A temporada começa muito bem, trazendo uma quebra com o final da primeira temporada e lançando dúvidas e surpresas logo de cara. Aquele começo com a personagem da V é bem promissor também, ela é o motor de uma nova dinâmica conflituosa entre os personagens. Mas não vai muito além disso, tudo fica bem diluído numa dramédia exagerada, sem muito impacto real nas personagens que conhecemos, no final das contas tudo volta à estaca zero para a personalidades das presas.
O destaque fica para os ótimos flashbacks da vida pregressa das personagens, gosto desse espaço que é deixado para escapar um pouco da claustrofobia da cadeia. Pena que alguns dilemas são um tanto rasos, mas são eficazes em construir um vínculo rápido.
No geral é uma temporada bem abaixo da primeira, mas ainda assim mantém uma certa regularidade.
Gostei muito dessa visão política mais assumida. Não necessariamente é um problema quando bem usado (que é o caso aqui), ainda mais quando esse tipo de thriller político que Andor é estabelece uma outra linguagem sem deixar de dialogar dentro do universo de Star Wars.
Gosto como a ''revolução'' ou rebelião contra o império é apresentada aqui como um processo, e é interessante demais retirar a individualidade desse processo que a série faz aqui. Até temos a figura de um mentor por trás de tudo, mas o esforço coletivo é símbolo dessa abordagem. Conversa bem com Rogue One e adiciona camadas mais complexas ainda ao não só trazer uma figura contraditória (Coisa que a franquia tem aos montes), mas fugir desse aspecto/arquétipo de herói/anti-herói, e apresentar um personagem que cruza uma linha brutal na primeira cena do primeiro episódio.
Temos uma boa virada lá pela metade, que nos faz lembrar até do já citado Rogue One, que nos deixa desprevenidos e incertos do que pode vir a seguir. Existe aqui um ótimo uso de clichês do thriller ao estabelecer novos arcos, mas que só ajudam a gerar mais e mais o sentimento de tensão crescente e de uma possível rebelião definitiva.
No geral, achei uma das coisas mais surpreendentes na franquia, e que se porta muito bem como série isolada ao abordar a temática política e a complexidade da situação para desenvolver seus personagens.
A minha temporada favorita até aqui. Interessante como que aos poucos ela vai evoluindo dentro do próprio formato. A própria mitologia vem como complementação em alguns episódios, e existe até um bom fio narrativo envolvendo Mordecai e Margaret. Apesar de vários episódios explorarem essa dinâmica, ela é progressiva, culminando num impressionante episódio final.
Agora, com muito mais episódios (39!), Quintel, Infantino e companhia, deram muito mais espaço para os personagens secundários. Num primeiro momento para o Benson, rendendo episódios muito interessantes, e depois para o musculoso, que acho que foi o mais abraçado pela equipe criativa. Ainda, meio que de forma tímida, começaram a explorar o Pairulito e Saltitão, revelando alguns detalhes não só sobre eles mas sobre o parque e sua organização.
A estrutura cômica é muito variada, desde aquele humor mais situacional e ''corriqueiro'', até às ótimas paródias de gêneros cinematográficos e uma enxurrada de divertidas referências. A série parece ter fôlego pra mais, e a terceira temporada, mais do que um amadurecimento da ideia da série e do desenvolvimento mais equilibrado, mostra um carinho criativo com o universo do parque e seus personagens.
A última vez que tinha posto os olhos nessa série foi em 2009, acompanhando de forma semanal a série. Minha impressão de lá pra cá melhorou muito. Arrisco a dizer que, dentre as ''grandes sitcons'' da TV aberta americana que assisti, talvez essa seja a melhor temporada inicial Impressionante o que o tempo faz.
A série tem diversas dinâmicas entre os personagens, explorando de uma forma muito completa a família toda. Apesar de três núcleos (familiares) bem divididos, a forma como tudo é unido é cativante. O tipo de humor meio que dá uma boa variada também, mesmo estando debaixo do mockumentary que guia toda a temporada.
Logo logo inicio a segunda temporada, muito empolgado pra ter meus momentos de descanso ou de almoço assistindo a série.
Chega a ser megalomaníaco a forma como a série se põe nesse terceiro ano. Demorei anos pra embarcar nessa temporada, mas enfim consegui, e com muita satisfação.
Lembro de uma entrevista do Donald Glover em que ele falava sobre Atlanta como a Twin Peaks dos Rappers, e não é que ele conseguiu algo do tipo? Sei que é muito forte se colocar como uma ''série sobre racismo'', até porque é um tema muito complexo de se representar. Mas a forma escolhida aqui mescla esse estranhamento, um pouco de terror e umas viradas para a comédia... enfim, Twin Peaks. Essa temporada traz um mundo de fantasia, com seus vários exageros, mas que fala do mundo real de alguma forma.
E assim como a série dos ano 90 onde David Lynch tinha como colaborador o Mark Frost, aqui o Donald Glover tem a parceria de um dos grandes nomes da Televisão, Hiro Murai. Sei que é difícil manter essa proposta em pé, ou até mesmo vingando e conquistando público, onde a temporada é fragmentada de um jeito onde esquecemos até mesmo do que aconteceu na temporada anterior com os protagonistas, mas essa dupla criativa cria um universo tão fantástico e absurdo que em vários momentos eu nem queria saber do Earn. E de certa forma a arte também é sobre isso, sobre nos tirar da realidade e nos levar pra outro lugar pra nos falar da realidade.
Essa temporada pode ter sido um grande suspiro na trama, aproveitando a turnê na Europa pra encaixar essa ideia maluca. Fico muito curioso pra ver qual será a sequência e fechamento da série na quarta temporada.
Existe um escalonamento dos acontecimentos muito bem realizado aqui nessa segunda temporada. Os personagens são melhor explorados dentro da dinâmica da série, sem aquele deslumbramento do universo novo que é comum ter nas primeiras temporadas, além do fio condutor que envolve o Guillermo e sua ancestralidade.
Gosto como a série não se inibe de tratar os vampiros como seres fora do padrão moral aceito, principalmente quando usa esse lado mais voltado ao sexo como motor cômico. Isso funciona muito por conta do contraste da ingenuidade de seres antigos frente ao mundo moderno com os tabus sociais que nós espectadores vivenciamos.
Queria destacar o quanto eu gostei do episódio do Jack Daytona e como ele funciona como uma espécie de ''filme paródia'' dentro da série. Outro episódio interessante é quando vemos mais a fundo como funcionam os vampiros de energia com o Colin Robinson ficando muito poderoso.
A temporada com 10 episódios funciona muito bem, nunca fica cansativo e logo depois de finalizar já fica aquele gostinho de querer ver mais. Muito animado pra seguir com essa série até o seu final.
