aranha, que é o Duende Verde. Me anima, porém, a brincadeira com o Miles Morales, apesar de eu achar difícil encaixar ele aí tão cedo.
Spider-Man: Homecoming é divertido, tem o melhor Peter Parker do cinema e uma grande margem de evolução para seu personagem título, mas pouco se difere do restante para que pudesse se sobressair.
Foi ainda melhor do que eu esperava, todas as situações engraçadas vem num timing cômico perfeito, que fazem rir seja pela simplicidade, pelas referências, pelo nonsense ou pelo simples visual. Incrível como eles encontram maneiras inusitadas de fazer humor, como usar um round de Tekken para representar a discussão entre dois personagens.
Spaced é quase uma síntese de tudo que os envolvidos em sua criação eram capazes de fazer, o que poucos anos depois (e com uma verba já relativamente maior) culminou em Shaun of the Dead, e por aí vai; mas o talento acima da média de Edgar Wright já estava lá.
Eu fui ver com pouca informação, ciente de que elas poderiam prejudicar a experiência, mas ainda assim esperava por uma ficção científica. Com isso em mente, por mais que na superfície de fato seja um sci-fi, todo o subtexto real se tornou realmente desconfortável de assistir.
A metáfora envolta no por quê deles não reagirem, fugirem ou se rebelarem é bastante clara, e talvez para alguém que veja o filme esperando isto ele se torne desinteressante, mas é impossível ficar indiferente ao final.
O discurso do Abed no 6x10 para mim pareceu uma forma de o roteiro reconhecer o fim. "Grip one for too long and you lose so much that you've never held.", a essa altura a série não era mais sobre um grupo de estudantes, já havia perdido 3 dos 7 atores principais, havia mudado, se adaptado, caído e levantado. Havia perdido e recuperado seu principal nome criativo. Não fora essa a primeira vez que Community questionou se continuava sendo ela mesma, mas ela soube exatamente até onde ir, e quando parar.
A altura da sexta temporada era sim um show diferente daquele do princípio, e não podia ser de outra maneira, mas aí vai de cada um achar o que quiser. Para alguns era simples: Nos bons momentos, "parecia aquela velha Community", nos ruins, "não era tão boa quanto foi no início". Para mim, foi uma série que se adaptou, mudou de acordo como a música toca, errou muito - sempre reconhecendo seus erros (I farted during the fourth one. It's an inside joke.) - e acertou mais ainda; que teve seus baixos, mas nunca perdeu seu encanto.
Não sei dizer o que me encantou tanto, se foi a metalinguagem, o nonsense, as referências à cultura pop, Dean Pelton ou o Abed; só sei que senti o fim de Community como senti de poucas outras séries.
Os roteiristas tomaram algumas decisões estúpidas, como o relacionamento Troy/Britta, mas todos os episódios ficaram entre o ok e o ótimo. Se saíram bem também com os problemas relacionados ao Chevy Chase.
Entre os melhores da temporada, gosto bastante do episódio da casa assombrada e o da homenagem a Doctor Who, e os episódios dos fantoches, do background de super-heróis e da darkest timeline estão à altura dos melhores de Community.
De qualquer maneira, em seu pior Community ainda é melhor que muita série que vinha e continua sendo constantemente renovada por aí, a quarta temporada não é essa tragédia toda.
Não ia comentar, raramente o faço, mas li um comentário que questionava "qual ser o sentido de adaptarem uma história completamente esquecível, desinteressante, comum, transitória, trivial e monótona como a dos dias tenebrosos de luto da viúva Kennedy, a não ser contribuir ainda mais com o acervo dos filmes chato, comuns e irritantes que existem no mundo?" Oi? Não gostar do filme e achá-lo chato, ok, mas diminuir o pesar de uma mulher (que por si só já é justificável para uma história), que teve o luto compartilhado e/ou assistido por grande parte dos EUA e do mundo, ao ponto de atribuir a eles tantos adjetivos depreciativos é, no mínimo, burro. (com todo o respeito)
O assassinato de JFK é certamente um dos acontecimentos mais marcantes do século XX, e "Jackie" não se prende a abordagens óbvias e conspiratórias sobre o mesmo, mas opta por um relato fiel e dramático das consequências do acontecimento não sobre os EUA, mas sobre a pessoa mais próxima dele. (Literalmente, já que foi no colo dela que o corpo sem vida de John Kennedy despencou após o segundo disparo).
