Não tem como não assistir a esse filme e não despertar emoções fortes sabendo que situações similares de injustiças sociais, dificuldades e realidades como as da protagonista são palpáveis diariamente em nossa sociedade. A interpretação da Taraji é absolutamente incrível e carrega, de fato, o filme nas costas.
A sororidade que o filme propõe entre ela e a gerente do banco também é um ponto alto, algo que, de fato, beira a realidade e traz força ao ensejo que o filme deseja. A história comove porque ela é mais real do que ficção. Como não se colocar no papel dessa mãe e sentir suas dores, sua realidade, suas angústias? O filme consegue perpassar esse sentimento. Como não refletir sobre a estrutura social de injustiças, de acusações e de como o sistema trata quem não está dentro de seus padrões? São várias camadas a se extrair de situações, personagens e diálogos que o filme traz.
Poderia ter alguma dose maior de dramaticidade e realismo nos takes dentro do banco? Sim, poderia. Em alguns momentos, senti que a atriz que faz a policial da negociação poderia ter tido maior presença. Sua atuação só cresce mais para o final, num clássico clichê de filmes policialescos de rixa entre Policia e FBI. Mas acho que o filme tem sucesso naquilo que se propõe.
É um filme que consegue prender do início ao fim, consegue trazer boas doses de dramaticidade e o peso de uma realidade social que está bem próxima de cada um de nós.
Acredito que "Train Dreams" precisa de um momento propício para que sua história e sua mensagem sejam, de fato, impactantes para quem assiste do outro lado. É um filme com uma história triste, mas que consegue permear com leveza. É poético na maioria de seus frames. A fotografia aqui se torna protagonista, com os grandes campos, verdes, névoas e paisagens.
A energia rústica do filme e de seu protagonista nos leva a doses, por vezes, esquecidas da simplicidade da vida. E de como precisamos de pouco (que é muito) para nos conectar com nossa essência e nossa natureza. Qual é a base da nossa vida? Quais sacrifícios fazemos por aqueles que amamos e, às vezes, precisamos estar distantes? Qual o peso dessa vida e das nossas escolhas?
O filme nos faz refletir sobre o aspecto geral da vida. É leve na forma da narrativa, é denso no sentido da história, é lindo pelos frames da fotografia. Não achei que impacta a ponto de sentirmos, do lado de cá, a dor de seu personagem principal. Talvez, o momento de cada um que assiste possa delinear sensações distintas da produção.
O diálogo que o Grainier tem com uma das personagens que chega depois, no meio do filme, é um dos ápices bem interessantes. As cenas finais também emocionam. E é isso.
Na minha jornada em assistir aos filmes indicados ao Oscar, comecei por "Sinners". De cara, percebe-se um tom que o filme claramente vai injetando em nós sua mensagem: vai tratar, sim, sobre racismo, estrutura social, crenças e afins, em uma época que tudo isso se misturava e regrava leis e costumes. A apresentação dos personagens é bem feita e, ao meu ver, não deixa brechas para coadjuvantes ou estrelismos. Todos têm seu papel bem fundamentado.
Concordo com muitos que o filme não é uma verdadeira obra-prima. Ele consegue ser extremamente equilibrado nos ingredientes que mistura: tem um terror leve, tem uma delicadeza minimalista, tem sensualidade regrada, tem pitadas cômicas. Acima de tudo isso, tem uma receita de muitas metáforas para tratar de assuntos sérios. Não estava esperando pela dose da fantasia (ou seria melhor dizer dose de folclore?). Como não sou fã de muitos aspectos caricatos da fantasia, fiquei levemente decepcionado pelo filme trazer essa proposta, mas ela é tão bem feita e justificável que se torna um mero detalhe.
A forma como o filme é exibido também é bem interessante e isso performa bem para quem assiste do outro lado. A trilha sonora faz jus ao que se propõe e deixa a experiência bem envolvente. Também concordo que é exagero um filme desses ser recordista de indicações ao Oscar. Outras produções, de outros anos, mereciam o feito por muito menos.
Em suma, vale a pena. É um filme que prende do início ao fim, não deixa brechas e se torna bem impactante.
A atmosfera do filme consegue fazer com que sintamos várias sensações que a protagonista do filme passa nesse arco temporal da sinopse. Prende a nossa atenção e, mesmo em momentos de calmaria, ansiamos para saber o que vai acontecer no minuto seguinte. Por mais que não tenha nenhum ápice que seja "estrondoso", com cenas de muita violência ou qualquer coisa do gênero, sentimos os nervos a flor da pele em várias cenas. É profundo o que se passa com a protagonista, sua situação e o cenário "devastador" onde, com o mínimo de empatia, já conseguimos nos colocar na situação vulnerável em diversos momentos que o filme busca retratar ou instigar a crítica.
O filme tem uma atmosfera de suspense bem envolvente. As tomadas de câmera em muitos momentos nos fazem, de fato, sentir o tormento e as agonias do protagonista. Ele tem boa atuação e convence em diversos momentos com suas ações/reações.
A premissa do filme é muito boa, contém ironias e críticas para assuntos reais, porém a execução da parte final do filme é totalmente confusa, irreal e "se perde". O enredo poderia ter sido melhor definido para o arco final e ter trazido uma reviravolta mais bem executada.
Não é um filme ruim, prende o espectador e tem boas doses de suspense. Porém, se perde no final e deixa tudo se esvaziar quase que sem propósito.
O filme conta com um clima de tensão que, até certo ponto, te prende e te deixa apreensivo para saber o que acontecerá no minuto seguinte. Ele consegue ter uma carga de imprevisibilidade justamente porque não existe nenhum retrospecto ou sequer pista da motivação do criminoso. A fotografia é bonita, os cenários são elegantes e a trilha sonora (também até certo ponto) é de boa qualidade.
O filme peca em não ter uma carga dramática que poderia ter sido utilizada e adaptada para tal. Por mais que tenha sido baseada em fatos reais, não é um documentário e poderia ter se utilizado de momentos mais dramáticos, tensos e de suspense para prender ainda mais quem assiste. Existem vários personagens, mas são todos "levianos", porque não nos aprofundamos em nenhum deles. Nem mesmo no personagem sequestrado que passa todo o filme com o sequestrador e não desenvolve nenhum tipo de aprofundamento em suas questões.
Poucos diálogos dentro da cena do crime e nenhum deles também nos dá pistas ou querem revelar motivações ou histórias dos personagens. Idem para as cenas dentro da polícia, com personagens que parecem que serão decisivos para algo, mas não são.
Não é um filme ruim, mas poderia ter sido muito melhor explorado.
Ter a lenda Fernanda Montenegro como grande estrela e centro dessa história incrível é, no mínimo, um grande privilégio para nós. Sem dúvidas, a sua atuação trouxe ainda mais simbolismo e peso para essa história real.
Ainda assim, saí do cinema achando que o filme foi leviano. A história tem um desenvolvimento coerente até certo ponto, mas em outro momento parece que tudo ficou na superfície, quando bem sabemos que o tema tratado no filme é bem mais profundo. Faltou profundidade - não sei se do roteiro, da direção ou de outra parte do filme. Em determinado momento as coisas todas se encaixaram e se resolveram sem trazer uma carga dramática ou profunda ao qual os temas pertinentes tratavam.
