A série tem uma narrativa que pega o espectador pelo mistério desenvolvido de forma envolvente, porém peca em seu final que apresenta uma solução cheia de falhas e absurda.
Apesar do tema que envolve poderes sobrenaturais, o desenvolvimento da narrativa tinha uma pegada mais verossímil, que se perde em seu desfecho.
Angela (Valentina Gaya) espera a mãe Claudia (Miren Ibarguren) na casa que moravam após segui-la, ajuda no parto, tenta matar a mãe cortando seu pescoço e depois aparentemente a cura do ferimento, foge com a criança, é capturada, depois de descobrimos que havia se tornado a líder da seita que a raptara, é internada em uma instituição para doentes mentais, depois de um tempo o médico diz que pode ir para a casa junto do irmão que raptou e da mãe que tentou matar?? Além disso, o bebê que seria o motivo de todo o plano arquitetado pela menina mostrado durante TODA a série, termina já com uns 3 anos e nada que indicasse algum dom especial.
O elenco todo tem boas atuações com destaque para Rodrigo de La Serna (Casa de Papel) que vive o perturbado e depressivo detetive Salazar, mas as boas atuações não salvam a série que destrói a boa narrativa com um final decepcionante.
Costumo assistir bastante séries "True Crime" e essa certamente é uma das mais chatas, se não for a mais, que já assisti.
Quatro longos episódios que mostram as várias fases da investigação, intermináveis entrevistas com amigos e parentes da vítima, investigadores e a repórter que trabalhou no caso na época. A jornalista praticamente é a figura central da narrativa, aparecendo em todos os episódios falando sempre basicamente a mesma coisa.
O primeiro episódio se resume a falar sobre o desaparecimento, a preocupação das pessoas em cenas repetitivas. Para se ter ideia, uma das amigas dela é entrevistada várias vezes, repetindo o quanto está triste... para que isso? Uma vez não seria suficiente?
O terceiro episódio foca em outros casos de desaparecimentos e assassinatos, sem esclarecer se teriam a ver com o caso de Melissa, aparentemente parece não ter e depois deixam no ar se haveria conexão. Não entendi a inserção destes casos na série, prolongar a narrativa, para mim já excessivamente extensa?
Depois de passarmos por essa longa, repetitiva e tediosa sucessão de fatos que não levam a nenhuma conclusão, descobrimos que o caso está em aberto e sem solução alguma, exatamente como no dia em que o corpo de Melissa foi descoberto trinta anos atrás.
Acho que quem se interesse por este tipo de série, gosta de ver o caso resolvido, quem acompanha este tipo de narrativa, quer vê-la esclarecida, como em quase todos os documentários sobre casos reais.
Se a intenção era mostrar como casos de assassinato podem não ter um desfecho sem que se descubra quem é o assassino ou como o processo de investigação é burocrático e enfadonho, a série cumpriu seu objetivo mas acaba sendo, além de cansativo, frustrante.
O documentário não se aprofunda em análises psicológicas, não discute o "porque" mas exibe em detalhes o "como".
Pelo exposto não há dúvidas que Scott é o culpado pelo assassinato de sua esposa Laci e do filho não nascido Conner, ele é pintado como o vilão por seu comportamento distante, frieza e a descoberta posterior de uma amante para a qual escondeu que era um homem casado. O depoimento dela é crucial para sua condenação.
A mídia reforçou essa imagem de culpado, mas a série não entra na importância da cobertura intensa para a condenação do réu. Mesmo que todo o processo tenha se resumido a provas circunstanciais, não haveria como Scott receber outro veredito que não fosse culpado, enquanto Laci era a vítima, jovem, bonita, grávida, ele era o marido infiel que quis se livrar da esposa.
Scott até hoje jura inocência e já fez inúmeros recursos para ter seu caso revisado, até hoje não obteve sucesso.
É um relato rico em detalhes, mas que se torna genérico dentre tantos documentários "true crime", mostrando uma vítima que aparentemente não tinha defeitos e um assassino que teria todos os defeitos. Mas com a falta de provas contundentes e vinte anos depois ele ainda busca incessantemente por uma revisão do caso, fica a sensação que todos podemos ter sido influenciados por uma narrativa que sempre esteve contra o réu, mesmo que, aparentemente, ele seja mesmo culpado.
Embora melhor que a segunda temporada ainda é bem inferior à primeira.
SPOILERS ABAIXO
O Mr. Mercedes, citado em alguns momentos, já que um dos plots da temporada é o julgamento de Lou (Breeda Wool) que assassinou Brady na chocante cena final da temporada anterior. Apesar de constantemente Lou fale de Brady, o "Mr. Mercedes" não aparece nem nos delírios da personagem.
Na verdade, o título "Mr. Mercedes" meio que perdeu o sentido, já que o plot principal da temporada é o assassinato de John Rothstein (Bruce Dern, talvez um alter ego de Stephen King?) e a narrativa é quase que inteiramente focada nos personagens desse núcleo, com algumas inserções do julgamento.
Para não perder totalmente o protagonismo, Bill (Brendan Gleeson) se envolve na investigação do assassinato do escritor, mas seu personagem também se mostra com menos relevância.
Para compensar a falta do vilão Mr. Mercedes, aparece Alma Lane (Kate Mulgrew) até mais cruel e odiosa que o vilão das temporadas anteriores. Vivendo um relação doentia com Morris (Gabriel Ebert), não mede esforços para se apoderar dos cadernos com textos inéditos do escritor assassinado de quem era ex-amante e por quem era obcecada.
Os outros pesonagens como Holly (Justine Lupe), Ida (Holland Taylor) e Jerome (Jharell Jerome), tem participações diminuídas e transitam à margem dos acontecimentos importantes.
Uma série que começou com uma ótima primeira temporada, com personagens bem delineados e foi se perdendo, terminando de forma protocolar e sem lembrar em nada o seu início, nem o enredo que tomou um rumo completamente diferente.
A segunda temporada de “Mr. Mercedes” é inferior à primeira, não sei o quanto é fiel à obra de Stephen King, mas tudo que era tensão na primeira temporada, tornou-se arrastado nessa.
SPOILERS ABAIXO
Começa com Brady (Harry Treadaway) ainda em coma no hospital após a agressão de Holly (Justine Lupe). Entram em cena dois médicos ambiciosos e inescrupulosos Felix (Jack Huston) e Cora (Tessa Ferrer), que iniciam um tratamento no psicopata com um remedido regenerador da atividade cerebral.
A partir deste momento somos colocados dentro do cérebro de Brady, que ganha como cenário o porão onde ele arquitetava seus ataques com o psicopata diante das telas de computador vendo as pessoas à sua volta, as telas metaforicamente como seus olhos. Estas sequências são longas e repetitivas tirando muito do ritmo da narrativa.
Se na primeira temporada a premissa foi calcada na realidade nesta ganha uma narrativa com uma mistura de ficção científica/sobrenatural, pois o psicopata passa a entrar na mente das pessoas e fazer com que obedeçam suas ordens, uma pessoa se mata e outra mata alguém atendendo os comandos de Brady.
Bill (Brendan Gleeson) continua com sua obsessão com Brady e alguns personagens mais participativos da primeira temporada, nesta se tornam mais coadjuvantes como Ida (Holland Taylor) e Jerome (Jharel Jerome).
A temporada reserva uma cena final bastante chocante e inesperada, mas não é o bastante para colocá-la no mesmo nível da primeira.
Ramirez foi um serial killer americano que desafiou os chamados analistas de perfis do FBI, pois não tinha um padrão, matou jovens e idosos, roubou e estuprou mulheres e até crianças.
O documentário faz um relato abrangente e detalhado dos crimes cometidos pelo psicopata, embora não entre no terreno psicológico, não há nenhuma análise aprofundada sobre a mente ou personalidade de Ramirez, apenas descreve os fatos, seus assassinatos, captura, julgamento e condenação.
Documentário genérico, sem trazer nenhuma novidade para o formato, interessa para quem gosta do genêro true crime.
Comecei a ver e só depois descobri que era baseado ema um obra de Stephen King.
SPOILERS ABAIXO
A série já choca em sua cena inicial, várias pessoas que estavam em uma fila em busca de emprego são assassinadas por um psicopata dirigindo um Mercedes (daí o título) e usando máscara de palhaço que passa por cima delas em uma cena impactante e explícita.
A partir daí somos apresentados ao detetive Bill Hodges (Brendan Gleeson) que é o responsável pela investigação, o tempo passa, ele se aposenta e a não solução do caso se torna uma obsessão para Hodges.
Não há mistério quanto à identidade do assassino, logo sabemos que é Brady Hartsfield (Harry Treadaway) um pacato funcionário de loja de aparelhos eletrônicos, especialista em computadores, que mora com a mãe com quem tem uma relação doentia e incestuosa. Sua mente deturpada, sua personalidade sombria, sua total falta de empatia são reveladas.
Todos os personagens tem sua facetas psicológicas e são bem delineados, demonstrando sua personalidade nas atitudes. Hodges, que em sua obsessão não percebe o quanto sua vida está sendo sugada, numa espiral de amargura e dor.
Além dele transitam em seu entorno, sua vizinha Ida (Holland Taylor), prestativa, independente, resolvida, Janey (Mary Louise Parker) irmã da dona do Mercedes roubado usado no atentado, que se envolve amorosamente com Hodges, mas tem uma relação mal resolvida com a irmã que se suicidou e com a mãe internada em um asilo, Holly (Justine Lupe), tímida, insegura, com traços que poderiam ser até de autismo, Jerome (Jharel Jerome), rapaz negro que consegue entrar em Harvard e está em conflito entre suas raízes humildes e o ambiente da universidade de elite.
Além dele temos Deborah (Kelly Lynch) a mãe do psicopata, bêbada, frustrada, infeliz e Lou (Breeda Wool), colega de trabalho de Brady, lésbica, presa a um emprego e a um chefe ditador que vê no psicopata um amigo.
Não li a obra de King, não sei o quanto é fiel, suponho que seja pois tem o escritor entre seus roteiristas e uma aparição dele como uma das vítimas em uma lanchonete em um dos delírios de Brady, algo que King faz costumeiramente, imitando Hitchcock.
A narrativa é envolvente, tem momentos impactantes, como sua cena inicial, um outro assassinato de uma personagem importante e um desfecho também surpreendente, as atuações são ótimas, mas nem tudo é perfeito, às vezes se perde um pouco em diálogos desnecessários, que acabam quebrando o ritmo.
