Uma das obras definitivas sobre os tempos que vivemos. Em meio a uma luxuosa fotografia de um mundo fake, quase morto, temos esse protagonista letárgico que, mesmo em meio aos mais variados tipos de estímulos modernos, permanece completamente inerte e desinteressado. O próprio rimo da série então se adequa a essa percepção de mundo, sendo bem vagaroso em sua maioria, com cenas e planos bem longos e diálogos bem arrastados. Quem procura entretenimento vai se arrepender, claramente essa não é a intenção do Refn aqui.
A única coisa que consegue tirar o nosso herói desse estado de letargia é a violencia. Ele não possui nenhuma ambição, desejo ou senso de moral. Como um animal, tudo que ele quer é machucar e matar. E, de novo, a própria obra vai lá e romantiza a violencia, glorifica, quase que de forma ritualística, se adequando a noção de mundo do personagem - tem uma cena de perseguição no episódio 5 que ilustra bem isso. E o mais espantoso de tudo é que na America de Refn, o personagem não é um serial killer, não é um marginal, é simplesmente um americano médio.
A série, como um todo, é uma sátira muito bem bolada da America do Trump, e isso fica evidente na forma que retrata a corporação policial. Nesse Novo Mundo, não existe mocinhos, não existem vilões, todos são filhos da puta e a vida é uma selva de neons.
A mesma bagunça de sempre que nós amamos. Nesse ano temos dois arcos; o primeiro é muito referencial ao Slasher, como se espera, cheio de sangue, gritos e violencia gratuita, mas com muito pouco do adorável cinismo que tão bem marca o show - menos a premiere. Já no segundo isso retorna com mais força e a série sobe consideravelmente de qualidade. A mitologia da série já é tão robusta que não causa mais espanto ver fantasmas fazendo sexo e fumando maconha, mas o absurdo da situação continua, o que leva a série por um caminho comico, de humor negro. E e essa sua principal qualidade, não o terror propriamente.
Parece que o Sorrentino deixou o roteiro de lado e usou a série como exercício de estética. A direção de arte e a fotografia são sublimes, conseguem realçar toda a grandeza e força da Igreja apenas através dos cenários e figurinos, e tudo isso de uma forma incrivelmente moderna, sem soar pedante. Já o roteiro é meio tropego, sem ritmo e sem foco, demora pra engrenar, e quase nunca se aprofunda nas várias tramas que aborda. Isso já acontecia em Young Pope, mas aqui saiu dos limites. Mas foda-se, a fotografia é realmente foda. Eu não consigo imaginar como essa série não foi filmada no Vaticano.
Afora essa já desgastada crítica ao capitalismo e o simulacro de luta de classes sobra o que? O "terror" não poderia ser mais gráfico, cheio de gore e personagens desumanos, como em qualquer filme B do século passado.Será que alguém ainda se choca com isso? A fotografia parece que não existe, como se o filme fosse filmado todo no mesmo galpão. Mas o que incomoda mesmo é tentar usar esse monte de bosta como uma crítica social super válida. Salva só as atuações e a trilha sonora.
Incrível como tudo nesse filme é belo...até o grotesco. Poucas vezes o terror foi tratado com tamanha elegância e glamour no cinema. Totalmente subversivo. Tão bom que desconfio que funciona melhor sendo assistido no mudo.
Não acho que o melhor lugar pra se trabalhar com psicopatas seja Hollywood, Seus filmes se dão de maneira geralmente bastante pudica, então esse lance do grosteco acaba sendo suavizado e perdendo qualquer força. E aqui não é diferente. Resta então o humor negro e os overacting do Cristian Bale. Não foi o suficiente pra mim. E achei o final bem grosseiro, didático demais.
A gente já viu esse lance de harmonia étnica-cultural-ecológica milhões de vezes. É um viés sempre tão martelado que já perdeu qualquer peso. Por isso considero o filme bom não pela trajetória do protagonista e sim pelo excelente trabalho de reconstrução de época. Quando o ambiente é mais interessante que a história. A direção também é bem competente ao conseguir colocar alguma energia num roteiro tão convencional.
