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Data de lançamento
14 Junho 2007Duração
Alex nasceu com ambas as características sexuais. Tentando fugir dos médicos que desejam alterar a ambiguidade genital da criança, seus pais a levam para um vilarejo no Uruguai. Eles estão convencidos de que uma cirurgia deste tipo seria uma violência ao corpo de Alex e, com isso, vivem isolados numa casa nas dunas. Até que, um dia, a família recebe a visita de um casal de amigos, que leva consigo o filho adolescente. É quando Alex, que está com 15 anos, e o jovem, de 16, sentem-se atraídos um pelo outro.
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Esse filme foi uma surpresa para mim. Primeiro por abordar um tema quase não discutido comumente, e segundo pelo desfecho
feliz e não trágico. Fica aquele clima bom de soluções encaminhadas.
18.03.2025
Drama argentino sensacional, é extremamente interessante dos mais diversos pontos de vista. As reflexões levantadas são muitas e todas bem proveitosas!
Ao passo que marca a estreia da argentina Lucía Puenzo no papel de diretora, também traz para debate temas importantes como identidade de gênero e sexualidade na adolescência e primeiros anos da vida adulta. E mesmo se atualmente, essas questões causam grande alvoroço em discussões nos mais diversos setores da sociedade, imaginem em 2007, quando o filme foi lançado. Vale parabenizar Puenzo não só pela qualidade da obra, mas também pela coragem em abordar assuntos complexos e polêmicos de forma nua, crua e com nomes que trazem grande visibilidade para o projeto, como Ricardo Darín (Kraken) e Valeria Bertuccelli (Suli).
A história gira em torno da personagem Alex, uma jovem adolescente intersexual que vive com seus pais, Kraken e Suli, em uma pequena vila de pescadores no Uruguai, onde Kraken pode exercer sua profissão de biólogo e evitar julgamentos alheios para com sua filha. O drama começa quando a família de Erika, melhor amiga de Suli, é convidada a visitá-los. A intenção da mãe de Alex é que o cirurgião Ramiro, esposo de Erika, converse com Alex e Kraken para considerarem a possibilidade da cirurgia na filha do casal (algo abominável para Kraken, pois considera que a escolha deve ser feita única e exclusivamente por Alex).
Pode-se dizer, de maneira rasa, que intersexualidade é uma condição biológica em que o indivíduo encontra-se “entre” os sexos, podendo possuir um clitóris visivelmente grande ou um pênis consideravelmente pequeno, por exemplo. Isso nada tem a ver com identidade de gênero ou orientação sexual do indivíduo, que também são distintos entre si.
É importante que haja essa noção básica, pois são todos temas que estão presentes na película de forma mais ou menos explícita. No caso de Alex, o debate maior gira em torno de sua condição biológica em uma idade de descobrimento sexual. Tudo se torna ainda mais confuso pela presença de Álvaro, o filho do casal que visita Alex e sua família. Os dois desenvolvem uma bonita e ao mesmo tempo turbulenta relação de afinidade, cumplicidade, descobrimento e aceitação, já que Álvaro tem sua primeira relação homossexual durante sua estadia no pequeno vilarejo uruguaio.
Puenzo acerta ao optar desenvolver a trama por um caminho pesado e repleto de frieza, que é demonstrada através da utilização de uma paleta de cores frias e o constante clima nublado, evitando um roteiro clichê e uma desnecessária romantização que acabaria se tornando mais um desserviço do que visibilidade para um tema tão importante e pouco debatido. O resultado final é uma obra que retrata de forma totalmente fidedigna a dura realidade vivida por quem nasce com essa condição e todo o preconceito enfrentado pelos mesmos indivíduos desde muito cedo.
Individualmente, o filme é repleto de excelentes atuações. Sempre incrível, Darín encarna bem o papel de pai zeloso e compreensível, mas capaz de transformar-se em uma fera para defender sua cria de qualquer ato agressivo ou preconceituoso. O destaque, no entanto, fica para as magníficas atuações de Efron e Piroyansky, que assumem o protagonismo da obra de forma perfeita, desde o momento receoso em que se vêem pela primeira vez, passando por seus momentos de descobrimento e incertezas ao se relacionarem amorosamente até o derradeiro momento da separação, quando Álvaro e sua família voltam para casa.
Outro ponto interessante de comentar é sobre o simbolismo presente ao longo do filme. Logo no início da projeção, há uma cena em que Kraken corta o casco do que parece uma tartaruga morta e constata: “fêmea”. É uma clara alusão à sua filha, que cada vez mais se distancia do que comumente entende-se como feminino e caminha para o lado masculino dos gêneros. O simbolismo também encontra-se nas cenas em que Alex e Álvaro correm, juntos ou separados, por floresta ou praia, como se estivessem tentando se livrarem das amarras sociais e tornarem-se verdadeiramente livres, como animais selvagens o são.
XXY é um ótimo adendo não só como arte para o cinema argentino, mas também como debate social sobre os preconceitos vividos pela comunidade LGBTQI+ e como é importante que haja esclarecimento e informação para que tracemos um caminho em direção ao fim de qualquer tipo de discriminação, preconceito ou opressão.
"XXY" é um filme argentino que retrata a jornada de Alex em busca de identidade, destacando a complexidade da intersexualidade. Dirigido por Lucía Puenzo e estrelado por Inés Efron, o filme é uma trama de introspecção e autenticidade, refletindo a luta interna da protagonista. Com uma narrativa sensível e uma atuação brilhante, "XXY" convida à reflexão sobre questões de gênero e diversidade, iluminando um caminho para a compreensão e aceitação além das fronteiras cinematográficas.
"XXY" é um filme que aborda temas importantes, como identidade de gênero e intersexualidade, de forma corajosa, mas, ao mesmo tempo, poderia ter se aprofundado mais em certos aspectos. A atuação de Inés Efron como Alex é notável e ela entrega uma performance emocionalmente cativante, que nos conecta à luta da personagem para encontrar sua identidade.
O filme apresenta uma abordagem sensível sobre a intersexualidade e as questões emocionais e sociais que ela pode envolver. No entanto, alguns momentos do roteiro parecem não ser totalmente desenvolvidos, deixando algumas lacunas na narrativa e na exploração dos personagens secundários.
A cinematografia é competente e cria uma atmosfera reflexiva para o filme, mas em alguns momentos, a narrativa parece se arrastar um pouco, tornando-o um pouco lento em certas partes.
No geral, "XXY" é um filme valente e importante, mas que poderia ter se aprofundado mais em sua história e personagens. Apesar disso, é uma obra que contribui para a conscientização sobre questões de identidade de gênero e diversidade, e vale a pena ser visto por aqueles que buscam uma abordagem sensível e corajosa sobre esses temas.