um primo-irmão de devilman, com mais ternura e esperança. alegorias muito inteligentes sobre amadurecimento, vergonha, sexualidade e trauma, além de uma animação muito bem feita e escolhas artísticas criativas para ilustrar as monstruosidades que assombram os personagens.
Elenco mais que competente dando conta de personagens que são tão complexos quanto são ordinários. Ao mesmo tempo que a série oferece uma profusão de tramas, que são apresentadas em ritmo dinâmico e que já nos mostra um incidente incitante chocante nos primeiros cinco minutos de tela, ela também nos segura com silêncio e tensão, resoluções que parecem muito próximas, mas custam a chegar. Em dois dias, vi os 12 episódios e me emocionei principalmente com as três crianças protagonistas, que lutam para fazer a coisa certa enquanto estão cercadas de adultos que estão na mesma luta, sofrendo para dar um bom exemplo e frequentemente fracassando na empreitada. No final, apesar do enredo de crime e segredos, a série é sobre isso: adultos responsáveis por crianças, mas que mal sabem ser responsáveis por eles mesmos - e a parte mais dolorosa é que é muito fácil se identificar tanto com os adultos, quanto com as crianças: são todos muito parecidos em sua solidão, egoísmo, medo, vergonha e carência.
Um equilíbrio custoso, mas bem-sucedido entre a pataquada meio precária e uma sofisticada produção com pretensões feministas (por mais didática que fosse vez ou outra). Mesmo com suas dificuldades (efeitos especiais um pouco toscos, aquele vício estranho de monólogos em voice-over, diálogos expositivos em demasia, senso de humor um tanto juvenil em meio a temáticas densas e hiperdramáticas), foi muito engajante e apaixonante. Uma série para o público geral que há de agradar grupos muito diversos e possivelmente oferecer à muita gente uma mensagem importante sobre a importância da subversão e da desobediência diante de regras conservadoras, discriminatórias e repressoras. Foi sempre um prazer sentar no sofá e falar "hora de ver minha novela", que é tudo que eu quero de uma novela como essa. Um amor.
Em um mercado que aposta em um alto volume de produções com orçamentos menos do que modestos, com enredos cheios de bibelôs e enfeites que são muito mais estilo do que substância... Em um mercado recheado de influencers e modelos tentando ao máximo atuar e falhando em graus variados de gravidade... Em um mercado audiovisual cheio de potencial, mas que frequentemente pesa a mão demais no que é apelativo, sacrificando aquilo que é sincero... Nesse mercado audiovisual tailandês, fascinante, repleto de talentos mas que ainda está se desenvolvendo, podemos contar com Boss Kuno, um enfant terrible, cineasta de mão cheia, que nos entrega aqui um enredo tão despretensioso e enganosamente simples, que não precisa de truques, provando que uma história direta, emocionalmente pungente e contada com primor é mais do que o suficiente. GelBoys não evita os momentos constrangedores, não se preocupa com moralismo e nos apresenta a cidade de Bangkok como personagem, assim como Phuket foi para I Told Sunset About You. O elenco segura a onda até o fim, os personagens têm arcos definidos e completos, a direção de arte é vibrante e verossímil, a trilha-sonora eleva a dramaticidade e comicidade, o roteiro é contundente sem abrir mão de leveza... É uma representação justa, carinhosa, crítica e precisa da geração Z, o que faz de GelBoys um retrato importantíssimo de seu contexto histórico, e ainda sim tem um quê de atemporalidade. Olha... minha aposta é que vai conquistar status de clássica.
Camp, teatral, cômica, trágica, despretensiosa, mas ainda sim requintada. É uma série que quer muito nos entreter! Um leque imenso de personagens complicados, estranhos, muito bem defendidos por um elenco de tirar o chapéu. Que bem sacado colocar a memória como dispositivo dramático central, que gera todo tipo de confusão. Mulher, olha pra mim - e essa trilha? E o figurino? E o teatro inspirado no Grand Guignol? E aquele bonitão de 71 anos? E fizeram tudo isso num orçamento de AMC? Garota... Chique demais!
Bem filmada, bem escrita, com interpretações muito especiais, especialmente a de Jacob Anderson como Louis, que se apropriou do papel e é o melhor intérprete desse personagem disparado (sinto muito, Brad, não tem comparação). A série não tem medo de ser melodramática, cômica, camp, teatral, mas ainda mantém pés no chão e reconhece a sobriedade de muitos dos temas abordados no enredo. É maximalista, porque os roteiristas, produtores e diretores entenderam que esse arco dramático trata de uma vida (ou morte) extraordinária, que perderia muito do seu frescor e brilhantismo se fosse apresentado de forma fria ou estéril demais. As questões são grandiosas, então é sempre melhor sobrar do que faltar. As mudanças de contexto e personagem foram muito acertadas também. Virei fã.