Eis um filme bastante pretensioso e difícil. A impressão que eu tenho é que tudo é falso aqui, menos as imagens. Os personagens podem parecer unidimensionais, mas são bastante enigmáticos. Nunca se sabe o que estão verdadeiramente pensando ou sentido, e o filme faz questão de que seja assim.
O que pode soar superficial é na verdade vazio, e este é o amago da obra. McQueen, sendo artista plástico antes de cineasta, não tem interesse em fazer um filme sobre o vício e sim um filme que passe a sensação de vício, que seja a própria sintetização do problema. E nesse inferno asséptico e clean que é a NY que McQueen retrata, a única coisa de fato real é o sofrimento.
Jamais o holocausto foi mostrado com tamanha visceralidade como aqui. É impossível não se sentir incomodado com o que está presenciando, e a escolha por mostrar tudo quase sempre fora de foco só deixa tudo ainda mais perturbador. Aqui vale destacar também o esplendoroso trabalho de som. Nós não podemos ver tudo, mas ouvimos. E pior, imaginamos.
Eu diria que é como se estivessem mostrando o inferno, mas é muito pouco. É como se você realmente estivesse lá.
Assim como Pi, Black Swan e Requiem for a Dream, o Lutador também é um filme sobre fantasia e realidade. Parece que esse é um tema-comum em todos os projetos do diretor.
Mesmo que empregando um estilo muito mais sutil e naturalista, lá está a história de um homem preso nos anos 80. E toda a ambientação, a trilha sonora e até os figurinos reforçam ainda mais a ideia. É como se todo aquele mundo fosse um micro-universo oitentista perdido no tempo. Também pudera, essa é justamente a visão do protagonista.
O Lutador não é sobre a luta contra seus adversários no ringue ou até mesmo sobre as adversidades do homem no dia-a-dia. É sobre uma luta dele contra ele mesmo, uma luta interna. O indivíduo contra o alter ego. O mundano contra o divino. Robin vs Randy.
Apesar disso, pra quem já acompanhou outras obras do Aronofsky, o filme não oferece muita coisa além.
Claramente são dois filmes em um. Primeira parte espetacular, uma aula de cinema em tudo: atuação, montagem, fotografia...já na segunda parte, o filme dá uma completa guinada de tom e ritmo. Espera-se que os jovens que foram treinados na base experimentem os horrores da guerra de fato, mas o que se vê é um retrato irônico e cheio de humor negro dela.
Kubrick quis falar sobre a dualidade humana, e pra isso fez dois filmes em um. Acontece que um é muito melhor que o outro.
É até difícil analisar a verdadeira salada de frutas que foi esse filme. Ele foi escrito por um cara, reescrito por outro e dirigido de uma forma completamente distinta por outro.
Talvez se fosse todo escrito pelo Chris Terrio, e dirigido por um diretor de verdade, pudesse ser um ótimo filme. Percebe-se a tentativa de trazer algo profundo e simbólico em muitos momentos, mas as conclusões são todas simplistas e estapafúrdias - como se fossem escritas por roteiristas diferentes.
Batman vs Superman é como um time de futebol onde todos os jogadores querem jogar sozinhos. Não há unidade nenhuma. Um dos filmes mais bagunçados que já vi.
O melhor filme que eu vi nesse ano até aqui. É fantástica a maneira como o Cronenberg desconstrói o protagonista. Ele começa quase como um ser divino, acima de nós reles mortais e vai passando por um processo de humanização fascinante. Mesmo se passando quase que inteiramente dentro de uma limusine, o diretor encontra formas bastante criativas de filmar as cenas. E o ato final é uma aula de cinema. Quem diria que Robert Pattinson não iria fazer feio frente a atores premiados como Juliette Binoche e Paul Giamatti?
Se existiu um filme que melhor sintetize o século XXI, definitivamente até o momento é esse.
A Bruxa é um filme que se traveste de terror pra narrar o mais básico da dramaturgia. É uma família assolada por seus pecados, por seus segredos, algo que já existe desde Shakespeare (MacBeth, oi). A própria Bruxa, que dá título ao filme - e que pode gerar grande expetativa (e frustração) ao público tradicional de cinema comercial - só serve mesmo como catalisadora destes conflitos.
