duas psicopatas infernais documentadas em um protocolar e superficial documentário que faz o trabalho mais básico para investigar as motivações por trás dessa história tenebrosa. mas eu fiquei me perguntando: e esses maridos e pais que aceitam de boa ficar mais de ano sem ver os próprios filhos?
um primo-irmão de devilman, com mais ternura e esperança. alegorias muito inteligentes sobre amadurecimento, vergonha, sexualidade e trauma, além de uma animação muito bem feita e escolhas artísticas criativas para ilustrar as monstruosidades que assombram os personagens.
Elenco mais que competente dando conta de personagens que são tão complexos quanto são ordinários. Ao mesmo tempo que a série oferece uma profusão de tramas, que são apresentadas em ritmo dinâmico e que já nos mostra um incidente incitante chocante nos primeiros cinco minutos de tela, ela também nos segura com silêncio e tensão, resoluções que parecem muito próximas, mas custam a chegar. Em dois dias, vi os 12 episódios e me emocionei principalmente com as três crianças protagonistas, que lutam para fazer a coisa certa enquanto estão cercadas de adultos que estão na mesma luta, sofrendo para dar um bom exemplo e frequentemente fracassando na empreitada. No final, apesar do enredo de crime e segredos, a série é sobre isso: adultos responsáveis por crianças, mas que mal sabem ser responsáveis por eles mesmos - e a parte mais dolorosa é que é muito fácil se identificar tanto com os adultos, quanto com as crianças: são todos muito parecidos em sua solidão, egoísmo, medo, vergonha e carência.
as motivações dos vilões ficam difusas, eles fazem de tudo para derrotar uma bruxa poderosa como a Elphaba, mas cedem aos argumentos de uma loirinha deslumbrada e a Madame Morrible, que pode controlar o clima, ao invés de tacar uma casa na cabeça da Glinda, simplesmente se deixa levar pelos macacos voadores aos berros, com os dois pés balangando? Inacreditável para mim na peça e no filme.
Além disso, as duas novas canções, por mais que nos ajudem a entender mais a condição emocional e as motivações das protagonistas, não fazem lá tanta diferença.
Por outro lado, o tempo mais dilatado que passamos vendo a dupla junta no filme, em comparação com a peça, onde as protagonistas se encontram muito pouco no segundo ato, ajudou a consolidar ainda mais a força do vínculo delas.
Tendo dito isso, com todas as minhas reclamações sobre a dramaturgia de Wicked (que são sempre as mesmas), não tem jeito: com dois minutos de filme eu já estava chorando, me emocionei o tempo inteiro e Ariana Grande realmente é um talento raro que teve oportunidade de amadurecer sua Glinda lindamente nesse trecho da história.
Eu sou muito fechada com a Elphaba, considero Cynthia Erivo uma lenda viva e ela entregou tudo que podia com as cenas que lhe ofereceram. As duas juntas são (perdoem a expressão) mágicas. Não tem pra ninguém e pronto!
E mesmo sabendo que o roteiro provavelmente ia me aborrecer em certos aspectos, porque já era fã do musical e acostumada a relevar os problemas dele, as minhas canções favoritas de Wicked estão nessa parte: No Good Deed e For Good. E deixa eu te contar: elas são tudo aquilo mesmo! E eu? Couldn't be happier!
Esse tem todo um aroma de filme dos anos 90/2000 que eu alugaria na Blockbuster para ver no fim de semana. Entre muitos diálogos expositivos e apelativos, tem aí uma sinceridade emocional e boas atuações que compensam o didatismo. O suspense sobre o que vai acontecer, assim como a afeição que se cultiva pelos personagens também contribui para que cada empecilho, cada tragédia tenha seu peso para quem assiste. Em especial, o David Jonsson é uma superestrela que pegou um personagem com momentos inspirados, mas também alguns bem duvidosos hiperinstrutivos e o transformou no coração do filme - mérito dele! Por fim, me aliviou a escolha do final, apesar de eu ficar sentido que algo faltou em geral na forma como esses personagens lidam com aquela circunstância tão cruel.