Mesmo assim, é um filme que consegue trazer grandes elementos do cinema brasileiro, com momentos de tensão, alegria e acolhimento.
O filme consegue prender a atenção pelo suspense envolvente. Sem ações premeditadas ou que dão brecha para saber o que vai acontecer no minuto seguinte, o filme consegue captar a atenção.
Contudo, algumas cenas não convencem na dramaticidade e não passam a atmosfera de ser algo horripilante - mesmo sendo, caso envolvêssemos isso numa trama real. Os poucos diálogos que tentam mostrar alguma coisa do universo de ambos os personagens são vazios e não conseguimos entender as motivações do antagonista.
Num primeiro momento, acreditei que tudo poderia ser fantasia da cabeça dela. E, talvez, poderia ter sido essa a escolha do enredo. A perda que a protagonista sofreu poderia ter desencadeado episódios psíquicos que justificariam tudo que ela passa no filme. Porém, não é isso que vemos.
Não é um filme ruim. Se quer algo para prender atenção e assistir passando o tempo, é uma escolha justificável.
Gostei da inovação da técnica de filmagem do filme, mas não consegui me conectar ao filme, que passa a sensação de ser muito mais longo do que já é. Muitas cenas demoradas que não acrescentam em nada ao enredo, ou sequer tem alguma conexão direta com algum episódio, e sem nenhum tipo de ápice que dê uma sobrevida no meio ou no final do filme. Acredito que é preciso ter referências muito precisas da época em que é retratada o filme para ter maior compreensão das possíveis mensagens que ele está passando ali. Coisas, inclusive, muito peculiares ao espaço/tempo retratado no filme. Posso ter estado desatento em muitos momentos, mas foi um sacrifício terminar o filme.
A premissa do filme é interessante, porém é bem vibes "Sessão da Tarde". Em algum momento, as possíveis sensações de tensão são substituídas por clichês, absurdos e forçação de barra. É um filme que dá para prender pelas boas atuações e pelos cenários. Porém, não consegue sustentar em ser um filme excepcional.
O filme traz outras nuances e sentidos diferentes do primeiro. O sentimento de atmosfera diferente não surpreende dessa vez porque já conhecemos o cenário. Talvez por isso o primeiro filme seja mais envolvente que o segundo. Contudo, ainda acho uma produção bem inteligente e com significados "escondidos" nas entrelinhas. Cada detalhe é uma provocação, uma reflexão, uma mensagem.
Gostei bastante da metáfora personificada pelo personagem Daging Babi, com o lenço nos olhos remetendo ao símbolo da própria justiça que, neste caso, é realmente cega.
Achei que o filme poderia ter explorado melhor os momentos de suspense e "terror" deixando o espectador mais aflito, sobretudo nas cenas de embates entre os grupos. Poderiam ter explorado melhor o Zamiatin. E tive que recorrer à internet para relembrar que alguns personagens do primeiro filme estavam nesse e que o lapso temporal do segundo filme, aparentemente, é antes do primeiro.
Não é um filme ruim. Ele prende e passa mensagem. Porém, não chega aos pés da novidade impactante que foi o primeiro.
A premissa do filme é super interessante e a sensação que dá é que vai te prender absurdamente. Porém, o filme é mal executado. É como ter "a faca e o queijo na mão", mas não saber o que fazer. Os personagens não são carismáticos, você não consegue se conectar com nenhum deles e a trilha sonora contínua do filme beira a irritação em muitos momentos.
A fotografia do filme também não é envolvente, tendo muitas cenas num escuro absurdo e sem nenhum movimento de câmera que lhe deixe imersivo no filme. Existem cenas totalmente desnecessárias que não acrescentam em nada no filme - sobretudo quando tenta retratar aspectos da vida de alguns poucos personagens antes do foco do filme.
É um filme estranhamente envolvente. A apatia e a estranheza da atmosfera do filme são presentes desde o primeiro take. A energia baixa da personagem da Nicole parece incomodar em muitos momentos por não ser uma personagem enérgica e reativa. A atuação do Barry impressiona com todos os seus trejeitos e expressões. A beleza do Colin encanta e traz peso para a complexidade de um personagem que também traz dicotomias.
O filme não traz uma narrativa linear e muito lógica. Existem mais suspenses do que respostas. O personagem Bob também é bem expressivo e o Sunny merece elogios. Eu gostei do filme e em muitos momentos me fez lembrar de "Olho por olho, dente por dente".
O filme não diz para o que veio. Ele não se aprofunda na tentativa de relação de um amor reprimido entre os personagens principais, como também não cria nenhum vínculo com o assassinato de uma personagem que não possui nenhuma relevância no contexto - assim como seu marido agora viúvo.
A atmosfera do filme que fica entre passado e presente é um tanto quanto morosa. Os personagens não são cativantes, o enredo é extremamente lento e não há nenhum ápice que justifique esse filme ter notas tão altas. Não existe conexão entre os núcleos do filme, nem mesmo com o desenrolar da investigação do assassinato, que lhe deixe surpreso ou indignado ou qualquer outro sentimento de que a trama foi bem pensada.
Eu sou um eterno entusiasta de filmes de drama e thrillers, sobretudo psicológicos, mas esse filme não tem nada disso. Apenas uma história leviana, mal contada e sem nenhum tipo de clímax.
A premissa para assistir ao filme é ter sensibilidade. Dito isso, "Close" é um filme que nos apedreja da forma mais dolorosa, flutuante e necessária possível. É preciso saber ler as entrelinhas, mas é mais necessário ter um coração aberto a submergir nas reais sensações e motivações de mundo.
"Close" não é um filme fácil de digerir, sobretudo se você se deu check na sensibilidade para honrar a produção. Sim, é sensível ao mesmo tempo que doloroso e impactante. Nos leva a falar sobre nós mesmos, tanto em casulos de individualidade, mas sobretudo como nos estabelecemos enquanto seres sociais.
Me vi em muitos momentos naquelas cenas. Em episódios que só mudaram de personagens e endereço. Não é fácil. Nunca foi. Muitas vezes, me vi no Léo - na figura inocente e amável em cada olhar amoroso para o outro (no filme, o recorte na figura do Remi, mas que poderia ser qualquer outro/outra/coisa); em outras, na figura do Remi - calado, recatado, também amoroso, duvidando de si e do que recebia do outro, temeroso...
O filme é recheado de cenas impactantes e eu não estava preparado/esperando o que estava cravado no roteiro. Nem mesmo em minutagem tão cedo. Mas, se teve uma cena (dentre tantas) que me marcaram, sem dúvida, foi a de Remi em sua luta chorosa e praticamente em silêncio com o Leo. Aquela cena é dolorosa ao mesmo tempo que cheia de significado. Porque, meus amigos, nossas lutas, na maioria das vezes, são assim. Nem sempre com lágrimas no rosto, mas engolindo mil sentimentos por dentro. Que tenso foi ver aquela cena e se colocar ali.
O papel da inocência indo embora pela mediocridade alheia do mundo. As consequências de sofrer o que esse mundo tenta fazer em você. O sentimento de dor dupla: a da perda do ser e a da culpa. Qual dor dói mais? "Quebrar um braço dói". E perder alguém? E viver com culpa? E ser quem não é? E não demonstrar o que quer? São dores tão doídas quanto...