A excelência do filme reside justamente na forma como o diretor consegue desenvolver o lado psicológico desses personagens. Quem for vê-lo esperando demônios ou bruxas malignas portanto pode tirando o cavalinho da chuva. A Bruxa é um filme soberbamente humano. E não existe nada mais aterrorizante do que isto.
Eu pensava que seria um drama policial, onde os personagens tivessem tons de cinza e não fosse tudo no preto no branco, e o primeiro ato até confirmou essa expectativa com o Denzel Washingon (soberbo) mostrando a realidade das ruas pro Ethan Hawke, mostrando que as coisas ali funcionavam de uma forma diferente. Até ai o filme é ótimo, só que depois descamba pra um maniqueísmo tosco e pueril, típico dessas grandes produções hollywoodianas. Tentaram transformar uma coisa que é naturalmente complexa em uma simples disputa de bom contra mal. Mas parando pra pensar, existe coisa mais HOLLYWOOD do que isso?
Só nos resta torcer pro polícia branco permanecer incólume ante aos avanços macabros e nocivos de gangues de negros e latinos.
Este deve ser um dos filmes favoritos de Donald Trump.
Não é possível que só eu tenha ficado incomodado com a maneira extremamente porca que uma comunidade inteira se vira contra um de seus membros mais respeitáveis. Não são colocadas justificativas ou qualquer alusão a alguma backstory, as pessoas decidem acreditar na versão da garota porque sim, porque o diretor quis. Os personagens são grosseiramente crucificados apenas pra acionarem o gatilho da trama.
Afinal, o que importa é o choque que advém dela. É afligir o máximo de sofrimento possível ao protagonista. É a estética do refém descrita maravilhosamente num artigo da Contracampo. O sofrimento vazio - tão vazio quanto qualquer filmeco de Hollywood ou essas séries toscas de zumbis - mas sob a embalagem de drama cult.
É uma pena porque você tem uma tremenda (mais uma) atuação do Mads Mikkelsen sendo desperdiçada num montante de nada.
É uma série sobre o Papa, religião e essas merdas? É sim, mas parece que o Sorrentino filma um desfile do Victorias's Secret Show.
Eu achei até um roteiro um pouco defeituoso pra falar a verdade, mas quem se importa? O foda da série é ver Jude Law com aquela roupas fodas desfilando no Vaticano. O que foi aquela cena da Capela Sistina? Muito foda, isso é CINEMA na TV.
Até cena do deserto da África toda fudida o cara consegue colocar GLAMOUR e ELEGÂNCIA e fazer ficar bonita.
Um raro caso onde o remake superou o original. E olha que o original é difícil de ser batido.
Se o original representa a epítome do conservadorismo norte-americano da época, com o vilão sendo retratado como um comunista sujo e pervertido que ameça os valores familiares e cristãos, nesse a interpretação do De Niro somado a imagem que o Scorcese cria daquela típica família americana faz até a gente simpatizar pelo vilão.
Os EUA não são mais os mocinhos que salvaram o mundo do nazismo, afinal.
O pai agora é um advogado corrupto que trai a esposa, enquanto a mesma não sabe como criar e dialogar com a filha, enquanto a filha não pensa duas vezes na hora de fumar maconha.
O que o personagem do De Niro faz, e que é radicalmente diferente do original, é apenas se aproveitar das frestas de uma família/nação já rachada. Aliás, mais do que um bandido que quer se vingar, Max Candy é a própria ira de Deus encarnada.
De certa forma, esse filme só atualiza a visão conservadora dos americanos em relação a sua nação.
Sou FÃ do Polanski. E como fã, realmente não consigo engolir ele fazer um filme onde se limita apenas a SEGUIR O PROTAGONISTA com a câmera. Eu entendo perfeitamente seu objetivo com isso, e tenho que reconhecer que ele foi bem sucedido, mas ao mesmo tempo isso retira o seu melhor que é a brilhante composição das cenas, a força da mise en scéne.
Fora isso o filme é uma aula de roteiro. Um roteiro que pode ter sido genial na época, mas perdeu muito de sua força com o tempo. O roteiro segue todas as linhas possíveis clássicas de um noir. É literalmente uma aula.
Confesso que seria até um filme bem esquecível pra mim se não fosse aquele clímax. É esse o Polanski que queria ter visto no resto do filme.
