Um filme emocionalmente devastador e de uma simplicidade brutal que escancara as tensões entre dignidade, sobrevivência e honra, sem precisar de grandes discursos.
A relação entre pai e filho, o desespero crescente, a impotência diante de uma sociedade que parece ter aceitado a miséria como uma realidade imutável, e com isso, indiferente às dores do outro.
Tudo isso pesa de um jeito que poucos filmes conseguem. E aquele final, sem catarse nem redenção, apenas a vida como ela é...
Talvez seja falta de familiaridade com o estilo coreano, mas tenho dificuldade em me envolver e levar a sério essa abordagem em que apenas mulheres e crianças são retratadas como pessoas normais, enquanto os homens são caricaturados como bobalhões. Um ou dois personagens com humor escrachado ainda seriam aceitáveis, mas quando isso se estende a todos, especialmente em um thriller investigativo, acaba não funcionando para mim.
Além disso, algumas cenas de emoção me pareceram forçadas, como
Eu não consegui me conectar com esse filme. E olha que tentei, mas pra mim realmente foi extremamente entediante, monótono. Eu achei muito raso e as piadas sem graça. Não é pra mim.
O casal de motoqueiros almofadinha carioca despeja todo o seu preconceito e desprezo com os nordestinos e sentem na pele o mesmo preconceito e desprezo por parte dos gringos.
Esses sudestinos e sulistas (não são todos) ficam revoltados quando somos discriminados por europeus e estadunidenses que veem nós brasileiros/latinos praticamente como chimpanzés mas adoram da despejar a mesma discriminação contra os nordestinos, ao menos nessa ficção, eles tiveram exatamente o que mereciam.
É como alguém que foi enrabado, sangrando e todo esfolado, achando que enrabando alguém, vai curar a dor do seu próprio furico kkkkkkk
Não tô entendendo a nota desse filme aqui no filmow: a galera descendo o pau nos comentários e eu nem consegui continuar a assisti de tão ruim o início
O filme é sobre o conflito inevitável entre as Regras Sociais e a Liberdade de Escolha Individual. O objeto de discussão poderia ser a bebida alcoólica, refrigerante, a carne processada ou qualquer outro produto ou serviço. Essa reflexão é colocada em pauta, carregada de sarcasmo e com um cinismo tão afiado quanto a edição e o roteiro.
Somos apresentados aos bastidores do acasalamento entre o público e o privado e suas práticas questionáveis. O filme vai nos dando consciência de algo que muitas vezes esquecemos: que no fim tudo é uma guerra de narrativas e que para além desse conflito de ideologias, preocupa o fato de que ambos os “lados”, nessa guerra, não buscam primordialmente alcançar um consenso geral e maior estabilidade social, mas muitas vezes, concentração de poder individual ou de grupos específicos, reforçando um caráter separatista e permanentemente conflituoso na sociedade.
O ponto alto do filme é nos mostrar com um tom sarcástico e eficaz que dentro dessas relações de poder, o uso de artimanhas controversas sob um ponto de vista ético com objetivo de emplacar suas agendas, não é exclusividade de setores específicos da indústria, mas de todos e também dos agentes públicos, e o roteiro desenrola isso no compasso certo, mostrando inicialmente o “modus operandi”
das fabricantes de cigarro e aos poucos desnudando as promiscuidades morais que sim, também existem no lado progressista, deixando a cereja do bolo pra o final, mais precisamente na audiência no parlamento.
o diretor não ter apelado para o arrependimento melodramático. A recusa em se manter no cargo por parte de Nick parece ser na verdade mais uma sacada acertada dele, mostrando que além de ter o dom da retórica e um poder de persuasão “criminoso” rsrs, o cara também tem boa intuição, pulando do barco antes do naufrágio!
Sabemos que sexo explícito e violência extrema são artifícios que sempre funcionam bem, pelo choque e estímulo visual contundentes, mas sem uma justificativa bem trabalhada, principalmente na fase de construção de personagem, me passa a sensação de que por inabilidade no manejo da primeira camada, o diretor apela para tal artimanha como forma de preenchimento dessas lacunas. Aqui é onde eu sempre digo: sem uma primeira camada coesa e de alto nível, não há quantidade de camadas mais profundas que salvem um filme da mediocridade. Até mesmo por questões de mérito, pois é mais difícil a façanha de fazer um filme marcante que agrade gregos e baianos, do que um filme marcante que agrade apenas gregos ou apenas baianos.