Senti que as cenas da entrevista com o Billy Crudup tiraram um pouco do peso histórico do filme, consequentemente aumentando o tom ficcional — ao contrário dos desdobramentos e do assassinato em si de JFK, que parecem um relato histórico muito fiel, — mas em momento algum essas cenas atrapalharam o ritmo do filme para mim. Nos flashbacks temos um estudo de personagem profundo, o que comumente força as personagens de apoio a servirem apenas como muleta para o desenvolvimento da personagem principal, mas é ela que dá título ao filme afinal. Não é raro se tornar desconfortável assistir, você se sente invadindo o espaço pessoal daquela mulher em sofrimento, — sentimento intensificado pelos vários close-ups ao rosto dela, nós e o mundo apontamos os olhos para Jacqueline no pior momento de sua vida. A atuação certeira de Natalie Portman passa tudo que o filme precisa, Jacqueline é uma mulher que pensava ter perdido tudo num estalo (ou dois), que viu seu maior sonho virar o pior pesadelo, mas tinha de manter-se articulada e majestosa, por ser mãe e primeira-dama. Era uma mulher calejada pela vida, havia perdido dois filhos (uma natimorta, outro dois dias depois de nascer), sempre enfrentou a infidelidade do marido de cabeça erguida, e sempre foi sinônimo de elegância e sofisticação. Sobre o sotaque/forma de falar da Natalie, basta lembrar que ela estava interpretando uma pessoa real; aconselho assistir o tour na casa branca que o filme recriou alguns trechos para conhecer a real Jackie Kennedy.
A montagem é confusa, mas a cronologia desorientada me ajudou a me identificar com a confusão que também passa a personagem-título durante todo o longa, sem impedir meu entendimento em momento algum. 'Jackie' é um filme íntimo e carregado pela fragilidade (e pela força) de uma mulher que perdeu o marido de forma brutal e pública, que tem de lidar com suas responsabilidades como viúva, mãe e ex-primeira dama, tem de enfrentar homens de terno que querem fazer decisões por ela ao mesmo tempo que enfrenta também uma luta interna com sua fé, e tudo isso enquanto tenta manter as aparências e a majestade que ela mesmo injetou ao posto de Primeira Dama dos Estados Unidos. John Hurt tem aqui uma bela despedida.
Genial, espero ainda rever esse Tim Burton em algum filme. Os efeitos práticos, uso de maquetes, miniaturas, stop-motion e animatronicos dava uma pegada muito mais natural (e MUITO mais original) do que o uso pesado de efeitos especiais de alguns filmes mais recentes.
Todas as cenas do Beetlejuice são memoráveis, dos melhores personagens que o cinema já teve, é até triste que ele apareça tão pouco no geral. Michael Keaton tá incrível.
Só num filme britânico dá para encontrar uma gangue de delinquentes adolescentes lutando com foguetes, tacos e uma espada samurai contra a polícia, um traficante vingativo e aliens-cachorro sem olhos e dentes que brilham no escuro.
Bem humorado, atuado e dirigido, tem relativa violência e críticas sociais bem escondidas sob o uso exagerado de maconha. Críticas que soam bobas, às vezes, mas não menos verdadeiras. Quem gosta de Edgar Wright ou séries britânicas certamente vai ter alguma diversão.
As cenas em que eles estão juntos e de repente um some são de despedaçar o coração, e a perda precoce de alguém tão talentoso e que aparentava ser uma pessoa tão pura como o Yelchin só potencializa a dor que o filme passa (A cena que mais me doeu, tanto dentro do contexto do filme quanto no real, foi a do metrô. Ambos estão sentados, a câmera vai focando em um por vez, até que ele não está mais lá, o que já significava muito agora significa ainda mais). Um dos filmes mais cruéis que eu já vi, as vezes amar é a mão que afaga e, ao mesmo tempo, a que bate. Lembranças machucam, o passado machuca, amar machuca. E amar como louco machuca o dobro.
"The things that we have with each other, I don't have with any other person, with any other human being, apart from you."
Qualquer um que já amou, — que já amou de verdade, — sabe como isso é uma realidade muitas vezes dolorosa. O amor verdadeiro pode até ser passado para trás, com muito esforço, mas jamais será esquecido.
O filme é simples, mas alcança a perfeição na sua simplicidade. Todo mundo, cedo ou tarde, vai alcançar o fundo do poço, é inelutável; e o Anders representa esse momento que todos nós, - uns mais, outros menos, - inevitavelmente passaremos. Solidão, insegurança, a falta de um motivo para ser. É rotineiro, cotidiano, não empurra um monte de citação bonita cheia de filosofia barata, é simplesmente comum como a vida.
A primeira grande interação dele fora da rehab, com o Thomas, mostra tudo que ele deveria ser pelos padrões: um cara de 30 e poucos anos, pai e empregado, comprimido pelo trabalho e pressões da vida, com filhos ranhentos e uma mulher que não transa, "que se senta e finge que está se divertindo", onde o maior entretenimento é ficar em casa jogando Battlefield. Uma vida patética que, para ele, não é suficiente, e por isso ele não cabe em lugar nenhum.
