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Kiarostami volta a Koker para registrar as conseqüências de um terremoto que dizimou parte da população. O filme trata de um diretor de cinema (alter-ego do próprio Abbas) retornando ao local das filmagens de "Onde Fica a Casa do Meu Amigo?" para descobrir se o garoto protagonista sobreviveu à tragédia. Acompanhamos todo o trajeto do personagem em busca do menino, perguntando aqui e ali, ouvindo histórias, tomando água, cuidando do filho, tentando subir morros íngremes com o carro.
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O segundo da trilogia Koker do cineasta iraniano Abbas Kiarostami, mesmo descobrindo apenas depois de que se tratava de uma prequela de Através das Oliveiras, não senti um desentendimento em sua jornada, como também foi interessante ter visto os filmes de forma não linear. A simplicidade que Abbas consegue envolver a metalinguagem e nos apresentar personagens interpretados por atores amadores, deixa bem claro que o telespectador jamais deva ser subestimado, da mesma maneira em que a classe operária não pode ser chamada de "burra". Criou-se por muito tempo justamente pelo imperialismo americano, tanto político quanto cultural, que todos os viés fora da bolha estadunidense, são tidas como complexas ou difíceis, talvez seja verdade, mas porque nós fomos vítimas justamente pela cultura "All American of Life". É ótimo que a internet tenha servido como difusor do fácil acesso às outras mídias de várias nacionalidades, precisamos sair da zona de conforto e ser mais inseridos no coletivo global. Do ponto de vista mais intimista, E a Vida Continua me fisgou em um momento extremamente crucial, lidando com meu luto onde muitas vezes me fez questionar como eu deveria me comportar, e linhas de diálogos como "Estou de luto sim, perdi muitos parentes, mas o que eu posso fazer? A vida continua", prova que cada um de nós temos nossas individualidade. Kiarostami é um gênio absoluto por conseguir criar atmosfera tão didática mas profunda.
Assim como o primeiro, mostra alguém em uma busca confusa, ziguezagueando um pouco a esmo.
O contraste com o primeiro filme também vem no que se busca: é divertido ver uma criança igual uma barata tonta atrás da lição dela. Desta vez, é louvável a pureza e a leveza com a qual é mostrada a busca por um menino em meio a povoados destruídos por um terremoto, mas sem tirar a seriedade do tema.
Aliás, é muito conformismo dizer que o terremoto aconteceu porque assim quis Alá? E se as vítimas fossem todas ateias, não diriam que foi assim que quis a natureza?
Acho que ela deixa muito claro que assim quis quando, em meio à destruição, por uma janela podemos ver que, realmente, a vida continua, pelo menos para a natureza.
Nessas horas, o único a se fazer é juntar os cacos e, nos intervalos, ver o Maradona deixando o Dunga no chão.
- uma baita experiência de metalinguagem, na forma simples, humana e genial que só o kiarostami sabia fazer
- que aperto que da ao ver os lugares de Onde Fica a Casa do Meu Amigo? destruídos
- pior que isso só vendo as pessoas e ouvindo seus relatos de como perderam tudo no terremoto, só sobrou a esperança
Kiarostami e sua corriqueira genialidade.
Dizem que um bom ator é aquele que te faz esquecer que ele está atuando. Aqui, também o diretor parece não dirigir. Parece que tem uma câmera no meio da realidade, e a realidade é a autora.