Acho incrível como que o Larry David faz o mesmo tipo de humor há 20 anos funcionar ainda hoje com temas atuais. É um olhar muito engraçado pro mundo contemporâneo pois parte dessa visão do passado, e ao mesmo tempo que satiriza as problemáticas modernas e a forma como elas são tratadas, ''vilaniza'' esse protagonista deslocado no tempo pela sua personalidade e falta de qualquer boa vontade em se adaptar.
Essa temporada é ainda melhor que a anterior, e uma das minhas (muitas) favoritas da série. As participações especiais sobem o nível dos episódios e a trama do Latte Larry que dura a temporada inteira, trabalhada nessa lógica do autor de castelo de cartas e causa e consequência, trazem esse fator de continuidade e acúmulo de eventos como uma experiência ótimo no final de tudo.
Se Ridley Scott trouxe o horror cósmico ao revisitar seu universo nos anos 2010, Noah Hawley vai num sentido contrário em Alien Earth. Um dos assuntos que sempre me despertou certa curiosidade nesse universo são os FDPs donos das companhias que tratavam seus funcionários como mercadoria. Desde o primeiro Alien temos essa nuance distópica na franquia, e Hawley aposta suas fichas nessa imaginação de um planeta terra controlado por grandes corporações que estão em uma corrida tecnológica.
A criatura fica um pouco secundária nessa história justamente para abrir espaço nessa imaginação de mundo, mas dá lugar para a abertura de possibilidades. Outras criaturas nos são apresentadas, e a maioria delas, confesso, gera um grande desconforto. Destaco o quão bizarra é a ''Ovelha Dolly'' em cena. O início da série é bem truncado, típico das obras do Showrunner, que demora e segura o espectador até o final nessa recusa de ser explícito, e confesso que aqui foi a primeira vez, vendo tudo dele, que não me agradou tanto. Só despertei um real interesse a partir do terceiro episódio, onde há uma melhora muito grande e já vemos as peças se movimentarem mais.
O elenco da série fica bem aquém da idealização do projeto, mas dou a braço a torcer quanto a estranheza que é ver adultos interpretando crianças em corpos de adultos. O destaque pra mim vem pela atuação do Babou Ceesay, que tem o personagem mais enigmático a princípio, e é o protagonista do melhor episódio da série, ''in Space, no One...'', que funcionaria até como um filme solo da franquia.
Gosto muito dos rumos, dos mistérios e até dos momentos chave de ação da série. Pelo final parece que tem muita coisa boa pra uma continuação, mas já me dou por satisfeito pela jornada até aqui.
Um dos melhores animes que vejo em muito tempo, se tratando de lançamentos mais recentes.
Me chama muito a atenção a forma como a obra retrata essa obsessão e violência que existe contra o corpo, principalmente o feminino. A primeira vilã, a Vovó Turbo, faz justamente o que faz como uma espécie de vingança contra abusadores. A obsessão dos alienígenas com o sistema reprodutor humano também é retratada aqui nessa perspectiva de violência, seus órgãos sexuais são metálicos, dando uma ideia de que a sexualidade definida geneticamente só pode ser tratada de acordo com uma função, quase como se isso te aprisionasse nesse papel de acordo com seu gênero. Dandadan é polêmico ao retratar violência dentro do gênero de ação/comédia e um pouco de terror, mas acredito que nunca passa do ponto, as viradas para o drama e a criação de momentos reflexivos e tocantes também ditam o ritmo da obra.
Acho interessante também a construção do romance da dupla de protagonista. Vale ressaltar o final do primeiro episódio onde um Ken ''castrado'' desperta uma explosão de sentimento na Momo.
O final da temporada (os últimos 3 episódios) são bem mais mornos que o restante, preparando novos personagens e explorando novas dinâmicas para a sequência da série. No geral eu fiquei muito satisfeito de ver algo assim, que provoca risadas, tensão e muita emoção. Fico curioso pra ver como que essa história pode prosseguir sem cair no marasmo do Shonen Battle.
Bem, termino aqui, depois de alguns anos assistindo, essa ótima série. Nem pretendo falar como um todo, até porque tem muita coisa pra se falar. A 10ª Temporada mantém aquela irregularidade que tanto afetou a anterior, com personagens deixando de ser personagens e virando seus estereótipos, alguns arcos sem sentido, mas consegue brilhar muito em alguns momentos específicos.
Gosto muito desse movimento de vida de Monica e Chandler, é legal acompanhar como foram personagens que foram pra frente, que mudaram bastante. Joe e Phoebe por mais que tenham momentos hilários ficam num marasmo, monotônico, sem muita versatilidade, e até quando a série arrisca algo com eles logo se recolhe pra esse lugar comum. O que talvez tenha me incomodado nesse final seja a abordagem da série com Ross e Rachel. Eles tem ótimos momentos, mas Friends luta pra ser uma série sobre os dois, colocando um significado muito grande nessa relação. Ross luta pra Rachel não seguir em frente e Rachel se sente empacada na vida, e a série aposta muitas fichas nessa dinâmica cansativa.
Agora como um todo, foi super divertido assistir Friends. Minha esposa é fascinada na série, e tenho certeza que quando ela estiver revendo (outra vez) vou parar pra ver junto de vez em quando e dar ótimas risadas. Por mais que seja um final com sinais de uma produção cansada de si mesma, não mancha em nada essa ótima jornada de amigos sem noção que amam uns aos outros.
Aquela ideia caótica da série na primeira temporada permanece aqui na segunda temporada, porém com uma amostra maior de episódios, dá pra perceber a criação meio que de uma fórmula, em que parte da diversão e surpresa passa por essa expectativa.
Também notei um aceno maior ao público adulto e uma abordagem melhor do espaço do parque. Gosto de como o Show trabalha seus protagonistas e foge de uma construção em busca de lição ou moral. É muito mais preocupado em manter essa estética transgressora em histórias que desafiam e extrapolam noções lógicas convencionais, é praticamente uma lógica própria muito particular, desde os acontecimentos até as resoluções.
Gostei mais ainda dessa segunda temporada, e acredito que tende a melhorar ainda mais.
Desde o começo comprei muito a ideia de trabalhar uma série nesse universo num tom cômico em sua maior parte. A começar pelo contraste entre a dupla de protagonistas, a crítica aos exageros reais, seja na questão da honra ou até mesmo na ostentação em festas e torneios, e até à algumas resoluções tragicômicas.
