Uma versão mais sombria de "Teorema" do Pasolini, mas com sua própria identidade. O diretor coloca o personagem principal como algo insodável, assim como a hostilidade que ele recebe de alguns. Todo o filme reside em certo mistério, como se não fosse possível saber totalmente o que os personagens de fato querem ou pensam. Mesmo que aos poucos aqui e a li apareça alguma coisa, na maior parte do tempo o que fica são os pontos de interrogação, que é levado até a maravilhosa cena final.
Tem algo de Cimino na forma em como boa parte do filme o diretor está interessado em apresentar aquele universo com o máximo de tempo possível e não tendo pressa. Já quando o filme vai para o lado do horror há ecos de Kubrick, tem até um momento onde a referência é bem clara. Já a grande celebração musical traz algo da série "Small Axe". Mas a direção não acerta tanto quando de fato escolhe o horror, ainda há uma timidez, um pudor de não parecer tão "feio".
Na maior parte do tempo é arrastado e tem uma narrativa pouco interessante. Quando mostra algo mais caricato parece ir por um caminho um pouco mais interessante. Mas no geral é bem fraco.
A câmera em diversos momentos tem o olhar de quem está de fora dali, que está descobrindo o que tá acontecendo naquele ambiente. E olhar sobre esse ambiente e esses personagens ora passa pela ironia, ora passa pela melancolia, ora passa por uma crítica a um tipo de sociedade calcada na divisão de classes. E também na hipocrisia e em uma preocupação com a imagem. Parecer ser é mais importante do que ser.
Aqui há algo que o Ford irá explorar em vários de seus filmes: um momento maior para a construção de laços entre os personagens e entre o espectador e aquilo que está sendo assistido, para deixar já próximo ao fim o momento de embate desses personagens com o mundo em que eles vivem. Esse confronto com o mundo em que vivem nunca sai sem marcas, ou não tem um gosto amargo no final. Aqui há até um anti héroi que tem sua recompensa. Mas ainda assim há todo um percurso de sofrimento até aquele momento.
É sobre o processo de colonização em uma outra etapa. Onde ainda há o controle sobre outro povo, mas de uma outra forma. Também é sobre a criação de falsos mitos. Lawrence é uma criação inglesa, e ao mesmo tempo é uma criação em si. Ele sente prazer em matar, mesmo que o filme tente mostrar que há um conflito ali, ainda assim ele tem essa necessidade do sangue. Assim como a necessidade de ser adorado. Se acha mais importante do que realmente é. Acredita estar em uma missão de mudança, que pode liderar isso, ou ao menos mediar essa mudança. Mas falha em tudo, já que ele exemplifica esse projeto de dominação e interferência de um país colonizador em outro país que é considerado inferior.
O protagonista usa o ato de roubar como uma maneira de criar um significado para a sua vida. Ele procura por isso e é levado até para outros lugares a partir desse ato. A sua vida é sufocante, sem brilho, sem significado. Os detalhes do lugar onde ele mora aparecem o tempo inteiro como um complemento para mostrar como o que ele tem ali é esvaziado de significado. É um personagem que não só não sabe o que fazer, como também tem essa dificuldade de conexão com outra pessoa. Até o momento em que isso acontece de maneira inesperada.
Mesmo que não tenha uma mudança corporal, o corpo ainda é uma investigação aqui. É o envelhecimento, é o que ele coloca pra fora, as marcas que ficam na pele, os fluidos corporais. Além do corpo que aparece para assustar o outro. Interessante perceber como isso é usado para destrinchar um universo que é colocado em um lugar de loucura e desespero. Onde a dor deve ser suplantada de qualquer maneira, e a dor do outro pode ser o sucesso pessoal. Não há alternativas aqui, a não ser sucumbir a loucura.
A vida digital como a vida real, fora dali tudo é uma simulação, ou uma encenação. A procura por significado indo além do que é possível tocar, mas imaginar uma outra vida e ao mesmo experimentar sensações que a vida em si não traz.
Tem mais cores e adere mais a fantasia do que anterior. Está mais aberto aos absurdos e também a uma certa caricatura, seja dos personagens, seja na própria condução da narrativa. Além de ter um humor que funciona bem mais e está mais presente do que no filme anterior. Ainda há a presença de um realismo desnecessário, mas consegue impor a fantasia na maior parte do tempo.