É difícil escrever resenha para um filme tão difícil de descrever. Nenhuma sinopse dá conta de resumi-lo, nenhuma logline dá uma dica do que se vai assistir. É inspirador ver um filme que, sendo homenagem ao cinema e sua história, foi feito com tamanho primor técnico. São feitos extraordinários do audiovisual, são detalhes intencionais que compõe um mosaico muito diverso e vibrante. É uma obra que nos encoraja a sonhar - uma vela nunca acesa pode durar pra sempre, mas vale mais a pena queimar e derreter, se for para iluminar o caminho. A arte pode nos custar muito, mas ela é fundamental, é o que nos aproxima da magia. Vi duas vezes na mostra. Isso é filme pra ver no cinema!
Um equilíbrio custoso, mas bem-sucedido entre a pataquada meio precária e uma sofisticada produção com pretensões feministas (por mais didática que fosse vez ou outra). Mesmo com suas dificuldades (efeitos especiais um pouco toscos, aquele vício estranho de monólogos em voice-over, diálogos expositivos em demasia, senso de humor um tanto juvenil em meio a temáticas densas e hiperdramáticas), foi muito engajante e apaixonante. Uma série para o público geral que há de agradar grupos muito diversos e possivelmente oferecer à muita gente uma mensagem importante sobre a importância da subversão e da desobediência diante de regras conservadoras, discriminatórias e repressoras. Foi sempre um prazer sentar no sofá e falar "hora de ver minha novela", que é tudo que eu quero de uma novela como essa. Um amor.
Em um mercado que aposta em um alto volume de produções com orçamentos menos do que modestos, com enredos cheios de bibelôs e enfeites que são muito mais estilo do que substância... Em um mercado recheado de influencers e modelos tentando ao máximo atuar e falhando em graus variados de gravidade... Em um mercado audiovisual cheio de potencial, mas que frequentemente pesa a mão demais no que é apelativo, sacrificando aquilo que é sincero... Nesse mercado audiovisual tailandês, fascinante, repleto de talentos mas que ainda está se desenvolvendo, podemos contar com Boss Kuno, um enfant terrible, cineasta de mão cheia, que nos entrega aqui um enredo tão despretensioso e enganosamente simples, que não precisa de truques, provando que uma história direta, emocionalmente pungente e contada com primor é mais do que o suficiente. GelBoys não evita os momentos constrangedores, não se preocupa com moralismo e nos apresenta a cidade de Bangkok como personagem, assim como Phuket foi para I Told Sunset About You. O elenco segura a onda até o fim, os personagens têm arcos definidos e completos, a direção de arte é vibrante e verossímil, a trilha-sonora eleva a dramaticidade e comicidade, o roteiro é contundente sem abrir mão de leveza... É uma representação justa, carinhosa, crítica e precisa da geração Z, o que faz de GelBoys um retrato importantíssimo de seu contexto histórico, e ainda sim tem um quê de atemporalidade. Olha... minha aposta é que vai conquistar status de clássica.
Em primeiro lugar, me interessei muito menos pelo protagonista Basil, do que pelo vilão Ratigan (até porque ele foi brilhantemente dublado pelo meu ídolo). Em segundo lugar, me emocionava sempre que a pequena Olivia aparecia, ela e o pai eram meus favoritos depois do antagonista. Em terceiro lugar, esse filme tem um discurso sobre classe muito interessante de se destrinchar, porque ao mesmo tempo que defende que uma classe supostamente inferior (a ratazana) pode até se fingir de lorde, mas jamais será igual à classe supostamente civilizada (os camundongos) e que só haverá paz quando cada estrato social aceitar sua posição segregada, também há aí uma ilustração muito interessante e ambivalente sobre o reacionarismo que pipoca em indivíduos marginalizados que buscam sua emancipação num plano mirabolante de ocupar espaços de altíssimo privilégio dentro do próprio sistema hierárquico que sustenta essa marginalização. O recalque do Ratigan resulta numa obsessão em tentar se convencer e convencer os outros de que ele tem vocação para realeza e seu ressentimento o transforma em um pseudo novo rico taxador com aspirações a old money... enfim. Mais do que nunca, precisamos de teses sobre esse filme e, principalmente, precisamos de mais filmes de rato!