O diretor Yao Xiao Feng tem uma mãozinha danada e tá fazendo coleção de dramas bem feitos, bem filmados, com tramas complexas e interessantes. War of Faith é uma dessas boas obras, surpreendente, com bom ritmo, bons personagens e incrível reconstituição de época.
Me envolvi muito com esse drama. Apesar de alguns defeitinhos aqui e ali, a fotografia, trilha, enredo e personagens são muito cativantes. Além de bem filmada e com um roteiro acima da média no mercado de c-dramas, conta com a atuação de alta qualidade de Zhang Xincheng e toca em temas pesados e muito pertinentes com uma franqueza rara, ainda mais levando em consideração o audiovisual televisivo chinês. Muito bom.
Série muito intrigante, que prende o espectador pelo ritmo, embora muitas informações sejam difíceis de pegar no começo, até por conta legendas alucinadas da plataforma. Achei muito positivo a quantidade e variedade de personagens femininas, muito mais desenvolvidas e complexas do que eu esperava. O protagonista também é ótimo e o trio que se forma é inusitado e cativante. Tem alguma coisa ou outra de roteiro que eu acho que poderia ser melhor, às vezes tem didatismo demais e às vezes de menos. A dublagem também podia ser melhor, mas aprecio que usaram a voz dos atores mesmo. A fotografia é muito boa, a ambientação é de encher os olhos. A trilha também é um plus. Confesso que poderia ter menos episódios e acho uma loucura
que nenhum dos casais, depois de tudo que eles passaram, teve um beijinho sequer pra dar aquela catarse depois de tanta tensão acumulada - sei que o beijo de Gao Bingzhu e da Madame Wu foi cortado e me sinto roubada!
Mas recomendo muito essa série para quem quer começar a assistir dramas chineses.
Não é uma série perfeita - há bastante espaço para melhorias em algumas interpretações, nas coreografias de algumas cenas de luta, na mixagem de som, em partes do roteiro e também no tratar de algumas temáticas, que poderiam ter sido aprofundadas ou até mais subversivas. Sinto falta, também, de mais importância narrativa para as personagens femininas.
Tendo dito isso, dei uma estrela a mais para essa série simplesmente pela sua ousadia e coragem, ainda mais levando em consideração o contexto histórico e sociopolítico no qual ela foi lançada. Existem também muitos acertos mais do que louváveis, em atuação, roteiro, abordagem de assuntos, cenas de tensão e na direção. Destaco aqui a atuação do ator protagonista, em papel duplo, que nunca me fez confundir um irmão gêmeo com o outro, sem precisar recorrer à tentação de truques como um sotaque, um corte de cabelo diferente ou uma forma de andar muito idiossincrática. Muitas vezes, só no olhar e na cadência da fala, já comprava que se tratava de outra pessoa.
É uma série que vejo como divisora de águas no mercado televisivo tailandês e que tem muito a nos ensinar sobre assumir riscos no audiovisual. O fato de ter sido dirigida por uma mulher trans é ainda mais surpreendente.
Até mesmo os inúmeros e muito incômodos momentos de merchandising não foram capazes de atrapalhar a ressonância emocional da série. Na verdade, eles até geraram em mim um desconforto interessante: foi necessário esse tanto de propaganda para bancar uma série como essa, o que revela ainda mais o quão desconfortável é viver em uma sociedade na qual tudo vira produto, porque consumo e acúmulo de riqueza são os valores imperativos. Num plot twist maluco, o estorvo das publis acabou até enfatizando a própria mensagem da série e fortalecendo a luta defendida pelos personagens.
Também me impressionou a disposição dos roteiristas e dos atores de tentar evitar muito maniqueísmo moral. E, em uma produção tão carregada de política, não negligenciaram a sensibilidade - em vários momentos, principalmente nos últimos dois episódios, me emocionei.
Espero que essa série sirva de exemplo e inspiração para produções do futuro, que centralizam narrativas queer mais complexas e ousadas. Nem levando em consideração seus méritos artísticos, admiro imensamente a proposta da série e a bravura de executá-la.