Não consegue encontrar o caminho entre a fantasia e um suposto realismo que a trama quer ter. Isso torna o filme até visualmente feio nesse não equilíbrio entre essas duas vertentes que brigam entre si durante o filme inteiro.
É bem mais interessante quando não vai para um confronto direto com o horror. Quando ainda há toda a trama dos milagres e em como aquilo afeta a vida daquelas pessoas. A partir do momento que o filme decide ir para algo mais gráfico perde totalmente o rumo com cenas que não são bem dirigidas.
É uma grande farsa, e é consciente dessa farsa. Mesmo que em alguns momentos ele perca esse exagero da farsa e do absurdo, na maior parte do tempo é uma grande farsa que brinca com o gênero do suspense e satiriza ele de diversas formas. Até mesmo o final é uma grande sátira ao gênero.
O uso da câmera em primeira pessoa serve como um dispositivo de imersão a mais no que está sendo contado. Que tem até uma narrativa bem tradicional, mas ao assumir o ponto de vista em primeira pessoa, coloca a perspectiva do que foi visto, do que não foi visto, e do que não quer ser lembrado. O racismo não aparece somente em violências físicas, mas na própria situação a qual Elwood se encontra. A opção da direção em não investir somente no sofrimento atrás de sofrimento traz também um pouco dessa perspectiva em primeira pessoa que procura uma forma de respirar em meio ao sufocamento do eu.
Assim como "Inside out 2" aqui há a repetição da trama do primeiro filme. Mas sem o mesmo interesse em criar algo inovador em relação ao filme anterior. Mesmo acrescentando novos personagens o filme não os aprofunda, além deles parecerem descartáveis conforme a trama avança. E também há uma tentativa de ampliar o universo retratado, mas o filme deixa isso para uma cena nos créditos finais.
Pretende ser épico e cheio de significados, mas acaba sendo "plástico" demais. O diretor é tão preocupado com que o filme soe grandioso em vários momentos, junto com a trilha sonora e a fotografia do filme, que fica nessa preocupação mesmo. Do que adianta filmar me película se não há muito o que dizer? O epílogo acaba justificando todo o vazio pretensioso que o filme busca do começo ao fim. Alguns momentos são constragedores, como a cena de masturbção da personagem da Felicity Jones com o Adrien Brody. As cenas de conflito entre os personagens não são bem construídas, e acabam se tornando pavorosas. A edição do filme é que realmente tem o seu mérito, mas ainda assim parece muito preocupada também em soar épica, grandiosa. O grande conto sobre como ser um imigrante judeu nos EUA pós segunda guerra mundial. Um grande conto vazio.
O filme quer reafirmar o mistério em torno da figura de Bob Dylan, não fornece nem de onde surge suas inspirações para as cançoes que fez. Aparecem de forma bem rápida, e sem serem bem exploradas, esses tais momentos que podem dar a chave para isso. Ou o contexto onde Dylan está inserido. Mas mesmo esse contexto fica mais ao fundo da dela, com áudios vindos da TV, ou quando é mencionado por alguém. Fora isso não tem nada. Nem mesmo a mudança de BoB Dylan para o uso da guitarra elétrica é abordado de forma eficiente, simplesmente muda para outra cena. E o filme é isso: uma sucessão de cenas uma atrás da outra que em muitos momentos não parece se conectar. É preciso mostra aquilo que está sendo mostrado e ponto. Até mesmo o propósito do festival que o Dylan participa só aparece no fim do filme. Até mesmo a fama do Dylan é algo jogado. O que torna acompanhar ele durante todo esse período em algo aborrecido.
Em um momento na ONU um representante da Bélgica diz que o seu país não é colonialista e nem neocolonista. Isso diz muito sobre o que o filme quer falar a partir da independência do Congo, o filme abre a discussão sobre os efeitos do colonialismo em países da África, e que mesmo depois de independentes tais países ainda passam pelo processo de apropriação de seu território, bem como de seus processos políticos, que se esses não estão de acordo ao interesses daqueles que se acham no direito de ter o poder, e assim mandar e desmandar como achar conveniente. O filme não só tem um ritmo tão alucinado como algumas músicas de jazz que tocam no filme, como também preenche a tela de informações com suas fontes o tempo inteiro, desafiando o espectador diante do que ele está vendo. Mostrando que o que pode parecer simples, na verdade não o é, já que envolve uma série de situações, decisões e falas que mudaram a vida de um país em questão me meses. E assim o seu rumo democrático.