Agora, no âmbito mais amplo e social, essa ideia de traumas de infância justificar violência extrema além de muito controversa, faz o filme parecer estar querendo “passar a mão na cabeça” de pessoas que simplesmente são cruéis, mas sigamos.
E então temos o que eu compararia com um peido no meio da transa de primeiro encontro:
A transa com o carro. É óbvio que tem um significado mais profundo dentro das camadas do filme, mas seja qual for a mensagem, tenho certeza que haveriam várias outras formas de fazer isso. O filme vinha todo amarradinho e com o pesinho no chão, aí acontece essa lamentável escolha.
Bom, mas o filme tem sim seus pontos positivos, se não, o que justificaria minha nota de 3,5? Vamos para eles:
1. Trilha sonora excelente! Destaque para a versão mais apressadinha do Johnny Cash que ficou tão legal que já salvei na minha playlist de Folk
2. A ambientação meio Ciberpunk, no corte para a vida adulta da personagem, corrobora bem com o enredo inclinado a nos mostrar uma sociedade em degradação de valores mais tradicionais e humanos, entregue aos vícios, futilizas e materialismo.
3. A edição é precisa e ajuda bastante a prender nossa atenção, foi competente.
4. Maquiagem perfeita, os ferimentos, marcas corporais e etc,
5. Quando a convivência com o ““pai”” se inicia, temos o ponto alto do filme, os dois entram em uma espécie de simbiose sentimental, como que um usando o outro para curar suas feridas psíquicas, mas tanto as condições externas como as internas dos dois deixam tudo denso e constrangedor. A carência de preenchimento do vazio existencial e de traumas é tão grande que eles aceitam até uma fuga da realidade para viver aquele afago.
Esse é um ponto em que eu poderia discorrer mais abundantemente, mas um filme de nota 3,5 não merece rsrsrsr
O Amor que nenhuma das pressões sociais modernas, nem as sedutoras aventuras que nos aguardam mundo a fora são capazes de abalar, costuma estar ali mesmo, em nossos lares. Gilbert, nada mais é do que o conformismo que sussurra tristemente: "Essa é minha vida, é uma merda! Mas o que eu posso fazer?". E a medida que sua história avança, e graças a condução lindamente lenta, característica da iluminada década de 90 e que perdemos, seja por inabilidade dos profissionais do cinema ou por mudanças nas demandas do público moderno onde a ansiedade e o TDH são equações a serem consideradas, ele se transforma na personificação da responsabilidade, do amor e da integridade. Mergulhado em uma realidade desafiadora e tristemente desmotivante, ele tinha tudo para ceder aos desejos para com sua própria satisfação. Mas ele resistiu, resistiu a inclinação animalesca da entrega aos vícios e escolheu a virtude: uma jornada mais árdua, porém mais humana e nobre.
Arnie é o defeito, que requer cuidados extras, inclusive por parte da força coercitiva estatal rsrs. O Amor de uma família, entre irmãos, pais e filhos, não obedece a filtros de nenhuma espécie e tudo pode suportar.
entra na delegacia aos berros e diz “Jerry, solte o meu filho”, todas as burocracias e regras do sistema vem abaixo, pois alí, não é só uma mão que dará a vida pelo filho, mas alguém que certamente teve um passado de honra, ética e generosidade na história daquela pequena cidade. O Xerife Jerry, da mesma geração, ao ouvir o grito da Sra Grape, mostra uma feição de espanto, como alguém que sabe que não tem o direito de não atender ao pedido, mesmo que isso seja uma infração corporativa em sua posição de autoridade.
Essa cena nos deixa uma lição muito bonita sobre o quanto agir com ético, generosidade, justiça e honra, no decorrer da nossa história de vida, enriquece nossos laços ao mesmo tempo que nos coloca numa posição de respeito e admiração em nosso meio social, independente de nossa condição estética ou fragilidade financeira.
"Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador", uma obra indispensável e marcante, que não nos deixará esquecer que, mesmo que aprendamos a sonhar de todas as formas possíveis e por mais que esses sonhos sejam empolgantes, nos levando para lugares distantes e sedutores, nenhum deles nos fará crescer mais do que a tão própria realidade.
o corte para as cenas reais no final, não deixa de ser impactante, mesmo que nos primeiros segundos, devida a mudança brusca de perspectiva
porém o fato de já ter experienciado um milhão de vezes essas cenas em outros documentários, principalmente da II guerra, diminuiu drasticamente um possível impacto emocional em mim.