Gosto bastante do livro em que a série se baseia, e talvez até mais ainda da forma como foi adaptada para a TV. Esse estilo contribui para essa ideia de mostrar as contradições das hierarquias em Westeros, a falta de propósito maior na vida das famílias dominantes e na dualidade de ser um cavaleiro, fugindo do aspecto heroico e lúdico que é atribuído à essa figura na maioria das histórias ambientadas em um universo medieval fantástico.
É uma série muito engajante, mas entrega as revelações de mão beijada demais.
Todo o ''circo'' familiar, e até os personagens secundários são bem trabalhadas de forma utilitária em prol da trama. Não faltam pontos ou vírgulas, e também não senti aquela barriga na maioria dos episódios, a não ser pelo penúltimo onde acompanhamos a revelação por um grande flashback.
Acho que no final das contas não existe nenhum mistério ou algo a ser discutido. A ''vilania'' fica centralizada em apenas uma figura, que parece ter causado todo o mal daquelas vidas. Até gosto de algumas escolhas do final, que desafiam a ética padrão mas nunca realmente trazem algum embate ou contestação.
Acho muito interessante como a série aborda sua própria história. Sei que tem os momentos mais frenéticos, onde a tensão e espionagem dão as caras, mas a grande força dessa produção, e os momentos que mais me tocaram, foram nas relações familiares e nos dilemas morais.
Gosto dessa ambiguidade na relação do casal principal, fundado numa premissa muito racional e encenada, mas que surpreende no primeiro momento pelo afeto demonstrado entre eles. Em alguns momentos me lembrei muito de Mad Men, e espero que continue lembrando, torcendo para que a dinâmica familiar siga sendo trabalhada e até aprofundada, inserindo os filhos do casal gradativamente mais à trama.
Os dilemas não se atém apenas a essa questão romântica e familiar, mas também a do amor proibido. Qual o limite da traição, onde existe sentimento e onde é apenas trabalho? Essas questões também são levantadas para a trama envolvendo o agente do FBI, deixando tudo muito mais interessante.
Estou muito satisfeito, e até arrependido de não ter acompanhado essa série antes, e fico muito curioso por ver o desenrolar dessa história.
Gostei bastante dessa temporada inicial. Acho que diferentemente de alguns outros desenhos dessa leva do Cartoon, Apenas um Show possui um grande desapego pelas fórmulas ou alguma linearidade. Lógico que se assemelha com as bizarrices que vemos em Hora de Aventura, Gravity Falls e Gamball. Mas existe um fascínio pela estética que concilia as sitcons americanas com a cena de quadrinhos independentes.
Apenas um Show é um show sobre o nada, no melhor estilo Seinfeld. As solução para os problemas que Mordecai e Rigby provocam todo episódio são realmente tiradas da bunda, numa ideia de série que não se preocupa com a racionalização, mas busca uma estrapolação do meio.
Mesmo gostando demais, ainda achei ela um pouco tímida, o que se justifica por ser o primeiro ano do programa. Ainda quero ver o que mais que esses funcionários preguiçosos do parque vão aprontar.
Não expande o universo, não desenvolve personagens, toda a elaboração dos ''clãs'' mandalorianos usam de diversos clichês e fórmulas batidas, não só dentro da fórmula star wars como de conteúdos de ação em geral.
A volta do Grogu não se justifica em nenhum momento. A Bo-Katan ganha mais espaço, mas em toda temporada episódica e caótica não fez diferença alguma. O que dizer então da volta do ''vilão''? Com direito a discurso revelando seus planos malignos e tudo mais.
Apesar de 1 primeiro episódio interessante e um episódio final legal, a temporada está cheia de momentos bizarros, como o episódio 6, o pior episódio de série que vi até agora no ano.
Ainda há várias ideia descontinuadas dentro da ''linha'' narrativa da temporada. Ou será que eram fracas demais para se manterem?
A não ser que o Quarto ano da série seja a finalização, não volto mais. Esse é o jeito. This is the Way.
Adaptação soberba. Como fã da obra original, mesmo com muitas mudanças, dá pra perceber a paixão despejada na produção dessa série, a vontade de fazer dar certo.
Esses primeiros arcos são os mais ''lineares e adaptáveis'' talvez de toda obra, a partir desse ponto será um grande desafio para a equipe.
Não concordei com a divisão da temporada, passa muito a sensação de quebra de ritmo, mas ainda assim, cheio de detalhes maravilhosos. Houve pouco tempo para o desenvolvimentos dos ''moradores'' da casa de Bonecas, mas o desfecho bem construído compensa demais.
Um grande cuidado com os personagens, ótimos atores e uma produção lindíssima.
Quando terminei esses 2 episódios finais fiquei bem feliz por terem conseguido entregar a série épica que vendiam. Os acontecimentos nessa temporada estão numa escala bem maior, com mais personagens, um vilão ''definitivo'' e, talvez, o melhor trabalho de CGI da série até aqui.
Como houve um pequeno hiato entre os episódios 7 e 8, ficou pra mim o sentimento bem misto que tive quanto a primeira parte. Como já disse, embora épico e grandioso, com ótimas doses de emoção, faltou algo mais, e aí é algo bem pessoal mesmo. Talvez algo que me marcasse, e inclusive aponto que o roteiro possa ter contribuído nesse sentimento.
Existe um turbilhão de sentimentos trabalhados nessa temporada, os romances (ditos e não ditos), a saudade, lealdade e coragem. Um dos pontos que deveria ser um alto, onde os personagens tem que lidar com uma consequência é bem forte, mas o roteiro prefere ir por um caminho mais convencional e até ilógico. (Ex: O vilão mata todos os personagens instantaneamente, mas quando é um dos protagonistas que está sendo atacado parecia que o Vecna tinha alguma indisposição física ou mental.)
Existem vários momentos legais, mas a maioria são gratuitos. Como a cena da guitarra, da espada, e vários momentos de batalha da 'Eleven'. Não que o estilo não satisfaça, mas nesses casos citados ele trabalha contra a progressão da trama. É uma quebra de ritmo que é sentida, principalmente nos últimos episódios onde a duração é maior.
Tem muita riqueza nos personagens, com diversas nuances, porém o trabalho de equipe não é bem executado, acaba se restringindo a apenas alguns deles, e outros acabam sobrando. E até agora estou pensando em quão inútil foi o arco do Hopper, com uma das desculpas mais fracas de toda a série.
Ainda assim, por incrível que pareça, Stranger Things consegue empolgar, emocionar (Pelo menos até a página 1) e encantar com o universo rico de personagens, elementos e referências à cultura pop americana dos anos 80.
É tão bobo que chega a ser quase que inocente. Mesmo com um humor tido como ''negro'', com mortes e afins, é uma série super leve, que não se leva a sério.