Fiquei perdido por um bom tempo na questão da Iselin, a ex-namorada, mas entendi que era algo que ele não conseguia deixar para trás. O amigo dele insiste que com ela era diferente, que ele a amava, mas ele nega, diz que não representa mais nada pra ele e que foi nesse momento que começou a se drogar. Mas mesmo assim liga constantemente para ela, incapaz de recomeçar.
E não é só ele que é incapaz, da mulher do melhor amigo ao drug dealer, a primeira coisa que todos perguntam é se ele está limpo, é um fantasma que vai acompanhar ele pra sempre, inclusive com as pessoas que nem o conheciam como a garota e a entrevista de emprego, o passado é importante e a sociedade é insensível.
"'Vai passar, tudo se arranjará...' só que não é verdade." é de longe a melhor cena do filme, e resume tudo que ele sente ali. Ele não pertence a lugar nenhum, é um estranho até entre amigos, não tem mais família, não se encaixa na quase-perfeita Oslo que o filme tanto descreve. E ele precisa dos vícios para preencher, - ou esquecer - o vazio que enfrenta. Em primeiro momento achei que, apesar de não glamorizar, o filme também não deixava exposta as mazelas desses vícios, podendo passar até uma imagem de libertação neles, mas não é essa a doença que ele retrata. A depressão, melancólica e sorrateira, é muito bem representada, tirando a vontade de viver onde não se pertence e apresentando uma falta de sentido em existir.
Quando ele conta que cogita se matar, e se o fizer é uma escolha dele, a primeira coisa que o amigo faz é tentar fazer ele sentir culpa, falando dos pais, e isso é uma resposta muito natural de qualquer pessoa nessa situação. O final não podia ser positivo, ele não podia ser feliz e destoar do que foi apresentando nos 90 minutos anteriores, precisava ser real. Ele não caiu no final, porque sempre esteve no fundo. "Se alguém quer se autodestruir, que lhe seja permitido", e por mais que ele próprio saiba que retroceder não é a solução, não há nada mais lá para ele.
Por um segundo duvidei que ele não se levasse a sério, mas tem um momento que o filme simplesmente para, aparece um aviso de "rolo perdido", e de repente todos os personagens se uniram na próxima cena. Os furos de roteiro e situações forçadas são um charme próprio. Trash, e com muito orgulho.
Não sou nenhum grande entendedor de Tarantino, para falar a verdade estou entrando nesse mundo agora, mas achei sensacional. Filme engraçado e que te deixa suspeito o tempo todo, você não confia em nenhum dos personagens e esse sentimento de desconfiança carrega 2/3 do filme. (Dois terços que prenderam a minha total atenção mesmo que sem praticamente nenhuma ação, mérito de um roteiro bem escrito)
A Jennifer Jason Leigh tá impecável, mas esse personagem do Walton Goggins roubou o filme, para mim.
Filme cheio de valores e com uma direção de arte lindíssima, de dar inveja a muito live-action. Assumo que reassisti somente pelo George Miller, mas encontrei algo muito mais profundo do que esperava.
Os pinguins mexicanos roubam a cena, não esperava que eu fosse rir tanto com esse filme.
A animação é mediana, pra mim perde a parte mais interessante dos Supremos que são os conflitos pessoais, do Banner e do Pym, principalmente; por ser uma animação tão infantil. Os traços também são um pouco pobres, mas ainda assim conta a história de maneira satisfatória.
O começo é mediano, o normal de uma procedural com seus casos semanais, você não conhece os personagens, não se apega, e dos 10 primeiros episódios pouco se aproveita, com destaque pro episódio "The Hub", que vendeu um crossover com Thor: Mundo Sombrio e não cumpriu. (O que mais tarde foi compensado com o episódio da Lady Sif).
A partir do 1x11 e o começo das revelações sobre Coulson e Skye, a série tem uma guinada espetacular, mantendo o ritmo até a season finale. Deixa de ser uma procedural qualquer com casos desinteressantes e passa a ser uma ótima série de espionagem, encaixando-se perfeitamente entre os filmes do MCU, principalmente Capitão América 2 e a consequente
Violência Gratuita
3.4 1,3K Assista AgoraAcho que o único outro filme que me fez pensar minha posição como telespectador de maneira semelhante foi Dogville.
Funny Games é tão subversivo (e genial) quanto.
Harry Potter e o Cálice de Fogo
4.1 1,2K Assista AgoraTenho sentimentos conflitantes. Quando pequeno eu amava, depois de rever achei dos piores, e agora revendo outra vez (após ler o livro) achei bastante decente como adaptação.
Se perdeu muito de uma trama incrível e bem mais complexa sobre o Bartô Crouch Jr., que eu acho fantástica, além de o filme ter alguns aspectos bem estranhos (Daniel Radcliffe teve provavelmente sua pior atuação como Harry, e o Dumbledore passou o filme inteiro cheirando cola). Gostaria de ter visto mais do Cedrico e do Krum, do Snuffles, Dobby e Winky, das inseguranças do Harry e do Rony, dele treinando para as tarefas... mas aí já são problemas de tempo para adaptar.