A segunda temporada conseguiu superar a primeira e levar os personagens e as tramas a lugares desafiadores, mas muito coerentes e emocionalmente contundentes. As sequências de ação estão ainda melhores e os atores se encontraram mais nos personagens. Uma pérola escondida que precisa ser vista.
Uma série cheia de personagens complexos, muito bem dirigida, várias temáticas bem espinhosas sendo abordadas com pouca timidez, mas muita dignidade e sinceridade. Bom elenco, sequências de ação muito bem feitas, enfim. Que sorte ter encontrado a série!
Um elenco carismático (embora muito desigual em termos de competência) e uma direção razoavelmente competente ajudam a carregar um enredo super tosco e um roteiro totalmente colado com cuspe. Esses roteiristas (que acho que são os autores do livro) são amadores de marca maior. Supostamente é superior à obra que inspirou essa adaptação, o que indica que aquele livro deve ser tenebroso. Me diverti comentando as cenas de merchan nada elegantes (até novelas brasileiras costumam fazem um trabalho bem melhor em incorporar seus patrocinadores na cena) e, por pior que seja, fui até o fim dessa farofa e provavelmente assistiria uma nova temporada só para ficar vendo o ator principal passeando de terno e sendo muito cativante.
Reconheço defeitos na série: alguns monólogos poderiam ser mais curtos, alguns diálogos menos didáticos, o roteiro em geral poderia ter sido menos predicante. Tendo dito isso, a experiência de assistir a série é tão envolvente, tão emocionante, tão assombrosa, que mesmo o distanciamento crítico não conseguiu me impedir de ficar totalmente vidrada e, principalmente, fascinada pelo belíssimo trabalho de Hamish Linklater e Samantha Sloyan. Interpretações de qualidade, um primor quando se trata de criação de atmosfera, um leque de personagens diversos e interessantes e temáticas urgentes fazem dessa série uma grande conquista de Mike Flanagan.
Preciso elogiar a direção cuidadosa e precisa de Rhys Thomas (que eu já admirava pelo trabalho em Documentary Now!). É uma série que trabalha tanto como homenagem quanto sátira, explicitando todos os truques da propaganda na ficção, desde os mais óbvios até os mais sutis. O aspecto político da série, que não hesita em ridicularizar propaganda de todos os lados do espectro, não atrapalha, também, o enredo cativante, direto e cômico. É uma pérola escondida de pasticho, despretensiosa e inteligente, cujo grande triunfo é sua riqueza de detalhes - a série realmente parece um programa autêntico oitentista do Leste Europeu. O roteiro não se aprofunda propositalmente, até por uma questão de fidelidade ao gênero, porém boas tiradas e uma observação certeira sobre maniqueísmo traz uma camada para a série que a leva para além de uma brincadeira com convenções cafonas.
Estou devastada. Passei tanto nervoso e me apeguei tanto aos personagens que cheguei a ter pesadelo com essa série. O mais incrível dela é que ela não é maniqueísta - todos os personagens são imperfeitos. Eu ficava alternando entre dó, admiração, medo, repulsa, fascínio. Um exemplo de como representar algo com empatia, sem conivência.
Uma série com muita autenticidade, por ser despretensiosa e baseada nas experiências reais do Joe Gilgun. Os personagens são muito coloridos e é um presente ver o Joe Gilgun protagonizando uma série novamente - ele é um ator extremamente talentoso, que merece ser valorizado pelo mercado. O que mais me impressionou na série é que ela junta leveza e humor com pathos e uma discussão séria sobre as dificuldades enfrentadas pela classe trabalhadora, assim como uma sensibilidade enorme quando trata de saúde mental. Ela desmancha muito a imagem do criminoso cool, que é impenetrável e organizado. Aqui os personagens são comicamente desastrados e abertamente carinhosos.
O Verão Em Que Hikaru Morreu (1ª Temporada)
4.0 13 Assista Agoraum primo-irmão de devilman, com mais ternura e esperança. alegorias muito inteligentes sobre amadurecimento, vergonha, sexualidade e trauma, além de uma animação muito bem feita e escolhas artísticas criativas para ilustrar as monstruosidades que assombram os personagens.