Vi esse filme alguns anos atrás e achei arrastado e sonolento como alguns aqui, mas revendo mudei radicalmente de opinião. Acho que é porque antes eu fui ver esperando uma continuação espiritual de Seven, ou seja um suspense criminal tradicional sobre um serial killer, mas o filme tem uma abordagem totalmente diferente. É mais sobre a força de um ícone, o poder da mídia, da propaganda na cultura norte-americana - sendo a violência algo intrínseco a ela.
Até porque o Zodíaco é um caso bem específico, ele não tem face e, apesar dos incontáveis rumores, ele não tem identidade. É praticamente uma entidade que rondou o pacato norte da califórnia no final dos anos 60.
Sendo assim, Fincher o utiliza praticamente como um gatilho pra retratar a vida de 3 personagens e como elas foram sugadas por esse vórtice histórico-cultural. É mais um estudo de personagens do que qualquer outra coisa. Reparem como no filme a força do Zodíaco advém mais do intrincado caso, de seu complexo enigma, do que dele próprio.
A sombra é maior que o indivíduo e a MAGISTRAL cena do porão ilustra bem o que quero dizer.
Continuando sua sina subversiva, Ryan Murphy agora utiliza o velho pra falar do novo. Engana-se quem acha que essa temporada é sobre a lenda de Roanoke, esse é só o pano de fundo, ela é na verdade sobre a busca pela fama, pela audiência. É sobre Hollywood. Nada mais "American Horror Story" que isso.
Diferente das demais temporadas, o horror não aparece agora como figura catártica. Aqui ele é usado como sua forma mais pura, como castigo, punição. Mas essa geração é indiferente à morte. Ou melhor, não há morte enquanto o número de views e like for alto. No século XXI, você é a sua imagem, e enquanto ela existir, você vive. O que sobra então é o espetáculo. E não há nada que simbolize melhor isso do que criar um Reality Show onde os perdedores perdem sua vida. Mas a vida que importa é o tempo que você tem na tela. A busca pela fama é a busca pela imortalidade. E quando ela se esvai pelos seus dedos, como foi o caso da Agnes (Kathy Bates, maravilhosa), não sobra mais nada.
A vencedora, no entanto, ironicamente, não queria o mundo da fama. O objeto de tanto desejo da maioria dos personagens - a ponto de sacrificarem sua própria vida - era desprezado por ela. Seu único objetivo era sua filha. E é nesse trecho que AHS volta à sua raízes e utiliza o terror como catarse. É só na morte que a Lee rompe suas barreiras e finalmente obtém o perdão da filha.
No final, como em todas as demais temporadas de AHS, os fantasmas de Roanoke é que são os verdadeiros heróis, protegendo sua terra sagrada da profanação do mundo moderno, um mundo de ilusões e superficialidade, este sim o verdadeiro terror. No mundo de AHS, "todos os monstros são humanos".
Esse filme é mais uma prova que não existe maneira melhor de falar sobre a morte do que mostrando a vida. Foi muito divertido acompanhar essa galerinha da pesada aprontando altas confusões. É um asilo, mas poderia ser uma escola. São idosos, mas poderiam ser crianças.
Não é um filme pró-eutanásia, é um filme pró-vida.
Desistiram completamente de contar uma história aqui, de desenvolverem um arco dramático com início, meio e fim, pra focarem em mistérios e mais mistérios. Cliffhangers e mais cliffhangers. Diria que como uma série, é um excelente puzzle.
Muito Velho Para Morrer Jovem
3.9 59 Assista AgoraUma das obras definitivas sobre os tempos que vivemos. Em meio a uma luxuosa fotografia de um mundo fake, quase morto, temos esse protagonista letárgico que, mesmo em meio aos mais variados tipos de estímulos modernos, permanece completamente inerte e desinteressado. O próprio rimo da série então se adequa a essa percepção de mundo, sendo bem vagaroso em sua maioria, com cenas e planos bem longos e diálogos bem arrastados. Quem procura entretenimento vai se arrepender, claramente essa não é a intenção do Refn aqui.