eu tenho tantos pensamentos sobre esse filme. eu nunca vou desgostar de uma barbara stanwyck sendo canalha, acho que a tese do filme é bem ambígua e tem algo aí que eu gostaria de ter visto aprofundado. a relação dela com a doméstica dela revela, também, algo de muito indigesto sobre classe e raça - nada que eu não soubesse, mas que fica tão evidente, mesmo com poucas cenas, que chama atenção. acho que o filme se engana ao, pelo menos em parte, defender que a Lily tem de fato poder sobre esses homens, ao invés de reconhecer como ela aprendeu a negociar dentro das condições patriarcais, de acordo com as regras *deles* e não dela. e é também desconfortável para mim o quanto eu fiquei torcendo pelo último homem e ela se casarem, como se isso fosse algum tipo de redenção ou resolução - o filme e a sociedade podem até argumentar que é, mas quem sabe, sabe... enfim, figurinos e cenários opulentos, uma protagonista descarada e aspectos surpreendentemente progressistas, que encontramos em muitos filmes da era pré-código de Hayes pra nunca mais, tornam o filme muito encantador, por mais que obviamente não se encaixe perfeitamente nas sensibilidades progressistas atuais. mas também acho um charme um filme de glamour com um pouco menos de moralismo do que estamos acostumados a ver, principalmente em filme americano. queria uma minissérie bem gourmet de baby face. poxa vida, poderia fazer uma tese de mestrado sobre Lily Powers.
O filme tem várias qualidades - sendo a primeira animação desenhada à mão feita pelo Paquistão, é um longa de importância histórica. Os personagens principais são interessantes, a relação deles é um deleite de assistir, a animação é bem feita, a trilha é encantadora. Contudo, gostaria de ter assistido o filme na dublagem original, porque submeteram a dublagem em inglês para a Mostra de SP e eu a considerei tenebrosa. Os diálogos às vezes poderiam ter sido mais criativos, mas não sei se é culpa da dublagem também. Sinto que o roteiro poderia ter se aprofundado em algumas coisas e sido menos didático com outras. Mas, em geral, acho um ótimo filme!
Camp, teatral, cômica, trágica, despretensiosa, mas ainda sim requintada. É uma série que quer muito nos entreter! Um leque imenso de personagens complicados, estranhos, muito bem defendidos por um elenco de tirar o chapéu. Que bem sacado colocar a memória como dispositivo dramático central, que gera todo tipo de confusão. Mulher, olha pra mim - e essa trilha? E o figurino? E o teatro inspirado no Grand Guignol? E aquele bonitão de 71 anos? E fizeram tudo isso num orçamento de AMC? Garota... Chique demais!
Bem filmada, bem escrita, com interpretações muito especiais, especialmente a de Jacob Anderson como Louis, que se apropriou do papel e é o melhor intérprete desse personagem disparado (sinto muito, Brad, não tem comparação). A série não tem medo de ser melodramática, cômica, camp, teatral, mas ainda mantém pés no chão e reconhece a sobriedade de muitos dos temas abordados no enredo. É maximalista, porque os roteiristas, produtores e diretores entenderam que esse arco dramático trata de uma vida (ou morte) extraordinária, que perderia muito do seu frescor e brilhantismo se fosse apresentado de forma fria ou estéril demais. As questões são grandiosas, então é sempre melhor sobrar do que faltar. As mudanças de contexto e personagem foram muito acertadas também. Virei fã.
O diretor Yao Xiao Feng tem uma mãozinha danada e tá fazendo coleção de dramas bem feitos, bem filmados, com tramas complexas e interessantes. War of Faith é uma dessas boas obras, surpreendente, com bom ritmo, bons personagens e incrível reconstituição de época.
Me envolvi muito com esse drama. Apesar de alguns defeitinhos aqui e ali, a fotografia, trilha, enredo e personagens são muito cativantes. Além de bem filmada e com um roteiro acima da média no mercado de c-dramas, conta com a atuação de alta qualidade de Zhang Xincheng e toca em temas pesados e muito pertinentes com uma franqueza rara, ainda mais levando em consideração o audiovisual televisivo chinês. Muito bom.