Os personagens e suas tramas simples, o carisma dos atores e as situações cotidianas exploradas na pequena cidade são charmosas e na maioria das vezes encontram um desfecho feliz. O grandíssimo destaque aqui é a entrega e resultados sensacionais do Alan Tudyk. Seus trejeitos faciais e dualidade em suas falas são o puro ouro dessa série.
Eu gostei bastante, mesmo não tendo nada de novo aqui. Apenas uma produção e atores dedicados e engajados com um pequeno projeto, entregando o seu melhor.
Doom Patrol sempre se manteve fiel à proposta de ser uma série diferente de super heróis. E isso é louvável. Porém, acredito que especialmente nesse terceiro ano, poucas coisas funcionaram, apesar de estar tudo lá, praticamente igual ao começo.
Parece que estava vendo os personagens enfrentarem os mesmo dilemas e situações da primeira e segunda temporada. Essa repetição e falta de novidade dentro da mesma história pode acabar se tornando problemática, como é o caso. Ainda mais porque a trama principal, Madame Rouge e a SIsterhood of Dada, é a mais fraca e deslocada de todas as temporadas.
Eu simplesmente não aguento mais ver a chatice que se tornou a Jane e toda a loucura na cabeça dela, é a mesma história todo episódio. O Cyborg até que teve algo relativamente interessante, A Rita ganhou mais espaço, o Cliff e Larry foram mais do mesmo.
A ligação com o final da segunda temporada é rápida demais, tudo é resolvido com muitas facilitações em 1 episódio. Apesar das bizarrices super legais, da galhofada nonsense e do humor negro em algumas situações, é tudo muito disperso dentro de uma trama que se arrasta com fórmulas repetidas.
Doom Patrol, ao tentar fugir das fórmulas convencionais, se acomodou em sua própria fórmula, não trazendo mais novidade e aquele brilho dos dois primeiros anos. Acho que não volto para a quarta temporada.
Essa é uma série que não faço a mínima ideia de como descobri. É descrita pelo próprio criador como um ''diário de memórias'', onde ele registra pequenos momentos cotidianos em Nova York. Me lembrou bastante ''Nova York, Vida na Cidade Grande'', HQ clássica do Will Eisner. Cada episódio começa com um esboço de raciocínio, que é desenvolvido de forma Irônica/Inocente brilhantemente.
A fusão desses dois conceitos em cima da observação do cotidiano e da vida é que entrega essa série tão especial. A dificuldade de encontrar vaga para seu carro termina em uma compra de lote em cemitério. A dificuldade de escolher e apreciar vinho termina num chá de bebê de uma esposa de um excêntrico magnata do ramo de energéticos. Como relembrar seus sonhos termina numa convenção de culto ao filme Avatar. Como descartar suas pilhas termina numa entrevista com um condenado de agressão sexual falando como é sua vida.
É imprevisível, cativante, emocionante, reflexiva e muito engraçada.
Durante a segunda temporada a HBO disponibilizava um conteúdo extra da série com os bastidores de gravação e com o Bill Hader comentando algumas coisas. Uma grande inspiração dele, sem sombra de dúvidas, é The Sopranos. Ele conta como tira algumas ideias legais que servem de inspiração para seus episódios. E acho que não para por aí, pois desde a ideia de um assassino fazer aulas de atuação até a situação ‘’surreal’’ que o Barry passa nessa terceira temporada me lembram demais a clássica série de máfia.
Esse paralelo entre ambas não fica somente no conteúdo, mas na qualidade de execução das ideias também. E que trabalho fantástico o Bill Hader vem fazendo como diretor, arrancando elogios até de Guillermo del Toro.
Essa nova temporada se aprofunda mais nos personagens secundários, construindo uma pirâmide de eventos que culminam naquele inesperado final. Lógico que ainda conta com as grandes marcas da série também, como o humor absurdo, cheio de situações pra lá de bizarras, personagens memoráveis e engraçados e muita violência.
A melhor série de 2022, e acho difícil aparecer algo melhor.
O grande destaque aqui é sem dúvidas pra Jean Smart, com uma interpretação completa e cheia de presença.
A série, entretanto, devido à grande repercussão e reconhecimento recebido não supriu todas as minhas expectativas. Os 5 primeiros episódios tem uma estrutura e situações bem conhecidas, com 2 personagens diferentes que vão se aproximando por meio de troca de farpas e piadas ácidas. As circunstâncias e acontecimentos são os mesmos que já vi em uma pá de séries até então.
Quando a personagem da Ava e Deborah começam a se conhecer melhor temos bons diálogos, e a grande temática da série é enfim verbalizada com todas as letras. Vi recentemente o especial de comédia ''Supernature'', do Ricky Gervais, e a primeira piada me lembrou bastante essa série, a dificuldade de mulheres se estabelecerem no cenário de comédia stand up ou de Talk Shows nos Estados Unidos.
Existe um momento que deveria ser o ápice da virada de mentalidade da Deborah, onde ela vai fazer um show num clube. Mas o personagem do comediante masculino é tão mal escrito que me tirou completamente qualquer sensação de satisfação que a série queria passar. É uma sequência grande de diálogos rasos e respostas prontas.
Os 2 últimos episódios me acertaram em cheio, e enfim vi a série chegando onde deveria. O drama aparece e traz uma carga emocional bem forte. Gostei muito de todas as escolhas. Ainda destaco a Kaitlin Olson, uma atriz super talentosa e pouco reconhecida, e o Christopher McDonald.
A primeira temporada termina com um Cliffhanger que achei desnecessário, e espero que não seja aquele artificio gratuito que será resolvida no primeiro episódio da próxima temporada.
Orange Is The New Black (2ª Temporada)
4.4 874 Assista AgoraA temporada começa muito bem, trazendo uma quebra com o final da primeira temporada e lançando dúvidas e surpresas logo de cara. Aquele começo com a personagem da V é bem promissor também, ela é o motor de uma nova dinâmica conflituosa entre os personagens. Mas não vai muito além disso, tudo fica bem diluído numa dramédia exagerada, sem muito impacto real nas personagens que conhecemos, no final das contas tudo volta à estaca zero para a personalidades das presas.
O destaque fica para os ótimos flashbacks da vida pregressa das personagens, gosto desse espaço que é deixado para escapar um pouco da claustrofobia da cadeia. Pena que alguns dilemas são um tanto rasos, mas são eficazes em construir um vínculo rápido.
No geral é uma temporada bem abaixo da primeira, mas ainda assim mantém uma certa regularidade.