O sobrenatural como vingança é algo que poderia render algo interessante, mas o filme acaba sendo covarde e não indo muito além de algumas insinuações. Tendo receio de ir muito além. A maneira como a trama é conduzida de determinada maneira remete até a um tipo de filme de terror que já não faz tanto parte do cinema contemporâneo, seja na trama em si, seja até mesmo nas atuações. Mas remeter a isso não é o suficiente para que o filme consiga estabelecer uma base sólida do que quer falar até o fim da trama. Fica muito mais em algo de uma imagem, do que algo consistente em si.
É bem autoconsciente, chega a ser tanto que tudo fica vazio de significado a partir de um determinado momento. Dialoga muito com o "Ready or not" nesse sentido. Ambos vão levando a trama nessa descrença pelo humor e então o fica reduzido a uma piada. No caso desse filme é até previsível o que irá acontecer já que desde o começo já é anunciado o final da trama. Não gerando nenhuma expectativa de como vai terminar, a não ser é claro em saber como se chegou a aquela situação. O que poderia ser até interessante, mas as situações vão acontecendo de tal forma que há uma previsibilidade até nesses acontecimentos assim que eles se anunciam. Além disso parece que o filme quer levantar em algum momento alguma discussão sobre uma máquina e sua consciência ou suposta consciência, mas é algo tão raso quanto os perigoso que a protagonista passa durante todo o filme.
Está encaixado dentro de um gênero e ao mesmo tempo insere ali elementos que adicionam um aspecto fantasioso dentro do universo retratado. Elementos que são suprimidos ao longo tempo em que o "real" vai se impondo de forma cada vez mais intensa. Isso cria um contraste com o que foi mostrado no começo do filme em que havia um universo rústico que envolvia os personagens, que aos poucos vai se tornando mais capitalista, e também mais agressiva.
Não encontra o seu tom, busca uma melancolia que não alcança. Nas cenas em que o personagem está mais dentro de uma galhofa o filme se encontra, mas fora disso fica perdido. A tal loucura que o personagem tinha nos filmes anteriores, ou, em que ele parecia mais aberto ao absurdo, aqui desaparece. Existe uma preocupação grande em criar uma mitologia, mas sem explicar muito sobre ela, além de uma tentativa falha de criar elo com outro universo. No fim é um filme sobre tentativas que não dão certo.
Faz humor com situações complicadas e ao mesmo tempo mostra um desprendimento mesmo sendo uma animação para um público adulto. Tal desprendimento envolve não ter amarras em colocar os personagens em situações que até mesmo um filme que não é uma animação não colocaria. Ao mesmo tempo há um empenho feroz em demolir a religião cristã e uso que se faz desta. Mas apesar de parecer sem esperança uma boa parte do tempo, o filme caminha para uma jornada de autodescoberta, que quase cai em algo piegas, mas abraça um final mais açucarado que de alguma forma é algo que tem eco dentro da narrativa proposta.
Bonello faz uso de diversas referências, mas sem nunca parecer que está sendo feito apenas como uma exibição ou um estilo gratuito. Ele insere isso na própria narrativa, e assim criando uma diversidade de narrativas, sejam elas visuais ou na forma. Mas todas elas atravessadas pela maneira própria do diretor de narrar. Com isso o filme caminha o tempo inteiro entre a memória e o trauma. Fazendo com que a personagem principal fique diante de decisões não fáceis sobre o seu próprio destino, mas também do outro. E reconhecendo assim a tragédia que pode vir, mas tentando em vão evitar que o mais difícil aconteça.
Misericórdia
3.2 24 Assista AgoraUma versão mais sombria de "Teorema" do Pasolini, mas com sua própria identidade. O diretor coloca o personagem principal como algo insodável, assim como a hostilidade que ele recebe de alguns. Todo o filme reside em certo mistério, como se não fosse possível saber totalmente o que os personagens de fato querem ou pensam. Mesmo que aos poucos aqui e a li apareça alguma coisa, na maior parte do tempo o que fica são os pontos de interrogação, que é levado até a maravilhosa cena final.