The Bad Kids
4.7 1Elenco mais que competente dando conta de personagens que são tão complexos quanto são ordinários. Ao mesmo tempo que a série oferece uma profusão de tramas, que são apresentadas em ritmo dinâmico e que já nos mostra um incidente incitante chocante nos primeiros cinco minutos de tela, ela também nos segura com silêncio e tensão, resoluções que parecem muito próximas, mas custam a chegar. Em dois dias, vi os 12 episódios e me emocionei principalmente com as três crianças protagonistas, que lutam para fazer a coisa certa enquanto estão cercadas de adultos que estão na mesma luta, sofrendo para dar um bom exemplo e frequentemente fracassando na empreitada. No final, apesar do enredo de crime e segredos, a série é sobre isso: adultos responsáveis por crianças, mas que mal sabem ser responsáveis por eles mesmos - e a parte mais dolorosa é que é muito fácil se identificar tanto com os adultos, quanto com as crianças: são todos muito parecidos em sua solidão, egoísmo, medo, vergonha e carência.
Legend Of The Female General
3.9 6Um equilíbrio custoso, mas bem-sucedido entre a pataquada meio precária e uma sofisticada produção com pretensões feministas (por mais didática que fosse vez ou outra). Mesmo com suas dificuldades (efeitos especiais um pouco toscos, aquele vício estranho de monólogos em voice-over, diálogos expositivos em demasia, senso de humor um tanto juvenil em meio a temáticas densas e hiperdramáticas), foi muito engajante e apaixonante. Uma série para o público geral que há de agradar grupos muito diversos e possivelmente oferecer à muita gente uma mensagem importante sobre a importância da subversão e da desobediência diante de regras conservadoras, discriminatórias e repressoras. Foi sempre um prazer sentar no sofá e falar "hora de ver minha novela", que é tudo que eu quero de uma novela como essa. Um amor.
GelBoys (1ª Temporada)
4.3 5Em um mercado que aposta em um alto volume de produções com orçamentos menos do que modestos, com enredos cheios de bibelôs e enfeites que são muito mais estilo do que substância... Em um mercado recheado de influencers e modelos tentando ao máximo atuar e falhando em graus variados de gravidade... Em um mercado audiovisual cheio de potencial, mas que frequentemente pesa a mão demais no que é apelativo, sacrificando aquilo que é sincero... Nesse mercado audiovisual tailandês, fascinante, repleto de talentos mas que ainda está se desenvolvendo, podemos contar com Boss Kuno, um enfant terrible, cineasta de mão cheia, que nos entrega aqui um enredo tão despretensioso e enganosamente simples, que não precisa de truques, provando que uma história direta, emocionalmente pungente e contada com primor é mais do que o suficiente. GelBoys não evita os momentos constrangedores, não se preocupa com moralismo e nos apresenta a cidade de Bangkok como personagem, assim como Phuket foi para I Told Sunset About You. O elenco segura a onda até o fim, os personagens têm arcos definidos e completos, a direção de arte é vibrante e verossímil, a trilha-sonora eleva a dramaticidade e comicidade, o roteiro é contundente sem abrir mão de leveza... É uma representação justa, carinhosa, crítica e precisa da geração Z, o que faz de GelBoys um retrato importantíssimo de seu contexto histórico, e ainda sim tem um quê de atemporalidade. Olha... minha aposta é que vai conquistar status de clássica.
Ruptura (2ª Temporada)
4.1 346 Assista Agoratô devastada
To The Wonder
4.5 4Coisa linda!
Entrevista com o Vampiro (2ª Temporada)
4.3 64Camp, teatral, cômica, trágica, despretensiosa, mas ainda sim requintada. É uma série que quer muito nos entreter! Um leque imenso de personagens complicados, estranhos, muito bem defendidos por um elenco de tirar o chapéu. Que bem sacado colocar a memória como dispositivo dramático central, que gera todo tipo de confusão. Mulher, olha pra mim - e essa trilha? E o figurino? E o teatro inspirado no Grand Guignol? E aquele bonitão de 71 anos? E fizeram tudo isso num orçamento de AMC? Garota... Chique demais!
Entrevista com o Vampiro (1ª Temporada)
4.1 109Bem filmada, bem escrita, com interpretações muito especiais, especialmente a de Jacob Anderson como Louis, que se apropriou do papel e é o melhor intérprete desse personagem disparado (sinto muito, Brad, não tem comparação). A série não tem medo de ser melodramática, cômica, camp, teatral, mas ainda mantém pés no chão e reconhece a sobriedade de muitos dos temas abordados no enredo. É maximalista, porque os roteiristas, produtores e diretores entenderam que esse arco dramático trata de uma vida (ou morte) extraordinária, que perderia muito do seu frescor e brilhantismo se fosse apresentado de forma fria ou estéril demais. As questões são grandiosas, então é sempre melhor sobrar do que faltar. As mudanças de contexto e personagem foram muito acertadas também. Virei fã.
