Oprimido pelas circunstâncias atrozes do capitalismo, um contador bem-sucedido porém salarialmente injustiçado resolve aceitar o emprego de caseiro numa cidade do interior.
- não julgo essa troca de vida, eu com a mulher que eu amo e se tivesse internet no lugar pra eu poder ver meus filmes eu iria facilmente - mas escolhe um lugar menos insalubre e sem risco de alagamento constante pelo menos - o relacionamento dos dois é bem forte e bonito de se ver
Domingos de Oliveira narra a vida de um casal que luta pela sobrevivência. A fase triste foi filmada em branco e preto. A fase feliz, em cores. As cenas das duas fases de vida aparecem entrelaçadas, num bom trabalho de edição. A fase triste se passa na cidade. O marido trabalha numa empresa como contador e enfrenta as inevitáveis frustrações pessoais e profissionais acarretadas pela sociedade capitalista. A fase feliz se passa numa casa de campo em contato estreito com a natureza. O marido trabalha como caseiro. A esposa aparece como mãe e dona de casa numa época em que as mulheres eram ainda simples apêndices do homem. O tema do filme aparecia com pelo menos uma década de atraso. Tratava-se do ideal hippie de rejeição da sociedade de consumo e de retorno à mãe natureza. Na fase triste, constatamos como o mundo mudou nos últimos 40 anos: a máquina de escrever dominava as escrivaninhas de escritório; as pessoas telefonavam em orelhões; famílias pobres tinham aparelhos de televisão antigos que viviam com defeito; os homens de terno e gravata usavam pastas 007; as ruas eram dominadas por Kombis e Fuscas; os filmes feitos para a TV eram produzidos em formato de tela standard, 4x3. Se tivesse havido estímulo do Estado para a produção de filmes desse tipo, o cinema nacional poderia ter se transformado numa indústria bem estruturada, gerando milhares de empregos. Infelizmente, continuamos sendo um país colonizado, econômica e culturalmente.
Obra-prima! E, assim mesmo, este é um filme francamente desconhecido! Assisti a esta preciosidade na televisão e não encontrei nenhuma informação mais consistente sobre ele aqui na Internet - imagem, então, muito menos! É uma lástima: este filme deveria ser exibido nas escolas e universidades de tão genial que é em sua defesa de uma vida simples continuamente obliterada pelos ditames do capitalismo fetichizador... Não apenas Antônio Fagundes está ótimo (e muito bonito) neste filme, como sua companheira Lenita Plonczinski está soberba! A montagem alinear e o uso intermitente de fotografia em preto e branco e colorida são detalhes técnicos soberbos, que denotam que o diretor/roteirista/música desta preciosidade tinha pleno controle de seu material dramático, conforme fica bastante claro num cotejo com suas obras posteriores. Maravilha de filme! Tomara que o Canal Brasil reexiba em breve! (WPC>)
- não julgo essa troca de vida, eu com a mulher que eu amo e se tivesse internet no lugar pra eu poder ver meus filmes eu iria facilmente
- mas escolhe um lugar menos insalubre e sem risco de alagamento constante pelo menos
- o relacionamento dos dois é bem forte e bonito de se ver
Scenes from a marriage
Domingos de Oliveira narra a vida de um casal que luta pela sobrevivência. A fase triste foi filmada em branco e preto. A fase feliz, em cores. As cenas das duas fases de vida aparecem entrelaçadas, num bom trabalho de edição.
A fase triste se passa na cidade. O marido trabalha numa empresa como contador e enfrenta as inevitáveis frustrações pessoais e profissionais acarretadas pela sociedade capitalista.
A fase feliz se passa numa casa de campo em contato estreito com a natureza. O marido trabalha como caseiro. A esposa aparece como mãe e dona de casa numa época em que as mulheres eram ainda simples apêndices do homem.
O tema do filme aparecia com pelo menos uma década de atraso. Tratava-se do ideal hippie de rejeição da sociedade de consumo e de retorno à mãe natureza.
Na fase triste, constatamos como o mundo mudou nos últimos 40 anos: a máquina de escrever dominava as escrivaninhas de escritório; as pessoas telefonavam em orelhões; famílias pobres tinham aparelhos de televisão antigos que viviam com defeito; os homens de terno e gravata usavam pastas 007; as ruas eram dominadas por Kombis e Fuscas; os filmes feitos para a TV eram produzidos em formato de tela standard, 4x3.
Se tivesse havido estímulo do Estado para a produção de filmes desse tipo, o cinema nacional poderia ter se transformado numa indústria bem estruturada, gerando milhares de empregos. Infelizmente, continuamos sendo um país colonizado, econômica e culturalmente.
Obra-prima! E, assim mesmo, este é um filme francamente desconhecido! Assisti a esta preciosidade na televisão e não encontrei nenhuma informação mais consistente sobre ele aqui na Internet - imagem, então, muito menos! É uma lástima: este filme deveria ser exibido nas escolas e universidades de tão genial que é em sua defesa de uma vida simples continuamente obliterada pelos ditames do capitalismo fetichizador... Não apenas Antônio Fagundes está ótimo (e muito bonito) neste filme, como sua companheira Lenita Plonczinski está soberba! A montagem alinear e o uso intermitente de fotografia em preto e branco e colorida são detalhes técnicos soberbos, que denotam que o diretor/roteirista/música desta preciosidade tinha pleno controle de seu material dramático, conforme fica bastante claro num cotejo com suas obras posteriores. Maravilha de filme! Tomara que o Canal Brasil reexiba em breve! (WPC>)