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Filme belíssimo. Meu favorito de toda a vida. Para mim, foi uma experiência meio que espiritual (exagero? mas é que realmente esse filme entrou dentro de camadas profundas do meu ser!)
Após este filme, o que mais importa? Todas as desavenças alimentadas por diferenças, todas as miudezas e mesquinharias, o que mais importa diante do mundo de aparências e de certezas e poderes ilusórios? Se arte é tudo aquilo que é capaz de nos transformar enquanto seres humanos, este filme foi uma obra-prima para mim.
É um filme além de toda e qualquer comunicação, é algo misterioso um quê de divino que foge à razão e dialoga diretamente ao inconsciente. E o liberta, fazendo vir à superfície tudo o que rotineiramente afogamos nas nossas profundezas em nosso cotidiano de afazeres e velocidade.
Eu já sabia que não seria um filme comum, uma experiência comum para mim. Desde que eu ouvi falar sobre o filme, eu me emociono. Chorei ao ver o trailer. Até chorei ao ver uma resenha crítica de cinema sobre o filme antes de ir assisti-lo (nesse momento comecei a me perguntar o que estava acontecendo rs). Tive medo de ir assisti-lo, medo de viver o que ele me desperta, mas decidi encarar o desconforto, pois é só com desconforto que a gente se transforma...
Esse filme me trouxe à tona medo. Sinto, ainda, isso dentro de mim. De noite, já em casa após ter ido ao cinema, me preparando para dormir, sentia a angústia correndo no meu sangue, deixando minhas pernas vacilantes. Meu coração estava - e ainda está, acho que estará por um bom tempo - transbordando, ao mesmo tempo, de amor. As imagens são oníricas e tão belas, ficaram impressas na minha mente.
A imagem da transcedência da morte do pássaro serpentário está remexendo o fundo de meu ser.
E as relações construídas pelo gato com seus companheiros de travessia... Tudo tão delicado, e tão frágil, ao mesmo tempo marcante, tão profundo. É um convite à reflexão sobre as relações que construímos entre nossos iguais e - principalmente - os diferentes, e refletir sobre a existência.
"Existirmos, a que será que se destina?..."
O mistério de compreendermos nosso papel no mundo, e entender a impermanência da vida... "Flow" traz a mensagem do fluir, é a grande metáfora da vida dos seres vivos, animais humanos e não-humanos. A inundação e o barco como a metáfora da travessia, a água que tudo leva e vai arrastando, é a mesma que purifica e traz em seu seio a vida e nutre os corpos com seus peixes de cardumes multicoloridos.
Os animais como alegorias de diferentes aspectos da mente humana, o pássaro como a compaixão e a coragem de se colocar diante dos seus para defender o que julga correto, o lêmure como o (des)apego, o cachorro como a espontaneidade, a capivara como a racionalidade. O gatinho como nós mesmos, o centro de nosso Eu que precisa dizer "sim" à aventura e subir no barco e compreender que pouco controlamos do rumo que ele toma, mal e mal, conseguimos direcionar um pouco de seu leme.
A baleia, o animal tão robusto e onipotente e com aparência tão pré-histórica, representa o suprassumo da diferença, pois nascida para fluir naquela inundação e dominá-la soberana - ainda assim, é ela que está presente nos momentos mais difíceis e ao invés de subjugar todos os outros seres, ela os suporta.
Não estamos sozinhos, por mais que tudo seja difícil.
Por traz do onírico, percebo uma possível leitura muito real e contemporânea que o filme aborda: é uma fábula sobre as tragédias ambientais do antropoceno - e o recado é claro: tudo continuará sem nós! Nós nos tornamos apenas ruínas!
Meu desejo é que este filme fosse assistido seriamente pelos "Ozymandias" modernos, por todos os governantes, autoridades mundiais e multi-bilionários! Que suas almas fossem tocadas por esta fábula, quem sabe em momentos de grande importância para as políticas ambientais, como a COP 30, pudéssemos alimentar a esperança de que a humanidade pudesse ter a chance de escolher outros rumos para seu próprio futuro e o planeta... A verdade é que temos essa chance - todos os dias!
Estou impactada profundamente pelo filme!
Por fim: gente, deem bilhões diretamente na mão de Gints Zilbalodis, para esse homem continuar criando sonhos!!! Impressionante o trabalho do cara com sua equipe!!! Gratidão pela preciosidade que eles me proporcionaram!
Um filme com diversas camadas de metalinguagem, feito para ser odiado. Um filme que é um "blockbuster", mas que não é fácil de digerir, levando em conta a quebra das expectativas. Eu saí do cinema, com grandes interrogações na cabeça, mas depois de ver a crítica no canal do PH Santos (recomendo), algo aconteceu em minha mente. Dá vontade de assistir de novo e reunir pessoas para descascar essa "cebola". Nem curto musical, nem sou fã de adaptações de quadrinhos... mas esse filme me causou um rebuliço interno muito interessante! Não é apenas um produto da indústria cultural visando lucro - pelo contrário, parece que foi feito visando o fracasso! Conseguiu!
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O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!
Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)
Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
Boa sorte! :)
* Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/
haha certamente ele teria uma resposta pronta.. eles sempre tem, né?
Ah, obrigada por responder :)
Realmente louco tentar entender isso rsrs
Parece que o ser humano nada sente até que ele saiba da existência de tal sentimento, e quando ele começa a descobrir, a vida fica mais complexa, como se sentimentos escravizassem as pessoas. Como em uma cena que alguém pergunta pra Hauser qual vida era melhor e ele responde que viver no cárcere era melhor, como se a aquisição de conhecimento e convívio numa sociedade cheia de "padrões" o fizesse se sentir preso. Estando "livre", ele se sente realmente preso. Muitas reflexões podemos tirar disso.
Um bálsamo que nos convida à contemplação.