War of Faith
4.0 1O diretor Yao Xiao Feng tem uma mãozinha danada e tá fazendo coleção de dramas bem feitos, bem filmados, com tramas complexas e interessantes. War of Faith é uma dessas boas obras, surpreendente, com bom ritmo, bons personagens e incrível reconstituição de época.
Tender Light
4.0 1Me envolvi muito com esse drama. Apesar de alguns defeitinhos aqui e ali, a fotografia, trilha, enredo e personagens são muito cativantes. Além de bem filmada e com um roteiro acima da média no mercado de c-dramas, conta com a atuação de alta qualidade de Zhang Xincheng e toca em temas pesados e muito pertinentes com uma franqueza rara, ainda mais levando em consideração o audiovisual televisivo chinês. Muito bom.
Luoyang
2.5 1Série muito intrigante, que prende o espectador pelo ritmo, embora muitas informações sejam difíceis de pegar no começo, até por conta legendas alucinadas da plataforma. Achei muito positivo a quantidade e variedade de personagens femininas, muito mais desenvolvidas e complexas do que eu esperava. O protagonista também é ótimo e o trio que se forma é inusitado e cativante. Tem alguma coisa ou outra de roteiro que eu acho que poderia ser melhor, às vezes tem didatismo demais e às vezes de menos. A dublagem também podia ser melhor, mas aprecio que usaram a voz dos atores mesmo. A fotografia é muito boa, a ambientação é de encher os olhos. A trilha também é um plus. Confesso que poderia ter menos episódios e acho uma loucura
que nenhum dos casais, depois de tudo que eles passaram, teve um beijinho sequer pra dar aquela catarse depois de tanta tensão acumulada - sei que o beijo de Gao Bingzhu e da Madame Wu foi cortado e me sinto roubada!
Mas recomendo muito essa série para quem quer começar a assistir dramas chineses.
Not Me
4.4 22Não é uma série perfeita - há bastante espaço para melhorias em algumas interpretações, nas coreografias de algumas cenas de luta, na mixagem de som, em partes do roteiro e também no tratar de algumas temáticas, que poderiam ter sido aprofundadas ou até mais subversivas. Sinto falta, também, de mais importância narrativa para as personagens femininas.
Tendo dito isso, dei uma estrela a mais para essa série simplesmente pela sua ousadia e coragem, ainda mais levando em consideração o contexto histórico e sociopolítico no qual ela foi lançada. Existem também muitos acertos mais do que louváveis, em atuação, roteiro, abordagem de assuntos, cenas de tensão e na direção. Destaco aqui a atuação do ator protagonista, em papel duplo, que nunca me fez confundir um irmão gêmeo com o outro, sem precisar recorrer à tentação de truques como um sotaque, um corte de cabelo diferente ou uma forma de andar muito idiossincrática. Muitas vezes, só no olhar e na cadência da fala, já comprava que se tratava de outra pessoa.
É uma série que vejo como divisora de águas no mercado televisivo tailandês e que tem muito a nos ensinar sobre assumir riscos no audiovisual. O fato de ter sido dirigida por uma mulher trans é ainda mais surpreendente.
Até mesmo os inúmeros e muito incômodos momentos de merchandising não foram capazes de atrapalhar a ressonância emocional da série. Na verdade, eles até geraram em mim um desconforto interessante: foi necessário esse tanto de propaganda para bancar uma série como essa, o que revela ainda mais o quão desconfortável é viver em uma sociedade na qual tudo vira produto, porque consumo e acúmulo de riqueza são os valores imperativos. Num plot twist maluco, o estorvo das publis acabou até enfatizando a própria mensagem da série e fortalecendo a luta defendida pelos personagens.
Também me impressionou a disposição dos roteiristas e dos atores de tentar evitar muito maniqueísmo moral. E, em uma produção tão carregada de política, não negligenciaram a sensibilidade - em vários momentos, principalmente nos últimos dois episódios, me emocionei.
Espero que essa série sirva de exemplo e inspiração para produções do futuro, que centralizam narrativas queer mais complexas e ousadas. Nem levando em consideração seus méritos artísticos, admiro imensamente a proposta da série e a bravura de executá-la.
Warrior (2ª Temporada)
4.2 26 Assista AgoraA segunda temporada conseguiu superar a primeira e levar os personagens e as tramas a lugares desafiadores, mas muito coerentes e emocionalmente contundentes. As sequências de ação estão ainda melhores e os atores se encontraram mais nos personagens. Uma pérola escondida que precisa ser vista.