Não tem como não nos questionarmos o que fazemos enquanto pessoas convivendo em sociedade e observar a podridão do que uma caixinha criada socialmente pode impactar na vida do outro. Um mundo terminou ali. E era um mundo de muitos significados. Significados esses que não precisavam de terceiros lhes dizendo quais eram, mas apenas quem participava dele que poderia dizer, sentir, espairecer, duvidar, incrementar... enfim, conceber aquilo que poderia ser. E poderia ser o que eles quisessem ser.
O filme prende. Não tem como correr de uma história que se passa, basicamente, dentro do carro enquanto os personagens principais estão rodeados de uma nevasca fria, brutal e sem saídas. Pelo menos para soluções óbvias.
Os personagens são carismáticos, apesar de suas posições não sugerirem carisma. Gosto da personalidade do David e ele tem um charme até arrebatador para as cenas que se seguem no filme. A reviravolta já no início da trama nos dá um gás para ficarmos curiosos para o que se sucederá nos próximos minutos.
Para mim, o filme poderia ter explorado de forma mais "brutal" a realidade pela qual os personagens ficaram presos na situação. O foco nos diálogos é até interessante, mas não se aprofunda nas questões psicóticas do David, muito menos se aprofunda na realidade brutal que a Ana vivia logo antes. Você se compadece com a personagem pela situação atual, mas nada aprofundado.
O final, para mim, não surpreendeu e eu esperava alguma nova reviravolta. A premissa do filme é interessante, a execução talvez tenha falhado e o enredo se perde. Não é um filme ruim, mas também não merece destaque.
Adorei esse filme. Apareceu como recomendação após assistir a "Exam". O clima amistoso e simples do núcleo de personagens faz com que estejamos imersos entre eles logo nas primeiras cenas. Gosto disso: a simplicidade da filmagem, que pode incomodar a alguns, traz mais realismo na imersão do filme.
As atuações são simples, nada de fenomenal, mas cumprem seus devidos papeis nessa simplicidade geral. É quase como uma gravação "amadora" a qual assistimos como se também estivéssemos ali.
Amo filmes com essa temática disruptiva. Me lembrou "Durante a tormenta" e o clima de suspense que vai ficando cada vez maior a cada segundo lhe deixa também intrigado para saber em que momento as coisas realmente aconteceram. Talvez seja necessário reassistir outras vezes para se ter maiores detalhes da trama, mas também podemos inferir alguns temas da trama - sobretudo quando se chega perto do final.
como o fato de a personagem Em começar a entender o que realmente estava acontecendo e interferir em seu próprio curso para garantir a versão que ela queria para si. Não sei se podemos chamar de um aspecto egoico, mas claramente foi uma atitude "desesperada" de saber que, provavelmente, o caos estava instaurado em várias dimensões que estão coexistindo todos os personagens e que, para isso, ela precisava buscar sua melhor versão.
É um filme que prende, que instiga e que nos abraça. Gosto disso.
A premissa do filme é bem interessante. Particularmente, adoro filmes com temáticas intrigantes assim e que se passam em um único cenário. As atuações são boas, apesar que muitas das falas são forçadas ou demasiadamente formais - na minha cabeça, a justificativa para isso é a de que eles são pessoas com alto Q.I e, naturalmente, possuem um linguajar mais rebuscado.
Porém, acredito que o enredo não se sustentou ao longo do filme e o que parecia ser promissor acabou sendo um fiasco. O filme não é todo ruim, mas o final decepciona, não surpreende e deixa a sensação de ausência de clímax. A trilha sonora em muitos momentos incomoda também. Acho que em algumas cenas poderia ter total ausência de fundo musical, o que deixaria mais suspense.
"The Circle" cumpre melhor o propósito de um filme com enredo similar.
Não posso discordar dos muitos comentários que entoam a lentidão do filme. Sim, é um filme "parado". Entre aspas porque para quem vai assisti-lo na expectativa de ser mais um enredo explosivo ou catastroficamente explícito sobre a II Guerra Mundial, sim, irá se frustrar.
"Zona de Interesse" vai na contramão da maioria das narrativas que expressam o que se passa dentro dos campos de concentração. O grande objetivo do filme é, justamente, mostrar uma faceta pouco explorada ou sequer imaginada por nós: a normalização e banalização da maldade/crueldade de tempos sombrios. Esse é o grande ponto do filme.
Uma família normal vivendo normalmente em tempos hostis vizinhos ao maior campo de concentração nazista. O papel apático e egoísta da esposa tem seu protagonismo. As feições pouco expressivas e frias do marido também entoam o gélido do momento. A pureza das crianças brincando pelo jardim e na piscina mostram as facetas do horror normalizado e vivido.
Não é um fillme de movimento. As câmeras quase que estáticas como se estivéssemos assistindo ao Big Brother são calculadas meticulosamente. É um filme que precisa estar atento aos detalhes. E, mais que isso, reflexivo sobre como o mundo viveu algo tão horrendo e estarmos sempre vigilantes para jamais normalizamos horrores vividos (ou planejados) contemporaneamente.
Esse filme foi indicado por um amigo que já sabia da minha paixão por "About Time". De antemão, já profano: esteja num dia calmo e numa vibe coerente para assistir a "Past Lives". Como todo filme de romance, precisa estar no mood para conseguir absorver. Eu confesso que no dia que assisti, não estava totalmente imerso na energia para um filme como esse, mas diante da expectativa gerada pela indicação, consegui me atentar às quase 2h de duração.
Não é um filme de romance/drama marcado pelas "melosidades" as quais estamos habituados pela indústria norte-americana. "Past Lives" nos leva para uma outra atmosfera: a dos amores não-praticados ou quase que perdidos. O ritmo é lento e as falas são poucas e precisas. Isso pode fazer com que seja entediante. Por isso, repito: esteja num momento "calm down" para absorvê-lo.
Me instigou muito no filme as tomadas precisas das câmeras em diversos momentos e a clara intenção de fazer com que nós, espectadores, sentíssemos de fato as tensões/emoções de dois apaixonados que ficam na iminência de uma paixão de criança que nunca se consumou. A expectativa do "vai rolar? Vai acontecer? Eles finalmente vão ficar?" persegue por boa parte do filme - e acostumados que somos com os clichês dos romances, somos levados a achar que sim.
Mas isso não vem. O grande sumo de "Past Lives" é flertar mesmo com a realidade. O amor não é uma linha reta, você pode se apaixonar por uma amizade e esse amor pode nunca se consumar numa relação a dois (ou a quantos forem). O fato de eles não ficarem e não consumarem essa paixão pode nos trazer, minutos após o término do filme, a sensação de que algo não se completou. Mas, depois que absorvemos a ideia do longa, entendemos que é esse pé na realidade não contada de muitos romances que "Past Lives" se diferencia e não se torna mais um clichê.
No geral, eu ainda acho "About Time" muito mais passional. "Past Lives" chega para mim como um filme que, mesmo sendo suave, traz uma mensagem mais real sem dramas e choros.
"Um Sonho Possível" transpõe-nos para uma atmosfera um tanto quanto clichê do universo de filmes infanto-juvenis. Personagens afortunados estudando em escolas clássicas de sua cidade e um personagem da periferia (ou, como se diz nos filmes, "do outro lado da cidade") ganhando uma bolsa para tal instituição a partir de alguma aptidão que lhe é conferida.