Pecadores
4.0 1,2K Assista AgoraTem algo de Cimino na forma em como boa parte do filme o diretor está interessado em apresentar aquele universo com o máximo de tempo possível e não tendo pressa. Já quando o filme vai para o lado do horror há ecos de Kubrick, tem até um momento onde a referência é bem clara. Já a grande celebração musical traz algo da série "Small Axe". Mas a direção não acerta tanto quando de fato escolhe o horror, ainda há uma timidez, um pudor de não parecer tão "feio".
O Homem da Máscara de Ferro
3.5 510 Assista AgoraNa maior parte do tempo é arrastado e tem uma narrativa pouco interessante. Quando mostra algo mais caricato parece ir por um caminho um pouco mais interessante. Mas no geral é bem fraco.
Assassinato em Gosford Park
3.5 217 Assista AgoraA câmera em diversos momentos tem o olhar de quem está de fora dali, que está descobrindo o que tá acontecendo naquele ambiente. E olhar sobre esse ambiente e esses personagens ora passa pela ironia, ora passa pela melancolia, ora passa por uma crítica a um tipo de sociedade calcada na divisão de classes. E também na hipocrisia e em uma preocupação com a imagem. Parecer ser é mais importante do que ser.
No Tempo das Diligências
4.1 159 Assista AgoraAqui há algo que o Ford irá explorar em vários de seus filmes: um momento maior para a construção de laços entre os personagens e entre o espectador e aquilo que está sendo assistido, para deixar já próximo ao fim o momento de embate desses personagens com o mundo em que eles vivem. Esse confronto com o mundo em que vivem nunca sai sem marcas, ou não tem um gosto amargo no final. Aqui há até um anti héroi que tem sua recompensa. Mas ainda assim há todo um percurso de sofrimento até aquele momento.
Lawrence da Arábia
4.2 451 Assista AgoraÉ sobre o processo de colonização em uma outra etapa. Onde ainda há o controle sobre outro povo, mas de uma outra forma. Também é sobre a criação de falsos mitos. Lawrence é uma criação inglesa, e ao mesmo tempo é uma criação em si. Ele sente prazer em matar, mesmo que o filme tente mostrar que há um conflito ali, ainda assim ele tem essa necessidade do sangue. Assim como a necessidade de ser adorado. Se acha mais importante do que realmente é. Acredita estar em uma missão de mudança, que pode liderar isso, ou ao menos mediar essa mudança. Mas falha em tudo, já que ele exemplifica esse projeto de dominação e interferência de um país colonizador em outro país que é considerado inferior.
O Batedor de Carteiras
3.9 121O protagonista usa o ato de roubar como uma maneira de criar um significado para a sua vida. Ele procura por isso e é levado até para outros lugares a partir desse ato. A sua vida é sufocante, sem brilho, sem significado. Os detalhes do lugar onde ele mora aparecem o tempo inteiro como um complemento para mostrar como o que ele tem ali é esvaziado de significado. É um personagem que não só não sabe o que fazer, como também tem essa dificuldade de conexão com outra pessoa. Até o momento em que isso acontece de maneira inesperada.
Mapas para as Estrelas
3.3 492 Assista AgoraMesmo que não tenha uma mudança corporal, o corpo ainda é uma investigação aqui. É o envelhecimento, é o que ele coloca pra fora, as marcas que ficam na pele, os fluidos corporais. Além do corpo que aparece para assustar o outro. Interessante perceber como isso é usado para destrinchar um universo que é colocado em um lugar de loucura e desespero. Onde a dor deve ser suplantada de qualquer maneira, e a dor do outro pode ser o sucesso pessoal. Não há alternativas aqui, a não ser sucumbir a loucura.
Red Rooms: Obsessão Doentia
3.5 106 Assista AgoraA vida digital como a vida real, fora dali tudo é uma simulação, ou uma encenação. A procura por significado indo além do que é possível tocar, mas imaginar uma outra vida e ao mesmo experimentar sensações que a vida em si não traz.
As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras
3.0 339 Assista AgoraTem mais cores e adere mais a fantasia do que anterior. Está mais aberto aos absurdos e também a uma certa caricatura, seja dos personagens, seja na própria condução da narrativa. Além de ter um humor que funciona bem mais e está mais presente do que no filme anterior. Ainda há a presença de um realismo desnecessário, mas consegue impor a fantasia na maior parte do tempo.
