Fotos sensuais tiradas pelo amante de uma mulher casada, e logo após roubadas por um homem desconhecido, fazem com que ela, desesperada pela possibilidade de seu marido vê-las, faça uma viagem psicológica e física para recuperá-las.
"Woman of the Lake", de Yoshishige Yoshida, acompanha Miyako, uma mulher casada que mantém um caso extraconjugal há algum tempo. Em certo momento, seu amante a convence a registrar esses encontros em fotos íntimas que, por um ato de violência, acabam em mãos alheias. A partir daí, inicia-se a aflição de uma mulher chantageada por um desconhecido. O enredo se concentra na tensão psicológica que surge quando a intimidade passa a ser usada como forma de ameaça e controle.
A câmera que segue Miyako ora parece invadi-la com enquadramentos que quase lhe tocam a pele, ora assume o olhar do agressor, de maneira fragmentada e irregular, reforçando a sensação de perigo e instabilidade. Algumas dessas composições lembram cenas do filme 'Irreversível' (2002), de Gaspar Noé, que, embora não guarde semelhanças diretas com este clássico japonês, também expõe a violenta apropriação física e psicológica sobre o feminino.
"Woman of the Lake" se volta para uma reflexão sobre identidade e desejo, mostrando como um incidente pode levar alguém ao dilema entre autonomia e submissão. O filme sugere que um impulso de liberdade pode se transformar em aprisionamento interior quase sem saída. E, apesar do desfecho ambíguo, permanece o impacto de pensar como a intimidade devassada pode se tornar instrumento de poder e destruição, com consequências permanentes para a vítima.
Woman of the Lake se destaca por uma belíssima fotografia. O roteiro mostra como mentiras acabam sempre tomando proporções absurdas com o decorrer do tempo, e o limite que as pessoas vão para tentar sustentar algo que é insustentável.
Quando o espectador adentra numa viagem onde o cinema e arte são tratados como elementos transformadores da sociedade. A imagem que gera o fascínio, o desejo, puro voyeurismo que culmina na quebra de qualquer moralidade que resta ao espectador, aos personagens e ao resto do mundo.
Onna no Mizumi é um bom filme, embora eu tenha ficado um pouco desapontado por ter lido o livro O Lago do escritor Yasunari Kawabata que o diretor Yoshishige Yoshida adaptou aqui. A questão é que é muito diferente do livro que levanta muitas questões que não estão no filme. Em todo caso, deixando de parte o fato que li o livro, vou avaliar o filme pelo filme em si, pois é um filme muito bom.
"Woman of the Lake", de Yoshishige Yoshida, acompanha Miyako, uma mulher casada que mantém um caso extraconjugal há algum tempo. Em certo momento, seu amante a convence a registrar esses encontros em fotos íntimas que, por um ato de violência, acabam em mãos alheias. A partir daí, inicia-se a aflição de uma mulher chantageada por um desconhecido. O enredo se concentra na tensão psicológica que surge quando a intimidade passa a ser usada como forma de ameaça e controle.
A câmera que segue Miyako ora parece invadi-la com enquadramentos que quase lhe tocam a pele, ora assume o olhar do agressor, de maneira fragmentada e irregular, reforçando a sensação de perigo e instabilidade. Algumas dessas composições lembram cenas do filme 'Irreversível' (2002), de Gaspar Noé, que, embora não guarde semelhanças diretas com este clássico japonês, também expõe a violenta apropriação física e psicológica sobre o feminino.
"Woman of the Lake" se volta para uma reflexão sobre identidade e desejo, mostrando como um incidente pode levar alguém ao dilema entre autonomia e submissão. O filme sugere que um impulso de liberdade pode se transformar em aprisionamento interior quase sem saída. E, apesar do desfecho ambíguo, permanece o impacto de pensar como a intimidade devassada pode se tornar instrumento de poder e destruição, com consequências permanentes para a vítima.
Woman of the Lake se destaca por uma belíssima fotografia. O roteiro mostra como mentiras acabam sempre tomando proporções absurdas com o decorrer do tempo, e o limite que as pessoas vão para tentar sustentar algo que é insustentável.
Quando o espectador adentra numa viagem onde o cinema e arte são tratados como elementos transformadores da sociedade. A imagem que gera o fascínio, o desejo, puro voyeurismo que culmina na quebra de qualquer moralidade que resta ao espectador, aos personagens e ao resto do mundo.
Uma pena que seja muito arrastado, acho que o filme poderia ter aproveitado ainda mais a tensão estabelecida pela situação delicada.
Onna no Mizumi é um bom filme, embora eu tenha ficado um pouco desapontado por ter lido o livro O Lago do escritor Yasunari Kawabata que o diretor Yoshishige Yoshida adaptou aqui. A questão é que é muito diferente do livro que levanta muitas questões que não estão no filme. Em todo caso, deixando de parte o fato que li o livro, vou avaliar o filme pelo filme em si, pois é um filme muito bom.