Apesar dos cortes de algumas tramas, eu achei que o roteiro fez um trabalho bastante satisfatório para adaptar tudo de fundamental sobre o livro dentro de um longa: o Torneio Tribuxo e o Renascimento do Voldemort.
Brendan Gleeson e principalmente Ralph Fiennes deram um show à parte, Fiennes rouba o clímax do filme e incorpora um dos vilões mais memoráveis da história.
Remember Cedric Diggory.
Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban
4.2 1,6K Assista AgoraEra meu filme favorito da saga e agora revi após ler o livro. Eu sempre tive, por algum motivo, a impressão de que esse era o mais fiel, mas tava bem enganado.
Em alguns pontos, o filme acabou ficando inevitavelmente bastante corrido, em outros eu acho que é até mesmo superior ao próprio livro. Esteticamente e no quesito direção esse é disparado o melhor da saga, é visível o cuidado extremo da primeira cena até o final dos créditos, até mesmo com o menor dos detalhes (Newt no Mapa dos Marotos!). Cuáron deu vida a Hogwarts, que já era bela nos filmes anteriores, de uma forma ainda mais mágica.
Mas foi também, nesse filme, que se passou a sofrer pelo tempo para contar a história. Várias informações foram omitidas
Toda aquela parte do Encontro na Casa dos Gritos podia ter revelado muito mais do que se revelou: o passado dos Marotos e Lilly, a relação com o Snape e a peça que o Sirius pregou nele, o fato deles todos terem virado animagos pelo Lupin, como Sirius fugiu de Azkaban e como encontrou o Pettigrew, o que exatamente aconteceu 12 anos atrás, o porquê do Patrono do Harry ser um Cervo, e o mais importante QUEM ERAM ALUADO, RABICHO, ALMOFADINHAS E PONTAS. Eu não consigo acreditar que eles não tenham deixado claro para o Harry isso e o quanto valorizavam a amizade com o pai dele.
Alguns cortes eu até compreendo:
- O conflito Rony x Hermione por causa do Rabicho e do Bichano foi quase completamente cortado do filme, na verdade a aproximação deles é oposta a isso;
- Por mais que eu gostaria de ver muito mais de Hogsmeade entendo também que não havia tempo;
- O desespero da Hermione por ter pegado tantas disciplinas;
- Os ataques e investidas do Sirius à Hogwarts que deixavam ele muito mais suspeito;
- Todo o plot do Bicuço é muito mais resumido no filme, o que não acho que afete em nada;
- Mas o que mais me doeu foi terem tido que cortar a Grifinória ganhando a Taça de Quadribol depois de anos (No último ano do Olívio!).
O filme porém se adaptou bem aos cortes, o roteiro é sólido apesar de em vários momentos apelar para a compreensão dos espectadores de fatos que nem ele mesmo explica muito bem. A passagem de tempo acaba um pouco prejudicada (e mesmo assim Cuáron faz questão de mostrar frames do Salgueiro em diferentes estações, tamanho o cuidado para evitar isso) e o grande problema, que é a forma corrida que a maioria dos acontecimentos passa, acabou dando um bom tempo para o clímax do filme, que é sensacional. David Thewlis e Gary Oldman personificaram com perfeição meus dois personagens favoritos, Remo Lupin e Sirius Black, e apesar de todos os cortes que acrescentariam e MUITO na história daqueles 4, eles entregaram toda a carga dramática das vidas despedaçadas dos Marotos. ("I did my waiting... 12 years of it... In Azkaban!" é para mim uma das cenas mais emblemáticas da franquia)
Além da explicação sobre os Marotos ao Harry, outra coisa que eu não compreendo o corte era a simples menção a situação do Fiel do Segredo de seus pais. Seria muito simples e rápido de se explicar e acrescentaria MUITO a um personagem tão complexo como o Sirius, que se culpa pelas mortes do Tiago e da Lílian a 12 anos. O filme também ameniza e muito o personagem do Snape, ele mostra um lado muito mais desequilibrado e descontrolado nos livros (E por essas e outras que não compreendo a idolatração à ele no final, Albus Remus Potter sim seria um nome justo a se dar). Especialmente em relação a Mione, ele tem atitudes muito duvidosas e até mesmo abusivas, que não chegaram ao filme.