As Tartarugas Ninja
3.1 1,3K Assista AgoraNão consegue encontrar o caminho entre a fantasia e um suposto realismo que a trama quer ter. Isso torna o filme até visualmente feio nesse não equilíbrio entre essas duas vertentes que brigam entre si durante o filme inteiro.
Rogai Por Nós
2.3 425 Assista AgoraÉ bem mais interessante quando não vai para um confronto direto com o horror. Quando ainda há toda a trama dos milagres e em como aquilo afeta a vida daquelas pessoas. A partir do momento que o filme decide ir para algo mais gráfico perde totalmente o rumo com cenas que não são bem dirigidas.
Um Pequeno Favor
3.3 733 Assista AgoraÉ uma grande farsa, e é consciente dessa farsa. Mesmo que em alguns momentos ele perca esse exagero da farsa e do absurdo, na maior parte do tempo é uma grande farsa que brinca com o gênero do suspense e satiriza ele de diversas formas. Até mesmo o final é uma grande sátira ao gênero.
O Reformatório Nickel
3.3 158O uso da câmera em primeira pessoa serve como um dispositivo de imersão a mais no que está sendo contado. Que tem até uma narrativa bem tradicional, mas ao assumir o ponto de vista em primeira pessoa, coloca a perspectiva do que foi visto, do que não foi visto, e do que não quer ser lembrado. O racismo não aparece somente em violências físicas, mas na própria situação a qual Elwood se encontra. A opção da direção em não investir somente no sofrimento atrás de sofrimento traz também um pouco dessa perspectiva em primeira pessoa que procura uma forma de respirar em meio ao sufocamento do eu.
Moana 2
3.2 185 Assista AgoraAssim como "Inside out 2" aqui há a repetição da trama do primeiro filme. Mas sem o mesmo interesse em criar algo inovador em relação ao filme anterior. Mesmo acrescentando novos personagens o filme não os aprofunda, além deles parecerem descartáveis conforme a trama avança. E também há uma tentativa de ampliar o universo retratado, mas o filme deixa isso para uma cena nos créditos finais.
O Brutalista
3.6 308 Assista AgoraPretende ser épico e cheio de significados, mas acaba sendo "plástico" demais. O diretor é tão preocupado com que o filme soe grandioso em vários momentos, junto com a trilha sonora e a fotografia do filme, que fica nessa preocupação mesmo. Do que adianta filmar me película se não há muito o que dizer? O epílogo acaba justificando todo o vazio pretensioso que o filme busca do começo ao fim. Alguns momentos são constragedores, como a cena de masturbção da personagem da Felicity Jones com o Adrien Brody. As cenas de conflito entre os personagens não são bem construídas, e acabam se tornando pavorosas. A edição do filme é que realmente tem o seu mérito, mas ainda assim parece muito preocupada também em soar épica, grandiosa. O grande conto sobre como ser um imigrante judeu nos EUA pós segunda guerra mundial. Um grande conto vazio.
Um Completo Desconhecido
3.5 235 Assista AgoraO filme quer reafirmar o mistério em torno da figura de Bob Dylan, não fornece nem de onde surge suas inspirações para as cançoes que fez. Aparecem de forma bem rápida, e sem serem bem exploradas, esses tais momentos que podem dar a chave para isso. Ou o contexto onde Dylan está inserido. Mas mesmo esse contexto fica mais ao fundo da dela, com áudios vindos da TV, ou quando é mencionado por alguém. Fora isso não tem nada. Nem mesmo a mudança de BoB Dylan para o uso da guitarra elétrica é abordado de forma eficiente, simplesmente muda para outra cena. E o filme é isso: uma sucessão de cenas uma atrás da outra que em muitos momentos não parece se conectar. É preciso mostra aquilo que está sendo mostrado e ponto. Até mesmo o propósito do festival que o Dylan participa só aparece no fim do filme. Até mesmo a fama do Dylan é algo jogado. O que torna acompanhar ele durante todo esse período em algo aborrecido.
