Uma enfermeira contratada para cuidar da esposa de um grande fazendeiro que vive nas Índias Ocidentais se envolve com os dramas da família e passa a suspeitar que sua paciente possa ser um zumbi, uma “morta-viva”.
É um filme que surpreende por sua ambiguidade narrativa. Seus 68 minutos de duração, que transitam entre o fantástico e o drama, desorientam o espectador e, surpreendentemente, instigam uma discussão sobre alteridade e dinâmicas de poder — isto num filme com um título para lá de sensacionalista, que não melhora muito com a tradução "A morta-viva".
Novamente a abordagem sugestiva de Lewton e Tourneur para o horror é bastante eficiente, sendo capaz de provocar ansiedades/pressentimentos. Tourneur constrói uma atmosfera opressiva através da fotografia noturna, de planos que distorcem ou ocultam presenças, e dos sons distantes, que prenunciam um desfecho sombrio.
Os personagens existem num ambiente de alienação, morte e de uma herança colonial miserável; e o roteiro de Ardel Wray é ousado ao ponto de forçar o colonizador a reconhecer a soberania das forças nativas.
Ao final, as fronteiras entre o psicológico e o sobrenatural se confundem, culminando em uma indistinção que impede qualquer interpretação conclusiva dos eventos presenciados.
Filme que apresentou o vodu à Hollywood (e por conseguinte estereotipou os haitianos para sempre), mas apesar de inovador, não ousa o quanto eu esperava, e com uma protagonista mais insonsa que arroz de hospital.
Um dos primeiros filmes sobre zumbi numa época quando pouco se falava no assunto. E, como era de se esperar, tematizando-o às práticas vodus dos descendentes de escravos africanos das ilhas britânicas caribenhas. Ainda assim, esses zumbis não eram os antropófagos tais quais os atuais, majoritariamente ficavam zanzando catatonicamente sob comandos de algum loá. Neste longa, por conseguinte um marco do cinema de horror, de narrativa simples mas repleta de simbolismos, tópicos como colonialismo, exploração, escravidão, racismo, charlatanismo e até eutanásia são pincelados sob forte tensão emocional e psicológica amplificada por lindas tomadas em preto e branco, além do bom trabalho de som, seja dos ventos uivantes, seja dos tambores. Ou a eterna briga entre o cientificismo e o misticismo na ingênua consciência mítica do homem.
Diferente de tudo que se espera. De terror propriamente não tem quase nada, mas pela época que foi produzido vale a experiência.
É um filme que surpreende por sua ambiguidade narrativa. Seus 68 minutos de duração, que transitam entre o fantástico e o drama, desorientam o espectador e, surpreendentemente, instigam uma discussão sobre alteridade e dinâmicas de poder — isto num filme com um título para lá de sensacionalista, que não melhora muito com a tradução "A morta-viva".
Novamente a abordagem sugestiva de Lewton e Tourneur para o horror é bastante eficiente, sendo capaz de provocar ansiedades/pressentimentos. Tourneur constrói uma atmosfera opressiva através da fotografia noturna, de planos que distorcem ou ocultam presenças, e dos sons distantes, que prenunciam um desfecho sombrio.
Os personagens existem num ambiente de alienação, morte e de uma herança colonial miserável; e o roteiro de Ardel Wray é ousado ao ponto de forçar o colonizador a reconhecer a soberania das forças nativas.
Ao final, as fronteiras entre o psicológico e o sobrenatural se confundem, culminando em uma indistinção que impede qualquer interpretação conclusiva dos eventos presenciados.
Filme que apresentou o vodu à Hollywood (e por conseguinte estereotipou os haitianos para sempre), mas apesar de inovador, não ousa o quanto eu esperava, e com uma protagonista mais insonsa que arroz de hospital.
Um dos primeiros filmes sobre zumbi numa época quando pouco se falava no assunto. E, como era de se esperar, tematizando-o às práticas vodus dos descendentes de escravos africanos das ilhas britânicas caribenhas. Ainda assim, esses zumbis não eram os antropófagos tais quais os atuais, majoritariamente ficavam zanzando catatonicamente sob comandos de algum loá. Neste longa, por conseguinte um marco do cinema de horror, de narrativa simples mas repleta de simbolismos, tópicos como colonialismo, exploração, escravidão, racismo, charlatanismo e até eutanásia são pincelados sob forte tensão emocional e psicológica amplificada por lindas tomadas em preto e branco, além do bom trabalho de som, seja dos ventos uivantes, seja dos tambores. Ou a eterna briga entre o cientificismo e o misticismo na ingênua consciência mítica do homem.
filme bom.