A única coisa que consegue tirar o nosso herói desse estado de letargia é a violencia. Ele não possui nenhuma ambição, desejo ou senso de moral. Como um animal, tudo que ele quer é machucar e matar. E, de novo, a própria obra vai lá e romantiza a violencia, glorifica, quase que de forma ritualística, se adequando a noção de mundo do personagem - tem uma cena de perseguição no episódio 5 que ilustra bem isso. E o mais espantoso de tudo é que na America de Refn, o personagem não é um serial killer, não é um marginal, é simplesmente um americano médio.
A série, como um todo, é uma sátira muito bem bolada da America do Trump, e isso fica evidente na forma que retrata a corporação policial. Nesse Novo Mundo, não existe mocinhos, não existem vilões, todos são filhos da puta e a vida é uma selva de neons.
American Horror Story: 1984 (9ª Temporada)
3.7 401 Assista AgoraA mesma bagunça de sempre que nós amamos. Nesse ano temos dois arcos; o primeiro é muito referencial ao Slasher, como se espera, cheio de sangue, gritos e violencia gratuita, mas com muito pouco do adorável cinismo que tão bem marca o show - menos a premiere. Já no segundo isso retorna com mais força e a série sobe consideravelmente de qualidade. A mitologia da série já é tão robusta que não causa mais espanto ver fantasmas fazendo sexo e fumando maconha, mas o absurdo da situação continua, o que leva a série por um caminho comico, de humor negro. E e essa sua principal qualidade, não o terror propriamente.
O Novo Papa
4.1 22Parece que o Sorrentino deixou o roteiro de lado e usou a série como exercício de estética. A direção de arte e a fotografia são sublimes, conseguem realçar toda a grandeza e força da Igreja apenas através dos cenários e figurinos, e tudo isso de uma forma incrivelmente moderna, sem soar pedante. Já o roteiro é meio tropego, sem ritmo e sem foco, demora pra engrenar, e quase nunca se aprofunda nas várias tramas que aborda. Isso já acontecia em Young Pope, mas aqui saiu dos limites. Mas foda-se, a fotografia é realmente foda. Eu não consigo imaginar como essa série não foi filmada no Vaticano.
O Poço
3.7 2,1K Assista AgoraAfora essa já desgastada crítica ao capitalismo e o simulacro de luta de classes sobra o que? O "terror" não poderia ser mais gráfico, cheio de gore e personagens desumanos, como em qualquer filme B do século passado.Será que alguém ainda se choca com isso? A fotografia parece que não existe, como se o filme fosse filmado todo no mesmo galpão. Mas o que incomoda mesmo é tentar usar esse monte de bosta como uma crítica social super válida. Salva só as atuações e a trilha sonora.
Demônio de Neon
3.2 1,2KIncrível como tudo nesse filme é belo...até o grotesco. Poucas vezes o terror foi tratado com tamanha elegância e glamour no cinema. Totalmente subversivo. Tão bom que desconfio que funciona melhor sendo assistido no mudo.
Psicopata Americano
3.7 2,0K Assista AgoraNão acho que o melhor lugar pra se trabalhar com psicopatas seja Hollywood, Seus filmes se dão de maneira geralmente bastante pudica, então esse lance do grosteco acaba sendo suavizado e perdendo qualquer força. E aqui não é diferente. Resta então o humor negro e os overacting do Cristian Bale. Não foi o suficiente pra mim. E achei o final bem grosseiro, didático demais.
Z: A Cidade Perdida
3.4 322 Assista AgoraA gente já viu esse lance de harmonia étnica-cultural-ecológica milhões de vezes. É um viés sempre tão martelado que já perdeu qualquer peso. Por isso considero o filme bom não pela trajetória do protagonista e sim pelo excelente trabalho de reconstrução de época. Quando o ambiente é mais interessante que a história. A direção também é bem competente ao conseguir colocar alguma energia num roteiro tão convencional.
Shame
3.6 2,0K Assista AgoraEis um filme bastante pretensioso e difícil. A impressão que eu tenho é que tudo é falso aqui, menos as imagens. Os personagens podem parecer unidimensionais, mas são bastante enigmáticos. Nunca se sabe o que estão verdadeiramente pensando ou sentido, e o filme faz questão de que seja assim.
O que pode soar superficial é na verdade vazio, e este é o amago da obra. McQueen, sendo artista plástico antes de cineasta, não tem interesse em fazer um filme sobre o vício e sim um filme que passe a sensação de vício, que seja a própria sintetização do problema. E nesse inferno asséptico e clean que é a NY que McQueen retrata, a única coisa de fato real é o sofrimento.