Algumas informações passaram batido pra mim e tenho certeza que um conhecimento mais aprofundado sobre história chinesa teria elevado minha experiência. Tendo dito isso, achei o tom tragicômico uma boa surpresa, o elenco é muito competente, e, em geral, o ritmo é bom (a primeira metade é melhor). Os destaques são a direção de arte e de fotografia, num estilo meio monocromático azul, representando aquele fim de dia e a trilha sonora meio experimental/punk/tradicional chinesa que é simplesmente icônica.
Muito do incômodo e desconforto que o filme estabelece está no silêncio, naquilo que está entalado na garganta e não sai da boca dos personagens. É um roteiro muito cuidadoso, que trabalha nas sutilezas das dinâmicas de poder estabelecidas naquela família disfuncional. Os atores estão excelentes, sem exceção. Adoro o estilo do Todd Haynes, que muito bebe na fonte de Douglas Sirk, outro grande cineasta, de quem sou fã. A personagem de Julianne Moore é intrigante, assustadora, um tipo que sabe comer pelas beiradas e que marca seu território de maneiras muito estranhas, sob um véu de uma performance mega abilolada de meninez e graciosidade. Enquanto isso, ver Charles Melton fazer um adulto que obviamente cultiva uma criança atrofiada e solitária dentro de si foi desesperador. Muito bom.
Quando teu um problema no teu quintal, lide com ele com calma e ponderação, ao invés de jogar o teu problema no quintal dos outros. Basicamente! Muito bem feito e bem tenebroso.
Série muito intrigante, que prende o espectador pelo ritmo, embora muitas informações sejam difíceis de pegar no começo, até por conta legendas alucinadas da plataforma. Achei muito positivo a quantidade e variedade de personagens femininas, muito mais desenvolvidas e complexas do que eu esperava. O protagonista também é ótimo e o trio que se forma é inusitado e cativante. Tem alguma coisa ou outra de roteiro que eu acho que poderia ser melhor, às vezes tem didatismo demais e às vezes de menos. A dublagem também podia ser melhor, mas aprecio que usaram a voz dos atores mesmo. A fotografia é muito boa, a ambientação é de encher os olhos. A trilha também é um plus. Confesso que poderia ter menos episódios e acho uma loucura
que nenhum dos casais, depois de tudo que eles passaram, teve um beijinho sequer pra dar aquela catarse depois de tanta tensão acumulada - sei que o beijo de Gao Bingzhu e da Madame Wu foi cortado e me sinto roubada!
Mas recomendo muito essa série para quem quer começar a assistir dramas chineses.
Um curta singelo sobre solidão, sonhos perdidos e as tímidas tentativas de se conectar com outras pessoas. Um pouco econômico demais nos diálogos e, em termos de ritmo, poderia ter sido mais dinâmico, mas belamente filmado, sensível e com bom e elegantemente contido elenco. Gostei também do recorte de contexto e da ação dramática acontecer dentro ou nos arredores de um cinema. O não dito também ajuda a criar lacunas interessantes, para o espectador preencher com suas próprias teorias sobre a relação de Li Mo e seu amigo, quais sonhos foram abandonados e como era a vida pregressa dos protagonistas.
Influencer do Mal: A História de Jodi Hildebrandt
3.0 28 Assista Agoraduas psicopatas infernais documentadas em um protocolar e superficial documentário que faz o trabalho mais básico para investigar as motivações por trás dessa história tenebrosa. mas eu fiquei me perguntando: e esses maridos e pais que aceitam de boa ficar mais de ano sem ver os próprios filhos?
O Verão Em Que Hikaru Morreu (1ª Temporada)
4.0 13 Assista Agoraum primo-irmão de devilman, com mais ternura e esperança. alegorias muito inteligentes sobre amadurecimento, vergonha, sexualidade e trauma, além de uma animação muito bem feita e escolhas artísticas criativas para ilustrar as monstruosidades que assombram os personagens.