Star Wars: Andor (1ª Temporada)
4.2 196 Assista AgoraGostei muito dessa visão política mais assumida. Não necessariamente é um problema quando bem usado (que é o caso aqui), ainda mais quando esse tipo de thriller político que Andor é estabelece uma outra linguagem sem deixar de dialogar dentro do universo de Star Wars.
Gosto como a ''revolução'' ou rebelião contra o império é apresentada aqui como um processo, e é interessante demais retirar a individualidade desse processo que a série faz aqui. Até temos a figura de um mentor por trás de tudo, mas o esforço coletivo é símbolo dessa abordagem. Conversa bem com Rogue One e adiciona camadas mais complexas ainda ao não só trazer uma figura contraditória (Coisa que a franquia tem aos montes), mas fugir desse aspecto/arquétipo de herói/anti-herói, e apresentar um personagem que cruza uma linha brutal na primeira cena do primeiro episódio.
Temos uma boa virada lá pela metade, que nos faz lembrar até do já citado Rogue One, que nos deixa desprevenidos e incertos do que pode vir a seguir. Existe aqui um ótimo uso de clichês do thriller ao estabelecer novos arcos, mas que só ajudam a gerar mais e mais o sentimento de tensão crescente e de uma possível rebelião definitiva.
No geral, achei uma das coisas mais surpreendentes na franquia, e que se porta muito bem como série isolada ao abordar a temática política e a complexidade da situação para desenvolver seus personagens.
Apenas um Show (3ª Temporada)
4.5 27A minha temporada favorita até aqui. Interessante como que aos poucos ela vai evoluindo dentro do próprio formato. A própria mitologia vem como complementação em alguns episódios, e existe até um bom fio narrativo envolvendo Mordecai e Margaret. Apesar de vários episódios explorarem essa dinâmica, ela é progressiva, culminando num impressionante episódio final.
Agora, com muito mais episódios (39!), Quintel, Infantino e companhia, deram muito mais espaço para os personagens secundários. Num primeiro momento para o Benson, rendendo episódios muito interessantes, e depois para o musculoso, que acho que foi o mais abraçado pela equipe criativa. Ainda, meio que de forma tímida, começaram a explorar o Pairulito e Saltitão, revelando alguns detalhes não só sobre eles mas sobre o parque e sua organização.
A estrutura cômica é muito variada, desde aquele humor mais situacional e ''corriqueiro'', até às ótimas paródias de gêneros cinematográficos e uma enxurrada de divertidas referências. A série parece ter fôlego pra mais, e a terceira temporada, mais do que um amadurecimento da ideia da série e do desenvolvimento mais equilibrado, mostra um carinho criativo com o universo do parque e seus personagens.
Família Moderna (1ª Temporada)
4.5 522 Assista AgoraA última vez que tinha posto os olhos nessa série foi em 2009, acompanhando de forma semanal a série. Minha impressão de lá pra cá melhorou muito. Arrisco a dizer que, dentre as ''grandes sitcons'' da TV aberta americana que assisti, talvez essa seja a melhor temporada inicial Impressionante o que o tempo faz.
A série tem diversas dinâmicas entre os personagens, explorando de uma forma muito completa a família toda. Apesar de três núcleos (familiares) bem divididos, a forma como tudo é unido é cativante. O tipo de humor meio que dá uma boa variada também, mesmo estando debaixo do mockumentary que guia toda a temporada.
Logo logo inicio a segunda temporada, muito empolgado pra ter meus momentos de descanso ou de almoço assistindo a série.
Atlanta (3ª Temporada)
4.4 87Chega a ser megalomaníaco a forma como a série se põe nesse terceiro ano. Demorei anos pra embarcar nessa temporada, mas enfim consegui, e com muita satisfação.
Lembro de uma entrevista do Donald Glover em que ele falava sobre Atlanta como a Twin Peaks dos Rappers, e não é que ele conseguiu algo do tipo? Sei que é muito forte se colocar como uma ''série sobre racismo'', até porque é um tema muito complexo de se representar. Mas a forma escolhida aqui mescla esse estranhamento, um pouco de terror e umas viradas para a comédia... enfim, Twin Peaks. Essa temporada traz um mundo de fantasia, com seus vários exageros, mas que fala do mundo real de alguma forma.
E assim como a série dos ano 90 onde David Lynch tinha como colaborador o Mark Frost, aqui o Donald Glover tem a parceria de um dos grandes nomes da Televisão, Hiro Murai. Sei que é difícil manter essa proposta em pé, ou até mesmo vingando e conquistando público, onde a temporada é fragmentada de um jeito onde esquecemos até mesmo do que aconteceu na temporada anterior com os protagonistas, mas essa dupla criativa cria um universo tão fantástico e absurdo que em vários momentos eu nem queria saber do Earn. E de certa forma a arte também é sobre isso, sobre nos tirar da realidade e nos levar pra outro lugar pra nos falar da realidade.
Essa temporada pode ter sido um grande suspiro na trama, aproveitando a turnê na Europa pra encaixar essa ideia maluca. Fico muito curioso pra ver qual será a sequência e fechamento da série na quarta temporada.
O Que Fazemos nas Sombras (2ª Temporada)
4.4 64Existe um escalonamento dos acontecimentos muito bem realizado aqui nessa segunda temporada. Os personagens são melhor explorados dentro da dinâmica da série, sem aquele deslumbramento do universo novo que é comum ter nas primeiras temporadas, além do fio condutor que envolve o Guillermo e sua ancestralidade.
Gosto como a série não se inibe de tratar os vampiros como seres fora do padrão moral aceito, principalmente quando usa esse lado mais voltado ao sexo como motor cômico. Isso funciona muito por conta do contraste da ingenuidade de seres antigos frente ao mundo moderno com os tabus sociais que nós espectadores vivenciamos.
Queria destacar o quanto eu gostei do episódio do Jack Daytona e como ele funciona como uma espécie de ''filme paródia'' dentro da série. Outro episódio interessante é quando vemos mais a fundo como funcionam os vampiros de energia com o Colin Robinson ficando muito poderoso.
A temporada com 10 episódios funciona muito bem, nunca fica cansativo e logo depois de finalizar já fica aquele gostinho de querer ver mais. Muito animado pra seguir com essa série até o seu final.
Segura a Onda (10ª Temporada)
4.3 14 Assista AgoraAcho incrível como que o Larry David faz o mesmo tipo de humor há 20 anos funcionar ainda hoje com temas atuais. É um olhar muito engraçado pro mundo contemporâneo pois parte dessa visão do passado, e ao mesmo tempo que satiriza as problemáticas modernas e a forma como elas são tratadas, ''vilaniza'' esse protagonista deslocado no tempo pela sua personalidade e falta de qualquer boa vontade em se adaptar.