Em resumo, tudo ali já vi milhares de vezes e de maneiras, ao meu ver, bem mais grandiosas, significativas e impactantes em diversos outros filmes e documentários, e o fato de trazer inovações como
os depoimentos são um ponto de baixa, na minha avaliação, pois meio que quebram o ritmo por serem por vezes muito longos e entediantes.
.
Senti falta de mais profundidade nos diálogos, eles se mantiveram quase que unicamente em um plano raso, quase fofoqueiro. Principalmente em relação aos sentimentos, esperava mais sofisticação e uma pegada mais poética em certos momentos, não o tempo todo, claro, acredito que somaria bastante, embora sim, muitos outros filmes já fizeram isso, mas esse tipo de filme parece que pede isso para ser maior.
Nada do que falei deve ser visto como um "O filme é ruim". Apenas eu não consegui me conectar ou captar seus pontos de sensibilidade a ponto de me causar sensações significativas, e os motivos que me vieram a mente em primeiro plano, estão descritos acima, mas compreendo e reconheço seu valor, principalmente pela forma inovadora e original pela qual foi construída.
crueldades do Amir "moleque", tanto que não consegui comprar o seu arrependimento no final. Não fui capaz de perdoá-lo, devido o grau absurdo de suas "filha da putágens" inicias contra Hassan.
Cada ato de bondade, companheirismo, compaixão e honestidade que praticamos para com as outras pessoas, torna o mundo um lugar melhor, por tornar a vida dessas pessoas, melhor. Toda vez que deixamos de satisfazer certas vontades, pensando no bem-estar do outro, estamos construindo laços de amizade e amor, valores muitas vezes menosprezados na apressada e frenética vida moderna, mas que nos conectam com nossa essência humana e enriquecem nossa alma. Esse é George Bailey, o protagonista de um dos maiores clássicos da história do cinema, que abdica de todas as oportunidades de ser uma versão “vencedora”, dentro dos padrões esperados de sucesso construídos pela sociedade, por uma bondade genuína, por uma inclinação em ajudar os outros, que faz parte de sua essência. Ele não percebia o quão importante era na vida de todos ao seu redor. Assim como muitas vezes nós também não percebemos, que no fim, o que somos, transforma e marca muito mais do que o que temos. Ele não foi o milionário que “chegou lá”, nem foi condecorado por lutar pelo seu país e nem “PopStar”. Ele foi o herói que não foi a guerra”, muito mais parecido com qualquer um de nós e nossas vidas simples. Talvez, na pele no protagonista, o filme esteja nos dizendo que você pode começar agora mesmo
e sem a ajuda de um anjo que lhe mostre o mundo com sua ausência,
a enxergar o valor das amizades, da família, o valor da vida. E que ser bom, justo e amado pelo seu caráter e dignidade, tem um valor maior do que qualquer riqueza material ou posição de poder. Essa reflexão interna e tão necessária, se faz um aprendizado para todos, e o valor de uma obra de arte que tem o poder de propor essa mudança de visão sobre si mesmo e sobre o mundo, é incalculável. Eu diria que o própria filme “A Felicidade Não Se Compra”, tornou o mundo, ao menos dos que absorveram esses aprendizados, melhor? Para mim, o filme deixa a lição de que a harmonia dentro de nós, é reflexo da harmonia de nossa relação com os outros, que por sua vez é construída com o ato de servir, sem esperar nada em troca, que não a amizade e o amor. "Nenhum homem é um fracasso se tiver amigos"
Quando acabou pensei: "Mas já?" Depois entendi que a intenção foi ser o mais fiel possível à realidade, e na vida real, geralmente os finais não são cinematográficos e muito menos perfeitos.