The Bad Kids
4.7 1Elenco mais que competente dando conta de personagens que são tão complexos quanto são ordinários. Ao mesmo tempo que a série oferece uma profusão de tramas, que são apresentadas em ritmo dinâmico e que já nos mostra um incidente incitante chocante nos primeiros cinco minutos de tela, ela também nos segura com silêncio e tensão, resoluções que parecem muito próximas, mas custam a chegar. Em dois dias, vi os 12 episódios e me emocionei principalmente com as três crianças protagonistas, que lutam para fazer a coisa certa enquanto estão cercadas de adultos que estão na mesma luta, sofrendo para dar um bom exemplo e frequentemente fracassando na empreitada. No final, apesar do enredo de crime e segredos, a série é sobre isso: adultos responsáveis por crianças, mas que mal sabem ser responsáveis por eles mesmos - e a parte mais dolorosa é que é muito fácil se identificar tanto com os adultos, quanto com as crianças: são todos muito parecidos em sua solidão, egoísmo, medo, vergonha e carência.
Wicked: Parte 2
3.4 143 Assista AgoraAs minhas reclamações sobre a dramaturgia do ato 2 de Wicked seguem as mesmas no segundo filme:
as motivações dos vilões ficam difusas, eles fazem de tudo para derrotar uma bruxa poderosa como a Elphaba, mas cedem aos argumentos de uma loirinha deslumbrada e a Madame Morrible, que pode controlar o clima, ao invés de tacar uma casa na cabeça da Glinda, simplesmente se deixa levar pelos macacos voadores aos berros, com os dois pés balangando? Inacreditável para mim na peça e no filme.
Além disso, as duas novas canções, por mais que nos ajudem a entender mais a condição emocional e as motivações das protagonistas, não fazem lá tanta diferença.
Por outro lado, o tempo mais dilatado que passamos vendo a dupla junta no filme, em comparação com a peça, onde as protagonistas se encontram muito pouco no segundo ato, ajudou a consolidar ainda mais a força do vínculo delas.
Tendo dito isso, com todas as minhas reclamações sobre a dramaturgia de Wicked (que são sempre as mesmas), não tem jeito: com dois minutos de filme eu já estava chorando, me emocionei o tempo inteiro e Ariana Grande realmente é um talento raro que teve oportunidade de amadurecer sua Glinda lindamente nesse trecho da história.
Eu sou muito fechada com a Elphaba, considero Cynthia Erivo uma lenda viva e ela entregou tudo que podia com as cenas que lhe ofereceram. As duas juntas são (perdoem a expressão) mágicas. Não tem pra ninguém e pronto!
E mesmo sabendo que o roteiro provavelmente ia me aborrecer em certos aspectos, porque já era fã do musical e acostumada a relevar os problemas dele, as minhas canções favoritas de Wicked estão nessa parte: No Good Deed e For Good. E deixa eu te contar: elas são tudo aquilo mesmo! E eu? Couldn't be happier!
A Longa Marcha: Caminhe ou Morra
3.3 340 Assista AgoraEsse tem todo um aroma de filme dos anos 90/2000 que eu alugaria na Blockbuster para ver no fim de semana. Entre muitos diálogos expositivos e apelativos, tem aí uma sinceridade emocional e boas atuações que compensam o didatismo. O suspense sobre o que vai acontecer, assim como a afeição que se cultiva pelos personagens também contribui para que cada empecilho, cada tragédia tenha seu peso para quem assiste. Em especial, o David Jonsson é uma superestrela que pegou um personagem com momentos inspirados, mas também alguns bem duvidosos hiperinstrutivos e o transformou no coração do filme - mérito dele! Por fim, me aliviou a escolha do final, apesar de eu ficar sentido que algo faltou em geral na forma como esses personagens lidam com aquela circunstância tão cruel.
Resurrection
4.1 3É difícil escrever resenha para um filme tão difícil de descrever. Nenhuma sinopse dá conta de resumi-lo, nenhuma logline dá uma dica do que se vai assistir. É inspirador ver um filme que, sendo homenagem ao cinema e sua história, foi feito com tamanho primor técnico. São feitos extraordinários do audiovisual, são detalhes intencionais que compõe um mosaico muito diverso e vibrante. É uma obra que nos encoraja a sonhar - uma vela nunca acesa pode durar pra sempre, mas vale mais a pena queimar e derreter, se for para iluminar o caminho. A arte pode nos custar muito, mas ela é fundamental, é o que nos aproxima da magia. Vi duas vezes na mostra. Isso é filme pra ver no cinema!