Por fim, aquilo que o filme melhorou em relação aos livros, a situação do Vira-Tempo:
Eu gostei da forma indireta que eles afetam os acontecimentos, no livro eu fiquei com a impressão de que tudo tinha acontecido sem eles estarem lá da primeira vez, o que não fazia sentido com o Harry se vendo na outra margem do lago. Eu notei que algumas pessoas compreenderam mal, mas o Bicuço nunca realmente morreu no filme, da pra ver o Albus voltando para dentro para beber algo com o Hagrid e o que o trio vê é o Carrasco cortando uma abóbora. O filme amarrou bem todas as partes da viagem no tempo, eles atirando a pedra na janela, a Mione pisando no galho e uivando, e finalmente o Harry conjurando o Patrono para salvar a ele mesmo e o seu padrinho. Eu posso estar enganado, mas não lembro do livro deixar claro o que aconteceu e se os eus-futuros do Harry e da Mione já tinham salvado o Bicuço (Como o filme mostra na cena do Carrasco cortando a abóbora em dois ângulos diferentes, deixando claro que eles já tinham alterado aquilo e o tempo é um loop fechado).
Enfim, eu nem sei exatamente o que pensar sobre o Prisoneiro de Azkaban agora, mas ele certamente ainda tem um grande valor nostálgico para mim, Hogsmeade, as aulas do professor Lupin com o bicho-papão, o coral do professor Flitwick, o voo do Harry no hipogrifo, Sirius Black... o roteiro em alguns momentos pode ter se enrolado um pouco, mas tem os ingredientes suficientes para continuar memorável.
Bo Burnham: Make Happy
4.3 40 Assista Agoraon a scale from one to zero, are you happy?
Thor: Ragnarok
3.7 1,9K Assista AgoraEnquanto os dois filmes anteriores miravam no épico e acertavam no cafona, este aqui mirou no cafona e conseguiu ser muito mais épico que os outros dois juntos.
Adorei a estética, o visual e a trilha de Sakaar, seria ótimo um filme só lá.
Hellboy II: O Exército Dourado
3.4 425 Assista AgoraO primeiro eu entendo, mas a nota desse aqui é muito injusta. Desbunde visual e técnico, criação de mundo, maquiagens, coreografias, personagens, tudo no ponto.
I can't smile without you ♫♫
Homem-Aranha: De Volta ao Lar
3.8 1,9K Assista AgoraO filme ganha pontos comigo em especial pelo seu princípio, um Homem Aranha do bairro, que quebra as coisas, cai, pega o cara errado, conhece o senhor da lanchonete, levanta a máscara para comer no telhado. O uso dos destroços dos Chitauri para estabelecer uma boa gama de vilões do aranha foi criativa, e o paralelo de ambos (Parker e Toomes) viverem a sombra dos grandes (Iron Man e Tony Stark) é interessante, mas só. O vilão é visualmente do caralho mas pouco cativante, como a maioria dos vilões da Marvel. A trama tem várias conveniências de roteiro, desde parentesco de personagens até um nerd adolescente conseguindo quebrar a criptografia de um traje de tecnologia mega-avançada sem que ninguém notasse.
Apesar de eu achar que em algum momentos levaram too far o quão "bobão" o Peter Parker é, o filme é bastante engraçado, o que aqui casa bem (cof ao contrário de Doutor Estranho cof), muito graças a dupla Peter/Ned. O resto do "grupinho" é pouco ou nada interessante, e polêmicas a parte em relação a Flash/Michelle, são dois personagens unidimensionais e bem sem graças que deviam ter sido como são, de fato. O primeiro chega a dar vergonha alheia. A participação do Robert Downey Jr. porém, me surpreendeu positivamente, é bem menor e mais pontual do que eu esperava. Não sei até qual ponto gostei da Karen, e do quão necessária seria ela nesse início do Aranha.
Gostei também por o filme mostrar que existem heróis no Universo Cinematográfico da Marvel que se preocupam com o micro, com bairros, as pessoas, e não apenas ameaças de escala global como os Vingadores, e ninguém melhor que o amigão da vizinhança pra isso. O filme não é ruim, mas apesar de não vermos o Tio Ben sendo baleado continua passando um sentimento de mais do mesmo. A introdução de personagens como Shocker e Escorpião não me animam muito, apesar de reclamar de mais do mesmo acho que a Marvel devia aproveitar para finalmente adaptar correctamente o maior nêmesis do Aranha, que é o Duende Verde. Me anima, porém, a brincadeira com o Miles Morales, apesar de eu achar difícil encaixar ele aí tão cedo.
Spider-Man: Homecoming é divertido, tem o melhor Peter Parker do cinema e uma grande margem de evolução para seu personagem título, mas pouco se difere do restante para que pudesse se sobressair.
Spaced (1ª Temporada)
4.5 38Foi ainda melhor do que eu esperava, todas as situações engraçadas vem num timing cômico perfeito, que fazem rir seja pela simplicidade, pelas referências, pelo nonsense ou pelo simples visual. Incrível como eles encontram maneiras inusitadas de fazer humor, como usar um round de Tekken para representar a discussão entre dois personagens.
Spaced é quase uma síntese de tudo que os envolvidos em sua criação eram capazes de fazer, o que poucos anos depois (e com uma verba já relativamente maior) culminou em Shaun of the Dead, e por aí vai; mas o talento acima da média de Edgar Wright já estava lá.