Não sei se a técnica de transformar o roteiro na própria patologia dele, e com isso causando no espectador o mais fidedigno impacto sobre seu drama, é original, se for, devo aplaudir de pé pela criatividade e pela forma com a qual foi conduzido!
com o velho copo d'água na cara pra acordar do piripaque rsrsrs
Sério, filme até começa bem, uma situação de drama familiar interessante, mas depois vira uma versão alternativa de "Todo Mundo em Pânico" rsrs. Embora tenha me arrancado algumas risadinhas, é um filme pra esquecer e só assisto por que curti o "Beau Tem Medo". Mas depois desse,.deu pra mim, Ari
Fotografia e figurino fantásticos. Mas de resto, muito fraco. As cenas de luta são mal dirigidas e nitidamente mal encenadas. A história já foi contada, com alguma variação em milhares de outros filmes, livros e contos. O desenvolvimento dos personagens deixou a desejar. O inicio do filme parece um trailer mais longo. Enfim. Filme família, para esse propósito cumpre o papel.
Como mensagem social, é impecável, mas cinematograficamente falando nós temos 1:30 de uma história contada de maneira superficial e monótona. São mais de uma hora onde a trama é tão fraca que beira o tédio profundo. Temos então os últimos 25 minutos de excelência para, ao meu ver, salvar o filme.
Heroísmo, romantização e "gurmetização" da guerra, nada disso existe aqui. Ao lado de "Glória Feita de Sangue", um dos filmes mais crus, viscerais e realistas que já vi. O único ponto negativo e espero que não me interpretem como anacrônico, mas pra mim, a edição que deixou excesso de tempo em algumas cenas, embora seja característica da época, uma edição mais enxuta teria deixado a obra ainda mais atemporal e eficaz. De resto, Vá lá e Veja!
Forrest diz, olhando o túmulo de Jany: "Ele é tão inteligente, Jany", ele abraça toda a história e o drama vivido por ele, até aquele momento do filme, como se tudo tivesse sido preparado para aquele desfecho.
De uma forma tão competente e tocante que não tem como não se emocionar. Espetacular!
Eu recomendo, como sequência de Oppenheimer, ver "Túmulo dos Vagalumes". Todos deviam passar pela experiência de ver essa passagem da história na perspectiva civil japonesa. E não ficar olhando só um lado da moeda, a vida toda.
O estilo Tarantino de fazer cinema é algo que tende a causar o amor ou o ódio.
Exceto nos filmes em que ele mescla seu estilo com características mais convencionais e já "aprovadas" pelo grande público, nítido principalmente em "Django Livre", "Bastardos Inglórios", "Kill Bill") o que sobra, geralmente só agrada aos que são muito, mas muito "Tarantinescos" e Cães de Aluguel é o filme mais Tarantino de todos, pois dispensa quase que 100% das "táticas" do Mainstream para se calcar da essência do seu criador.
A maneira como todos se portam, a segurança e firmeza com a qual se movimentam e definem suas personalidades é simplesmente genial. Isso é tão difícil de se "afinar" nos personagens, que é um diferencial que faz esse filme não envelhecer, mesmo depois de milhares de séculos de produzido. Os pontos baixos diria que ficam com o início que demora a estabelecer um ponto de partida e o final, fiquei com um sentimento incômodo de que daria pra ter algo mais ali. Um clássico fundamental.
Não é tão bom quanto dizem os que gostaram, nem tão ruim como dizem os que não gostaram. Apenas um filme ok! Óbvio que não é um filme para o público em geral, mas para quem busca algo mais do que revisitar os batidos formatos: curtos, rasos e perfeitinhos.
Ladrões de Bicicleta
4.4 548 Assista AgoraUm filme emocionalmente devastador e de uma simplicidade brutal que escancara as tensões entre dignidade, sobrevivência e honra, sem precisar de grandes discursos.
A relação entre pai e filho, o desespero crescente, a impotência diante de uma sociedade que parece ter aceitado a miséria como uma realidade imutável, e com isso, indiferente às dores do outro.
Tudo isso pesa de um jeito que poucos filmes conseguem. E aquele final, sem catarse nem redenção, apenas a vida como ela é...
Memórias de um Assassino
4.1 410Talvez seja falta de familiaridade com o estilo coreano, mas tenho dificuldade em me envolver e levar a sério essa abordagem em que apenas mulheres e crianças são retratadas como pessoas normais, enquanto os homens são caricaturados como bobalhões. Um ou dois personagens com humor escrachado ainda seriam aceitáveis, mas quando isso se estende a todos, especialmente em um thriller investigativo, acaba não funcionando para mim.
Além disso, algumas cenas de emoção me pareceram forçadas, como
no túnel, onde, mesmo com os resultados confirmando que aquele não era o assassino, o policial insiste em matar um homem inocente.