Essa temporada é ainda melhor que a anterior, e uma das minhas (muitas) favoritas da série. As participações especiais sobem o nível dos episódios e a trama do Latte Larry que dura a temporada inteira, trabalhada nessa lógica do autor de castelo de cartas e causa e consequência, trazem esse fator de continuidade e acúmulo de eventos como uma experiência ótimo no final de tudo.
Alien: Earth (1ª Temporada)
3.2 278 Assista AgoraSe Ridley Scott trouxe o horror cósmico ao revisitar seu universo nos anos 2010, Noah Hawley vai num sentido contrário em Alien Earth. Um dos assuntos que sempre me despertou certa curiosidade nesse universo são os FDPs donos das companhias que tratavam seus funcionários como mercadoria. Desde o primeiro Alien temos essa nuance distópica na franquia, e Hawley aposta suas fichas nessa imaginação de um planeta terra controlado por grandes corporações que estão em uma corrida tecnológica.
A criatura fica um pouco secundária nessa história justamente para abrir espaço nessa imaginação de mundo, mas dá lugar para a abertura de possibilidades. Outras criaturas nos são apresentadas, e a maioria delas, confesso, gera um grande desconforto. Destaco o quão bizarra é a ''Ovelha Dolly'' em cena. O início da série é bem truncado, típico das obras do Showrunner, que demora e segura o espectador até o final nessa recusa de ser explícito, e confesso que aqui foi a primeira vez, vendo tudo dele, que não me agradou tanto. Só despertei um real interesse a partir do terceiro episódio, onde há uma melhora muito grande e já vemos as peças se movimentarem mais.
O elenco da série fica bem aquém da idealização do projeto, mas dou a braço a torcer quanto a estranheza que é ver adultos interpretando crianças em corpos de adultos. O destaque pra mim vem pela atuação do Babou Ceesay, que tem o personagem mais enigmático a princípio, e é o protagonista do melhor episódio da série, ''in Space, no One...'', que funcionaria até como um filme solo da franquia.
Gosto muito dos rumos, dos mistérios e até dos momentos chave de ação da série. Pelo final parece que tem muita coisa boa pra uma continuação, mas já me dou por satisfeito pela jornada até aqui.
Dandadan (1ª Temporada)
4.2 83 Assista AgoraUm dos melhores animes que vejo em muito tempo, se tratando de lançamentos mais recentes.
Me chama muito a atenção a forma como a obra retrata essa obsessão e violência que existe contra o corpo, principalmente o feminino. A primeira vilã, a Vovó Turbo, faz justamente o que faz como uma espécie de vingança contra abusadores. A obsessão dos alienígenas com o sistema reprodutor humano também é retratada aqui nessa perspectiva de violência, seus órgãos sexuais são metálicos, dando uma ideia de que a sexualidade definida geneticamente só pode ser tratada de acordo com uma função, quase como se isso te aprisionasse nesse papel de acordo com seu gênero. Dandadan é polêmico ao retratar violência dentro do gênero de ação/comédia e um pouco de terror, mas acredito que nunca passa do ponto, as viradas para o drama e a criação de momentos reflexivos e tocantes também ditam o ritmo da obra.
Acho interessante também a construção do romance da dupla de protagonista. Vale ressaltar o final do primeiro episódio onde um Ken ''castrado'' desperta uma explosão de sentimento na Momo.
O final da temporada (os últimos 3 episódios) são bem mais mornos que o restante, preparando novos personagens e explorando novas dinâmicas para a sequência da série. No geral eu fiquei muito satisfeito de ver algo assim, que provoca risadas, tensão e muita emoção. Fico curioso pra ver como que essa história pode prosseguir sem cair no marasmo do Shonen Battle.
Friends (10ª Temporada)
4.7 934 Assista AgoraBem, termino aqui, depois de alguns anos assistindo, essa ótima série. Nem pretendo falar como um todo, até porque tem muita coisa pra se falar. A 10ª Temporada mantém aquela irregularidade que tanto afetou a anterior, com personagens deixando de ser personagens e virando seus estereótipos, alguns arcos sem sentido, mas consegue brilhar muito em alguns momentos específicos.
Gosto muito desse movimento de vida de Monica e Chandler, é legal acompanhar como foram personagens que foram pra frente, que mudaram bastante. Joe e Phoebe por mais que tenham momentos hilários ficam num marasmo, monotônico, sem muita versatilidade, e até quando a série arrisca algo com eles logo se recolhe pra esse lugar comum. O que talvez tenha me incomodado nesse final seja a abordagem da série com Ross e Rachel. Eles tem ótimos momentos, mas Friends luta pra ser uma série sobre os dois, colocando um significado muito grande nessa relação. Ross luta pra Rachel não seguir em frente e Rachel se sente empacada na vida, e a série aposta muitas fichas nessa dinâmica cansativa.
Agora como um todo, foi super divertido assistir Friends. Minha esposa é fascinada na série, e tenho certeza que quando ela estiver revendo (outra vez) vou parar pra ver junto de vez em quando e dar ótimas risadas. Por mais que seja um final com sinais de uma produção cansada de si mesma, não mancha em nada essa ótima jornada de amigos sem noção que amam uns aos outros.
Apenas um Show (2ª Temporada)
4.5 24Aquela ideia caótica da série na primeira temporada permanece aqui na segunda temporada, porém com uma amostra maior de episódios, dá pra perceber a criação meio que de uma fórmula, em que parte da diversão e surpresa passa por essa expectativa.
Também notei um aceno maior ao público adulto e uma abordagem melhor do espaço do parque. Gosto de como o Show trabalha seus protagonistas e foge de uma construção em busca de lição ou moral. É muito mais preocupado em manter essa estética transgressora em histórias que desafiam e extrapolam noções lógicas convencionais, é praticamente uma lógica própria muito particular, desde os acontecimentos até as resoluções.
Gostei mais ainda dessa segunda temporada, e acredito que tende a melhorar ainda mais.
O Cavaleiro dos Sete Reinos (1ª Temporada)
4.2 196 Assista AgoraDesde o começo comprei muito a ideia de trabalhar uma série nesse universo num tom cômico em sua maior parte. A começar pelo contraste entre a dupla de protagonistas, a crítica aos exageros reais, seja na questão da honra ou até mesmo na ostentação em festas e torneios, e até à algumas resoluções tragicômicas.
Gosto bastante do livro em que a série se baseia, e talvez até mais ainda da forma como foi adaptada para a TV. Esse estilo contribui para essa ideia de mostrar as contradições das hierarquias em Westeros, a falta de propósito maior na vida das famílias dominantes e na dualidade de ser um cavaleiro, fugindo do aspecto heroico e lúdico que é atribuído à essa figura na maioria das histórias ambientadas em um universo medieval fantástico.