Já havia visto um documentário sobre esse caso, mas não com tantos detalhes.
Acho que quatro episódios foi um exagero, pois temos alguns pontos repetitivos na narrativa, o que fica cansativo, poderia ter sido mais enxuto.
De qualquer forma, há um vasto material jornalístico sobre o caso, o que deixou a narrativa rica em informações e com o longo depoimento da ex-mulher de um dos réus, que participou ativamente do caso.
É um típico caso de mulher manipuladora e gananciosa que envolve o amante, que não é menos culpado do que ela. Como resultado, famílias destruídas, filhos que perdem seus pais, um é morto e os outros vão para a prisão.
O aviso de spoiler cabe, porque mesmo sendo uma história real já divulgada pela mídia, a narrativa se desenvolve como um autêntico suspense ficcional, como hoje são os documentários de "true crime".
Temos aqui a princípio um caso de desaparecimento de uma mulher, algo comum e no qual o marido é o principal suspeito, como na maioria das vezes é também o culpado. Mas neste aqui, depois de um começo clichê, somos apresentados a uma história surreal que mostra a destruição de uma família, mas principalmente, o sofrimento de um homem, que se vê diante da constatação de que sua esposa é um ser cruel, sem escrúpulos, que tem um desvio de caráter beirando a psicopatia.
Não é o desaparecimento de Sherri Pappini que é misterioso, mas também sua personalidade. Porque alguém forja o próprio sequestro, se auto machuca, deixa o marido desesperado, um país inteiro preocupado?
A série foca bastante nos detalhes do desaparecimento e da posterior volta de Sherri, assim como no desespero de Keith, o marido, sem um maior aprofundamento no que a teria levado a cometer um ato tão insano que impactou sua vida e de sua família.
No final a explicação da insatisfação no casamento e a necessidade de atrair a atenção parecem um tanto superficiais, não há nenhuma alusão a uma possível perturbação mental.
Um encerramento um tanto abrupto, que deixa no espectador a sensação de impunidade, porque depois de arquitetar um plano insano, Sherri tem 35 acusações de fraude, entre elas mentir para o FBI e gastar recursos públicos com o seu sequestro forjado, crimes puníveis com até 25 anos de prisão, ela se declara culpada e cumpre apenas 18 meses.
Pensei que "Garota exemplar" teria sido baseado nesta história, quando descobrimos que foi Sherri que se inspirou no filme, o que torna tudo ainda mais bizarro.
Um depoimento final de Keith, revelando todo o ressentimento e a mágoa de ver sua vida e a de seus filhos afetadas de forma tão cruel, deixou um sentimento de querer saber mais sobre como Sherri e Keith resolveram pendências após a saída dela da prisão. Se divorciaram, com quem ficou os filhos, Keith perdoou a esposa?
Isso o documentário não esclarece, mas a quem se interessar Keith pediu o divórcio, tem a guarda dos filhos, não fala mais com a ex-esposa e não, disse que não vai perdoá-la.
Ao contrário dos outros dois documentários da série "Cena do crime", que focam em vários temas além dos crimes propriamente ditos, este se concentra na descrição dos assassinatos, as vítimas e principalmente suas famílias.
A narrativa é centrada no pai de uma das vítimas que busca incessantemente descobrir o responsável pela morte de sua filha, como também ajudar outros familiares de mulheres brutalmente assassinadas em um lugar que ficou conhecido como campo de matança.
Passando por vários crimes cometidos ao longo dos anos, é uma visão mais humana das vítimas e no sofrimento de quem fica tentando descobrir o que aconteceu.
“Cena do crime: O assassino da Times Square” ao abordar os assassinatos de mulheres ocorridos em Nova York na década de 70, acaba traçando todo o panorama da exploração sexual que existia na época, especialmente na Times Square, hoje um ambiente turístico e familiar, mas que há mais de 40 anos refletia a crise financeira, decadência urbana e alto índice de criminalidade vigentes na cidade nos anos 70.
SPOILERS ABAIXO
A Times Square era um lugar dominado pelo crime, um antro de pornografia habitado por prostitutas, cafetões, traficantes que circulavam entre cinemas pornôs, casas de swing, shows de strip tease, hotéis baratos de alta rotatividade e é nesse cenário caótico que em um quarto de hotel foram encontrados os corpos de duas mulheres com as mãos e as cabeças decepadas, a partir desse crime, a série vai revelando outros casos de mulheres assassinadas e estupradas, fazendo um paralelo entre a trajetória das investigações que descobrem a similaridade entre os casos decretando a existência de um serial killer com o ambiente hostil e abusivo a que as mulheres que se prostituíam estavam submetidas.
A narrativa bem desenvolvida vai intercalando depoimentos de promotores, investigadores, jornalistas e até a autora de um livro sobre profissionais do sexo, como também a filha biológica de uma das vítimas do serial killer, até chegar a revelação da identidade do assassino, Richard Cottingham, casado, 3 filhos, trabalhava como operador de computador em uma escritório, alguém aparentemente normal que se revelou um psicopata, e com o surgimento dos analistas de perfis descobriu-se que o mal não tem uma face determinada.
A série não perde muito tempo em analisar o assassino e suas motivações, e apesar de mostrar bastante os detalhes da investigação, se concentra mais no contexto social da época, o que para quem gosta de enredos essencialmente policiais e investigativos, pode ser digressivo demais e focar menos no que aparentemente deveria ser seu principal tema.
Para mim, a série equilibra o lado investigativo com a crítica social, e consegue acertar em ambas as abordagens, sem fugir de apresentar os fatos sobre os crimes e seu autor como também a imersão no ambiente degradante em que eles ocorreram.
“Cena do crime: Mistério e Morte no Hotel Cecil” é um ótimo documentário pois partindo de um fato, o desaparecimento da estudante canadense Elisa Lam dentro de um hotel em Los Angeles, aborda uma série de temas, a saber: Saúde mental, a vida das pessoas que vivem nas ruas, bullying virtual, exposição midiática, tribunal da internet e a obsessão das pessoas por assuntos que estão muito distantes de sua realidade.
SPOILERS ABAIXO
A narrativa tem um desenvolvimento que abrangendo todos estes temas, consegue despertar o interesse do espectador pois não deixa de lado a investigação policial, afinal quem começa a ver uma série sobre um crime real, está, antes de tudo, interessado na solução do mistério.
Há digressões sobre o passado do hotel, palco de várias mortes, além da de Elisa. Temos uma visão da Los Angeles dos anos 70/80 e da população de rua que transita em torno do hotel enquanto somos informados sobre os detalhes do desaparecimento de Elisa e sua frágil saúde mental, até sermos apresentados ao intrigante vídeo de uma câmera de segurança com a estudante em um dos elevadores do hotel nas suas últimas imagens, seu comportamento bizarro que levanta várias suspeitas por parte da polícia e de uma legião de internautas que passam a investigar o mistério obsessivamente.
Com uma narrativa que explora eficientemente o suspense ao demorar para revelar que a estudante estava morta quando seu corpo é encontrado dentro da caixa d’água, o que desperta mais ainda a obsessão dos detetives virtuais que passam a tecer várias teorias da conspiração, terminando por acusar um cantor que estava no hotel na época da morte da garota fazendo vídeos com sangue, gore, rituais macabros e passa a sofrer um linchamento virtual. Vemos o depoimento do artista que declara que pensou até em suicídio.
Por fim, a investigação conclui que a garota que sofria de sérios distúrbios mentais e havia parado de tomar a medicação, havia ela mesma entrado na caixa d’água e se afogado após um surto psicótico, motivo do comportamento estranho demonstrado no vídeo gravado no elevador.
Apesar do final ser um anticlímax para quem esperava ver um culpado preso e condenado, a série envolve, mostrando Elisa como vítima não de um assassino de carne e osso mas de todo um mundo para o qual não parecia estar preparada para enfrentar, ao passo que também aborda como uma sociedade pode também estar doente quando fica obcecada, acusa e condena sem provas e depois, quando tudo é esclarecido, esquece e vai em busca do próximo assunto sem se preocupar com quem ficou caído pelo caminho, o que é cada vez mais comum em tempos da exposição desenfreada na internet de assuntos que merecem tanta atenção para depois serem rapidamente esquecidos em um mundo onde tudo é cada vez mais instantâneo e descartável.
A atuação da protagonista é brilhante, sensível em um personagem que pode soar antipático apesar de todo o sofrimento pessoal e não despertar empatia pois é um personagem difícil, irascível, pesado, é o maior destaque do elenco. Embora seja uma trama essencialmente investigativa, o foco é mais na personalidade e no drama dos personagens do que no "quem é o culpado".
A minissérie tem um ritmo muito lento, típico das produções europeias, especialmente nórdicas, o que não seria problema se a trama não fosse confusa com cenas dispensáveis e duração excessiva.
De resto, além da protagonista, todos tem boas atuações, fotografia com destaque para o cinza e o branco, de acordo com o clima frio do lugar, que também evidencia a tristeza, melancolia e amargura da trama.
ao final estão conectados com acontecimentos do passado, um clichê recorrente de filmes de suspense.
mas achei difícil me preocupar com os problemas da protagonista, um personagem extremamente antipático, que sim, havia perdido uma filha, mas parecia dar isso como desculpa para todas suas atitudes condenáveis.
Anna (Tessa Thompson) trama para recuperar o posto que havia perdido na TV porque simplesmente desapareceu durante um ano sem dar satisfação, abandonou a mãe idosa, seduziu o marido da rival no trabalho, divulgou informações dadas pelo ex marido prometendo que não o faria
Estão elogiando o plot twist final mas é preciso ligar a suspensão de descrença no nível máximo para acreditar que
uma idosa teria capacidade física para cometer todos aqueles assassinatos.
Além disso, a protagonista ao ler a confissão da mãe, olha para ela e dá um sorriso, como se apoiasse todos os crimes que a mãe havia acabado de detalhar
Esta terceira temporada de “Fargo” tinha um grande desafio, manter o excelente nível das duas anteriores, criando altas expectativas para quem acompanha a produção baseada no filme Cult de 1996.