No entanto, o filme ultrapassa a barreira do senso comum e parte para uma análise social e de reflexão pessoal de maneira leve, instigante e emocionante. Sandra Bullock, mais uma vez, demonstra o seu talento para a atuação e me garantiu excelentes minutos de risadas, pensamentos, reflexões e questionamentos.
Em "Um Sonho Possível", o espectador depara-se com o universo de uma família de classe alta que, por destino, encontra o personagem de Quinton Aaron (Big Mike). Aplausos. O simples gesto de corte realizado com ambas as mãos deve ser feito para este ator, que soube, de maneira fantástica, perpassar a angústia, a tristeza, o passado complicado, bagunçado, eufórico que vivera o seu personagem. Através de um simples olhar triste, o espectador pode entrar em contato com toda a tristeza que o Michael trazia consigo no longa-metragem.
Em seu caminho aparece, então, a encantadora Sandra Bullock. De antemão, sugere-se um personagem clichê: uma dondoca, afortunada, que não liga para nenhuma causa exceto a roupa que veste, as posses que administra, o clube que frequente e o círculo de "amizades" que sustenta. Mas, não. Não é isso que temos no longa. A capacidade humanitária, a força humana e a complacência da personagem de Bullock encantou-me em seus primeiros momentos. Apesar de se fazer fechada e durona na maior parte do tempo, mulher de poucas palavras e exposição de sentimentos, Leigh Anne encanta e sugere que reflitamos a cerca de pequenas atitudes e gestos humanos ao abrigar durante uma noite (a princípio) o personagem de Quinton após o mesmo ser expulso de casa. Além disso, o rapaz tem lidar com o fato de não ser o estereótipo pregado pela sociedade americana, como também não ter tido nenhum embasamento para o desenvolvimento de seus estudos. Um personagem complexo e regado de experiências traumáticas que desencadeiam atitudes um tanto quanto quietas (mas, que na verdade, são inquietantes) e uma personalidade recatada, resguardada dentro de si mesmo.
Big Mike frequenta, a partir de uma bolsa sucedida ao mesmo, a escola de maioria branca e começa a despertar a força de vontade de ajuda de alguns professores, que o veem diferenciado e com grande potencial para o aprendizado. O filme, assim, baseia-se nas várias circunstâncias que levam ao garoto superar os traumas sofridos durante a sua infância (a exemplo da mãe alcoólatra e usuária de drogas e a ausência da figura paterna) em um bairro onde predomina a marginalidade, e conseguir, ao fim, a vitória a partir do esforço e da dedicação aos estudos.
"Um Sonho Possível" faz-nos refletir a cerca do que somos e do que queremos para nós mesmos, ao mesmo tempo que nos faz refletir como simples gestos, como uma palavra de consolo ou uma frase de motivação, podem fazer, sem demagogias, a diferença na vida de uma pessoa. Mesmo que o gesto seja pequeno, pode-se ter a certeza que a semente foi planta e deu-se a água para que ela possa ser regada e, por fim, germinada. Um filme que abrange causas sociais, aspectos sociais, humanidade e força mental. Um filme para todas as idades e todos os gêneros.
Mais um filme adolescente? A uma primeira impressão, poderia apostar que sim; contudo, ao assisti-lo, a resposta é mudada inegavelmente para 'não'. "Os sonhadores", realmente, faz valer o próprio título ao levar o espectador ao mais profundo da mente adolescente e jovial do seu protagonista. Ou, melhor, das mentes dos seus três personagens principais.
Embalado por uma carga literária incomum, proveitosa e inteligente, o filme mescla cenas de conteúdo adulto com uma leveza jamais imaginada para uma cenografia de tal tipologia. O enredo soube, extraordinariamente, abordar a sexualidade e os devaneios decorrentes dela de maneira delicada e processual.
A carga literária também merece destaque. É a partir de um fino, divertido e sábio jogo de "que filme é esse?" que todas as ações do filme se desenvolvem, trazendo diversos temas que englobam o mundo jovem e o âmbito fora de suas mentes, afinal, uma revolução estudantil e social passava-se no tempo locado para o filme.
Os elogios às atuações não são à toa. Michael Fit impressiona em mais um espetáculo de atuação, dando leveza e grande maestria a um personagem inteligente e corajoso, hábil em sua personalidade e sábio em suas escolhas; Louis também agrada com sua atmosfera um tanto quanto misteriosa, mas de grande poderio imaginário. Seu personagem, Theo, em um primeiro momento, sugere um personagem secundário, sem interferências significativas. Contudo, engana-se, novamente, quem pensa assim após assistir ao filme; Eva Green, lógico, dispensa comentários: Isabelle age com esperteza e malícia, e soube, ao meu ver, incorporar a questão da virgindade de significativa jovialidade.
A temática 'adolescente' sempre me pareceu de difícil enredo, pois muitos escritores e diretores não se expressam corretamente ou não sabem como incluir atmosferas e fatos dentro de uma tipologia onde só se pensa que a sexualidade é força motriz para a geração de uma história. Em "Os sonhadores", com certeza, toda a equipe detrás das cenas soube, inigualavelmente, interagir um contexto histórico com um contexto mental de três jovens em um mundo apoteótico, efervescente e real. Em "Os sonhadores" você é convidado a sonhar e, pode ter certeza, o sonho não é pesadelo.
"As vantagens de ser invisível", a princípio, pareceu-me ser um filme mediano ou até mesmo mais um roteiro adolescente a tratar das relações nessa fase da vida. Nem a sinopse eu li; o mal dos pré-conceitos.
Contudo, ao assistir, fiquei cada vez mais envolvido com a excelente e perfeita atmosfera do extenso (e por que não dizer, confuso e difícil?) mundo da consciência de Charlie. O personagem criado, assim como a excelente atuação de Logan Lerman, respira todo um clima de anseio por viver, respirar, ao mesmo tempo que descobrir e dar novos passos ou apenas fazer novos laços de amizade.
Não posso deixar de comentar o quanto me identifiquei com Charlie. A personalidade tímida, um tanto quanto recatada, mas que traz um turbilhão de sentimentos e anseios, que realiza o possível e, talvez o impossível, para fazer o próximo feliz é um tanto quanto semelhante a mim. Gostei de dois trechos, em especial:
1. "-Por que as pessoas boas escolhem as pessoas erradas? -A gente aceita o amor que acha que merece."
2. "Não pode colocar a vida das pessoas à frente da sua."
Essa última, em especial, remonta-me aos meus questionamentos de eu mesmo ser assim: por que por, muitas das vezes, a vida de outras pessoas à frente da minha? Talvez eu ainda não tenha a resposta, mas acho que já comecei a trilhar um caminho que me levará àquela.
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Até a Última Gota
3.3 163 Assista AgoraNão tem como não assistir a esse filme e não despertar emoções fortes sabendo que situações similares de injustiças sociais, dificuldades e realidades como as da protagonista são palpáveis diariamente em nossa sociedade. A interpretação da Taraji é absolutamente incrível e carrega, de fato, o filme nas costas.
A sororidade que o filme propõe entre ela e a gerente do banco também é um ponto alto, algo que, de fato, beira a realidade e traz força ao ensejo que o filme deseja. A história comove porque ela é mais real do que ficção. Como não se colocar no papel dessa mãe e sentir suas dores, sua realidade, suas angústias? O filme consegue perpassar esse sentimento. Como não refletir sobre a estrutura social de injustiças, de acusações e de como o sistema trata quem não está dentro de seus padrões? São várias camadas a se extrair de situações, personagens e diálogos que o filme traz.