Morte e Vida Madalena
4.1 3É Brasil, é cinema, é cômico, é dramático, é belo, é simples, é complexo, é brega, é refinado, ai... é tudo!
Legend Of The Female General
3.9 6Um equilíbrio custoso, mas bem-sucedido entre a pataquada meio precária e uma sofisticada produção com pretensões feministas (por mais didática que fosse vez ou outra). Mesmo com suas dificuldades (efeitos especiais um pouco toscos, aquele vício estranho de monólogos em voice-over, diálogos expositivos em demasia, senso de humor um tanto juvenil em meio a temáticas densas e hiperdramáticas), foi muito engajante e apaixonante. Uma série para o público geral que há de agradar grupos muito diversos e possivelmente oferecer à muita gente uma mensagem importante sobre a importância da subversão e da desobediência diante de regras conservadoras, discriminatórias e repressoras. Foi sempre um prazer sentar no sofá e falar "hora de ver minha novela", que é tudo que eu quero de uma novela como essa. Um amor.
GelBoys (1ª Temporada)
4.3 5Em um mercado que aposta em um alto volume de produções com orçamentos menos do que modestos, com enredos cheios de bibelôs e enfeites que são muito mais estilo do que substância... Em um mercado recheado de influencers e modelos tentando ao máximo atuar e falhando em graus variados de gravidade... Em um mercado audiovisual cheio de potencial, mas que frequentemente pesa a mão demais no que é apelativo, sacrificando aquilo que é sincero... Nesse mercado audiovisual tailandês, fascinante, repleto de talentos mas que ainda está se desenvolvendo, podemos contar com Boss Kuno, um enfant terrible, cineasta de mão cheia, que nos entrega aqui um enredo tão despretensioso e enganosamente simples, que não precisa de truques, provando que uma história direta, emocionalmente pungente e contada com primor é mais do que o suficiente. GelBoys não evita os momentos constrangedores, não se preocupa com moralismo e nos apresenta a cidade de Bangkok como personagem, assim como Phuket foi para I Told Sunset About You. O elenco segura a onda até o fim, os personagens têm arcos definidos e completos, a direção de arte é vibrante e verossímil, a trilha-sonora eleva a dramaticidade e comicidade, o roteiro é contundente sem abrir mão de leveza... É uma representação justa, carinhosa, crítica e precisa da geração Z, o que faz de GelBoys um retrato importantíssimo de seu contexto histórico, e ainda sim tem um quê de atemporalidade. Olha... minha aposta é que vai conquistar status de clássica.
Ruptura (2ª Temporada)
4.1 346 Assista Agoratô devastada
As Peripécias do Ratinho Detetive
3.8 101 Assista AgoraEm primeiro lugar, me interessei muito menos pelo protagonista Basil, do que pelo vilão Ratigan (até porque ele foi brilhantemente dublado pelo meu ídolo). Em segundo lugar, me emocionava sempre que a pequena Olivia aparecia, ela e o pai eram meus favoritos depois do antagonista. Em terceiro lugar, esse filme tem um discurso sobre classe muito interessante de se destrinchar, porque ao mesmo tempo que defende que uma classe supostamente inferior (a ratazana) pode até se fingir de lorde, mas jamais será igual à classe supostamente civilizada (os camundongos) e que só haverá paz quando cada estrato social aceitar sua posição segregada, também há aí uma ilustração muito interessante e ambivalente sobre o reacionarismo que pipoca em indivíduos marginalizados que buscam sua emancipação num plano mirabolante de ocupar espaços de altíssimo privilégio dentro do próprio sistema hierárquico que sustenta essa marginalização. O recalque do Ratigan resulta numa obsessão em tentar se convencer e convencer os outros de que ele tem vocação para realeza e seu ressentimento o transforma em um pseudo novo rico taxador com aspirações a old money... enfim. Mais do que nunca, precisamos de teses sobre esse filme e, principalmente, precisamos de mais filmes de rato!