SPOILERS ABAIXO
Temos a história da rivalidade entre os irmãos Ray e Emmit Stussy (interpretados por Ewan McGregor) , o primeiro um oficial de condicional, que odiava o irmão por conta de um roubo de um selo raro. Com a ajuda de uma das condenadas sob sua supervisão, Nikki (Mary Eizabeth Winstead) com quem ele tinha um caso amoroso, Ray planeja o roubo do selo e também o assassinato do irmão, mas tudo dá errado e o assassino contratado, um atrapalhado viciado que também estava sob sua supervisão, acaba matando o homem errado.
A partir daí, coincidências e reviravoltas se sucedem sempre com muita ironia e humor negro. Quem acredita no aviso que aparece no começo de cada episódio, de que se trata de fatos reais descritos exatamente como ocorreram, vai estar muito enganado, pois é apenas uma brincadeira que os irmãos Coen iniciaram e foi mantida na série. Como acreditar que é verídica uma morte incrível como a do “acidente” com o ar condicionado?
Não falta a policial inteligente e perspicaz, Gloria Burgle (Carrie Coon) personagem similar à Molly da primeira temporada, que duvida da investigação, quer descobrir a verdade, mas é constantemente boicotada por seu chefe.
A única relação com os dois anos anteriores é o assassino de aluguel surdo-mudo que aparece na segunda temporada e volta nessa para ajudar Nikki, fora isso não existe mais nenhuma citação referente às outras temporadas.
Um desfecho que não faz concessões e não poupa seus protagonistas, inclusive com uma reviravolta quase no encerramento do último episódio, que realmente surpreende, mas no todo o enredo demora a envolver, não chega a decepcionar, mas acaba deixando claro que houve uma sensível queda em relação aos dois primeiros anos da série.
Destaque para as atuações de Ewan McGregor, que realmente convence ao fazer dois irmãos gêmeos bem distintos entre si, Mary Elizabeth Winstead que faz de Nikki um personagem que passeia entre a esperteza e a ingenuidade e o asqueroso mafioso Varga vivido, por David Thewlis, cujo final é deixado em aberto, na cena carregada de suspense que encerra a temporada.
o que tira um pouco do brilho, mas nada que chega a estragar, só incomoda um pouco.
O enredo torna-se verossímil a partir do momento em que não temos personagens totalmente bons nem totalmente ruins, todos tem suas fraquezas e falhas, é claro que temos o vilão que ultrapassa as falhas humanas, já indo para a psicopatia
após descobrir que seu filho não é seu, foi raptado, mas mata o marido, que sim, é um assassino mas ela se torna também uma assassina, não há como dizer que aquilo é um final feliz.
que acaba se tornando corrupto para ajudar o filho deficiente. Apesar da "desculpa", não deixa de ser um personagem que cede à tentação, mesmo que isso pese em sua consciência.
Dakota Fanning está bem como Jenny, a amiga da protagonista Marissa (Sahah Snook, em ótima atuação), mas sem ser um personagem que efetivamente importa para o desenvolvimento da ação, ela está sempre à margem dos acontecimentos, mais preocupada com sua insatisfação e crise no casamento.
E não posso deixar de mencionar Duke McCloud (Milo Irvine) cujo rapto desencadeia toda a narrativa, que com apenas 6 anos, muito fofura e carisma, rouba todas as cenas.
“Stranger Things”, a série que se tornou o carro-chefe da Netflix, finalmente chegou ao seu final, depois de 10 longos anos e nisso está o primeiro porém. Acho que as cinco temporadas poderiam ter sido apresentadas em 5 ou 6 anos no máximo, com esse hiato entre elas, perdeu-se um dos grandes trunfos da narrativa, a infância e adolescência de seus protagonistas, que no desfecho estão com idades entre 20 e 23 anos, embora nesse último ainda passem por adolescentes, mas aquele senso de amizade e aventura, aquela dinâmica que havia entre eles se esvaiu porque para nós se passaram 10 anos, assim a percepção sobre a série também mudou.
Outro ponto em que acho que a série perdeu muito e ficou flagrante nessa última temporada foi o foco que havia na personalidade e no psicológico dos personagens, tudo se direcionou quase totalmente para a ação. O que se viu foi um corre-corre incessante, um entra e sai do mundo invertido para o real, que aliás deixou de ser tóxico e misterioso, os personagens começaram a circular por lá como quem faz um passeio no parque. Além disso, foram inúmeras as cenas com diálogos excessivamente expositivos e explicações sem fim sobre aqueles planos infalíveis estilo “Turma da Monica” em cenas repetitivas que tornam a narrativa tediosa.
As criaturas do mundo invertido são um elemento importante, os demogorgons, o devorador de mentes (que só apareceu no último episódio) e o Vecna (Jamie Campbell Bower) deveriam ter destaque, mas não a ponto de apagar a relação entre os personagens. Aquela deliciosa vida cotidiana dos anos 80 com seus telefones de disco, vídeocassetes, walkmans e outros eletrônicos “modernos” , que hoje são peças de museu, citações e homenagens aos filmes clássicos dos anos 80, simplesmente desapareceram. O que tivemos durante toda a temporada foram batalhas e mais batalhas, tiros, mortes mas em momento algum tememos por nossos protagonistas, os monstros se limitavam a matar apenas coadjuvantes como os soldados eliminados um a um das formas mais violentas. Nancy (Natalia Dyer) virou praticamente uma Rambo! Eleven fez um soldado se matar atirando em si mesmo (numa cena, para mim chocante e descartável).
Longas e desnecessárias as cenas de Max (Sadie Sink) e Holly (Nell Fischer) vagando pelo “mundo imaginário” na mente do Vecna, que ao final não serviram para nada.
Eleven (Milly Bobby Brown) passou de protagonista a um personagem quase secundário, sem o devido destaque, a atuação da atriz também foi o grande problema desse quinto ano, ela que foi a revelação de “Stranger Things”, que catapultou sua carreira, nessa despedida pareceu automática e distante, não sabemos se pela escolha do roteiro que tirou seu protagonismo ou pela perda de foco, já que nesses anos, cresceu, casou e virou uma estrela . A sua suposta morte também deixou um anticlímax, já que Mike (Finn Wolfhard) relata ao final uma suposta trama em que a morte de Eleven teria sido uma ilusão e ela estaria viva em algum mundo alternativo e ficou para nós decidirmos se aquilo era verdade ou não.
Will (Noah Schnapp) teve uma significativa evolução de personagem, a cena em que se assumi gay foi emocionante, mas com nossas mentes dos anos 2000, ter que se explicar por não “gostar de meninas” e praticamente implorar pela aceitação, parece algo exagerado, porém eram os anos 80 e assumir a sexualidade naquela época era bem mais complicado.
Muitas pontas ficaram soltas, quem era aquele cientista na caverna? porque ele atacou Henry? Porque o garoto se transformou num monstro ? Porque o Vecna queria unir os dois mundos? Qual era a intenção e o que houve com as grávidas que foram submetidas aos experimentos? o que aconteceu com Suzie, a namorada de Dustin (Gaten Matarazzo) e o doutor Sam Owens? porque os dermogorgons sumiram do mundo invertido na batalha final?
As atuações foram boas, com destaque para Noah Schnapp, as revelações Nell Fischer, que fez sua Holly com a coragem e a doçura na medida certa, Jake Connelly, que com pouco tempo de tela e muito carisma fez de Derek um ladrão de cenas e Maya Hawke mostrando que o talento vem de família.
A Hawkins é um mundo congelado e nostálgico para quem viveu na década de 80 ou a descoberta, para quem não viveu, de um paraíso sem internet, redes sociais, celulares, um universo de liberdade, brincadeiras na rua, bicicletas, amizades profundas de uma infância que não existe mais particularmente nas primeiras três temporadas e que se perdeu nessa última.
O final com os amigos saindo do porão e sendo substituídos pelas crianças, jogaram em nossa cara que o tempo passa, estas crianças ainda viveriam num mundo menos tecnológico mas que já estava em transformação.
“ Stranger Things” mostrou que mesmo com toda a nostalgia, o passado não pode durar para sempre, a série que foi deliciosamente melancólica, que matou a saudade de quem viveu aquela época e apresentou um mundo “analógico” para quem não a viveu, como tudo na vida, mudou e perdeu sua inocência, como aquela infância que se passava em ambientes abertos e se mudou para dentro de quatro paredes, a rua se transformou nos shopping centers, a bicicleta virou o vídeo game e substituímos o joelho ralado pelas dores da mente.
A segunda temporada de “Fargo” consegue ser tão boa quanto a primeira, voltando 27 anos no tempo, os acontecimentos ocorrem ocorrem em 1979, vemos Lou Solverson (Patrick Wilson) na juventude. Lou é marido de Betsy (Cristian Milioti) e pai da pequena Molly, a protagonista da primeira temporada. Descobrimos quem Molly puxou sua inteligência, perseverança e senso de justiça.
Enquanto Lou enfrenta com a ajuda do sogro Hank ( Ted Danson) a família de mafiosos Gerhardt que quer vingar a morte de Rye (Kieran Culkin) o filho mais novo que assassina três pessoas em um restaurante e é atropelado por Maggie (Kirsten Dunst, ótima), que acaba envolvendo seu marido Ed (Jesse Plemons) no crime, fazendo com que ele se livre do corpo, tudo isso envolto em uma iminente guerra de famílias criminosas.
Uma sucessão de mortes vão acontecendo em cenas bastante violentas, intercaladas pelo drama de Lou, cuja esposa sofre de câncer (já sabemos porque a mãe de Molly não aparece na primeira temporada) e as peripécias do casal Meg e Ed, que vão complicando cada vez mais sua situação sendo obrigados a fugir, numa espécie de Bonnie e Clyde trapalhões.
A cena em que Ed se livra do corpo de Rye repete o filme “Fargo” de 1996, quando o atrapalhado assassino vivido por Steve Buscemi é moído em uma serraria, aqui é um açougue.
Todo o elenco tem ótimas atuações sem exceção e os personagens ganham camadas e vão crescendo, como Peggy a princípio egoísta e fútil que acaba se revelando ingênua e fiel ao marido na busca por uma vida melhor.
O capanga Mike Hallligan, na divertida e quase caricata performance de Bokeem Woodbine, é ao mesmo tempo gentil e sanguinário, e no final encontra seu “castigo” ao ser obrigado a deixar suas violentas tarefas por um cargo administrativo dentro de um escritório. Pobres de nós que somos submetidos diariamente a esse tipo de “martírio”.