Não Me Abandone Jamais
3.8 2,1K Assista AgoraEu fui ver com pouca informação, ciente de que elas poderiam prejudicar a experiência, mas ainda assim esperava por uma ficção científica. Com isso em mente, por mais que na superfície de fato seja um sci-fi, todo o subtexto real se tornou realmente desconfortável de assistir.
A metáfora envolta no por quê deles não reagirem, fugirem ou se rebelarem é bastante clara, e talvez para alguém que veja o filme esperando isto ele se torne desinteressante, mas é impossível ficar indiferente ao final.
Community (6ª Temporada)
3.7 136O discurso do Abed no 6x10 para mim pareceu uma forma de o roteiro reconhecer o fim. "Grip one for too long and you lose so much that you've never held.", a essa altura a série não era mais sobre um grupo de estudantes, já havia perdido 3 dos 7 atores principais, havia mudado, se adaptado, caído e levantado. Havia perdido e recuperado seu principal nome criativo. Não fora essa a primeira vez que Community questionou se continuava sendo ela mesma, mas ela soube exatamente até onde ir, e quando parar.
A altura da sexta temporada era sim um show diferente daquele do princípio, e não podia ser de outra maneira, mas aí vai de cada um achar o que quiser. Para alguns era simples: Nos bons momentos, "parecia aquela velha Community", nos ruins, "não era tão boa quanto foi no início". Para mim, foi uma série que se adaptou, mudou de acordo como a música toca, errou muito - sempre reconhecendo seus erros (I farted during the fourth one. It's an inside joke.) - e acertou mais ainda; que teve seus baixos, mas nunca perdeu seu encanto.
Não sei dizer o que me encantou tanto, se foi a metalinguagem, o nonsense, as referências à cultura pop, Dean Pelton ou o Abed; só sei que senti o fim de Community como senti de poucas outras séries.
#andamovie
Community (4ª Temporada)
3.7 161 Assista AgoraÉ inferior as 3 primeiras, mas ainda é muito melhor que muitas outras sitcoms, e é bem superior ao quão inferior a maioria das pessoas dizem ser.
Os roteiristas tomaram algumas decisões estúpidas, como o relacionamento Troy/Britta, mas todos os episódios ficaram entre o ok e o ótimo. Se saíram bem também com os problemas relacionados ao Chevy Chase.
Entre os melhores da temporada, gosto bastante do episódio da casa assombrada e o da homenagem a Doctor Who, e os episódios dos fantoches, do background de super-heróis e da darkest timeline estão à altura dos melhores de Community.
De qualquer maneira, em seu pior Community ainda é melhor que muita série que vinha e continua sendo constantemente renovada por aí, a quarta temporada não é essa tragédia toda.
Jackie
3.4 743 Assista AgoraNão ia comentar, raramente o faço, mas li um comentário que questionava "qual ser o sentido de adaptarem uma história completamente esquecível, desinteressante, comum, transitória, trivial e monótona como a dos dias tenebrosos de luto da viúva Kennedy, a não ser contribuir ainda mais com o acervo dos filmes chato, comuns e irritantes que existem no mundo?" Oi? Não gostar do filme e achá-lo chato, ok, mas diminuir o pesar de uma mulher (que por si só já é justificável para uma história), que teve o luto compartilhado e/ou assistido por grande parte dos EUA e do mundo, ao ponto de atribuir a eles tantos adjetivos depreciativos é, no mínimo, burro. (com todo o respeito)
O assassinato de JFK é certamente um dos acontecimentos mais marcantes do século XX, e "Jackie" não se prende a abordagens óbvias e conspiratórias sobre o mesmo, mas opta por um relato fiel e dramático das consequências do acontecimento não sobre os EUA, mas sobre a pessoa mais próxima dele. (Literalmente, já que foi no colo dela que o corpo sem vida de John Kennedy despencou após o segundo disparo).
Senti que as cenas da entrevista com o Billy Crudup tiraram um pouco do peso histórico do filme, consequentemente aumentando o tom ficcional — ao contrário dos desdobramentos e do assassinato em si de JFK, que parecem um relato histórico muito fiel, — mas em momento algum essas cenas atrapalharam o ritmo do filme para mim. Nos flashbacks temos um estudo de personagem profundo, o que comumente força as personagens de apoio a servirem apenas como muleta para o desenvolvimento da personagem principal, mas é ela que dá título ao filme afinal. Não é raro se tornar desconfortável assistir, você se sente invadindo o espaço pessoal daquela mulher em sofrimento, — sentimento intensificado pelos vários close-ups ao rosto dela, nós e o mundo apontamos os olhos para Jacqueline no pior momento de sua vida. A atuação certeira de Natalie Portman passa tudo que o filme precisa, Jacqueline é uma mulher que pensava ter perdido tudo num estalo (ou dois), que viu seu maior sonho virar o pior pesadelo, mas tinha de manter-se articulada e majestosa, por ser mãe e primeira-dama. Era uma mulher calejada pela vida, havia perdido dois filhos (uma natimorta, outro dois dias depois de nascer), sempre enfrentou a infidelidade do marido de cabeça erguida, e sempre foi sinônimo de elegância e sofisticação. Sobre o sotaque/forma de falar da Natalie, basta lembrar que ela estava interpretando uma pessoa real; aconselho assistir o tour na casa branca que o filme recriou alguns trechos para conhecer a real Jackie Kennedy.