Tudo Culpa Dela
4.1 322 Assista AgoraÉ uma série muito engajante, mas entrega as revelações de mão beijada demais.
Todo o ''circo'' familiar, e até os personagens secundários são bem trabalhadas de forma utilitária em prol da trama. Não faltam pontos ou vírgulas, e também não senti aquela barriga na maioria dos episódios, a não ser pelo penúltimo onde acompanhamos a revelação por um grande flashback.
Acho que no final das contas não existe nenhum mistério ou algo a ser discutido. A ''vilania'' fica centralizada em apenas uma figura, que parece ter causado todo o mal daquelas vidas. Até gosto de algumas escolhas do final, que desafiam a ética padrão mas nunca realmente trazem algum embate ou contestação.
The Americans (1ª Temporada)
4.3 136 Assista AgoraAcho muito interessante como a série aborda sua própria história. Sei que tem os momentos mais frenéticos, onde a tensão e espionagem dão as caras, mas a grande força dessa produção, e os momentos que mais me tocaram, foram nas relações familiares e nos dilemas morais.
Gosto dessa ambiguidade na relação do casal principal, fundado numa premissa muito racional e encenada, mas que surpreende no primeiro momento pelo afeto demonstrado entre eles. Em alguns momentos me lembrei muito de Mad Men, e espero que continue lembrando, torcendo para que a dinâmica familiar siga sendo trabalhada e até aprofundada, inserindo os filhos do casal gradativamente mais à trama.
Os dilemas não se atém apenas a essa questão romântica e familiar, mas também a do amor proibido. Qual o limite da traição, onde existe sentimento e onde é apenas trabalho? Essas questões também são levantadas para a trama envolvendo o agente do FBI, deixando tudo muito mais interessante.
Estou muito satisfeito, e até arrependido de não ter acompanhado essa série antes, e fico muito curioso por ver o desenrolar dessa história.
Apenas um Show (1ª Temporada)
4.5 114 Assista AgoraGostei bastante dessa temporada inicial. Acho que diferentemente de alguns outros desenhos dessa leva do Cartoon, Apenas um Show possui um grande desapego pelas fórmulas ou alguma linearidade. Lógico que se assemelha com as bizarrices que vemos em Hora de Aventura, Gravity Falls e Gamball. Mas existe um fascínio pela estética que concilia as sitcons americanas com a cena de quadrinhos independentes.
Apenas um Show é um show sobre o nada, no melhor estilo Seinfeld. As solução para os problemas que Mordecai e Rigby provocam todo episódio são realmente tiradas da bunda, numa ideia de série que não se preocupa com a racionalização, mas busca uma estrapolação do meio.
Mesmo gostando demais, ainda achei ela um pouco tímida, o que se justifica por ser o primeiro ano do programa. Ainda quero ver o que mais que esses funcionários preguiçosos do parque vão aprontar.
Ted Lasso (3ª Temporada)
4.3 121 Assista AgoraNesse momento não cabe nem comentários sobre a temporada, apenas por esse episódio final.
Eu acompanhei recentemente o desfecho de ótimas séries, até melhores que Ted Lasso, mas nenhuma vai me deixar tantas saudades quanto essa.
O Mandaloriano: Star Wars (3ª Temporada)
3.9 160 Assista AgoraNão expande o universo, não desenvolve personagens, toda a elaboração dos ''clãs'' mandalorianos usam de diversos clichês e fórmulas batidas, não só dentro da fórmula star wars como de conteúdos de ação em geral.
A volta do Grogu não se justifica em nenhum momento. A Bo-Katan ganha mais espaço, mas em toda temporada episódica e caótica não fez diferença alguma. O que dizer então da volta do ''vilão''? Com direito a discurso revelando seus planos malignos e tudo mais.
Apesar de 1 primeiro episódio interessante e um episódio final legal, a temporada está cheia de momentos bizarros, como o episódio 6, o pior episódio de série que vi até agora no ano.
Ainda há várias ideia descontinuadas dentro da ''linha'' narrativa da temporada. Ou será que eram fracas demais para se manterem?
A não ser que o Quarto ano da série seja a finalização, não volto mais. Esse é o jeito. This is the Way.
4/10
Sandman (1ª Temporada)
4.1 612 Assista AgoraAdaptação soberba. Como fã da obra original, mesmo com muitas mudanças, dá pra perceber a paixão despejada na produção dessa série, a vontade de fazer dar certo.
Esses primeiros arcos são os mais ''lineares e adaptáveis'' talvez de toda obra, a partir desse ponto será um grande desafio para a equipe.
Não concordei com a divisão da temporada, passa muito a sensação de quebra de ritmo, mas ainda assim, cheio de detalhes maravilhosos. Houve pouco tempo para o desenvolvimentos dos ''moradores'' da casa de Bonecas, mas o desfecho bem construído compensa demais.
Um grande cuidado com os personagens, ótimos atores e uma produção lindíssima.
Stranger Things (4ª Temporada)
4.2 1,0K Assista AgoraQuando terminei esses 2 episódios finais fiquei bem feliz por terem conseguido entregar a série épica que vendiam. Os acontecimentos nessa temporada estão numa escala bem maior, com mais personagens, um vilão ''definitivo'' e, talvez, o melhor trabalho de CGI da série até aqui.
Como houve um pequeno hiato entre os episódios 7 e 8, ficou pra mim o sentimento bem misto que tive quanto a primeira parte. Como já disse, embora épico e grandioso, com ótimas doses de emoção, faltou algo mais, e aí é algo bem pessoal mesmo. Talvez algo que me marcasse, e inclusive aponto que o roteiro possa ter contribuído nesse sentimento.
Existe um turbilhão de sentimentos trabalhados nessa temporada, os romances (ditos e não ditos), a saudade, lealdade e coragem. Um dos pontos que deveria ser um alto, onde os personagens tem que lidar com uma consequência é bem forte, mas o roteiro prefere ir por um caminho mais convencional e até ilógico. (Ex: O vilão mata todos os personagens instantaneamente, mas quando é um dos protagonistas que está sendo atacado parecia que o Vecna tinha alguma indisposição física ou mental.)
Existem vários momentos legais, mas a maioria são gratuitos. Como a cena da guitarra, da espada, e vários momentos de batalha da 'Eleven'. Não que o estilo não satisfaça, mas nesses casos citados ele trabalha contra a progressão da trama. É uma quebra de ritmo que é sentida, principalmente nos últimos episódios onde a duração é maior.