Flertando com a ficção científica, temos a participação de OVNIS, que interrompem um tiroteio e por mais absurdo que seja, a cena funciona, apesar do estranhamento, embora não haja maiores explicações para a suposta invasão alienígena.
Com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, a série poderia facilmente se perder, mas consegue equilibrar os acontecimentos e desenvolver uma narrativa coesa que se encerra de forma bastante satisfatória e não se furta a apostar em uma narrativa complexa, porém bem desenvolvida.
Novamente, repetem a cada início de episódio o texto que diz que a série é baseada em uma história real, é só um artifício narrativo, uma brincadeira, que começou no longa dos irmãos Coen em 1996 e a série manteve.
A primeira temporada de “Fargo“ pega como base o filme de 1996 mas amplia seu universo acrescentando personagens, tramas paralelas, aprofundamento psicológico e motivações, construindo uma narrativa muito mais complexa e imersiva, mas também viciante.
SPOILERS ABAIXO
Lester Nygaard (Martin Freeman) tem uma casamento infeliz com uma esposa que o humilha e o compara ao irmão bem sucedido que por sua vez também o despreza e esfrega seu sucesso na cara dele. Num acesso de fúria, mata a esposa com uma martelada e a partir daí a trama se desenvolve, numa sucessão de enganos e coincidências trágicas.
Lester um pouco antes havia conhecido no hospital Lorne Malvo (Billy Bob Thornton) assassino de aluguel que o instiga a matar a esposa, quando este num impulso acaba fazendo isso, chama Lorne para ajudá-lo a consertar o estrago, só que no momento que o assassino chega em sua casa, o chefe de polícia Vern (Shawn Doyle) também chega e é assassinado por Lorne. É nesse momento que Lester, de covarde e tímido, passa a se transformar em alguém ardiloso, manipulador e cruel, capaz de culpar o próprio irmão pelo seu crime.
Enquanto isso, Lorne vai deixando uma fila de cadáveres pelo caminho, sem mostrar a menor clemência por suas vítimas num dos vilões mais sanguinários das séries de TV, impassível na sua capacidade em não demonstrar sentimentos. Como não destacar a cena icônica em que ele protagoniza um massacre em que a ação é “mostrada” através dos reflexos das vidraças, somente com os sons de tiros e gritos.
Não aceitando a versão oficial, Molly Solverson (Allison Tolman) insiste nas investigações, no que é proibida pelo novo chefe Bill (Bob Odenkirk), um pacato policial interiorano que prefere as soluções mais fáceis. Molly,é filha de Lou, um ex policial, agora dono de restaurante, ela conhece Gus Grimly (Colin Hanks) policial da cidade vizinha e juntos vão perseguir o assassino de aluguel e desvendar que o verdadeiro culpado pelo assassino da esposa de Lester, é o próprio marido.
Um ano se passa, Mollly e Gus se casam, ela aparece grávida com o mesmo barrigão de Marge, o personagem de Frances MacDormand em “Fargo” o filme. Todos vivem suas vidas sossegadas, até que Malvo reaparece, o que leva a novos desdobramentos e o vilão assassino encontra seu final, assim como Lester, que havia se tornado um bem sucedido empresário, é desmascarado.
Com um elenco soberbo que constrói personagens verossímeis em sua integridade ou vilania, aliada a uma trama que sim tem conveniências e exageros, mas que se mostra coerente e fecha todos os arcos com maestria, desenvolvida através de um texto carregado de muito humor negro e ironia.
Apesar do seguinte texto exibido em todos os episódios , que também aparecia no começo do filme, “Esta é uma história verídica. Os eventos retratados neste filme ocorreram em Minnesota, em (determinado ano). A pedido dos sobreviventes, os nomes foram alterados. Por respeito aos falecidos, o restante da história foi contado exatamente como aconteceu.”, a narrativa é totalmente ficcional, um artifício usado pelos irmãos Coen para explorar a reação da audiência, usando apenas alguns elementos de casos criminais reais, o mesmo expediente usado na série.
Apesar dos furos de roteiro e excesso de conveniências, já apontado em vários comentários, a série tem um roteiro envolvente ajudado pelas ótimas atuações de ambos protagonistas.
Jaffar Bambira é perfeito como o perturbado Téo e Julia Dalavia não menos que excelente no papel da mimada Clarice.
A série não faz concessões até pouco antes de seu desfecho, Clarice sofre toda a sorte de humilhações, torturas e abusos nas mãos de Téo, mas no final, diferente do livro, aposta em um final quase feliz para a protagonista, que triunfa sobre seu abusador. Creio que este tipo de concessão, ainda mais para uma série de streaming cujo público é mais exigente que o público da tv aberta, faz com que a narrativa perca sua força, não chega a estragá-la, mas seria melhor se tivesse sido mais corajosa.
Série genérica de serial killer que é mais um passeio pelas obras de Gaudí em pontos turísticos de Barcelona, do que propriamente um enredo investigativo envolvente.
O assassino em questão queima suas vítimas espetacularmente nessas obras icônicas e para investigar é chamado o detetive Milo (Isák Ferriz), que estava afastado e enfrenta um período problemático pelo suicídio do sobrinho. Para ajudá-lo é convocada a detetive Rebecca (Verônica Echegui), uma especialista em perfis criminais.
os autores dos assassinatos serem dois irmãos que foram abusados na infância se vingando dos responsáveis
até os detetives que a princípio se odeiam, para depois criarem um forte companheirismo.
A trama faz críticas a especulação imobiliária da cidade, que despeja os moradores de suas propriedades, para investir na ampliação de monumentos que atraem mais turistas.
Sem surpresas, com soluções óbvias e queda de ritmo, pois a trama é constantemente interrompida para mostrar a vida pessoal do detetive.
Último trabalho da atriz Verônica Echegui, que faleceu de câncer em agosto de 2025. Como coincidência mórbida, a mãe de Rebecca, personagem de Verônica, havia morrido de câncer e a detetive expressa sua preocupação em ter herdado a doença.
Nesta segunda temporada, vemos Katarzyna às voltas com uma investigação sobre tráfico humano, com seus muitos problemas pessoais pelo suicídio do marido, a criação da filha e a obsessão pelo trabalho, que a faz ultrapassar os limites.
Seu parceiro Trepa, segura todas as pontas, desde encobrir seus erros no desempenho do trabalho policial até servir de babá para a filha dela, que já o vê como um pai. O rapaz claramente é apaixonado pela detetive.
O ritmo é lento, a protagonista é irascível e trata rudemente todos que querem ajudá-la , o que não gera muita empatia, apesar de todo seu drama pessoal.
Um cenário frio e cinzento que acompanha o desenvolvimento dramático e melancólico de seus personagens. Um pouco inferior à primeira temporada.
Alex Murdaugh (na excelente atuação de Jason Clarke) é alguém, que se tiver feito metade do que a série mostra, já seria um ser humano completamente desprezível. Mas, segundo a narrativa, ele fez mesmo tudo aquilo, roubou de sua firma de advocacia, de seus clientes, a maioria pessoas humildes que dependiam das indenizações que ele roubava para custear seu estilo de vida luxuoso, tratava a mulher e os filhos como um tirano opressor e traía a esposa.
Viciado em opióides, fato que escondia de todos, passou a culpar o vício quando seus crimes foram descobertos, inclusive quando foi acusado pelo assassinato brutal de Maggie, sua esposa (na também fabulosa interpretação de Patricia Arquete) e do filho Paul (Jonnhy Berchtold).
A série começa já com os assassinatos, portanto já sabemos quem morre, em seguida há o flashback sobre toda a história familiar. Descobrimos os Murdaugh são uma famíia de advogados da Carolina do Sul, ricos e influentes. O patriarca (Gerald MacRaney) pai de Alex, sempre preocupado em manter o bom nome da família, mesmo que seja apenas aparência.
Alex é apresentado como alguém arrogante, que não hesita em roubar a indenização dos filhos da empregada, que durante 20 anos se dedicou à sua família e também de outros clientes.
O advogado é condenado pelos assassinatos após descobrirem várias mentiras em seu depoimento, como também por dados aferidos em seu celular. Alex é condenado à duas penas de prisão perpétua, mais 40 anos por suas fraudes financeiras. Ele está preso mas recorre da decisão alegando inocência, embora nunca houve outro suspeito duranet todas as investigações.
Com muitas cenas dispensáveis, que embora reforcem a personalidade e o psicológico dos personagens, acabam prejudicando o ritmo da narrativa, mas envolve até seu encerramento ajudada pelas ótimas atuações de protagonistas e coadjuvantes.
Mais uma adaptação de um romance de Harlan Coben, esta vem da Polônia.
Como não li o livro, não sei se foi fiel a obra, o enredo é intrigante, envolve mas é um longo vai e vem com várias coincidências, como a melhor amiga ser vizinha de uma certa mulher e presenciar acontecimentos fundamentais.
um destino melhor, o cara apanhou a série inteira para depois morrer no hospital?
O assassino de aluguel é daqueles bem desprezíveis, de uma crueldade monstruosa.
Tem boas atuações, dá para se envolver, mantém o interesse mas no fim acaba sendo um tanto decepcionante já que não corresponde às expectativas criadas durante a narrativa.
Os Sem Nome (1ª Temporada)
3.4 5 Assista AgoraA série tem uma narrativa que pega o espectador pelo mistério desenvolvido de forma envolvente, porém peca em seu final que apresenta uma solução cheia de falhas e absurda.
Apesar do tema que envolve poderes sobrenaturais, o desenvolvimento da narrativa tinha uma pegada mais verossímil, que se perde em seu desfecho.
Como aceitar que
Angela (Valentina Gaya) espera a mãe Claudia (Miren Ibarguren) na casa que moravam após segui-la, ajuda no parto, tenta matar a mãe cortando seu pescoço e depois aparentemente a cura do ferimento, foge com a criança, é capturada, depois de descobrimos que havia se tornado a líder da seita que a raptara, é internada em uma instituição para doentes mentais, depois de um tempo o médico diz que pode ir para a casa junto do irmão que raptou e da mãe que tentou matar??
Além disso, o bebê que seria o motivo de todo o plano arquitetado pela menina mostrado durante TODA a série, termina já com uns 3 anos e nada que indicasse algum dom especial.
O elenco todo tem boas atuações com destaque para Rodrigo de La Serna (Casa de Papel) que vive o perturbado e depressivo detetive Salazar, mas as boas atuações não salvam a série que destrói a boa narrativa com um final decepcionante.