Warrior (1ª Temporada)
4.1 53 Assista AgoraUma série cheia de personagens complexos, muito bem dirigida, várias temáticas bem espinhosas sendo abordadas com pouca timidez, mas muita dignidade e sinceridade. Bom elenco, sequências de ação muito bem feitas, enfim. Que sorte ter encontrado a série!
Eleita (1ª Temporada)
3.3 28 Assista AgoraMuito boa!!!!!!
KinnPorsche
4.1 37Um elenco carismático (embora muito desigual em termos de competência) e uma direção razoavelmente competente ajudam a carregar um enredo super tosco e um roteiro totalmente colado com cuspe. Esses roteiristas (que acho que são os autores do livro) são amadores de marca maior. Supostamente é superior à obra que inspirou essa adaptação, o que indica que aquele livro deve ser tenebroso. Me diverti comentando as cenas de merchan nada elegantes (até novelas brasileiras costumam fazem um trabalho bem melhor em incorporar seus patrocinadores na cena) e, por pior que seja, fui até o fim dessa farofa e provavelmente assistiria uma nova temporada só para ficar vendo o ator principal passeando de terno e sendo muito cativante.
Succession (3ª Temporada)
4.4 201 Assista AgoraComo que eu vou fazer pra esperar mais de um ano pela quarta temporada? Jesse Armstrong, você me paga!!!!!
Missa da Meia-Noite
3.9 757Reconheço defeitos na série: alguns monólogos poderiam ser mais curtos, alguns diálogos menos didáticos, o roteiro em geral poderia ter sido menos predicante. Tendo dito isso, a experiência de assistir a série é tão envolvente, tão emocionante, tão assombrosa, que mesmo o distanciamento crítico não conseguiu me impedir de ficar totalmente vidrada e, principalmente, fascinada pelo belíssimo trabalho de Hamish Linklater e Samantha Sloyan. Interpretações de qualidade, um primor quando se trata de criação de atmosfera, um leque de personagens diversos e interessantes e temáticas urgentes fazem dessa série uma grande conquista de Mike Flanagan.
Hacks (1ª Temporada)
4.2 103 Assista AgoraDeborah e Ava, amo vocês com todo o meu coração
Young Royals (1ª Temporada)
4.3 344 Assista AgoraMuito fofo e divertido de assistir!
Como Se Tornar uma Divindade na Flórida (1ª Temporada)
3.7 9Não acredito que cancelaram essa pérola. Por favor, alguém precisa salvar essa série!
Comrade Detective (1ª Temporada)
4.0 2Preciso elogiar a direção cuidadosa e precisa de Rhys Thomas (que eu já admirava pelo trabalho em Documentary Now!). É uma série que trabalha tanto como homenagem quanto sátira, explicitando todos os truques da propaganda na ficção, desde os mais óbvios até os mais sutis. O aspecto político da série, que não hesita em ridicularizar propaganda de todos os lados do espectro, não atrapalha, também, o enredo cativante, direto e cômico. É uma pérola escondida de pasticho, despretensiosa e inteligente, cujo grande triunfo é sua riqueza de detalhes - a série realmente parece um programa autêntico oitentista do Leste Europeu. O roteiro não se aprofunda propositalmente, até por uma questão de fidelidade ao gênero, porém boas tiradas e uma observação certeira sobre maniqueísmo traz uma camada para a série que a leva para além de uma brincadeira com convenções cafonas.
Califado (1ª Temporada)
4.5 128Estou devastada. Passei tanto nervoso e me apeguei tanto aos personagens que cheguei a ter pesadelo com essa série. O mais incrível dela é que ela não é maniqueísta - todos os personagens são imperfeitos. Eu ficava alternando entre dó, admiração, medo, repulsa, fascínio. Um exemplo de como representar algo com empatia, sem conivência.
Brassic (1ª Temporada)
4.3 2Uma série com muita autenticidade, por ser despretensiosa e baseada nas experiências reais do Joe Gilgun. Os personagens são muito coloridos e é um presente ver o Joe Gilgun protagonizando uma série novamente - ele é um ator extremamente talentoso, que merece ser valorizado pelo mercado. O que mais me impressionou na série é que ela junta leveza e humor com pathos e uma discussão séria sobre as dificuldades enfrentadas pela classe trabalhadora, assim como uma sensibilidade enorme quando trata de saúde mental. Ela desmancha muito a imagem do criminoso cool, que é impenetrável e organizado. Aqui os personagens são comicamente desastrados e abertamente carinhosos.