O Filho de Saul
3.7 256 Assista AgoraJamais o holocausto foi mostrado com tamanha visceralidade como aqui. É impossível não se sentir incomodado com o que está presenciando, e a escolha por mostrar tudo quase sempre fora de foco só deixa tudo ainda mais perturbador. Aqui vale destacar também o esplendoroso trabalho de som. Nós não podemos ver tudo, mas ouvimos. E pior, imaginamos.
Eu diria que é como se estivessem mostrando o inferno, mas é muito pouco. É como se você realmente estivesse lá.
O Lutador
4.0 914 Assista AgoraAssim como Pi, Black Swan e Requiem for a Dream, o Lutador também é um filme sobre fantasia e realidade. Parece que esse é um tema-comum em todos os projetos do diretor.
Mesmo que empregando um estilo muito mais sutil e naturalista, lá está a história de um homem preso nos anos 80. E toda a ambientação, a trilha sonora e até os figurinos reforçam ainda mais a ideia. É como se todo aquele mundo fosse um micro-universo oitentista perdido no tempo. Também pudera, essa é justamente a visão do protagonista.
O Lutador não é sobre a luta contra seus adversários no ringue ou até mesmo sobre as adversidades do homem no dia-a-dia. É sobre uma luta dele contra ele mesmo, uma luta interna. O indivíduo contra o alter ego. O mundano contra o divino. Robin vs Randy.
Apesar disso, pra quem já acompanhou outras obras do Aronofsky, o filme não oferece muita coisa além.
Nascido Para Matar
4.3 1,2K Assista AgoraClaramente são dois filmes em um. Primeira parte espetacular, uma aula de cinema em tudo: atuação, montagem, fotografia...já na segunda parte, o filme dá uma completa guinada de tom e ritmo. Espera-se que os jovens que foram treinados na base experimentem os horrores da guerra de fato, mas o que se vê é um retrato irônico e cheio de humor negro dela.
Kubrick quis falar sobre a dualidade humana, e pra isso fez dois filmes em um. Acontece que um é muito melhor que o outro.
Batman vs Superman: A Origem da Justiça
3.4 4,9K Assista AgoraÉ até difícil analisar a verdadeira salada de frutas que foi esse filme. Ele foi escrito por um cara, reescrito por outro e dirigido de uma forma completamente distinta por outro.
Talvez se fosse todo escrito pelo Chris Terrio, e dirigido por um diretor de verdade, pudesse ser um ótimo filme. Percebe-se a tentativa de trazer algo profundo e simbólico em muitos momentos, mas as conclusões são todas simplistas e estapafúrdias - como se fossem escritas por roteiristas diferentes.
Batman vs Superman é como um time de futebol onde todos os jogadores querem jogar sozinhos. Não há unidade nenhuma. Um dos filmes mais bagunçados que já vi.
Cosmópolis
2.7 1,0K Assista AgoraO melhor filme que eu vi nesse ano até aqui. É fantástica a maneira como o Cronenberg desconstrói o protagonista. Ele começa quase como um ser divino, acima de nós reles mortais e vai passando por um processo de humanização fascinante. Mesmo se passando quase que inteiramente dentro de uma limusine, o diretor encontra formas bastante criativas de filmar as cenas. E o ato final é uma aula de cinema. Quem diria que Robert Pattinson não iria fazer feio frente a atores premiados como Juliette Binoche e Paul Giamatti?
Se existiu um filme que melhor sintetize o século XXI, definitivamente até o momento é esse.
A Bruxa
3.6 3,5K Assista AgoraA Bruxa é um filme que se traveste de terror pra narrar o mais básico da dramaturgia. É uma família assolada por seus pecados, por seus segredos, algo que já existe desde Shakespeare (MacBeth, oi). A própria Bruxa, que dá título ao filme - e que pode gerar grande expetativa (e frustração) ao público tradicional de cinema comercial - só serve mesmo como catalisadora destes conflitos.