Serpente de Luxo
4.0 44eu tenho tantos pensamentos sobre esse filme. eu nunca vou desgostar de uma barbara stanwyck sendo canalha, acho que a tese do filme é bem ambígua e tem algo aí que eu gostaria de ter visto aprofundado. a relação dela com a doméstica dela revela, também, algo de muito indigesto sobre classe e raça - nada que eu não soubesse, mas que fica tão evidente, mesmo com poucas cenas, que chama atenção. acho que o filme se engana ao, pelo menos em parte, defender que a Lily tem de fato poder sobre esses homens, ao invés de reconhecer como ela aprendeu a negociar dentro das condições patriarcais, de acordo com as regras *deles* e não dela. e é também desconfortável para mim o quanto eu fiquei torcendo pelo último homem e ela se casarem, como se isso fosse algum tipo de redenção ou resolução - o filme e a sociedade podem até argumentar que é, mas quem sabe, sabe... enfim, figurinos e cenários opulentos, uma protagonista descarada e aspectos surpreendentemente progressistas, que encontramos em muitos filmes da era pré-código de Hayes pra nunca mais, tornam o filme muito encantador, por mais que obviamente não se encaixe perfeitamente nas sensibilidades progressistas atuais. mas também acho um charme um filme de glamour com um pouco menos de moralismo do que estamos acostumados a ver, principalmente em filme americano. queria uma minissérie bem gourmet de baby face. poxa vida, poderia fazer uma tese de mestrado sobre Lily Powers.
Tarde Demais
4.2 92 Assista Agoracatherine sloper: uma inspiração, a diva dos bordados, girlboss com aquele brinco pendurado, tudooooo.
The Glassworker
3.5 3O filme tem várias qualidades - sendo a primeira animação desenhada à mão feita pelo Paquistão, é um longa de importância histórica. Os personagens principais são interessantes, a relação deles é um deleite de assistir, a animação é bem feita, a trilha é encantadora. Contudo, gostaria de ter assistido o filme na dublagem original, porque submeteram a dublagem em inglês para a Mostra de SP e eu a considerei tenebrosa. Os diálogos às vezes poderiam ter sido mais criativos, mas não sei se é culpa da dublagem também. Sinto que o roteiro poderia ter se aprofundado em algumas coisas e sido menos didático com outras. Mas, em geral, acho um ótimo filme!
To The Wonder
4.5 4Coisa linda!
Entrevista com o Vampiro (2ª Temporada)
4.3 64Camp, teatral, cômica, trágica, despretensiosa, mas ainda sim requintada. É uma série que quer muito nos entreter! Um leque imenso de personagens complicados, estranhos, muito bem defendidos por um elenco de tirar o chapéu. Que bem sacado colocar a memória como dispositivo dramático central, que gera todo tipo de confusão. Mulher, olha pra mim - e essa trilha? E o figurino? E o teatro inspirado no Grand Guignol? E aquele bonitão de 71 anos? E fizeram tudo isso num orçamento de AMC? Garota... Chique demais!
Entrevista com o Vampiro (1ª Temporada)
4.1 109Bem filmada, bem escrita, com interpretações muito especiais, especialmente a de Jacob Anderson como Louis, que se apropriou do papel e é o melhor intérprete desse personagem disparado (sinto muito, Brad, não tem comparação). A série não tem medo de ser melodramática, cômica, camp, teatral, mas ainda mantém pés no chão e reconhece a sobriedade de muitos dos temas abordados no enredo. É maximalista, porque os roteiristas, produtores e diretores entenderam que esse arco dramático trata de uma vida (ou morte) extraordinária, que perderia muito do seu frescor e brilhantismo se fosse apresentado de forma fria ou estéril demais. As questões são grandiosas, então é sempre melhor sobrar do que faltar. As mudanças de contexto e personagem foram muito acertadas também. Virei fã.