Poderia ter alguma dose maior de dramaticidade e realismo nos takes dentro do banco? Sim, poderia. Em alguns momentos, senti que a atriz que faz a policial da negociação poderia ter tido maior presença. Sua atuação só cresce mais para o final, num clássico clichê de filmes policialescos de rixa entre Policia e FBI. Mas acho que o filme tem sucesso naquilo que se propõe.
É um filme que consegue prender do início ao fim, consegue trazer boas doses de dramaticidade e o peso de uma realidade social que está bem próxima de cada um de nós.
Sonhos de Trem
3.7 351 Assista AgoraAcredito que "Train Dreams" precisa de um momento propício para que sua história e sua mensagem sejam, de fato, impactantes para quem assiste do outro lado. É um filme com uma história triste, mas que consegue permear com leveza. É poético na maioria de seus frames. A fotografia aqui se torna protagonista, com os grandes campos, verdes, névoas e paisagens.
A energia rústica do filme e de seu protagonista nos leva a doses, por vezes, esquecidas da simplicidade da vida. E de como precisamos de pouco (que é muito) para nos conectar com nossa essência e nossa natureza. Qual é a base da nossa vida? Quais sacrifícios fazemos por aqueles que amamos e, às vezes, precisamos estar distantes? Qual o peso dessa vida e das nossas escolhas?
O filme nos faz refletir sobre o aspecto geral da vida. É leve na forma da narrativa, é denso no sentido da história, é lindo pelos frames da fotografia. Não achei que impacta a ponto de sentirmos, do lado de cá, a dor de seu personagem principal. Talvez, o momento de cada um que assiste possa delinear sensações distintas da produção.
O diálogo que o Grainier tem com uma das personagens que chega depois, no meio do filme, é um dos ápices bem interessantes. As cenas finais também emocionam. E é isso.
Pecadores
4.0 1,2K Assista AgoraNa minha jornada em assistir aos filmes indicados ao Oscar, comecei por "Sinners". De cara, percebe-se um tom que o filme claramente vai injetando em nós sua mensagem: vai tratar, sim, sobre racismo, estrutura social, crenças e afins, em uma época que tudo isso se misturava e regrava leis e costumes. A apresentação dos personagens é bem feita e, ao meu ver, não deixa brechas para coadjuvantes ou estrelismos. Todos têm seu papel bem fundamentado.
Concordo com muitos que o filme não é uma verdadeira obra-prima. Ele consegue ser extremamente equilibrado nos ingredientes que mistura: tem um terror leve, tem uma delicadeza minimalista, tem sensualidade regrada, tem pitadas cômicas. Acima de tudo isso, tem uma receita de muitas metáforas para tratar de assuntos sérios. Não estava esperando pela dose da fantasia (ou seria melhor dizer dose de folclore?). Como não sou fã de muitos aspectos caricatos da fantasia, fiquei levemente decepcionado pelo filme trazer essa proposta, mas ela é tão bem feita e justificável que se torna um mero detalhe.
A forma como o filme é exibido também é bem interessante e isso performa bem para quem assiste do outro lado. A trilha sonora faz jus ao que se propõe e deixa a experiência bem envolvente. Também concordo que é exagero um filme desses ser recordista de indicações ao Oscar. Outras produções, de outros anos, mereciam o feito por muito menos.
Em suma, vale a pena. É um filme que prende do início ao fim, não deixa brechas e se torna bem impactante.
A Noite Sempre Chega
3.0 77 Assista AgoraA atmosfera do filme consegue fazer com que sintamos várias sensações que a protagonista do filme passa nesse arco temporal da sinopse. Prende a nossa atenção e, mesmo em momentos de calmaria, ansiamos para saber o que vai acontecer no minuto seguinte. Por mais que não tenha nenhum ápice que seja "estrondoso", com cenas de muita violência ou qualquer coisa do gênero, sentimos os nervos a flor da pele em várias cenas. É profundo o que se passa com a protagonista, sua situação e o cenário "devastador" onde, com o mínimo de empatia, já conseguimos nos colocar na situação vulnerável em diversos momentos que o filme busca retratar ou instigar a crítica.
Meus 84m²
2.9 64 Assista AgoraO filme tem uma atmosfera de suspense bem envolvente. As tomadas de câmera em muitos momentos nos fazem, de fato, sentir o tormento e as agonias do protagonista. Ele tem boa atuação e convence em diversos momentos com suas ações/reações.
A premissa do filme é muito boa, contém ironias e críticas para assuntos reais, porém a execução da parte final do filme é totalmente confusa, irreal e "se perde". O enredo poderia ter sido melhor definido para o arco final e ter trazido uma reviravolta mais bem executada.
Não é um filme ruim, prende o espectador e tem boas doses de suspense. Porém, se perde no final e deixa tudo se esvaziar quase que sem propósito.
iHostage
2.8 28 Assista AgoraO filme conta com um clima de tensão que, até certo ponto, te prende e te deixa apreensivo para saber o que acontecerá no minuto seguinte. Ele consegue ter uma carga de imprevisibilidade justamente porque não existe nenhum retrospecto ou sequer pista da motivação do criminoso. A fotografia é bonita, os cenários são elegantes e a trilha sonora (também até certo ponto) é de boa qualidade.
O filme peca em não ter uma carga dramática que poderia ter sido utilizada e adaptada para tal. Por mais que tenha sido baseada em fatos reais, não é um documentário e poderia ter se utilizado de momentos mais dramáticos, tensos e de suspense para prender ainda mais quem assiste. Existem vários personagens, mas são todos "levianos", porque não nos aprofundamos em nenhum deles. Nem mesmo no personagem sequestrado que passa todo o filme com o sequestrador e não desenvolve nenhum tipo de aprofundamento em suas questões.
Poucos diálogos dentro da cena do crime e nenhum deles também nos dá pistas ou querem revelar motivações ou histórias dos personagens. Idem para as cenas dentro da polícia, com personagens que parecem que serão decisivos para algo, mas não são.
Não é um filme ruim, mas poderia ter sido muito melhor explorado.
Vitória
3.7 249 Assista AgoraTer a lenda Fernanda Montenegro como grande estrela e centro dessa história incrível é, no mínimo, um grande privilégio para nós. Sem dúvidas, a sua atuação trouxe ainda mais simbolismo e peso para essa história real.
Ainda assim, saí do cinema achando que o filme foi leviano. A história tem um desenvolvimento coerente até certo ponto, mas em outro momento parece que tudo ficou na superfície, quando bem sabemos que o tema tratado no filme é bem mais profundo. Faltou profundidade - não sei se do roteiro, da direção ou de outra parte do filme. Em determinado momento as coisas todas se encaixaram e se resolveram sem trazer uma carga dramática ou profunda ao qual os temas pertinentes tratavam.
Mesmo assim, é um filme que consegue trazer grandes elementos do cinema brasileiro, com momentos de tensão, alegria e acolhimento.
Não Se Mexa
2.8 219O filme consegue prender a atenção pelo suspense envolvente. Sem ações premeditadas ou que dão brecha para saber o que vai acontecer no minuto seguinte, o filme consegue captar a atenção.
