Prestes a rodar sua próxima obra, o cineasta Guido Anselmi (Marcello Mastroianni) ainda não tem idéia de como será o filme. Mergulhado em uma crise existencial e pressionado pelo produtor, pela mulher, pela amante e pelos amigos, ele se interna em uma estação de águas e passa a misturar o passado com o presente, ficção com realidade.
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Confesso que não sei como descrever esse filme porque, apesar de ele ter uma história toda lógica e ser bem racional em suas análises e metáforas, ao final você mais sente ele do que compreende. É como se o sentimento que ele te passar após acompanhar essa história fossem muito maiores do que aquilo que você conseguiria expressar. A agonia de tentar fazer algo e insistir até o limite, mesmo desmotivado e sem inspiração, a utilização de suas experiências mais íntimas, a ponto de ferir involuntariamente a outros em seu redor e ao final perceber que os personagens vão continuar te acompanhando, mesmo que não os utilize, é algo tão abstrato que aqui chega a ser impressionante como ele consegue transformar em algo concreto.
Esse filme é sobre tudo. Em 1963, o cineasta italiano Federico Fellini lançou mais um filme estranho. Dessa vez, sua ideia era contar a história do cineasta Guido (interpretado por seu amigo Marcelo Mastroianni) durante a produção de um certo filme de ficção científica que nem roteiro tinha. Fellini retrata toda a realidade a sua volta de maneira extravagante e sincera, doa a quem doer: sua esposa ganha um papel, sua amante também. O roteirista que ele odeia, o chefe executivo da produtora, um padre, um mágico, uma mulher misteriosa. Presente, passado, delírio, sonho, fantasia. Estranho. Muito estranho. Ainda assim, o filme sobre filmes mais divertido e conceituado do cinema. Viva a metalinguagem!
Elogiar os aspectos técnicos de 8½, como a direção e as atuações, é praticamente chover no molhado, pois até então Fellini já tinha mostrado todo seu potencial em grandes filmes dirigidos anteriormente, como Noites de Cabíria e A Estrada da Vida. A premissa aqui parte de algo simples, mas o desenrolar do roteiro levanta algumas questões e até mesmo filosofias da vida, sempre utilizando a própria vida do diretor como base. A modelação do longa não é tão usual, pois a história não é tão linear e clara assim, causando uma estranheza para os espectadores mais tradicionais.
A metalinguagem também é algo bem trabalhado no filme. Os personagens são cativantes e a vontade de querer acompanhá-los aumenta desde o primeiro minuto de duração. A trilha sonora também é ótima, enriquecendo cada cena e em diversos momentos aumenta a sensação onírica dentro da história.
Enfim, 8½ além de ser um grande filme, é uma ótima porta de entrada para quem quer conhecer o trabalho de Federico Fellini, mas é fundamental que o espectador saiba que não encontrará algo tão convencional assim.
**** (Ótimo)
As atuações são otimas e a trilha sonora bem original. Mas o enredo em si é super confuso e com muitas delongas sem chegar a muita coisa.
Um Fellini irregular que se tivesse uns 40' a menos seria muito melhor.
Fotografia espetacular. Marcello platinado. Claudia fazendo ela mesma.
Uma ode ao cinema. Suas agruras, imateriais ou financeiras, e seus questionamentos.
Este é o filme preferidos dos pseudos-entendidos nos clássicos adoram arrotar conhecer.
O melhor nessas horas é fazer de conta que não se conhece e se divertir com as bobagens ditas por eles. Nunca falha. :)