War of Faith
4.0 1O diretor Yao Xiao Feng tem uma mãozinha danada e tá fazendo coleção de dramas bem feitos, bem filmados, com tramas complexas e interessantes. War of Faith é uma dessas boas obras, surpreendente, com bom ritmo, bons personagens e incrível reconstituição de época.
Tender Light
4.0 1Me envolvi muito com esse drama. Apesar de alguns defeitinhos aqui e ali, a fotografia, trilha, enredo e personagens são muito cativantes. Além de bem filmada e com um roteiro acima da média no mercado de c-dramas, conta com a atuação de alta qualidade de Zhang Xincheng e toca em temas pesados e muito pertinentes com uma franqueza rara, ainda mais levando em consideração o audiovisual televisivo chinês. Muito bom.
Full River Red
2.9 1Algumas informações passaram batido pra mim e tenho certeza que um conhecimento mais aprofundado sobre história chinesa teria elevado minha experiência. Tendo dito isso, achei o tom tragicômico uma boa surpresa, o elenco é muito competente, e, em geral, o ritmo é bom (a primeira metade é melhor). Os destaques são a direção de arte e de fotografia, num estilo meio monocromático azul, representando aquele fim de dia e a trilha sonora meio experimental/punk/tradicional chinesa que é simplesmente icônica.
Segredos de um Escândalo
3.4 396 Assista AgoraMuito do incômodo e desconforto que o filme estabelece está no silêncio, naquilo que está entalado na garganta e não sai da boca dos personagens. É um roteiro muito cuidadoso, que trabalha nas sutilezas das dinâmicas de poder estabelecidas naquela família disfuncional. Os atores estão excelentes, sem exceção. Adoro o estilo do Todd Haynes, que muito bebe na fonte de Douglas Sirk, outro grande cineasta, de quem sou fã. A personagem de Julianne Moore é intrigante, assustadora, um tipo que sabe comer pelas beiradas e que marca seu território de maneiras muito estranhas, sob um véu de uma performance mega abilolada de meninez e graciosidade. Enquanto isso, ver Charles Melton fazer um adulto que obviamente cultiva uma criança atrofiada e solitária dentro de si foi desesperador. Muito bom.
O Mal Que Nos Habita
3.5 807 Assista AgoraQuando teu um problema no teu quintal, lide com ele com calma e ponderação, ao invés de jogar o teu problema no quintal dos outros. Basicamente! Muito bem feito e bem tenebroso.
Luoyang
2.5 1Série muito intrigante, que prende o espectador pelo ritmo, embora muitas informações sejam difíceis de pegar no começo, até por conta legendas alucinadas da plataforma. Achei muito positivo a quantidade e variedade de personagens femininas, muito mais desenvolvidas e complexas do que eu esperava. O protagonista também é ótimo e o trio que se forma é inusitado e cativante. Tem alguma coisa ou outra de roteiro que eu acho que poderia ser melhor, às vezes tem didatismo demais e às vezes de menos. A dublagem também podia ser melhor, mas aprecio que usaram a voz dos atores mesmo. A fotografia é muito boa, a ambientação é de encher os olhos. A trilha também é um plus. Confesso que poderia ter menos episódios e acho uma loucura
que nenhum dos casais, depois de tudo que eles passaram, teve um beijinho sequer pra dar aquela catarse depois de tanta tensão acumulada - sei que o beijo de Gao Bingzhu e da Madame Wu foi cortado e me sinto roubada!
Mas recomendo muito essa série para quem quer começar a assistir dramas chineses.
All Tomorrow's Parties
3.0 1Um curta singelo sobre solidão, sonhos perdidos e as tímidas tentativas de se conectar com outras pessoas. Um pouco econômico demais nos diálogos e, em termos de ritmo, poderia ter sido mais dinâmico, mas belamente filmado, sensível e com bom e elegantemente contido elenco. Gostei também do recorte de contexto e da ação dramática acontecer dentro ou nos arredores de um cinema. O não dito também ajuda a criar lacunas interessantes, para o espectador preencher com suas próprias teorias sobre a relação de Li Mo e seu amigo, quais sonhos foram abandonados e como era a vida pregressa dos protagonistas.