A excelência do filme reside justamente na forma como o diretor consegue desenvolver o lado psicológico desses personagens. Quem for vê-lo esperando demônios ou bruxas malignas portanto pode tirando o cavalinho da chuva. A Bruxa é um filme soberbamente humano. E não existe nada mais aterrorizante do que isto.
Férias Frustradas
3.2 607 Assista AgoraComo filme não funciona lá muito bem, mas como um festival de esquetes é ótimo! Achei os atores e o roteiro com um timing cômico excelente.
Como filme não funciona muito bem, mas foda-se eu quero é rir.
Dia de Treinamento
3.9 763 Assista AgoraEu pensava que seria um drama policial, onde os personagens tivessem tons de cinza e não fosse tudo no preto no branco, e o primeiro ato até confirmou essa expectativa com o Denzel Washingon (soberbo) mostrando a realidade das ruas pro Ethan Hawke, mostrando que as coisas ali funcionavam de uma forma diferente. Até ai o filme é ótimo, só que depois descamba pra um maniqueísmo tosco e pueril, típico dessas grandes produções hollywoodianas. Tentaram transformar uma coisa que é naturalmente complexa em uma simples disputa de bom contra mal. Mas parando pra pensar, existe coisa mais HOLLYWOOD do que isso?
Só nos resta torcer pro polícia branco permanecer incólume ante aos avanços macabros e nocivos de gangues de negros e latinos.
Este deve ser um dos filmes favoritos de Donald Trump.
A Caça
4.2 2,1K Assista AgoraNão é possível que só eu tenha ficado incomodado com a maneira extremamente porca que uma comunidade inteira se vira contra um de seus membros mais respeitáveis. Não são colocadas justificativas ou qualquer alusão a alguma backstory, as pessoas decidem acreditar na versão da garota porque sim, porque o diretor quis. Os personagens são grosseiramente crucificados apenas pra acionarem o gatilho da trama.
Afinal, o que importa é o choque que advém dela. É afligir o máximo de sofrimento possível ao protagonista. É a estética do refém descrita maravilhosamente num artigo da Contracampo. O sofrimento vazio - tão vazio quanto qualquer filmeco de Hollywood ou essas séries toscas de zumbis - mas sob a embalagem de drama cult.
É uma pena porque você tem uma tremenda (mais uma) atuação do Mads Mikkelsen sendo desperdiçada num montante de nada.
O Jovem Papa
4.4 76É uma série sobre o Papa, religião e essas merdas? É sim, mas parece que o Sorrentino filma um desfile do Victorias's Secret Show.
Eu achei até um roteiro um pouco defeituoso pra falar a verdade, mas quem se importa? O foda da série é ver Jude Law com aquela roupas fodas desfilando no Vaticano. O que foi aquela cena da Capela Sistina? Muito foda, isso é CINEMA na TV.
Até cena do deserto da África toda fudida o cara consegue colocar GLAMOUR e ELEGÂNCIA e fazer ficar bonita.
Nunca o Papa foi tão POP quanto aqui.
Cabo do Medo
3.8 945 Assista AgoraUm raro caso onde o remake superou o original. E olha que o original é difícil de ser batido.
Se o original representa a epítome do conservadorismo norte-americano da época, com o vilão sendo retratado como um comunista sujo e pervertido que ameça os valores familiares e cristãos, nesse a interpretação do De Niro somado a imagem que o Scorcese cria daquela típica família americana faz até a gente simpatizar pelo vilão.
Os EUA não são mais os mocinhos que salvaram o mundo do nazismo, afinal.
O pai agora é um advogado corrupto que trai a esposa, enquanto a mesma não sabe como criar e dialogar com a filha, enquanto a filha não pensa duas vezes na hora de fumar maconha.
O que o personagem do De Niro faz, e que é radicalmente diferente do original, é apenas se aproveitar das frestas de uma família/nação já rachada. Aliás, mais do que um bandido que quer se vingar, Max Candy é a própria ira de Deus encarnada.
De certa forma, esse filme só atualiza a visão conservadora dos americanos em relação a sua nação.
Chinatown
4.1 646 Assista AgoraSou FÃ do Polanski. E como fã, realmente não consigo engolir ele fazer um filme onde se limita apenas a SEGUIR O PROTAGONISTA com a câmera. Eu entendo perfeitamente seu objetivo com isso, e tenho que reconhecer que ele foi bem sucedido, mas ao mesmo tempo isso retira o seu melhor que é a brilhante composição das cenas, a força da mise en scéne.