Contudo, algumas cenas não convencem na dramaticidade e não passam a atmosfera de ser algo horripilante - mesmo sendo, caso envolvêssemos isso numa trama real. Os poucos diálogos que tentam mostrar alguma coisa do universo de ambos os personagens são vazios e não conseguimos entender as motivações do antagonista.
Num primeiro momento, acreditei que tudo poderia ser fantasia da cabeça dela. E, talvez, poderia ter sido essa a escolha do enredo. A perda que a protagonista sofreu poderia ter desencadeado episódios psíquicos que justificariam tudo que ela passa no filme. Porém, não é isso que vemos.
Não é um filme ruim. Se quer algo para prender atenção e assistir passando o tempo, é uma escolha justificável.
O Reformatório Nickel
3.3 158Gostei da inovação da técnica de filmagem do filme, mas não consegui me conectar ao filme, que passa a sensação de ser muito mais longo do que já é. Muitas cenas demoradas que não acrescentam em nada ao enredo, ou sequer tem alguma conexão direta com algum episódio, e sem nenhum tipo de ápice que dê uma sobrevida no meio ou no final do filme. Acredito que é preciso ter referências muito precisas da época em que é retratada o filme para ter maior compreensão das possíveis mensagens que ele está passando ali. Coisas, inclusive, muito peculiares ao espaço/tempo retratado no filme. Posso ter estado desatento em muitos momentos, mas foi um sacrifício terminar o filme.
Bagagem de Risco
3.2 292 Assista AgoraA premissa do filme é interessante, porém é bem vibes "Sessão da Tarde". Em algum momento, as possíveis sensações de tensão são substituídas por clichês, absurdos e forçação de barra. É um filme que dá para prender pelas boas atuações e pelos cenários. Porém, não consegue sustentar em ser um filme excepcional.
O Poço 2
2.4 340 Assista AgoraO filme traz outras nuances e sentidos diferentes do primeiro. O sentimento de atmosfera diferente não surpreende dessa vez porque já conhecemos o cenário. Talvez por isso o primeiro filme seja mais envolvente que o segundo. Contudo, ainda acho uma produção bem inteligente e com significados "escondidos" nas entrelinhas. Cada detalhe é uma provocação, uma reflexão, uma mensagem.
Gostei bastante da metáfora personificada pelo personagem Daging Babi, com o lenço nos olhos remetendo ao símbolo da própria justiça que, neste caso, é realmente cega.
Achei que o filme poderia ter explorado melhor os momentos de suspense e "terror" deixando o espectador mais aflito, sobretudo nas cenas de embates entre os grupos. Poderiam ter explorado melhor o Zamiatin. E tive que recorrer à internet para relembrar que alguns personagens do primeiro filme estavam nesse e que o lapso temporal do segundo filme, aparentemente, é antes do primeiro.
Não é um filme ruim. Ele prende e passa mensagem. Porém, não chega aos pés da novidade impactante que foi o primeiro.
Identidades em Jogo
3.3 234 Assista AgoraA premissa do filme é super interessante e a sensação que dá é que vai te prender absurdamente. Porém, o filme é mal executado. É como ter "a faca e o queijo na mão", mas não saber o que fazer. Os personagens não são carismáticos, você não consegue se conectar com nenhum deles e a trilha sonora contínua do filme beira a irritação em muitos momentos.
A fotografia do filme também não é envolvente, tendo muitas cenas num escuro absurdo e sem nenhum movimento de câmera que lhe deixe imersivo no filme. Existem cenas totalmente desnecessárias que não acrescentam em nada no filme - sobretudo quando tenta retratar aspectos da vida de alguns poucos personagens antes do foco do filme.
É uma pena. Tinha tudo para ser um bom filme
O Sacrifício do Cervo Sagrado
3.7 1,2K Assista AgoraÉ um filme estranhamente envolvente. A apatia e a estranheza da atmosfera do filme são presentes desde o primeiro take. A energia baixa da personagem da Nicole parece incomodar em muitos momentos por não ser uma personagem enérgica e reativa. A atuação do Barry impressiona com todos os seus trejeitos e expressões. A beleza do Colin encanta e traz peso para a complexidade de um personagem que também traz dicotomias.
O filme não traz uma narrativa linear e muito lógica. Existem mais suspenses do que respostas. O personagem Bob também é bem expressivo e o Sunny merece elogios. Eu gostei do filme e em muitos momentos me fez lembrar de "Olho por olho, dente por dente".
O Segredo dos Seus Olhos
4.3 2,2KO filme não diz para o que veio. Ele não se aprofunda na tentativa de relação de um amor reprimido entre os personagens principais, como também não cria nenhum vínculo com o assassinato de uma personagem que não possui nenhuma relevância no contexto - assim como seu marido agora viúvo.
A atmosfera do filme que fica entre passado e presente é um tanto quanto morosa. Os personagens não são cativantes, o enredo é extremamente lento e não há nenhum ápice que justifique esse filme ter notas tão altas. Não existe conexão entre os núcleos do filme, nem mesmo com o desenrolar da investigação do assassinato, que lhe deixe surpreso ou indignado ou qualquer outro sentimento de que a trama foi bem pensada.
Eu sou um eterno entusiasta de filmes de drama e thrillers, sobretudo psicológicos, mas esse filme não tem nada disso. Apenas uma história leviana, mal contada e sem nenhum tipo de clímax.
Close
4.2 663 Assista AgoraA premissa para assistir ao filme é ter sensibilidade. Dito isso, "Close" é um filme que nos apedreja da forma mais dolorosa, flutuante e necessária possível. É preciso saber ler as entrelinhas, mas é mais necessário ter um coração aberto a submergir nas reais sensações e motivações de mundo.
"Close" não é um filme fácil de digerir, sobretudo se você se deu check na sensibilidade para honrar a produção. Sim, é sensível ao mesmo tempo que doloroso e impactante. Nos leva a falar sobre nós mesmos, tanto em casulos de individualidade, mas sobretudo como nos estabelecemos enquanto seres sociais.
Me vi em muitos momentos naquelas cenas. Em episódios que só mudaram de personagens e endereço. Não é fácil. Nunca foi. Muitas vezes, me vi no Léo - na figura inocente e amável em cada olhar amoroso para o outro (no filme, o recorte na figura do Remi, mas que poderia ser qualquer outro/outra/coisa); em outras, na figura do Remi - calado, recatado, também amoroso, duvidando de si e do que recebia do outro, temeroso...
O filme é recheado de cenas impactantes e eu não estava preparado/esperando o que estava cravado no roteiro. Nem mesmo em minutagem tão cedo. Mas, se teve uma cena (dentre tantas) que me marcaram, sem dúvida, foi a de Remi em sua luta chorosa e praticamente em silêncio com o Leo. Aquela cena é dolorosa ao mesmo tempo que cheia de significado. Porque, meus amigos, nossas lutas, na maioria das vezes, são assim. Nem sempre com lágrimas no rosto, mas engolindo mil sentimentos por dentro. Que tenso foi ver aquela cena e se colocar ali.
O papel da inocência indo embora pela mediocridade alheia do mundo. As consequências de sofrer o que esse mundo tenta fazer em você. O sentimento de dor dupla: a da perda do ser e a da culpa. Qual dor dói mais? "Quebrar um braço dói". E perder alguém? E viver com culpa? E ser quem não é? E não demonstrar o que quer? São dores tão doídas quanto...