A montagem é confusa, mas a cronologia desorientada me ajudou a me identificar com a confusão que também passa a personagem-título durante todo o longa, sem impedir meu entendimento em momento algum. 'Jackie' é um filme íntimo e carregado pela fragilidade (e pela força) de uma mulher que perdeu o marido de forma brutal e pública, que tem de lidar com suas responsabilidades como viúva, mãe e ex-primeira dama, tem de enfrentar homens de terno que querem fazer decisões por ela ao mesmo tempo que enfrenta também uma luta interna com sua fé, e tudo isso enquanto tenta manter as aparências e a majestade que ela mesmo injetou ao posto de Primeira Dama dos Estados Unidos. John Hurt tem aqui uma bela despedida.
Os Fantasmas Se Divertem
3.9 1,8K Assista AgoraGenial, espero ainda rever esse Tim Burton em algum filme. Os efeitos práticos, uso de maquetes, miniaturas, stop-motion e animatronicos dava uma pegada muito mais natural (e MUITO mais original) do que o uso pesado de efeitos especiais de alguns filmes mais recentes.
Todas as cenas do Beetlejuice são memoráveis, dos melhores personagens que o cinema já teve, é até triste que ele apareça tão pouco no geral. Michael Keaton tá incrível.
Doctor Who (2ª Temporada)
4.6 254The Girl in the Fireplace e The Satan Pit são dois episódios geniais.
O episódio final, em especial a cena final com o adeus à Rose, foi doloroso.
Ataque ao Prédio
3.3 396 Assista AgoraSó num filme britânico dá para encontrar uma gangue de delinquentes adolescentes lutando com foguetes, tacos e uma espada samurai contra a polícia, um traficante vingativo e aliens-cachorro sem olhos e dentes que brilham no escuro.
Bem humorado, atuado e dirigido, tem relativa violência e críticas sociais bem escondidas sob o uso exagerado de maconha. Críticas que soam bobas, às vezes, mas não menos verdadeiras. Quem gosta de Edgar Wright ou séries britânicas certamente vai ter alguma diversão.
Loucamente Apaixonados
3.5 1,2K Assista AgoraAs cenas em que eles estão juntos e de repente um some são de despedaçar o coração, e a perda precoce de alguém tão talentoso e que aparentava ser uma pessoa tão pura como o Yelchin só potencializa a dor que o filme passa (A cena que mais me doeu, tanto dentro do contexto do filme quanto no real, foi a do metrô. Ambos estão sentados, a câmera vai focando em um por vez, até que ele não está mais lá, o que já significava muito agora significa ainda mais). Um dos filmes mais cruéis que eu já vi, as vezes amar é a mão que afaga e, ao mesmo tempo, a que bate. Lembranças machucam, o passado machuca, amar machuca. E amar como louco machuca o dobro.
"The things that we have with each other, I don't have with any other person, with any other human being, apart from you."
Qualquer um que já amou, — que já amou de verdade, — sabe como isso é uma realidade muitas vezes dolorosa. O amor verdadeiro pode até ser passado para trás, com muito esforço, mas jamais será esquecido.
Oslo, 31 de Agosto
3.9 200O filme é simples, mas alcança a perfeição na sua simplicidade. Todo mundo, cedo ou tarde, vai alcançar o fundo do poço, é inelutável; e o Anders representa esse momento que todos nós, - uns mais, outros menos, - inevitavelmente passaremos. Solidão, insegurança, a falta de um motivo para ser. É rotineiro, cotidiano, não empurra um monte de citação bonita cheia de filosofia barata, é simplesmente comum como a vida.
A primeira grande interação dele fora da rehab, com o Thomas, mostra tudo que ele deveria ser pelos padrões: um cara de 30 e poucos anos, pai e empregado, comprimido pelo trabalho e pressões da vida, com filhos ranhentos e uma mulher que não transa, "que se senta e finge que está se divertindo", onde o maior entretenimento é ficar em casa jogando Battlefield. Uma vida patética que, para ele, não é suficiente, e por isso ele não cabe em lugar nenhum.
Fiquei perdido por um bom tempo na questão da Iselin, a ex-namorada, mas entendi que era algo que ele não conseguia deixar para trás. O amigo dele insiste que com ela era diferente, que ele a amava, mas ele nega, diz que não representa mais nada pra ele e que foi nesse momento que começou a se drogar. Mas mesmo assim liga constantemente para ela, incapaz de recomeçar.