Bo Burnham: Inside
4.3 110 Assista AgoraEu não consegui me conectar com esse filme. E olha que tentei, mas pra mim realmente foi extremamente entediante, monótono. Eu achei muito raso e as piadas sem graça. Não é pra mim.
Entre o Amor e a Razão
3.1 27Estranho que no lugar da sinopse temos uma espécie de crítica ao filme, bem como análises de questões técnicas rsrs
Bacurau
4.3 2,8K Assista AgoraO casal de motoqueiros almofadinha carioca despeja todo o seu preconceito e desprezo com os nordestinos e sentem na pele o mesmo preconceito e desprezo por parte dos gringos.
Esses sudestinos e sulistas (não são todos) ficam revoltados quando somos discriminados por europeus e estadunidenses que veem nós brasileiros/latinos praticamente como chimpanzés mas adoram da despejar a mesma discriminação contra os nordestinos, ao menos nessa ficção, eles tiveram exatamente o que mereciam.
É como alguém que foi enrabado, sangrando e todo esfolado, achando que enrabando alguém, vai curar a dor do seu próprio furico kkkkkkk
Tudo em Todo O Lugar ao Mesmo Tempo
4.0 2,1K Assista AgoraNão tô entendendo a nota desse filme aqui no filmow: a galera descendo o pau nos comentários e eu nem consegui continuar a assisti de tão ruim o início
Obrigado por Fumar
3.9 802 Assista AgoraO filme é sobre o conflito inevitável entre as Regras Sociais e a Liberdade de Escolha Individual. O objeto de discussão poderia ser a bebida alcoólica, refrigerante, a carne processada ou qualquer outro produto ou serviço. Essa reflexão é colocada em pauta, carregada de sarcasmo e com um cinismo tão afiado quanto a edição e o roteiro.
Somos apresentados aos bastidores do acasalamento entre o público e o privado e suas práticas questionáveis. O filme vai nos dando consciência de algo que muitas vezes esquecemos: que no fim tudo é uma guerra de narrativas e que para além desse conflito de ideologias, preocupa o fato de que ambos os “lados”, nessa guerra, não buscam primordialmente alcançar um consenso geral e maior estabilidade social, mas muitas vezes, concentração de poder individual ou de grupos específicos, reforçando um caráter separatista e permanentemente conflituoso na sociedade.
O ponto alto do filme é nos mostrar com um tom sarcástico e eficaz que dentro dessas relações de poder, o uso de artimanhas controversas sob um ponto de vista ético com objetivo de emplacar suas agendas, não é exclusividade de setores específicos da indústria, mas de todos e também dos agentes públicos, e o roteiro desenrola isso no compasso certo, mostrando inicialmente o “modus operandi”
das fabricantes de cigarro e aos poucos desnudando as promiscuidades morais que sim, também existem no lado progressista, deixando a cereja do bolo pra o final, mais precisamente na audiência no parlamento.
Outro ponto positivo também foi
o diretor não ter apelado para o arrependimento melodramático. A recusa em se manter no cargo por parte de Nick parece ser na verdade mais uma sacada acertada dele, mostrando que além de ter o dom da retórica e um poder de persuasão “criminoso” rsrs, o cara também tem boa intuição, pulando do barco antes do naufrágio!
Titane
3.5 434 Assista AgoraSabemos que sexo explícito e violência extrema são artifícios que sempre funcionam bem, pelo choque e estímulo visual contundentes, mas sem uma justificativa bem trabalhada, principalmente na fase de construção de personagem, me passa a sensação de que por inabilidade no manejo da primeira camada, o diretor apela para tal artimanha como forma de preenchimento dessas lacunas. Aqui é onde eu sempre digo: sem uma primeira camada coesa e de alto nível, não há quantidade de camadas mais profundas que salvem um filme da mediocridade. Até mesmo por questões de mérito, pois é mais difícil a façanha de fazer um filme marcante que agrade gregos e baianos, do que um filme marcante que agrade apenas gregos ou apenas baianos.
Agora, no âmbito mais amplo e social, essa ideia de traumas de infância justificar violência extrema além de muito controversa, faz o filme parecer estar querendo “passar a mão na cabeça” de pessoas que simplesmente são cruéis, mas sigamos.