O Caso Melissa Witt: Em Busca de um Assassino
2.8 2 Assista AgoraCostumo assistir bastante séries "True Crime" e essa certamente é uma das mais chatas, se não for a mais, que já assisti.
Quatro longos episódios que mostram as várias fases da investigação, intermináveis entrevistas com amigos e parentes da vítima, investigadores e a repórter que trabalhou no caso na época. A jornalista praticamente é a figura central da narrativa, aparecendo em todos os episódios falando sempre basicamente a mesma coisa.
O primeiro episódio se resume a falar sobre o desaparecimento, a preocupação das pessoas em cenas repetitivas. Para se ter ideia, uma das amigas dela é entrevistada várias vezes, repetindo o quanto está triste... para que isso? Uma vez não seria suficiente?
O terceiro episódio foca em outros casos de desaparecimentos e assassinatos, sem esclarecer se teriam a ver com o caso de Melissa, aparentemente parece não ter e depois deixam no ar se haveria conexão. Não entendi a inserção destes casos na série, prolongar a narrativa, para mim já excessivamente extensa?
Depois de passarmos por essa longa, repetitiva e tediosa sucessão de fatos que não levam a nenhuma conclusão, descobrimos que o caso está em aberto e sem solução alguma, exatamente como no dia em que o corpo de Melissa foi descoberto trinta anos atrás.
Acho que quem se interesse por este tipo de série, gosta de ver o caso resolvido, quem acompanha este tipo de narrativa, quer vê-la esclarecida, como em quase todos os documentários sobre casos reais.
Se a intenção era mostrar como casos de assassinato podem não ter um desfecho sem que se descubra quem é o assassino ou como o processo de investigação é burocrático e enfadonho, a série cumpriu seu objetivo mas acaba sendo, além de cansativo, frustrante.
Homicídio nos EUA: Laci Peterson
3.6 35O documentário não se aprofunda em análises psicológicas, não discute o "porque" mas exibe em detalhes o "como".
Pelo exposto não há dúvidas que Scott é o culpado pelo assassinato de sua esposa Laci e do filho não nascido Conner, ele é pintado como o vilão por seu comportamento distante, frieza e a descoberta posterior de uma amante para a qual escondeu que era um homem casado. O depoimento dela é crucial para sua condenação.
A mídia reforçou essa imagem de culpado, mas a série não entra na importância da cobertura intensa para a condenação do réu. Mesmo que todo o processo tenha se resumido a provas circunstanciais, não haveria como Scott receber outro veredito que não fosse culpado, enquanto Laci era a vítima, jovem, bonita, grávida, ele era o marido infiel que quis se livrar da esposa.
Scott até hoje jura inocência e já fez inúmeros recursos para ter seu caso revisado, até hoje não obteve sucesso.
É um relato rico em detalhes, mas que se torna genérico dentre tantos documentários "true crime", mostrando uma vítima que aparentemente não tinha defeitos e um assassino que teria todos os defeitos. Mas com a falta de provas contundentes e vinte anos depois ele ainda busca incessantemente por uma revisão do caso, fica a sensação que todos podemos ter sido influenciados por uma narrativa que sempre esteve contra o réu, mesmo que, aparentemente, ele seja mesmo culpado.
Mr. Mercedes (3ª Temporada)
3.4 18Embora melhor que a segunda temporada ainda é bem inferior à primeira.
SPOILERS ABAIXO
O Mr. Mercedes, citado em alguns momentos, já que um dos plots da temporada é o julgamento de Lou (Breeda Wool) que assassinou Brady na chocante cena final da temporada anterior. Apesar de constantemente Lou fale de Brady, o "Mr. Mercedes" não aparece nem nos delírios da personagem.
Na verdade, o título "Mr. Mercedes" meio que perdeu o sentido, já que o plot principal da temporada é o assassinato de John Rothstein (Bruce Dern, talvez um alter ego de Stephen King?) e a narrativa é quase que inteiramente focada nos personagens desse núcleo, com algumas inserções do julgamento.
Para não perder totalmente o protagonismo, Bill (Brendan Gleeson) se envolve na investigação do assassinato do escritor, mas seu personagem também se mostra com menos relevância.
Para compensar a falta do vilão Mr. Mercedes, aparece Alma Lane (Kate Mulgrew) até mais cruel e odiosa que o vilão das temporadas anteriores. Vivendo um relação doentia com Morris (Gabriel Ebert), não mede esforços para se apoderar dos cadernos com textos inéditos do escritor assassinado de quem era ex-amante e por quem era obcecada.
Os outros pesonagens como Holly (Justine Lupe), Ida (Holland Taylor) e Jerome (Jharell Jerome), tem participações diminuídas e transitam à margem dos acontecimentos importantes.
Uma série que começou com uma ótima primeira temporada, com personagens bem delineados e foi se perdendo, terminando de forma protocolar e sem lembrar em nada o seu início, nem o enredo que tomou um rumo completamente diferente.
Mr. Mercedes (2ª Temporada)
3.4 34 Assista AgoraA segunda temporada de “Mr. Mercedes” é inferior à primeira, não sei o quanto é fiel à obra de Stephen King, mas tudo que era tensão na primeira temporada, tornou-se arrastado nessa.
SPOILERS ABAIXO
Começa com Brady (Harry Treadaway) ainda em coma no hospital após a agressão de Holly (Justine Lupe). Entram em cena dois médicos ambiciosos e inescrupulosos Felix (Jack Huston) e Cora (Tessa Ferrer), que iniciam um tratamento no psicopata com um remedido regenerador da atividade cerebral.
A partir deste momento somos colocados dentro do cérebro de Brady, que ganha como cenário o porão onde ele arquitetava seus ataques com o psicopata diante das telas de computador vendo as pessoas à sua volta, as telas metaforicamente como seus olhos. Estas sequências são longas e repetitivas tirando muito do ritmo da narrativa.
Se na primeira temporada a premissa foi calcada na realidade nesta ganha uma narrativa com uma mistura de ficção científica/sobrenatural, pois o psicopata passa a entrar na mente das pessoas e fazer com que obedeçam suas ordens, uma pessoa se mata e outra mata alguém atendendo os comandos de Brady.
Bill (Brendan Gleeson) continua com sua obsessão com Brady e alguns personagens mais participativos da primeira temporada, nesta se tornam mais coadjuvantes como Ida (Holland Taylor) e Jerome (Jharel Jerome).
A temporada reserva uma cena final bastante chocante e inesperada, mas não é o bastante para colocá-la no mesmo nível da primeira.
Night Stalker: Tortura e Terror
4.0 140 Assista AgoraRamirez foi um serial killer americano que desafiou os chamados analistas de perfis do FBI, pois não tinha um padrão, matou jovens e idosos, roubou e estuprou mulheres e até crianças.
O documentário faz um relato abrangente e detalhado dos crimes cometidos pelo psicopata, embora não entre no terreno psicológico, não há nenhuma análise aprofundada sobre a mente ou personalidade de Ramirez, apenas descreve os fatos, seus assassinatos, captura, julgamento e condenação.
Documentário genérico, sem trazer nenhuma novidade para o formato, interessa para quem gosta do genêro true crime.
Mr. Mercedes (1ª Temporada)
4.1 93Comecei a ver e só depois descobri que era baseado ema um obra de Stephen King.
SPOILERS ABAIXO
A série já choca em sua cena inicial, várias pessoas que estavam em uma fila em busca de emprego são assassinadas por um psicopata dirigindo um Mercedes (daí o título) e usando máscara de palhaço que passa por cima delas em uma cena impactante e explícita.
A partir daí somos apresentados ao detetive Bill Hodges (Brendan Gleeson) que é o responsável pela investigação, o tempo passa, ele se aposenta e a não solução do caso se torna uma obsessão para Hodges.
Não há mistério quanto à identidade do assassino, logo sabemos que é Brady Hartsfield (Harry Treadaway) um pacato funcionário de loja de aparelhos eletrônicos, especialista em computadores, que mora com a mãe com quem tem uma relação doentia e incestuosa. Sua mente deturpada, sua personalidade sombria, sua total falta de empatia são reveladas.
Todos os personagens tem sua facetas psicológicas e são bem delineados, demonstrando sua personalidade nas atitudes. Hodges, que em sua obsessão não percebe o quanto sua vida está sendo sugada, numa espiral de amargura e dor.
Além dele transitam em seu entorno, sua vizinha Ida (Holland Taylor), prestativa, independente, resolvida, Janey (Mary Louise Parker) irmã da dona do Mercedes roubado usado no atentado, que se envolve amorosamente com Hodges, mas tem uma relação mal resolvida com a irmã que se suicidou e com a mãe internada em um asilo, Holly (Justine Lupe), tímida, insegura, com traços que poderiam ser até de autismo, Jerome (Jharel Jerome), rapaz negro que consegue entrar em Harvard e está em conflito entre suas raízes humildes e o ambiente da universidade de elite.
Além dele temos Deborah (Kelly Lynch) a mãe do psicopata, bêbada, frustrada, infeliz e Lou (Breeda Wool), colega de trabalho de Brady, lésbica, presa a um emprego e a um chefe ditador que vê no psicopata um amigo.
Não li a obra de King, não sei o quanto é fiel, suponho que seja pois tem o escritor entre seus roteiristas e uma aparição dele como uma das vítimas em uma lanchonete em um dos delírios de Brady, algo que King faz costumeiramente, imitando Hitchcock.
A narrativa é envolvente, tem momentos impactantes, como sua cena inicial, um outro assassinato de uma personagem importante e um desfecho também surpreendente, as atuações são ótimas, mas nem tudo é perfeito, às vezes se perde um pouco em diálogos desnecessários, que acabam quebrando o ritmo.
Sr. e Sra. Assassinato
3.4 3Já havia visto um documentário sobre esse caso, mas não com tantos detalhes.
Acho que quatro episódios foi um exagero, pois temos alguns pontos repetitivos na narrativa, o que fica cansativo, poderia ter sido mais enxuto.
De qualquer forma, há um vasto material jornalístico sobre o caso, o que deixou a narrativa rica em informações e com o longo depoimento da ex-mulher de um dos réus, que participou ativamente do caso.
É um típico caso de mulher manipuladora e gananciosa que envolve o amante, que não é menos culpado do que ela. Como resultado, famílias destruídas, filhos que perdem seus pais, um é morto e os outros vão para a prisão.
