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Gosto da maneira como o filme apresenta o luto. A relação entre os irmãos também me chamou atenção, dá pra perceber como esse foco nas dinâmicas familiares traz debates psicológicos que tocam feridas sociais bem atuais. Não se trata de previsibilidade, mas de como a narrativa é conduzida para o público. A exploração das fragilidades humanas pelas personagens é muito bem feita, isso, por si, já vale a experiência.
Vale a pena dar uma lida no caso da Mary Kay Letourneau, que inspirou a produção.
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Revi esse filme por esses dias. Quem é cearense sente tudo com uma intensidade e tanto, principalmente quem nasceu em cidade interiorana, longe da capital. O tempo em Russas fala das nossas raízes através de Pacarrete. A maneira como ela encara a vida, aos gritos, carrega um pouco de nossas avós cearenses naquele chão brabo e seco do sertão, na Caatinga.
Pacarrete fala sobre a mulher que envelhece e tem suas escolhas moldadas pelos cuidados com o outro, deixando o próprio sonho em outro espaço do mundo. Ela já não cabe mais em Russas, mas também não cabe em qualquer outro lugar. Os russanos não entendem Pacarrete. Não por maldade evidente, mas por uma ignorância quase estrutural.
Em contraponto, a própria elite russana desdenha daquela mulher sofrida, atravessada por uma arte europeizada e idealizada por ela, alheia àquele mundo. Essa elite, que detém os meios do conhecimento, em vez de oportunizar a vida para Pacarrete, zomba do que dá sentido à sua existência e a desumaniza.
A mulher sertaneja vive em cada detalhe da personagem: na fala bruta, na dificuldade de expressar o que sente pela palavra, no varrer da calçada. Ela encontra seu lugar no balé, como forma de sobreviver à secura daquela cidade. Afinal, que lugar é dado a essas mulheres?
Um adendo: que atuação! E aquela casa? Revivi tantas memórias naquela cozinha, na sala, na costura, nos bares e ruas. Uff...
Fico pianinho. Choro que nem bebê. Porra, lindo demais.