Não tem como não nos questionarmos o que fazemos enquanto pessoas convivendo em sociedade e observar a podridão do que uma caixinha criada socialmente pode impactar na vida do outro. Um mundo terminou ali. E era um mundo de muitos significados. Significados esses que não precisavam de terceiros lhes dizendo quais eram, mas apenas quem participava dele que poderia dizer, sentir, espairecer, duvidar, incrementar... enfim, conceber aquilo que poderia ser. E poderia ser o que eles quisessem ser.
Sangue Frio
2.4 74 Assista AgoraO filme prende. Não tem como correr de uma história que se passa, basicamente, dentro do carro enquanto os personagens principais estão rodeados de uma nevasca fria, brutal e sem saídas. Pelo menos para soluções óbvias.
Os personagens são carismáticos, apesar de suas posições não sugerirem carisma. Gosto da personalidade do David e ele tem um charme até arrebatador para as cenas que se seguem no filme. A reviravolta já no início da trama nos dá um gás para ficarmos curiosos para o que se sucederá nos próximos minutos.
Para mim, o filme poderia ter explorado de forma mais "brutal" a realidade pela qual os personagens ficaram presos na situação. O foco nos diálogos é até interessante, mas não se aprofunda nas questões psicóticas do David, muito menos se aprofunda na realidade brutal que a Ana vivia logo antes. Você se compadece com a personagem pela situação atual, mas nada aprofundado.
O final, para mim, não surpreendeu e eu esperava alguma nova reviravolta. A premissa do filme é interessante, a execução talvez tenha falhado e o enredo se perde. Não é um filme ruim, mas também não merece destaque.
Coerência
4.0 1,4KAdorei esse filme. Apareceu como recomendação após assistir a "Exam". O clima amistoso e simples do núcleo de personagens faz com que estejamos imersos entre eles logo nas primeiras cenas. Gosto disso: a simplicidade da filmagem, que pode incomodar a alguns, traz mais realismo na imersão do filme.
As atuações são simples, nada de fenomenal, mas cumprem seus devidos papeis nessa simplicidade geral. É quase como uma gravação "amadora" a qual assistimos como se também estivéssemos ali.
Amo filmes com essa temática disruptiva. Me lembrou "Durante a tormenta" e o clima de suspense que vai ficando cada vez maior a cada segundo lhe deixa também intrigado para saber em que momento as coisas realmente aconteceram. Talvez seja necessário reassistir outras vezes para se ter maiores detalhes da trama, mas também podemos inferir alguns temas da trama - sobretudo quando se chega perto do final.
como o fato de a personagem Em começar a entender o que realmente estava acontecendo e interferir em seu próprio curso para garantir a versão que ela queria para si. Não sei se podemos chamar de um aspecto egoico, mas claramente foi uma atitude "desesperada" de saber que, provavelmente, o caos estava instaurado em várias dimensões que estão coexistindo todos os personagens e que, para isso, ela precisava buscar sua melhor versão.
É um filme que prende, que instiga e que nos abraça. Gosto disso.
Exame
3.2 306A premissa do filme é bem interessante. Particularmente, adoro filmes com temáticas intrigantes assim e que se passam em um único cenário. As atuações são boas, apesar que muitas das falas são forçadas ou demasiadamente formais - na minha cabeça, a justificativa para isso é a de que eles são pessoas com alto Q.I e, naturalmente, possuem um linguajar mais rebuscado.
Porém, acredito que o enredo não se sustentou ao longo do filme e o que parecia ser promissor acabou sendo um fiasco. O filme não é todo ruim, mas o final decepciona, não surpreende e deixa a sensação de ausência de clímax. A trilha sonora em muitos momentos incomoda também. Acho que em algumas cenas poderia ter total ausência de fundo musical, o que deixaria mais suspense.
"The Circle" cumpre melhor o propósito de um filme com enredo similar.
Zona de Interesse
3.6 700 Assista AgoraNão posso discordar dos muitos comentários que entoam a lentidão do filme. Sim, é um filme "parado". Entre aspas porque para quem vai assisti-lo na expectativa de ser mais um enredo explosivo ou catastroficamente explícito sobre a II Guerra Mundial, sim, irá se frustrar.
"Zona de Interesse" vai na contramão da maioria das narrativas que expressam o que se passa dentro dos campos de concentração. O grande objetivo do filme é, justamente, mostrar uma faceta pouco explorada ou sequer imaginada por nós: a normalização e banalização da maldade/crueldade de tempos sombrios. Esse é o grande ponto do filme.
Uma família normal vivendo normalmente em tempos hostis vizinhos ao maior campo de concentração nazista. O papel apático e egoísta da esposa tem seu protagonismo. As feições pouco expressivas e frias do marido também entoam o gélido do momento. A pureza das crianças brincando pelo jardim e na piscina mostram as facetas do horror normalizado e vivido.
Não é um fillme de movimento. As câmeras quase que estáticas como se estivéssemos assistindo ao Big Brother são calculadas meticulosamente. É um filme que precisa estar atento aos detalhes. E, mais que isso, reflexivo sobre como o mundo viveu algo tão horrendo e estarmos sempre vigilantes para jamais normalizamos horrores vividos (ou planejados) contemporaneamente.
Vidas Passadas
4.1 949 Assista AgoraEsse filme foi indicado por um amigo que já sabia da minha paixão por "About Time". De antemão, já profano: esteja num dia calmo e numa vibe coerente para assistir a "Past Lives". Como todo filme de romance, precisa estar no mood para conseguir absorver. Eu confesso que no dia que assisti, não estava totalmente imerso na energia para um filme como esse, mas diante da expectativa gerada pela indicação, consegui me atentar às quase 2h de duração.
Não é um filme de romance/drama marcado pelas "melosidades" as quais estamos habituados pela indústria norte-americana. "Past Lives" nos leva para uma outra atmosfera: a dos amores não-praticados ou quase que perdidos. O ritmo é lento e as falas são poucas e precisas. Isso pode fazer com que seja entediante. Por isso, repito: esteja num momento "calm down" para absorvê-lo.
Me instigou muito no filme as tomadas precisas das câmeras em diversos momentos e a clara intenção de fazer com que nós, espectadores, sentíssemos de fato as tensões/emoções de dois apaixonados que ficam na iminência de uma paixão de criança que nunca se consumou. A expectativa do "vai rolar? Vai acontecer? Eles finalmente vão ficar?" persegue por boa parte do filme - e acostumados que somos com os clichês dos romances, somos levados a achar que sim.
Mas isso não vem. O grande sumo de "Past Lives" é flertar mesmo com a realidade. O amor não é uma linha reta, você pode se apaixonar por uma amizade e esse amor pode nunca se consumar numa relação a dois (ou a quantos forem). O fato de eles não ficarem e não consumarem essa paixão pode nos trazer, minutos após o término do filme, a sensação de que algo não se completou. Mas, depois que absorvemos a ideia do longa, entendemos que é esse pé na realidade não contada de muitos romances que "Past Lives" se diferencia e não se torna mais um clichê.
No geral, eu ainda acho "About Time" muito mais passional. "Past Lives" chega para mim como um filme que, mesmo sendo suave, traz uma mensagem mais real sem dramas e choros.
