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Virginia (Olivia de Havilland) começa a se comportar de uma maneira estranha logo após seu casamento com Robert (Mark Stevens). Ele a interna em um sanatório que faz tratamento com eletro-choques. Lá, ela conhece uma enfermeira que sempre ameaça a mandá-la para a ala dos paciêntes sem cura.
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Ao mesmo tempo que é realista (e corajoso para a época), é também bastante piegas na sua abordagem do tratamento freudiano (moda irresistível na primeira metade do século XX, hoje já em desuso) e da figura do "homem salvador resgatando a mulher doida varrida"; eu lido com pessoas com transtornos mentais e muitos dos retratos ali são bem conectados a realidade.
"Na Cova da Serpente" é um drama psicológico dirigido por Anatole Litvak e estrelado por Olivia de Havilland, que fala de maneira autêntica e sensível sobre os dilemas da saúde mental e como funcionavam as instituições psiquiátricas antigamente. A história é baseada no livro de Mary Jane Ward, que conta sua própria experiência após passar oito meses internada devido ao diagnóstico de esquizofrenia.
Durante boa parte do filme, acompanhamos a personagem Virgínia em um estado de confusão que também atinge quem assiste. Sua vida parece seguir um rumo normal até conhecer Robert Cunningham, com quem aceita se casar após passar alguns meses desaparecida. A partir disso, ela mergulha em um colapso psicológico que acaba resultando na sua internação num hospital para transtornos mentais. A história transmite com intensidade o terror da perda de memória e da sensação de vazio e alienação. Virgínia é acompanhada pelo Dr. Mark Kik, um psiquiatra dedicado e criterioso que se interessa pelo seu caso e busca compreender o que pode tê-la deixado em crise.
Acho que o mérito do filme é abordar esse tema com seriedade e sem caricaturas, mostrando tanto os métodos terapêuticos da época (eletrochoques e câmaras de imersão), quanto os problemas estruturais dos hospitais. Ao expor aquelas práticas e limitações, Na Cova da Serpente não apenas causa impacto, mas também nos ajuda a compreender o porquê mudanças profundas precisaram ser feitas no tratamento de pacientes psiquiátricos.
Um filme que destaca a excelente performance de Olivia De Havilland e o tema central que deve ser a primeira vez que foi abordado no cinema no sentido de tratamento de doenças mentais, questão que hoje em dia é uma das maiores áreas em crescimento de estudos e medicações. Alguns métodos utilizados no filme foram substituídos como o eletrochoque. Merecidas indicações ao Oscar de atriz, roteiro, direção e filme.
Pode ser a frente do seu tempo e atemporal, ao mesmo tempo que em algumas coisas soa datado?
Mas é inegável que é um grande filme, com um tema bem incomum para a época. Olivia da Havilland esta magistral ao interpretar Virginia, que por muitas vezes lembra uma garotinha, e o tratamento das enfermeiras ajuda muito nisso... Mas que depois é explicado o porque de tudo isso e os traumas que desencadeiaram sua doença.
Achei meio longo, não tanto pela duração mas pela sensação, em algumas situações se torna maçante e acho que a falta da variação dos cenários ajuda nisso.
#LiberdadeHester
É interessante assistir a um filme que representa o adoecimento mental e a internação psiquiátrica num período anterior ao advento da farmacoterapia.
Se hoje nós tentarmos produzir um filme que se situa temporalmente na mesma época que o filme se situa teremos o viés de saber que dali a alguns anos a clopromazina se tornaria uma revolução na intervenção psiquiátrica, algo que roteiristas e diretor não tinham ao produzirem essa obra.
A psicanálise está obviamente em alta naquele momento. É possível vermos no consultório do psiquiatra a foto de Freud, bem como algumas referências bastantes claras, como o complexo de Electra (descrito pelo também analista Jung), o processo transferencial no vínculo terapêutico, a manifestação do ciúme, enfim, uma obra que vale ser vista por qualquer entusiasta da psiquiatria e psicologia.