A Esposa Perfeita: Um Desaparecimento Misterioso
3.6 4 Assista AgoraSPOILERS ABAIXO
O aviso de spoiler cabe, porque mesmo sendo uma história real já divulgada pela mídia, a narrativa se desenvolve como um autêntico suspense ficcional, como hoje são os documentários de "true crime".
Temos aqui a princípio um caso de desaparecimento de uma mulher, algo comum e no qual o marido é o principal suspeito, como na maioria das vezes é também o culpado. Mas neste aqui, depois de um começo clichê, somos apresentados a uma história surreal que mostra a destruição de uma família, mas principalmente, o sofrimento de um homem, que se vê diante da constatação de que sua esposa é um ser cruel, sem escrúpulos, que tem um desvio de caráter beirando a psicopatia.
Não é o desaparecimento de Sherri Pappini que é misterioso, mas também sua personalidade. Porque alguém forja o próprio sequestro, se auto machuca, deixa o marido desesperado, um país inteiro preocupado?
A série foca bastante nos detalhes do desaparecimento e da posterior volta de Sherri, assim como no desespero de Keith, o marido, sem um maior aprofundamento no que a teria levado a cometer um ato tão insano que impactou sua vida e de sua família.
No final a explicação da insatisfação no casamento e a necessidade de atrair a atenção parecem um tanto superficiais, não há nenhuma alusão a uma possível perturbação mental.
Um encerramento um tanto abrupto, que deixa no espectador a sensação de impunidade, porque depois de arquitetar um plano insano, Sherri tem 35 acusações de fraude, entre elas mentir para o FBI e gastar recursos públicos com o seu sequestro forjado, crimes puníveis com até 25 anos de prisão, ela se declara culpada e cumpre apenas 18 meses.
Pensei que "Garota exemplar" teria sido baseado nesta história, quando descobrimos que foi Sherri que se inspirou no filme, o que torna tudo ainda mais bizarro.
Um depoimento final de Keith, revelando todo o ressentimento e a mágoa de ver sua vida e a de seus filhos afetadas de forma tão cruel, deixou um sentimento de querer saber mais sobre como Sherri e Keith resolveram pendências após a saída dela da prisão. Se divorciaram, com quem ficou os filhos, Keith perdoou a esposa?
Isso o documentário não esclarece, mas a quem se interessar Keith pediu o divórcio, tem a guarda dos filhos, não fala mais com a ex-esposa e não, disse que não vai perdoá-la.
Cena do Crime: O Campo da Morte no Texas
3.5 25Ao contrário dos outros dois documentários da série "Cena do crime", que focam em vários temas além dos crimes propriamente ditos, este se concentra na descrição dos assassinatos, as vítimas e principalmente suas famílias.
A narrativa é centrada no pai de uma das vítimas que busca incessantemente descobrir o responsável pela morte de sua filha, como também ajudar outros familiares de mulheres brutalmente assassinadas em um lugar que ficou conhecido como campo de matança.
Passando por vários crimes cometidos ao longo dos anos, é uma visão mais humana das vítimas e no sofrimento de quem fica tentando descobrir o que aconteceu.
Cena do Crime: O Assassino da Times Square
3.4 20“Cena do crime: O assassino da Times Square” ao abordar os assassinatos de mulheres ocorridos em Nova York na década de 70, acaba traçando todo o panorama da exploração sexual que existia na época, especialmente na Times Square, hoje um ambiente turístico e familiar, mas que há mais de 40 anos refletia a crise financeira, decadência urbana e alto índice de criminalidade vigentes na cidade nos anos 70.
SPOILERS ABAIXO
A Times Square era um lugar dominado pelo crime, um antro de pornografia habitado por prostitutas, cafetões, traficantes que circulavam entre cinemas pornôs, casas de swing, shows de strip tease, hotéis baratos de alta rotatividade e é nesse cenário caótico que em um quarto de hotel foram encontrados os corpos de duas mulheres com as mãos e as cabeças decepadas, a partir desse crime, a série vai revelando outros casos de mulheres assassinadas e estupradas, fazendo um paralelo entre a trajetória das investigações que descobrem a similaridade entre os casos decretando a existência de um serial killer com o ambiente hostil e abusivo a que as mulheres que se prostituíam estavam submetidas.
A narrativa bem desenvolvida vai intercalando depoimentos de promotores, investigadores, jornalistas e até a autora de um livro sobre profissionais do sexo, como também a filha biológica de uma das vítimas do serial killer, até chegar a revelação da identidade do assassino, Richard Cottingham, casado, 3 filhos, trabalhava como operador de computador em uma escritório, alguém aparentemente normal que se revelou um psicopata, e com o surgimento dos analistas de perfis descobriu-se que o mal não tem uma face determinada.
A série não perde muito tempo em analisar o assassino e suas motivações, e apesar de mostrar bastante os detalhes da investigação, se concentra mais no contexto social da época, o que para quem gosta de enredos essencialmente policiais e investigativos, pode ser digressivo demais e focar menos no que aparentemente deveria ser seu principal tema.
Para mim, a série equilibra o lado investigativo com a crítica social, e consegue acertar em ambas as abordagens, sem fugir de apresentar os fatos sobre os crimes e seu autor como também a imersão no ambiente degradante em que eles ocorreram.
Cena do Crime: Mistério e Morte no Hotel Cecil
3.4 266“Cena do crime: Mistério e Morte no Hotel Cecil” é um ótimo documentário pois partindo de um fato, o desaparecimento da estudante canadense Elisa Lam dentro de um hotel em Los Angeles, aborda uma série de temas, a saber: Saúde mental, a vida das pessoas que vivem nas ruas, bullying virtual, exposição midiática, tribunal da internet e a obsessão das pessoas por assuntos que estão muito distantes de sua realidade.
SPOILERS ABAIXO
A narrativa tem um desenvolvimento que abrangendo todos estes temas, consegue despertar o interesse do espectador pois não deixa de lado a investigação policial, afinal quem começa a ver uma série sobre um crime real, está, antes de tudo, interessado na solução do mistério.
Há digressões sobre o passado do hotel, palco de várias mortes, além da de Elisa. Temos uma visão da Los Angeles dos anos 70/80 e da população de rua que transita em torno do hotel enquanto somos informados sobre os detalhes do desaparecimento de Elisa e sua frágil saúde mental, até sermos apresentados ao intrigante vídeo de uma câmera de segurança com a estudante em um dos elevadores do hotel nas suas últimas imagens, seu comportamento bizarro que levanta várias suspeitas por parte da polícia e de uma legião de internautas que passam a investigar o mistério obsessivamente.
Com uma narrativa que explora eficientemente o suspense ao demorar para revelar que a estudante estava morta quando seu corpo é encontrado dentro da caixa d’água, o que desperta mais ainda a obsessão dos detetives virtuais que passam a tecer várias teorias da conspiração, terminando por acusar um cantor que estava no hotel na época da morte da garota fazendo vídeos com sangue, gore, rituais macabros e passa a sofrer um linchamento virtual. Vemos o depoimento do artista que declara que pensou até em suicídio.
Por fim, a investigação conclui que a garota que sofria de sérios distúrbios mentais e havia parado de tomar a medicação, havia ela mesma entrado na caixa d’água e se afogado após um surto psicótico, motivo do comportamento estranho demonstrado no vídeo gravado no elevador.
Apesar do final ser um anticlímax para quem esperava ver um culpado preso e condenado, a série envolve, mostrando Elisa como vítima não de um assassino de carne e osso mas de todo um mundo para o qual não parecia estar preparada para enfrentar, ao passo que também aborda como uma sociedade pode também estar doente quando fica obcecada, acusa e condena sem provas e depois, quando tudo é esclarecido, esquece e vai em busca do próximo assunto sem se preocupar com quem ficou caído pelo caminho, o que é cada vez mais comum em tempos da exposição desenfreada na internet de assuntos que merecem tanta atenção para depois serem rapidamente esquecidos em um mundo onde tudo é cada vez mais instantâneo e descartável.
Terra de Pecados
2.6 5 Assista AgoraA atuação da protagonista é brilhante, sensível em um personagem que pode soar antipático apesar de todo o sofrimento pessoal e não despertar empatia pois é um personagem difícil, irascível, pesado, é o maior destaque do elenco. Embora seja uma trama essencialmente investigativa, o foco é mais na personalidade e no drama dos personagens do que no "quem é o culpado".
A minissérie tem um ritmo muito lento, típico das produções europeias, especialmente nórdicas, o que não seria problema se a trama não fosse confusa com cenas dispensáveis e duração excessiva.
De resto, além da protagonista, todos tem boas atuações, fotografia com destaque para o cinza e o branco, de acordo com o clima frio do lugar, que também evidencia a tristeza, melancolia e amargura da trama.
Dele & Dela
3.5 134 Assista AgoraA série tem um plot investigativo que envolve, vários assassinatos que
ao final estão conectados com acontecimentos do passado, um clichê recorrente de filmes de suspense.
mas achei difícil me preocupar com os problemas da protagonista, um personagem extremamente antipático, que sim, havia perdido uma filha, mas parecia dar isso como desculpa para todas suas atitudes condenáveis.
Anna (Tessa Thompson) trama para recuperar o posto que havia perdido na TV porque simplesmente desapareceu durante um ano sem dar satisfação, abandonou a mãe idosa, seduziu o marido da rival no trabalho, divulgou informações dadas pelo ex marido prometendo que não o faria
Estão elogiando o plot twist final mas é preciso ligar a suspensão de descrença no nível máximo para acreditar que
uma idosa teria capacidade física para cometer todos aqueles assassinatos.
Além disso, a protagonista ao ler a confissão da mãe, olha para ela e dá um sorriso, como se apoiasse todos os crimes que a mãe havia acabado de detalhar
Fargo (3ª Temporada)
4.1 224 Assista AgoraEsta terceira temporada de “Fargo” tinha um grande desafio, manter o excelente nível das duas anteriores, criando altas expectativas para quem acompanha a produção baseada no filme Cult de 1996.
SPOILERS ABAIXO
Temos a história da rivalidade entre os irmãos Ray e Emmit Stussy (interpretados por Ewan McGregor) , o primeiro um oficial de condicional, que odiava o irmão por conta de um roubo de um selo raro. Com a ajuda de uma das condenadas sob sua supervisão, Nikki (Mary Eizabeth Winstead) com quem ele tinha um caso amoroso, Ray planeja o roubo do selo e também o assassinato do irmão, mas tudo dá errado e o assassino contratado, um atrapalhado viciado que também estava sob sua supervisão, acaba matando o homem errado.
