Peter Mandrake é um fotógrafo americano que está preparando in loco um livro sobre o Rio de Janeiro e aprende a arte do manuseio de facas com o assassino profissional Hermes para vingar a morte de Gisele, uma amiga prostituta, e o estupro de sua namorada Marie.
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09.09.1992
16.01.1992
Como produtor independente e apaixonado por cinema, revisitar a filmografia de Walter Salles é sempre um exercício enriquecedor. O diretor, amplamente conhecido por obras como Central do Brasil, deu seus primeiros passos na ficção com A Grande Arte, um thriller policial baseado no livro de Rubem Fonseca. Apesar de controverso como adaptação, o filme é ótimo no quesito produção e direção, especialmente para quem estuda o cinema brasileiro.
Produzido com um orçamento de US$ 4 milhões (cerca de 1,52 bilhão de cruzeiros em 1991), o filme foi feito para o mercado externo. É falado majoritariamente em inglês, embora se passe no Brasil, acompanhando a jornada de um fotógrafo estrangeiro em busca de justiça. Essa escolha, embora estratégica, gerou críticas: muitos apontaram a inconsistência de um protagonista que mora no Brasil, mas se comunica o tempo todo em inglês, até com brasileiros. Apesar disso, o filme não obteve grande projeção internacional, mas demarcou o início de uma carreira promissora.
É impossível ignorar que Walter Salles começou em um patamar que poucos diretores brasileiros têm acesso. Seu primeiro longa de ficção já contava com recursos internacionais, uma realidade distante para quem trabalha no cinema independente. Isso, claro, não diminui seu talento, mas ressalta a importância de contatos e do privilégio no setor.
O filme impressiona em sua execução técnica. A cena de abertura, por exemplo, é um plano memorável: a câmera se afasta de um prédio, revelando a cidade em uma tomada aérea realizada com helicóptero – recurso caro e complexo para a época, antes da popularização dos drones. Depois esse plano se repete, por volta do terceiro ato, só que saindo da janela de um trem e movimento. Imagino quantas diárias foram necessárias para alcançar o resultado final. Esse nível de produção técnica é um sonho para qualquer cineasta.
Outro ponto interessante são as cenas de treinamento com facas, que exigiram preparação rigorosa dos atores para que fossem críveis. A atenção aos detalhes enriquece o filme, mas também evidencia como um orçamento robusto pode elevar a qualidade de uma obra.
A Grande Arte transita entre romance, ação e suspense, com toques de noir, mostrando a versatilidade de Walter Salles em explorar diferentes gêneros. Ele repetiria essa habilidade mais tarde em Terra Estrangeira e outras produções.
A Grande Arte não é perfeito – sofre com críticas de adaptação e escolhas narrativas –, mas é um marco. Como cineasta, assistir a obra é uma oportunidade de aprendizado. Walter Salles tinha apenas 34 anos na época, mas já demonstrava domínio técnico e artístico. Para quem também busca trilhar o caminho do cinema independente, é inspirador, mas também um lembrete de que cada trajetória tem seu contexto.
Boa tentativa de suspense e péssimo resultado no todo.
O elenco é o forte do filme.
- uma tentativa de fazer um filme de ação oitentista e estadunidense no brasil
- ficou bem pasteurizado e enlatado como a maioria dos filmes do gênero e genéricos que saiam lá fora na época
- rodado no brasil, mas com quase nenhuma brasilidade
- tem algumas escolhas de roteiro que hoje são bem toscas, mas na época seriam aceitáveis
- só vale mesmo pra ver grandes nomes do nosso cinema atuando em papéis um pouco diferentes do usual