Um Sonho Possível
4.0 2,4K Assista Agora"Um Sonho Possível" transpõe-nos para uma atmosfera um tanto quanto clichê do universo de filmes infanto-juvenis. Personagens afortunados estudando em escolas clássicas de sua cidade e um personagem da periferia (ou, como se diz nos filmes, "do outro lado da cidade") ganhando uma bolsa para tal instituição a partir de alguma aptidão que lhe é conferida.
No entanto, o filme ultrapassa a barreira do senso comum e parte para uma análise social e de reflexão pessoal de maneira leve, instigante e emocionante. Sandra Bullock, mais uma vez, demonstra o seu talento para a atuação e me garantiu excelentes minutos de risadas, pensamentos, reflexões e questionamentos.
Em "Um Sonho Possível", o espectador depara-se com o universo de uma família de classe alta que, por destino, encontra o personagem de Quinton Aaron (Big Mike). Aplausos. O simples gesto de corte realizado com ambas as mãos deve ser feito para este ator, que soube, de maneira fantástica, perpassar a angústia, a tristeza, o passado complicado, bagunçado, eufórico que vivera o seu personagem. Através de um simples olhar triste, o espectador pode entrar em contato com toda a tristeza que o Michael trazia consigo no longa-metragem.
Em seu caminho aparece, então, a encantadora Sandra Bullock. De antemão, sugere-se um personagem clichê: uma dondoca, afortunada, que não liga para nenhuma causa exceto a roupa que veste, as posses que administra, o clube que frequente e o círculo de "amizades" que sustenta. Mas, não. Não é isso que temos no longa. A capacidade humanitária, a força humana e a complacência da personagem de Bullock encantou-me em seus primeiros momentos. Apesar de se fazer fechada e durona na maior parte do tempo, mulher de poucas palavras e exposição de sentimentos, Leigh Anne encanta e sugere que reflitamos a cerca de pequenas atitudes e gestos humanos ao abrigar durante uma noite (a princípio) o personagem de Quinton após o mesmo ser expulso de casa. Além disso, o rapaz tem lidar com o fato de não ser o estereótipo pregado pela sociedade americana, como também não ter tido nenhum embasamento para o desenvolvimento de seus estudos. Um personagem complexo e regado de experiências traumáticas que desencadeiam atitudes um tanto quanto quietas (mas, que na verdade, são inquietantes) e uma personalidade recatada, resguardada dentro de si mesmo.
Big Mike frequenta, a partir de uma bolsa sucedida ao mesmo, a escola de maioria branca e começa a despertar a força de vontade de ajuda de alguns professores, que o veem diferenciado e com grande potencial para o aprendizado. O filme, assim, baseia-se nas várias circunstâncias que levam ao garoto superar os traumas sofridos durante a sua infância (a exemplo da mãe alcoólatra e usuária de drogas e a ausência da figura paterna) em um bairro onde predomina a marginalidade, e conseguir, ao fim, a vitória a partir do esforço e da dedicação aos estudos.
"Um Sonho Possível" faz-nos refletir a cerca do que somos e do que queremos para nós mesmos, ao mesmo tempo que nos faz refletir como simples gestos, como uma palavra de consolo ou uma frase de motivação, podem fazer, sem demagogias, a diferença na vida de uma pessoa. Mesmo que o gesto seja pequeno, pode-se ter a certeza que a semente foi planta e deu-se a água para que ela possa ser regada e, por fim, germinada. Um filme que abrange causas sociais, aspectos sociais, humanidade e força mental. Um filme para todas as idades e todos os gêneros.
Os Sonhadores
4.1 2,0KMais um filme adolescente? A uma primeira impressão, poderia apostar que sim; contudo, ao assisti-lo, a resposta é mudada inegavelmente para 'não'. "Os sonhadores", realmente, faz valer o próprio título ao levar o espectador ao mais profundo da mente adolescente e jovial do seu protagonista. Ou, melhor, das mentes dos seus três personagens principais.
Embalado por uma carga literária incomum, proveitosa e inteligente, o filme mescla cenas de conteúdo adulto com uma leveza jamais imaginada para uma cenografia de tal tipologia. O enredo soube, extraordinariamente, abordar a sexualidade e os devaneios decorrentes dela de maneira delicada e processual.
A carga literária também merece destaque. É a partir de um fino, divertido e sábio jogo de "que filme é esse?" que todas as ações do filme se desenvolvem, trazendo diversos temas que englobam o mundo jovem e o âmbito fora de suas mentes, afinal, uma revolução estudantil e social passava-se no tempo locado para o filme.
Os elogios às atuações não são à toa. Michael Fit impressiona em mais um espetáculo de atuação, dando leveza e grande maestria a um personagem inteligente e corajoso, hábil em sua personalidade e sábio em suas escolhas; Louis também agrada com sua atmosfera um tanto quanto misteriosa, mas de grande poderio imaginário. Seu personagem, Theo, em um primeiro momento, sugere um personagem secundário, sem interferências significativas. Contudo, engana-se, novamente, quem pensa assim após assistir ao filme; Eva Green, lógico, dispensa comentários: Isabelle age com esperteza e malícia, e soube, ao meu ver, incorporar a questão da virgindade de significativa jovialidade.
A temática 'adolescente' sempre me pareceu de difícil enredo, pois muitos escritores e diretores não se expressam corretamente ou não sabem como incluir atmosferas e fatos dentro de uma tipologia onde só se pensa que a sexualidade é força motriz para a geração de uma história. Em "Os sonhadores", com certeza, toda a equipe detrás das cenas soube, inigualavelmente, interagir um contexto histórico com um contexto mental de três jovens em um mundo apoteótico, efervescente e real. Em "Os sonhadores" você é convidado a sonhar e, pode ter certeza, o sonho não é pesadelo.
As Vantagens de Ser Invisível
4.2 6,9K Assista Agora"As vantagens de ser invisível", a princípio, pareceu-me ser um filme mediano ou até mesmo mais um roteiro adolescente a tratar das relações nessa fase da vida. Nem a sinopse eu li; o mal dos pré-conceitos.
Contudo, ao assistir, fiquei cada vez mais envolvido com a excelente e perfeita atmosfera do extenso (e por que não dizer, confuso e difícil?) mundo da consciência de Charlie. O personagem criado, assim como a excelente atuação de Logan Lerman, respira todo um clima de anseio por viver, respirar, ao mesmo tempo que descobrir e dar novos passos ou apenas fazer novos laços de amizade.
Não posso deixar de comentar o quanto me identifiquei com Charlie. A personalidade tímida, um tanto quanto recatada, mas que traz um turbilhão de sentimentos e anseios, que realiza o possível e, talvez o impossível, para fazer o próximo feliz é um tanto quanto semelhante a mim. Gostei de dois trechos, em especial:
1. "-Por que as pessoas boas escolhem as pessoas erradas?
-A gente aceita o amor que acha que merece."
2. "Não pode colocar a vida das pessoas à frente da sua."
Essa última, em especial, remonta-me aos meus questionamentos de eu mesmo ser assim: por que por, muitas das vezes, a vida de outras pessoas à frente da minha? Talvez eu ainda não tenha a resposta, mas acho que já comecei a trilhar um caminho que me levará àquela.
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