Tem muita riqueza nos personagens, com diversas nuances, porém o trabalho de equipe não é bem executado, acaba se restringindo a apenas alguns deles, e outros acabam sobrando. E até agora estou pensando em quão inútil foi o arco do Hopper, com uma das desculpas mais fracas de toda a série.
Ainda assim, por incrível que pareça, Stranger Things consegue empolgar, emocionar (Pelo menos até a página 1) e encantar com o universo rico de personagens, elementos e referências à cultura pop americana dos anos 80.
Nota: 7,5/10
Resident Alien (1ª Temporada)
4.0 33É tão bobo que chega a ser quase que inocente. Mesmo com um humor tido como ''negro'', com mortes e afins, é uma série super leve, que não se leva a sério.
Os personagens e suas tramas simples, o carisma dos atores e as situações cotidianas exploradas na pequena cidade são charmosas e na maioria das vezes encontram um desfecho feliz. O grandíssimo destaque aqui é a entrega e resultados sensacionais do Alan Tudyk. Seus trejeitos faciais e dualidade em suas falas são o puro ouro dessa série.
Eu gostei bastante, mesmo não tendo nada de novo aqui. Apenas uma produção e atores dedicados e engajados com um pequeno projeto, entregando o seu melhor.
Nota: 8,0/10
Patrulha do Destino (3ª Temporada)
3.7 40Doom Patrol sempre se manteve fiel à proposta de ser uma série diferente de super heróis. E isso é louvável. Porém, acredito que especialmente nesse terceiro ano, poucas coisas funcionaram, apesar de estar tudo lá, praticamente igual ao começo.
Parece que estava vendo os personagens enfrentarem os mesmo dilemas e situações da primeira e segunda temporada. Essa repetição e falta de novidade dentro da mesma história pode acabar se tornando problemática, como é o caso. Ainda mais porque a trama principal, Madame Rouge e a SIsterhood of Dada, é a mais fraca e deslocada de todas as temporadas.
Eu simplesmente não aguento mais ver a chatice que se tornou a Jane e toda a loucura na cabeça dela, é a mesma história todo episódio. O Cyborg até que teve algo relativamente interessante, A Rita ganhou mais espaço, o Cliff e Larry foram mais do mesmo.
A ligação com o final da segunda temporada é rápida demais, tudo é resolvido com muitas facilitações em 1 episódio. Apesar das bizarrices super legais, da galhofada nonsense e do humor negro em algumas situações, é tudo muito disperso dentro de uma trama que se arrasta com fórmulas repetidas.
Doom Patrol, ao tentar fugir das fórmulas convencionais, se acomodou em sua própria fórmula, não trazendo mais novidade e aquele brilho dos dois primeiros anos. Acho que não volto para a quarta temporada.
Nota: 6,0/10
How to with John Wilson (2ª Temporada)
4.3 8 Assista AgoraEssa é uma série que não faço a mínima ideia de como descobri. É descrita pelo próprio criador como um ''diário de memórias'', onde ele registra pequenos momentos cotidianos em Nova York. Me lembrou bastante ''Nova York, Vida na Cidade Grande'', HQ clássica do Will Eisner. Cada episódio começa com um esboço de raciocínio, que é desenvolvido de forma Irônica/Inocente brilhantemente.
A fusão desses dois conceitos em cima da observação do cotidiano e da vida é que entrega essa série tão especial. A dificuldade de encontrar vaga para seu carro termina em uma compra de lote em cemitério. A dificuldade de escolher e apreciar vinho termina num chá de bebê de uma esposa de um excêntrico magnata do ramo de energéticos. Como relembrar seus sonhos termina numa convenção de culto ao filme Avatar. Como descartar suas pilhas termina numa entrevista com um condenado de agressão sexual falando como é sua vida.
É imprevisível, cativante, emocionante, reflexiva e muito engraçada.
Barry (3ª Temporada)
4.2 79 Assista AgoraDurante a segunda temporada a HBO disponibilizava um conteúdo extra da série com os bastidores de gravação e com o Bill Hader comentando algumas coisas. Uma grande inspiração dele, sem sombra de dúvidas, é The Sopranos. Ele conta como tira algumas ideias legais que servem de inspiração para seus episódios. E acho que não para por aí, pois desde a ideia de um assassino fazer aulas de atuação até a situação ‘’surreal’’ que o Barry passa nessa terceira temporada me lembram demais a clássica série de máfia.
Esse paralelo entre ambas não fica somente no conteúdo, mas na qualidade de execução das ideias também. E que trabalho fantástico o Bill Hader vem fazendo como diretor, arrancando elogios até de Guillermo del Toro.
Essa nova temporada se aprofunda mais nos personagens secundários, construindo uma pirâmide de eventos que culminam naquele inesperado final. Lógico que ainda conta com as grandes marcas da série também, como o humor absurdo, cheio de situações pra lá de bizarras, personagens memoráveis e engraçados e muita violência.
A melhor série de 2022, e acho difícil aparecer algo melhor.
Nota: 10
Hacks (1ª Temporada)
4.2 107 Assista AgoraO grande destaque aqui é sem dúvidas pra Jean Smart, com uma interpretação completa e cheia de presença.
A série, entretanto, devido à grande repercussão e reconhecimento recebido não supriu todas as minhas expectativas. Os 5 primeiros episódios tem uma estrutura e situações bem conhecidas, com 2 personagens diferentes que vão se aproximando por meio de troca de farpas e piadas ácidas. As circunstâncias e acontecimentos são os mesmos que já vi em uma pá de séries até então.
Quando a personagem da Ava e Deborah começam a se conhecer melhor temos bons diálogos, e a grande temática da série é enfim verbalizada com todas as letras. Vi recentemente o especial de comédia ''Supernature'', do Ricky Gervais, e a primeira piada me lembrou bastante essa série, a dificuldade de mulheres se estabelecerem no cenário de comédia stand up ou de Talk Shows nos Estados Unidos.
Existe um momento que deveria ser o ápice da virada de mentalidade da Deborah, onde ela vai fazer um show num clube. Mas o personagem do comediante masculino é tão mal escrito que me tirou completamente qualquer sensação de satisfação que a série queria passar. É uma sequência grande de diálogos rasos e respostas prontas.
Os 2 últimos episódios me acertaram em cheio, e enfim vi a série chegando onde deveria. O drama aparece e traz uma carga emocional bem forte. Gostei muito de todas as escolhas. Ainda destaco a Kaitlin Olson, uma atriz super talentosa e pouco reconhecida, e o Christopher McDonald.
A primeira temporada termina com um Cliffhanger que achei desnecessário, e espero que não seja aquele artificio gratuito que será resolvida no primeiro episódio da próxima temporada.
Nota: 7,5/10