A partir daí, coincidências e reviravoltas se sucedem sempre com muita ironia e humor negro. Quem acredita no aviso que aparece no começo de cada episódio, de que se trata de fatos reais descritos exatamente como ocorreram, vai estar muito enganado, pois é apenas uma brincadeira que os irmãos Coen iniciaram e foi mantida na série. Como acreditar que é verídica uma morte incrível como a do “acidente” com o ar condicionado?
Não falta a policial inteligente e perspicaz, Gloria Burgle (Carrie Coon) personagem similar à Molly da primeira temporada, que duvida da investigação, quer descobrir a verdade, mas é constantemente boicotada por seu chefe.
A única relação com os dois anos anteriores é o assassino de aluguel surdo-mudo que aparece na segunda temporada e volta nessa para ajudar Nikki, fora isso não existe mais nenhuma citação referente às outras temporadas.
Um desfecho que não faz concessões e não poupa seus protagonistas, inclusive com uma reviravolta quase no encerramento do último episódio, que realmente surpreende, mas no todo o enredo demora a envolver, não chega a decepcionar, mas acaba deixando claro que houve uma sensível queda em relação aos dois primeiros anos da série.
Destaque para as atuações de Ewan McGregor, que realmente convence ao fazer dois irmãos gêmeos bem distintos entre si, Mary Elizabeth Winstead que faz de Nikki um personagem que passeia entre a esperteza e a ingenuidade e o asqueroso mafioso Varga vivido, por David Thewlis, cujo final é deixado em aberto, na cena carregada de suspense que encerra a temporada.
Tudo Culpa Dela
4.1 301 Assista AgoraUma série que vai te envolvendo, cheia de reviravoltas, boas atuações que decai um pouco no final para uma trama que abraça totalmente o novelesco com
troca de bebês, digna de novela do Manoel Carlos.
o que tira um pouco do brilho, mas nada que chega a estragar, só incomoda um pouco.
O enredo torna-se verossímil a partir do momento em que não temos personagens totalmente bons nem totalmente ruins, todos tem suas fraquezas e falhas, é claro que temos o vilão que ultrapassa as falhas humanas, já indo para a psicopatia
em Peter Irvine (Jack Lacy), um manipulador e assassino, que quer todos à sua volta dependentes dele e obedientes às suas vontades.
Mas se no final temos uma esposa que
após descobrir que seu filho não é seu, foi raptado, mas mata o marido, que sim, é um assassino mas ela se torna também uma assassina, não há como dizer que aquilo é um final feliz.
Outro personagem à princípio honesto mas
que acaba se tornando corrupto para ajudar o filho deficiente. Apesar da "desculpa", não deixa de ser um personagem que cede à tentação, mesmo que isso pese em sua consciência.
Dakota Fanning está bem como Jenny, a amiga da protagonista Marissa (Sahah Snook, em ótima atuação), mas sem ser um personagem que efetivamente importa para o desenvolvimento da ação, ela está sempre à margem dos acontecimentos, mais preocupada com sua insatisfação e crise no casamento.
E não posso deixar de mencionar Duke McCloud (Milo Irvine) cujo rapto desencadeia toda a narrativa, que com apenas 6 anos, muito fofura e carisma, rouba todas as cenas.
Stranger Things (5ª Temporada)
3.5 508 Assista AgoraSPOILERS ABAIXO
“Stranger Things”, a série que se tornou o carro-chefe da Netflix, finalmente chegou ao seu final, depois de 10 longos anos e nisso está o primeiro porém. Acho que as cinco temporadas poderiam ter sido apresentadas em 5 ou 6 anos no máximo, com esse hiato entre elas, perdeu-se um dos grandes trunfos da narrativa, a infância e adolescência de seus protagonistas, que no desfecho estão com idades entre 20 e 23 anos, embora nesse último ainda passem por adolescentes, mas aquele senso de amizade e aventura, aquela dinâmica que havia entre eles se esvaiu porque para nós se passaram 10 anos, assim a percepção sobre a série também mudou.
Outro ponto em que acho que a série perdeu muito e ficou flagrante nessa última temporada foi o foco que havia na personalidade e no psicológico dos personagens, tudo se direcionou quase totalmente para a ação. O que se viu foi um corre-corre incessante, um entra e sai do mundo invertido para o real, que aliás deixou de ser tóxico e misterioso, os personagens começaram a circular por lá como quem faz um passeio no parque. Além disso, foram inúmeras as cenas com diálogos excessivamente expositivos e explicações sem fim sobre aqueles planos infalíveis estilo “Turma da Monica” em cenas repetitivas que tornam a narrativa tediosa.
As criaturas do mundo invertido são um elemento importante, os demogorgons, o devorador de mentes (que só apareceu no último episódio) e o Vecna (Jamie Campbell Bower) deveriam ter destaque, mas não a ponto de apagar a relação entre os personagens. Aquela deliciosa vida cotidiana dos anos 80 com seus telefones de disco, vídeocassetes, walkmans e outros eletrônicos “modernos” , que hoje são peças de museu, citações e homenagens aos filmes clássicos dos anos 80, simplesmente desapareceram. O que tivemos durante toda a temporada foram batalhas e mais batalhas, tiros, mortes mas em momento algum tememos por nossos protagonistas, os monstros se limitavam a matar apenas coadjuvantes como os soldados eliminados um a um das formas mais violentas. Nancy (Natalia Dyer) virou praticamente uma Rambo! Eleven fez um soldado se matar atirando em si mesmo (numa cena, para mim chocante e descartável).
Longas e desnecessárias as cenas de Max (Sadie Sink) e Holly (Nell Fischer) vagando pelo “mundo imaginário” na mente do Vecna, que ao final não serviram para nada.
Eleven (Milly Bobby Brown) passou de protagonista a um personagem quase secundário, sem o devido destaque, a atuação da atriz também foi o grande problema desse quinto ano, ela que foi a revelação de “Stranger Things”, que catapultou sua carreira, nessa despedida pareceu automática e distante, não sabemos se pela escolha do roteiro que tirou seu protagonismo ou pela perda de foco, já que nesses anos, cresceu, casou e virou uma estrela . A sua suposta morte também deixou um anticlímax, já que Mike (Finn Wolfhard) relata ao final uma suposta trama em que a morte de Eleven teria sido uma ilusão e ela estaria viva em algum mundo alternativo e ficou para nós decidirmos se aquilo era verdade ou não.
Will (Noah Schnapp) teve uma significativa evolução de personagem, a cena em que se assumi gay foi emocionante, mas com nossas mentes dos anos 2000, ter que se explicar por não “gostar de meninas” e praticamente implorar pela aceitação, parece algo exagerado, porém eram os anos 80 e assumir a sexualidade naquela época era bem mais complicado.
Muitas pontas ficaram soltas, quem era aquele cientista na caverna? porque ele atacou Henry? Porque o garoto se transformou num monstro ? Porque o Vecna queria unir os dois mundos? Qual era a intenção e o que houve com as grávidas que foram submetidas aos experimentos? o que aconteceu com Suzie, a namorada de Dustin (Gaten Matarazzo) e o doutor Sam Owens? porque os dermogorgons sumiram do mundo invertido na batalha final?
As atuações foram boas, com destaque para Noah Schnapp, as revelações Nell Fischer, que fez sua Holly com a coragem e a doçura na medida certa, Jake Connelly, que com pouco tempo de tela e muito carisma fez de Derek um ladrão de cenas e Maya Hawke mostrando que o talento vem de família.
A Hawkins é um mundo congelado e nostálgico para quem viveu na década de 80 ou a descoberta, para quem não viveu, de um paraíso sem internet, redes sociais, celulares, um universo de liberdade, brincadeiras na rua, bicicletas, amizades profundas de uma infância que não existe mais particularmente nas primeiras três temporadas e que se perdeu nessa última.
O final com os amigos saindo do porão e sendo substituídos pelas crianças, jogaram em nossa cara que o tempo passa, estas crianças ainda viveriam num mundo menos tecnológico mas que já estava em transformação.
“ Stranger Things” mostrou que mesmo com toda a nostalgia, o passado não pode durar para sempre, a série que foi deliciosamente melancólica, que matou a saudade de quem viveu aquela época e apresentou um mundo “analógico” para quem não a viveu, como tudo na vida, mudou e perdeu sua inocência, como aquela infância que se passava em ambientes abertos e se mudou para dentro de quatro paredes, a rua se transformou nos shopping centers, a bicicleta virou o vídeo game e substituímos o joelho ralado pelas dores da mente.
Fargo (2ª Temporada)
4.4 354CONTÉM SPOILERS
A segunda temporada de “Fargo” consegue ser tão boa quanto a primeira, voltando 27 anos no tempo, os acontecimentos ocorrem ocorrem em 1979, vemos Lou Solverson (Patrick Wilson) na juventude. Lou é marido de Betsy (Cristian Milioti) e pai da pequena Molly, a protagonista da primeira temporada. Descobrimos quem Molly puxou sua inteligência, perseverança e senso de justiça.
Enquanto Lou enfrenta com a ajuda do sogro Hank ( Ted Danson) a família de mafiosos Gerhardt que quer vingar a morte de Rye (Kieran Culkin) o filho mais novo que assassina três pessoas em um restaurante e é atropelado por Maggie (Kirsten Dunst, ótima), que acaba envolvendo seu marido Ed (Jesse Plemons) no crime, fazendo com que ele se livre do corpo, tudo isso envolto em uma iminente guerra de famílias criminosas.
Uma sucessão de mortes vão acontecendo em cenas bastante violentas, intercaladas pelo drama de Lou, cuja esposa sofre de câncer (já sabemos porque a mãe de Molly não aparece na primeira temporada) e as peripécias do casal Meg e Ed, que vão complicando cada vez mais sua situação sendo obrigados a fugir, numa espécie de Bonnie e Clyde trapalhões.
A cena em que Ed se livra do corpo de Rye repete o filme “Fargo” de 1996, quando o atrapalhado assassino vivido por Steve Buscemi é moído em uma serraria, aqui é um açougue.
Todo o elenco tem ótimas atuações sem exceção e os personagens ganham camadas e vão crescendo, como Peggy a princípio egoísta e fútil que acaba se revelando ingênua e fiel ao marido na busca por uma vida melhor.
