Últimas opiniões enviadas
Quero comentar sobre duas coisas que me chamaram atenção:
spoiler abaixo...
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Primeiro: o garoto chato fazia bullying e acabou fazendo outro morrer, e quando ele tenta se redimir, não existe espaço para redenção nem para nuances humanas. Ele errou, sim, mas o sistema transforma tudo em rótulos: primeiro ele é o agressor, depois o assassino, e por fim apenas mais um corpo caído na estrada. Mas quando ele fala que não quer morrer sendo odiado, aqui é que tá o ponto central, mostrando que até no fim da vida, o que domina é a necessidade de aceitação e imagem, o medo de ser lembrado como alguém mau. Isso reflete o mesmo tipo de pressão social que temos hoje: viver e morrer tentando ser “gostado”, tentando não ser cancelado, tentando ser o “herói” da própria narrativa.
E segundo: O Garraty caminhando com os braços cruzados como se fosse um "X", é uma forma de mostrar a perda da individualidade e o colapso psicológico: os meninos se tornam máquinas de andar, e Garraty tenta manter um resquício de humanidade repetindo algo que o conecta ao sentimento, ainda que seja o desespero.
O desfecho não gostei, esperava algo maior, sei lá, uma revolta, muito tiro, enfim.
Filme tão realista, eu só ficava lembrando de tantos casos reais da industria musical com produtores abusadores, mas esse final, foi de lascar e tão cruel.
porque quando Oliver decide não se afastar de Matty, mesmo depois de toda manipulação, invasão e obsessão, o fecha desse jeito com eles ainda trabalhando juntos. Aquele clipe musical por exemplo; um verdadeiro simbolo de controle, quando Oliver assiste ao videoclipe e “gosta” do resultado, há uma crítica muito fina: o produto final é bonito, estético, vendável, mesmo que tenha sido construído sobre manipulação e abuso emocional.
Isso representa a indústria do entretenimento: o valor artístico é medido pela aparência, não pela ética.
Oliver se apaixona pela imagem, não pela verdade.
e o relacionamento deles continuar é o ponto mais perverso do final.
Não há redenção, apenas acomodação: o amor doentio vira parceria profissional.
Isso é a crítica principal do filme, numa cultura que vive de exposição e trauma transformado em conteúdo, até o abuso pode virar arte.
é a lógica das redes: Se rende curtida, é aceitável.
Últimos recados
Obrigado ;)
Você é tão sofisticado no quesito filmes e séries.
Boa noite, Greg. Você poderia me passar o link do grupo no Telegram?
É uma história muito interessante, e Pillion não está julgando BDSM, submissão ou desejo.
Ele está criticando relações onde o poder não é negociado, mas imposto pelo medo da perda. Tem alguns pontos que me chamaram atenção: A discussão do Ray com a mãe do Colin, quando Ray e Colin se beijam e por fim ele desaparece.
Ray desaparece porque ele não sabe existir fora do papel que ocupava:
ele vive no excesso,
no risco,
na autodestruição,
na performance de poder.
e quando ele desaparece, o filme nos dar duas respostas: Ray pode ter morrido - como alguém que viveu sempre no limite, sem futuro planejado ou ele simplesmente deixou de existir para o Colin, porque a relação acabou, e para quem é dominante absoluto, desaparecer é também um ato final de controle.
A cena que a mãe do Colin fala que Ray é esquisito e ai ele rebate dizendo que o que incomoda ela, não incomoda o Colin, pois o pensamento dela é retrógrado, o Colin nunca tem a chance de argumentar porque o Ray tirou essa autonomia dele diante da mãe, é uma cena grave e triste e ele tem noção disso, tanto que se queimou na cozinha depois de raiva ne
por fim o beijo dos dois que é a ruptura desse contrato invisível:
Até ali, a relação funcionava em termos muito claros:
Ray = controle, distância, comando
Colin = serviço, silêncio, obediência
O beijo quebra tudo isso, porque beijo não é submissão.
beijo é reciprocidade.
E isso é exatamente o que o Ray não sabe e não quer sustentar. O momento do beijo é um choque entre dois mundos, porque um beijo humaniza a relação, cria um vínculo, deixando os dois no mesmo nível, e Ray vive do desequilíbrio.
Ele só existe confortável quando está acima, quando não precisa se expor.
E detalhe, no fim o Colin e descobre e se aceita, essa é a parte libertadora, não é um filme de julgamento, submissão não é se apagar, é uma escolha, e Colin nunca era escolhido, era engolido. E no fim ele aprendeu a escolher colocando regras e tá tudo bem.