E então temos o que eu compararia com um peido no meio da transa de primeiro encontro:
A transa com o carro. É óbvio que tem um significado mais profundo dentro das camadas do filme, mas seja qual for a mensagem, tenho certeza que haveriam várias outras formas de fazer isso. O filme vinha todo amarradinho e com o pesinho no chão, aí acontece essa lamentável escolha.
Bom, mas o filme tem sim seus pontos positivos, se não, o que justificaria minha nota de 3,5? Vamos para eles:
1. Trilha sonora excelente! Destaque para a versão mais apressadinha do Johnny Cash que ficou tão legal que já salvei na minha playlist de Folk
2. A ambientação meio Ciberpunk, no corte para a vida adulta da personagem, corrobora bem com o enredo inclinado a nos mostrar uma sociedade em degradação de valores mais tradicionais e humanos, entregue aos vícios, futilizas e materialismo.
3. A edição é precisa e ajuda bastante a prender nossa atenção, foi competente.
4. Maquiagem perfeita, os ferimentos, marcas corporais e etc,
ela tava grávida na vida real?rs
5. Quando a convivência com o ““pai”” se inicia, temos o ponto alto do filme, os dois entram em uma espécie de simbiose sentimental, como que um usando o outro para curar suas feridas psíquicas, mas tanto as condições externas como as internas dos dois deixam tudo denso e constrangedor. A carência de preenchimento do vazio existencial e de traumas é tão grande que eles aceitam até uma fuga da realidade para viver aquele afago.
6. Destaque para a cena da “Macarena”, me causou reflexões interessantes em meio a um certo desconforto.
Mano, eu juro que quando ela tava parindo, achei que ia nascer um Hot Weels rsrs
Gilbert Grape: Aprendiz de Sonhador
4.1 1,1K Assista AgoraO Amor que nenhuma das pressões sociais modernas, nem as sedutoras aventuras que nos aguardam mundo a fora são capazes de abalar, costuma estar ali mesmo, em nossos lares. Gilbert, nada mais é do que o conformismo que sussurra tristemente: "Essa é minha vida, é uma merda! Mas o que eu posso fazer?". E a medida que sua história avança, e graças a condução lindamente lenta, característica da iluminada década de 90 e que perdemos, seja por inabilidade dos profissionais do cinema ou por mudanças nas demandas do público moderno onde a ansiedade e o TDH são equações a serem consideradas, ele se transforma na personificação da responsabilidade, do amor e da integridade. Mergulhado em uma realidade desafiadora e tristemente desmotivante, ele tinha tudo para ceder aos desejos para com sua própria satisfação. Mas ele resistiu, resistiu a inclinação animalesca da entrega aos vícios e escolheu a virtude: uma jornada mais árdua, porém mais humana e nobre.
Arnie é o defeito, que requer cuidados extras, inclusive por parte da força coercitiva estatal rsrs. O Amor de uma família, entre irmãos, pais e filhos, não obedece a filtros de nenhuma espécie e tudo pode suportar.
Quando a Sra Bonnie
entra na delegacia aos berros e diz “Jerry, solte o meu filho”, todas as burocracias e regras do sistema vem abaixo, pois alí, não é só uma mão que dará a vida pelo filho, mas alguém que certamente teve um passado de honra, ética e generosidade na história daquela pequena cidade. O Xerife Jerry, da mesma geração, ao ouvir o grito da Sra Grape, mostra uma feição de espanto, como alguém que sabe que não tem o direito de não atender ao pedido, mesmo que isso seja uma infração corporativa em sua posição de autoridade.
Essa cena nos deixa uma lição muito bonita sobre o quanto agir com ético, generosidade, justiça e honra, no decorrer da nossa história de vida, enriquece nossos laços ao mesmo tempo que nos coloca numa posição de respeito e admiração em nosso meio social, independente de nossa condição estética ou fragilidade financeira.
"Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador", uma obra indispensável e marcante, que não nos deixará esquecer que, mesmo que aprendamos a sonhar de todas as formas possíveis e por mais que esses sonhos sejam empolgantes, nos levando para lugares distantes e sedutores, nenhum deles nos fará crescer mais do que a tão própria realidade.