O capanga Mike Hallligan, na divertida e quase caricata performance de Bokeem Woodbine, é ao mesmo tempo gentil e sanguinário, e no final encontra seu “castigo” ao ser obrigado a deixar suas violentas tarefas por um cargo administrativo dentro de um escritório. Pobres de nós que somos submetidos diariamente a esse tipo de “martírio”.
Flertando com a ficção científica, temos a participação de OVNIS, que interrompem um tiroteio e por mais absurdo que seja, a cena funciona, apesar do estranhamento, embora não haja maiores explicações para a suposta invasão alienígena.
Com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, a série poderia facilmente se perder, mas consegue equilibrar os acontecimentos e desenvolver uma narrativa coesa que se encerra de forma bastante satisfatória e não se furta a apostar em uma narrativa complexa, porém bem desenvolvida.
Novamente, repetem a cada início de episódio o texto que diz que a série é baseada em uma história real, é só um artifício narrativo, uma brincadeira, que começou no longa dos irmãos Coen em 1996 e a série manteve.
Fargo (1ª Temporada)
4.5 535 Assista AgoraA primeira temporada de “Fargo“ pega como base o filme de 1996 mas amplia seu universo acrescentando personagens, tramas paralelas, aprofundamento psicológico e motivações, construindo uma narrativa muito mais complexa e imersiva, mas também viciante.
SPOILERS ABAIXO
Lester Nygaard (Martin Freeman) tem uma casamento infeliz com uma esposa que o humilha e o compara ao irmão bem sucedido que por sua vez também o despreza e esfrega seu sucesso na cara dele. Num acesso de fúria, mata a esposa com uma martelada e a partir daí a trama se desenvolve, numa sucessão de enganos e coincidências trágicas.
Lester um pouco antes havia conhecido no hospital Lorne Malvo (Billy Bob Thornton) assassino de aluguel que o instiga a matar a esposa, quando este num impulso acaba fazendo isso, chama Lorne para ajudá-lo a consertar o estrago, só que no momento que o assassino chega em sua casa, o chefe de polícia Vern (Shawn Doyle) também chega e é assassinado por Lorne. É nesse momento que Lester, de covarde e tímido, passa a se transformar em alguém ardiloso, manipulador e cruel, capaz de culpar o próprio irmão pelo seu crime.
Enquanto isso, Lorne vai deixando uma fila de cadáveres pelo caminho, sem mostrar a menor clemência por suas vítimas num dos vilões mais sanguinários das séries de TV, impassível na sua capacidade em não demonstrar sentimentos. Como não destacar a cena icônica em que ele protagoniza um massacre em que a ação é “mostrada” através dos reflexos das vidraças, somente com os sons de tiros e gritos.
Não aceitando a versão oficial, Molly Solverson (Allison Tolman) insiste nas investigações, no que é proibida pelo novo chefe Bill (Bob Odenkirk), um pacato policial interiorano que prefere as soluções mais fáceis. Molly,é filha de Lou, um ex policial, agora dono de restaurante, ela conhece Gus Grimly (Colin Hanks) policial da cidade vizinha e juntos vão perseguir o assassino de aluguel e desvendar que o verdadeiro culpado pelo assassino da esposa de Lester, é o próprio marido.
Um ano se passa, Mollly e Gus se casam, ela aparece grávida com o mesmo barrigão de Marge, o personagem de Frances MacDormand em “Fargo” o filme. Todos vivem suas vidas sossegadas, até que Malvo reaparece, o que leva a novos desdobramentos e o vilão assassino encontra seu final, assim como Lester, que havia se tornado um bem sucedido empresário, é desmascarado.
Com um elenco soberbo que constrói personagens verossímeis em sua integridade ou vilania, aliada a uma trama que sim tem conveniências e exageros, mas que se mostra coerente e fecha todos os arcos com maestria, desenvolvida através de um texto carregado de muito humor negro e ironia.
Apesar do seguinte texto exibido em todos os episódios , que também aparecia no começo do filme, “Esta é uma história verídica. Os eventos retratados neste filme ocorreram em Minnesota, em (determinado ano). A pedido dos sobreviventes, os nomes foram alterados. Por respeito aos falecidos, o restante da história foi contado exatamente como aconteceu.”, a narrativa é totalmente ficcional, um artifício usado pelos irmãos Coen para explorar a reação da audiência, usando apenas alguns elementos de casos criminais reais, o mesmo expediente usado na série.
Dias Perfeitos
3.4 86 Assista AgoraALGUNS SPOILERS
Apesar dos furos de roteiro e excesso de conveniências, já apontado em vários comentários, a série tem um roteiro envolvente ajudado pelas ótimas atuações de ambos protagonistas.
Jaffar Bambira é perfeito como o perturbado Téo e Julia Dalavia não menos que excelente no papel da mimada Clarice.
A série não faz concessões até pouco antes de seu desfecho, Clarice sofre toda a sorte de humilhações, torturas e abusos nas mãos de Téo, mas no final, diferente do livro, aposta em um final quase feliz para a protagonista, que triunfa sobre seu abusador. Creio que este tipo de concessão, ainda mais para uma série de streaming cujo público é mais exigente que o público da tv aberta, faz com que a narrativa perca sua força, não chega a estragá-la, mas seria melhor se tivesse sido mais corajosa.
Cidade de Sombras
3.1 11 Assista AgoraSérie genérica de serial killer que é mais um passeio pelas obras de Gaudí em pontos turísticos de Barcelona, do que propriamente um enredo investigativo envolvente.
O assassino em questão queima suas vítimas espetacularmente nessas obras icônicas e para investigar é chamado o detetive Milo (Isák Ferriz), que estava afastado e enfrenta um período problemático pelo suicídio do sobrinho. Para ajudá-lo é convocada a detetive Rebecca (Verônica Echegui), uma especialista em perfis criminais.
Todos os clichês do gênero, desde
os autores dos assassinatos serem dois irmãos que foram abusados na infância se vingando dos responsáveis
até os detetives que a princípio se odeiam, para depois criarem um forte companheirismo.
A trama faz críticas a especulação imobiliária da cidade, que despeja os moradores de suas propriedades, para investir na ampliação de monumentos que atraem mais turistas.
Sem surpresas, com soluções óbvias e queda de ritmo, pois a trama é constantemente interrompida para mostrar a vida pessoal do detetive.
Último trabalho da atriz Verônica Echegui, que faleceu de câncer em agosto de 2025. Como coincidência mórbida, a mãe de Rebecca, personagem de Verônica, havia morrido de câncer e a detetive expressa sua preocupação em ter herdado a doença.
O Degelo (2ª Temporada)
3.4 4 Assista AgoraNesta segunda temporada, vemos Katarzyna às voltas com uma investigação sobre tráfico humano, com seus muitos problemas pessoais pelo suicídio do marido, a criação da filha e a obsessão pelo trabalho, que a faz ultrapassar os limites.
Seu parceiro Trepa, segura todas as pontas, desde encobrir seus erros no desempenho do trabalho policial até servir de babá para a filha dela, que já o vê como um pai. O rapaz claramente é apaixonado pela detetive.
O ritmo é lento, a protagonista é irascível e trata rudemente todos que querem ajudá-la , o que não gera muita empatia, apesar de todo seu drama pessoal.
Um cenário frio e cinzento que acompanha o desenvolvimento dramático e melancólico de seus personagens. Um pouco inferior à primeira temporada.
Crime de Uma Dinastia: O Caso Murdaugh
3.3 2TEM SPOILERS
Alex Murdaugh (na excelente atuação de Jason Clarke) é alguém, que se tiver feito metade do que a série mostra, já seria um ser humano completamente desprezível. Mas, segundo a narrativa, ele fez mesmo tudo aquilo, roubou de sua firma de advocacia, de seus clientes, a maioria pessoas humildes que dependiam das indenizações que ele roubava para custear seu estilo de vida luxuoso, tratava a mulher e os filhos como um tirano opressor e traía a esposa.
Viciado em opióides, fato que escondia de todos, passou a culpar o vício quando seus crimes foram descobertos, inclusive quando foi acusado pelo assassinato brutal de Maggie, sua esposa (na também fabulosa interpretação de Patricia Arquete) e do filho Paul (Jonnhy Berchtold).
A série começa já com os assassinatos, portanto já sabemos quem morre, em seguida há o flashback sobre toda a história familiar. Descobrimos os Murdaugh são uma famíia de advogados da Carolina do Sul, ricos e influentes. O patriarca (Gerald MacRaney) pai de Alex, sempre preocupado em manter o bom nome da família, mesmo que seja apenas aparência.
Alex é apresentado como alguém arrogante, que não hesita em roubar a indenização dos filhos da empregada, que durante 20 anos se dedicou à sua família e também de outros clientes.
O advogado é condenado pelos assassinatos após descobrirem várias mentiras em seu depoimento, como também por dados aferidos em seu celular. Alex é condenado à duas penas de prisão perpétua, mais 40 anos por suas fraudes financeiras. Ele está preso mas recorre da decisão alegando inocência, embora nunca houve outro suspeito duranet todas as investigações.
Com muitas cenas dispensáveis, que embora reforcem a personalidade e o psicológico dos personagens, acabam prejudicando o ritmo da narrativa, mas envolve até seu encerramento ajudada pelas ótimas atuações de protagonistas e coadjuvantes.
Apenas Um Olhar
3.2 8Mais uma adaptação de um romance de Harlan Coben, esta vem da Polônia.
Como não li o livro, não sei se foi fiel a obra, o enredo é intrigante, envolve mas é um longo vai e vem com várias coincidências, como a melhor amiga ser vizinha de uma certa mulher e presenciar acontecimentos fundamentais.
No terceiro episódio já estava óbvio que
Jacek havia trocado de identidade com o amigo e irmão de Sandra, então não foi nenhuma revelação inesperada.
A resolução final teve pouco impacto e ainda deixou dúvidas
afinal quem mandou matar a filha do procurador?
E Jacek merecia
um destino melhor, o cara apanhou a série inteira para depois morrer no hospital?
O assassino de aluguel é daqueles bem desprezíveis, de uma crueldade monstruosa.
Tem boas atuações, dá para se envolver, mantém o interesse mas no fim acaba sendo um tanto decepcionante já que não corresponde às expectativas criadas durante a narrativa.