E não é só ele que é incapaz, da mulher do melhor amigo ao drug dealer, a primeira coisa que todos perguntam é se ele está limpo, é um fantasma que vai acompanhar ele pra sempre, inclusive com as pessoas que nem o conheciam como a garota e a entrevista de emprego, o passado é importante e a sociedade é insensível.
"'Vai passar, tudo se arranjará...' só que não é verdade." é de longe a melhor cena do filme, e resume tudo que ele sente ali. Ele não pertence a lugar nenhum, é um estranho até entre amigos, não tem mais família, não se encaixa na quase-perfeita Oslo que o filme tanto descreve. E ele precisa dos vícios para preencher, - ou esquecer - o vazio que enfrenta. Em primeiro momento achei que, apesar de não glamorizar, o filme também não deixava exposta as mazelas desses vícios, podendo passar até uma imagem de libertação neles, mas não é essa a doença que ele retrata. A depressão, melancólica e sorrateira, é muito bem representada, tirando a vontade de viver onde não se pertence e apresentando uma falta de sentido em existir.
Quando ele conta que cogita se matar, e se o fizer é uma escolha dele, a primeira coisa que o amigo faz é tentar fazer ele sentir culpa, falando dos pais, e isso é uma resposta muito natural de qualquer pessoa nessa situação. O final não podia ser positivo, ele não podia ser feliz e destoar do que foi apresentando nos 90 minutos anteriores, precisava ser real. Ele não caiu no final, porque sempre esteve no fundo. "Se alguém quer se autodestruir, que lhe seja permitido", e por mais que ele próprio saiba que retroceder não é a solução, não há nada mais lá para ele.
Planeta Terror
3.7 1,2K Assista AgoraAcho que foi o melhor filme ruim que eu já vi.
Por um segundo duvidei que ele não se levasse a sério, mas tem um momento que o filme simplesmente para, aparece um aviso de "rolo perdido", e de repente todos os personagens se uniram na próxima cena. Os furos de roteiro e situações forçadas são um charme próprio. Trash, e com muito orgulho.
Os Oito Odiados
4.1 2,5K Assista AgoraNão sou nenhum grande entendedor de Tarantino, para falar a verdade estou entrando nesse mundo agora, mas achei sensacional. Filme engraçado e que te deixa suspeito o tempo todo, você não confia em nenhum dos personagens e esse sentimento de desconfiança carrega 2/3 do filme. (Dois terços que prenderam a minha total atenção mesmo que sem praticamente nenhuma ação, mérito de um roteiro bem escrito)
A Jennifer Jason Leigh tá impecável, mas esse personagem do Walton Goggins roubou o filme, para mim.
Happy Feet: O Pingüim
3.2 553 Assista AgoraFilme cheio de valores e com uma direção de arte lindíssima, de dar inveja a muito live-action. Assumo que reassisti somente pelo George Miller, mas encontrei algo muito mais profundo do que esperava.
Os pinguins mexicanos roubam a cena, não esperava que eu fosse rir tanto com esse filme.
O Filho do Batman
3.5 147 Assista Agoramoleque chato pra desgraça
Os Supremos: O Filme
3.3 64A animação é mediana, pra mim perde a parte mais interessante dos Supremos que são os conflitos pessoais, do Banner e do Pym, principalmente; por ser uma animação tão infantil. Os traços também são um pouco pobres, mas ainda assim conta a história de maneira satisfatória.
Agentes da S.H.I.E.L.D. (1ª Temporada)
3.8 474 Assista AgoraO começo é mediano, o normal de uma procedural com seus casos semanais, você não conhece os personagens, não se apega, e dos 10 primeiros episódios pouco se aproveita, com destaque pro episódio "The Hub", que vendeu um crossover com Thor: Mundo Sombrio e não cumpriu. (O que mais tarde foi compensado com o episódio da Lady Sif).
A partir do 1x11 e o começo das revelações sobre Coulson e Skye, a série tem uma guinada espetacular, mantendo o ritmo até a season finale. Deixa de ser uma procedural qualquer com casos desinteressantes e passa a ser uma ótima série de espionagem, encaixando-se perfeitamente entre os filmes do MCU, principalmente Capitão América 2 e a consequente
queda da S.H.I.E.L.D.
Graças a Deus não me prendi a comentários negativos e desisti de ver, pra quem gosta de espionagem e da Marvel, Agents of S.H.I.E.L.D. é perfeita.
Mais Triplett, menos Ward.
The Walking Dead (1ª Temporada)
4.3 2,3K Assista AgoraIncrível olhar pra trás e ver que uma série que prometia tanto se perdeu em tantos sentidos.
Darabont faz falta, acho que esse é o melhor pilot que uma série já me apresentou.