Valsa com Bashir
4.2 310 Assista AgoraToda a estética é muito legal e eleva a fotografia a um nível de beleza destacado, principalmente nos movimentos e transição de quadros
(destaque para a belíssima cena em que ele cruza várias mulheres encapuzadas, ao dobrar uma esquina).
o corte para as cenas reais no final, não deixa de ser impactante, mesmo que nos primeiros segundos, devida a mudança brusca de perspectiva
Em resumo, tudo ali já vi milhares de vezes e de maneiras, ao meu ver, bem mais grandiosas, significativas e impactantes em diversos outros filmes e documentários, e o fato de trazer inovações como
a mescla da ficção com depoimentos reais
os depoimentos são um ponto de baixa, na minha avaliação, pois meio que quebram o ritmo por serem por vezes muito longos e entediantes.
Senti falta de mais profundidade nos diálogos, eles se mantiveram quase que unicamente em um plano raso, quase fofoqueiro. Principalmente em relação aos sentimentos, esperava mais sofisticação e uma pegada mais poética em certos momentos, não o tempo todo, claro, acredito que somaria bastante, embora sim, muitos outros filmes já fizeram isso, mas esse tipo de filme parece que pede isso para ser maior.
Nada do que falei deve ser visto como um "O filme é ruim". Apenas eu não consegui me conectar ou captar seus pontos de sensibilidade a ponto de me causar sensações significativas, e os motivos que me vieram a mente em primeiro plano, estão descritos acima, mas compreendo e reconheço seu valor, principalmente pela forma inovadora e original pela qual foi construída.
O Caçador de Pipas
3.7 1,3K Assista AgoraPesaram a mão demais nas
crueldades do Amir "moleque", tanto que não consegui comprar o seu arrependimento no final. Não fui capaz de perdoá-lo, devido o grau absurdo de suas "filha da putágens" inicias contra Hassan.
A Felicidade Não Se Compra
4.5 1,2K Assista AgoraCada ato de bondade, companheirismo, compaixão e honestidade que praticamos para com as outras pessoas, torna o mundo um lugar melhor, por tornar a vida dessas pessoas, melhor. Toda vez que deixamos de satisfazer certas vontades, pensando no bem-estar do outro, estamos construindo laços de amizade e amor, valores muitas vezes menosprezados na apressada e frenética vida moderna, mas que nos conectam com nossa essência humana e enriquecem nossa alma. Esse é George Bailey, o protagonista de um dos maiores clássicos da história do cinema, que abdica de todas as oportunidades de ser uma versão “vencedora”, dentro dos padrões esperados de sucesso construídos pela sociedade, por uma bondade genuína, por uma inclinação em ajudar os outros, que faz parte de sua essência.
Ele não percebia o quão importante era na vida de todos ao seu redor. Assim como muitas vezes nós também não percebemos, que no fim, o que somos, transforma e marca muito mais do que o que temos. Ele não foi o milionário que “chegou lá”, nem foi condecorado por lutar pelo seu país e nem “PopStar”. Ele foi o herói que não foi a guerra”, muito mais parecido com qualquer um de nós e nossas vidas simples. Talvez, na pele no protagonista, o filme esteja nos dizendo que você pode começar agora mesmo
e sem a ajuda de um anjo que lhe mostre o mundo com sua ausência,
Essa reflexão interna e tão necessária, se faz um aprendizado para todos, e o valor de uma obra de arte que tem o poder de propor essa mudança de visão sobre si mesmo e sobre o mundo, é incalculável.
Eu diria que o própria filme “A Felicidade Não Se Compra”, tornou o mundo, ao menos dos que absorveram esses aprendizados, melhor?
Para mim, o filme deixa a lição de que a harmonia dentro de nós, é reflexo da harmonia de nossa relação com os outros, que por sua vez é construída com o ato de servir, sem esperar nada em troca, que não a amizade e o amor.
"Nenhum homem é um fracasso se tiver amigos"
Meu Pai
4.4 1,2K Assista AgoraQuando acabou pensei: "Mas já?" Depois entendi que a intenção foi ser o mais fiel possível à realidade, e na vida real, geralmente os finais não são cinematográficos e muito menos perfeitos.
Não sei se a técnica de transformar o roteiro na própria patologia dele, e com isso causando no espectador o mais fidedigno impacto sobre seu drama, é original, se for, devo aplaudir de pé pela criatividade e pela forma com a qual foi conduzido!
Duna
3.8 1,7K Assista AgoraO filme foi tão ruim e tão tedioso pra mim, que por mais que eu tentasse, não consegui terminar. Uma avalanche de clichê do tamanho de uma duna.