Fora isso o filme é uma aula de roteiro. Um roteiro que pode ter sido genial na época, mas perdeu muito de sua força com o tempo. O roteiro segue todas as linhas possíveis clássicas de um noir. É literalmente uma aula.
Confesso que seria até um filme bem esquecível pra mim se não fosse aquele clímax. É esse o Polanski que queria ter visto no resto do filme.
Zodíaco
3.7 1,3K Assista AgoraVi esse filme alguns anos atrás e achei arrastado e sonolento como alguns aqui, mas revendo mudei radicalmente de opinião. Acho que é porque antes eu fui ver esperando uma continuação espiritual de Seven, ou seja um suspense criminal tradicional sobre um serial killer, mas o filme tem uma abordagem totalmente diferente. É mais sobre a força de um ícone, o poder da mídia, da propaganda na cultura norte-americana - sendo a violência algo intrínseco a ela.
Até porque o Zodíaco é um caso bem específico, ele não tem face e, apesar dos incontáveis rumores, ele não tem identidade. É praticamente uma entidade que rondou o pacato norte da califórnia no final dos anos 60.
Sendo assim, Fincher o utiliza praticamente como um gatilho pra retratar a vida de 3 personagens e como elas foram sugadas por esse vórtice histórico-cultural. É mais um estudo de personagens do que qualquer outra coisa. Reparem como no filme a força do Zodíaco advém mais do intrincado caso, de seu complexo enigma, do que dele próprio.
A sombra é maior que o indivíduo e a MAGISTRAL cena do porão ilustra bem o que quero dizer.
American Horror Story: Roanoke (6ª Temporada)
3.8 722 Assista AgoraContinuando sua sina subversiva, Ryan Murphy agora utiliza o velho pra falar do novo. Engana-se quem acha que essa temporada é sobre a lenda de Roanoke, esse é só o pano de fundo, ela é na verdade sobre a busca pela fama, pela audiência. É sobre Hollywood. Nada mais "American Horror Story" que isso.
Diferente das demais temporadas, o horror não aparece agora como figura catártica. Aqui ele é usado como sua forma mais pura, como castigo, punição. Mas essa geração é indiferente à morte. Ou melhor, não há morte enquanto o número de views e like for alto. No século XXI, você é a sua imagem, e enquanto ela existir, você vive. O que sobra então é o espetáculo. E não há nada que simbolize melhor isso do que criar um Reality Show onde os perdedores perdem sua vida. Mas a vida que importa é o tempo que você tem na tela. A busca pela fama é a busca pela imortalidade. E quando ela se esvai pelos seus dedos, como foi o caso da Agnes (Kathy Bates, maravilhosa), não sobra mais nada.
A vencedora, no entanto, ironicamente, não queria o mundo da fama. O objeto de tanto desejo da maioria dos personagens - a ponto de sacrificarem sua própria vida - era desprezado por ela. Seu único objetivo era sua filha. E é nesse trecho que AHS volta à sua raízes e utiliza o terror como catarse. É só na morte que a Lee rompe suas barreiras e finalmente obtém o perdão da filha.
No final, como em todas as demais temporadas de AHS, os fantasmas de Roanoke é que são os verdadeiros heróis, protegendo sua terra sagrada da profanação do mundo moderno, um mundo de ilusões e superficialidade, este sim o verdadeiro terror. No mundo de AHS, "todos os monstros são humanos".
A Festa de Despedida
3.8 29 Assista AgoraEsse filme é mais uma prova que não existe maneira melhor de falar sobre a morte do que mostrando a vida. Foi muito divertido acompanhar essa galerinha da pesada aprontando altas confusões. É um asilo, mas poderia ser uma escola. São idosos, mas poderiam ser crianças.
Não é um filme pró-eutanásia, é um filme pró-vida.
Mr. Robot (2ª Temporada)
4.4 522Desistiram completamente de contar uma história aqui, de desenvolverem um arco dramático com início, meio e fim, pra focarem em mistérios e mais mistérios. Cliffhangers e mais cliffhangers. Diria que como uma série, é um excelente puzzle.
Perderam a mão.