Trilha Sonora Para Um Golpe de Estado
3.9 51 Assista AgoraEm um momento na ONU um representante da Bélgica diz que o seu país não é colonialista e nem neocolonista. Isso diz muito sobre o que o filme quer falar a partir da independência do Congo, o filme abre a discussão sobre os efeitos do colonialismo em países da África, e que mesmo depois de independentes tais países ainda passam pelo processo de apropriação de seu território, bem como de seus processos políticos, que se esses não estão de acordo ao interesses daqueles que se acham no direito de ter o poder, e assim mandar e desmandar como achar conveniente. O filme não só tem um ritmo tão alucinado como algumas músicas de jazz que tocam no filme, como também preenche a tela de informações com suas fontes o tempo inteiro, desafiando o espectador diante do que ele está vendo. Mostrando que o que pode parecer simples, na verdade não o é, já que envolve uma série de situações, decisões e falas que mudaram a vida de um país em questão me meses. E assim o seu rumo democrático.
Oddity: Objetos Obscuros
3.3 243 Assista AgoraO sobrenatural como vingança é algo que poderia render algo interessante, mas o filme acaba sendo covarde e não indo muito além de algumas insinuações. Tendo receio de ir muito além. A maneira como a trama é conduzida de determinada maneira remete até a um tipo de filme de terror que já não faz tanto parte do cinema contemporâneo, seja na trama em si, seja até mesmo nas atuações. Mas remeter a isso não é o suficiente para que o filme consiga estabelecer uma base sólida do que quer falar até o fim da trama. Fica muito mais em algo de uma imagem, do que algo consistente em si.
Acompanhante Perfeita
3.4 568É bem autoconsciente, chega a ser tanto que tudo fica vazio de significado a partir de um determinado momento. Dialoga muito com o "Ready or not" nesse sentido. Ambos vão levando a trama nessa descrença pelo humor e então o fica reduzido a uma piada. No caso desse filme é até previsível o que irá acontecer já que desde o começo já é anunciado o final da trama. Não gerando nenhuma expectativa de como vai terminar, a não ser é claro em saber como se chegou a aquela situação. O que poderia ser até interessante, mas as situações vão acontecendo de tal forma que há uma previsibilidade até nesses acontecimentos assim que eles se anunciam. Além disso parece que o filme quer levantar em algum momento alguma discussão sobre uma máquina e sua consciência ou suposta consciência, mas é algo tão raso quanto os perigoso que a protagonista passa durante todo o filme.
Pássaros de Verão
4.0 82Está encaixado dentro de um gênero e ao mesmo tempo insere ali elementos que adicionam um aspecto fantasioso dentro do universo retratado. Elementos que são suprimidos ao longo tempo em que o "real" vai se impondo de forma cada vez mais intensa. Isso cria um contraste com o que foi mostrado no começo do filme em que havia um universo rústico que envolvia os personagens, que aos poucos vai se tornando mais capitalista, e também mais agressiva.
Venom: A Última Rodada
2.7 267 Assista AgoraNão encontra o seu tom, busca uma melancolia que não alcança. Nas cenas em que o personagem está mais dentro de uma galhofa o filme se encontra, mas fora disso fica perdido. A tal loucura que o personagem tinha nos filmes anteriores, ou, em que ele parecia mais aberto ao absurdo, aqui desaparece. Existe uma preocupação grande em criar uma mitologia, mas sem explicar muito sobre ela, além de uma tentativa falha de criar elo com outro universo. No fim é um filme sobre tentativas que não dão certo.
Memórias de um Caracol
4.2 131 Assista AgoraFaz humor com situações complicadas e ao mesmo tempo mostra um desprendimento mesmo sendo uma animação para um público adulto. Tal desprendimento envolve não ter amarras em colocar os personagens em situações que até mesmo um filme que não é uma animação não colocaria. Ao mesmo tempo há um empenho feroz em demolir a religião cristã e uso que se faz desta. Mas apesar de parecer sem esperança uma boa parte do tempo, o filme caminha para uma jornada de autodescoberta, que quase cai em algo piegas, mas abraça um final mais açucarado que de alguma forma é algo que tem eco dentro da narrativa proposta.
A Besta
3.4 33 Assista AgoraBonello faz uso de diversas referências, mas sem nunca parecer que está sendo feito apenas como uma exibição ou um estilo gratuito. Ele insere isso na própria narrativa, e assim criando uma diversidade de narrativas, sejam elas visuais ou na forma. Mas todas elas atravessadas pela maneira própria do diretor de narrar. Com isso o filme caminha o tempo inteiro entre a memória e o trauma. Fazendo com que a personagem principal fique diante de decisões não fáceis sobre o seu próprio destino, mas também do outro. E reconhecendo assim a tragédia que pode vir, mas tentando em vão evitar que o mais difícil aconteça.