Hereditário
3.8 3,1K Assista AgoraA cena mais engraçada é a referência ao "Chaves"
com o velho copo d'água na cara pra acordar do piripaque rsrsrs
Sério, filme até começa bem, uma situação de drama familiar interessante, mas depois vira uma versão alternativa de "Todo Mundo em Pânico" rsrs. Embora tenha me arrancado algumas risadinhas, é um filme pra esquecer e só assisto por que curti o "Beau Tem Medo". Mas depois desse,.deu pra mim, Ari
O Homem do Norte
3.7 1,0K Assista AgoraFotografia e figurino fantásticos. Mas de resto, muito fraco. As cenas de luta são mal dirigidas e nitidamente mal encenadas. A história já foi contada, com alguma variação em milhares de outros filmes, livros e contos. O desenvolvimento dos personagens deixou a desejar. O inicio do filme parece um trailer mais longo. Enfim. Filme família, para esse propósito cumpre o papel.
Cafarnaum
4.6 692 Assista AgoraComo mensagem social, é impecável, mas cinematograficamente falando nós temos 1:30 de uma história contada de maneira superficial e monótona. São mais de uma hora onde a trama é tão fraca que beira o tédio profundo. Temos então os últimos 25 minutos de excelência para, ao meu ver, salvar o filme.
Vá e Veja
4.5 798Heroísmo, romantização e "gurmetização" da guerra, nada disso existe aqui. Ao lado de "Glória Feita de Sangue", um dos filmes mais crus, viscerais e realistas que já vi. O único ponto negativo e espero que não me interpretem como anacrônico, mas pra mim, a edição que deixou excesso de tempo em algumas cenas, embora seja característica da época, uma edição mais enxuta teria deixado a obra ainda mais atemporal e eficaz. De resto, Vá lá e Veja!
Forrest Gump: O Contador de Histórias
4.5 3,8K Assista AgoraSão quase mil filmes assistidos em pouco mais de 30 anos de vida. Esse é um dos que eu não tenho como descrever em palavras. Pois quando
Forrest diz, olhando o túmulo de Jany: "Ele é tão inteligente, Jany", ele abraça toda a história e o drama vivido por ele, até aquele momento do filme, como se tudo tivesse sido preparado para aquele desfecho.
Oppenheimer
4.0 1,2KEu recomendo, como sequência de Oppenheimer, ver "Túmulo dos Vagalumes". Todos deviam passar pela experiência de ver essa passagem da história na perspectiva civil japonesa. E não ficar olhando só um lado da moeda, a vida toda.
Cães de Aluguel
4.2 1,9K Assista AgoraSem entrar no mérito de ser bom ou ser ruim.
O estilo Tarantino de fazer cinema é algo que tende a causar o amor ou o ódio.
Exceto nos filmes em que ele mescla seu estilo com características mais convencionais e já "aprovadas" pelo grande público, nítido principalmente em "Django Livre", "Bastardos Inglórios", "Kill Bill") o que sobra, geralmente só agrada aos que são muito, mas muito "Tarantinescos" e Cães de Aluguel é o filme mais Tarantino de todos, pois dispensa quase que 100% das "táticas" do Mainstream para se calcar da essência do seu criador.
Top Gun: Maverick
4.1 1,1K Assista AgoraSe até eu que não curto muito o excesso de pirotecnia, curti, que dirá o povo. Ótimo filme principalmente para ver com a família ou turma.
Casablanca
4.3 1,0K Assista AgoraA maneira como todos se portam, a segurança e firmeza com a qual se movimentam e definem suas personalidades é simplesmente genial. Isso é tão difícil de se "afinar" nos personagens, que é um diferencial que faz esse filme não envelhecer, mesmo depois de milhares de séculos de produzido. Os pontos baixos diria que ficam com o início que demora a estabelecer um ponto de partida e o final, fiquei com um sentimento incômodo de que daria pra ter algo mais ali. Um clássico fundamental.
Mank
3.2 461 Assista AgoraNão é tão bom quanto dizem os que gostaram, nem tão ruim como dizem os que não gostaram. Apenas um filme ok! Óbvio que não é um filme para o público em geral, mas para quem busca algo mais do que revisitar os batidos formatos: curtos, rasos e perfeitinhos.