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Jovem casal, Juvenal e Mariana vão viajar. Juvenal faz algumas fotos de uma estranha senhora idosa (interpretada por Wanda Kosmo), que se revela uma bruxa sinistra. Ela lança uma maldição sobre o homem por tê-la fotografado. Uma ferida começa a abrir na sua barriga, que tem uma angustiante fome de carne crua que deve constantemente ser alimentada para parar a dor. A
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“Você….. acredita no sobrenatural?”
🪰 Já quero começar destacando a Montagem maligna de Mojica, a mesma é afiadíssima. Caótico e de muito bom gosto, seguimos o início do fim de um homem. Juvenal representa 98% dos brasileiros, pois fico com uma leve impressão que estamos condenados a esse país. Não há terreiros de macumba suficientes para espantar esse mal olhado que está impregnado em cada alma que caminha sobre essa realidade.
🪰 Sabemos que afastar uma energia negativa não é tarefa simples, muitos vivem com um dente de alho no bolso, outros usam crucifixos, já a maioria, basta existir, pois nada chega perto de tal persona. Outra coisa que talvez não resolva o seu problema seja a consulta com um psiquiatra. Nada contra os da profissão, porque a parada aqui vai além das condições terrenas, pois estamos lidando com um troço que perfura a nossa compreensão.
“O que está acontecendo com você Juvenal?”
🪰 Pobre Juvenal, a não dominação dos nervos, a mente começa a entrar em estado de decomposição. A tal da saúde mental já estava sendo debatida, Mojica e seu cinema de guerrilha estava à frente do tempo. Vale ressaltar as camadas psicológicas nas quais Mojica introduz em seus filmes. Há sempre blocos existencialistas que fazem a nossa consciência pinicar em pequenos colapsos.
🪰 A PRAGA possui uma duração de média metragem, mais ou menos 50 minutos, fazendo tudo ser muito direto ao ponto. Maldição, Bruxa, pai de santo, pesadelos insalubres, realidade caindo aos pedaços, pois, para enlouquecer, basta está vivo. Obsessão, loucura e paranoia. Essa Praga escala muito rápido. Um filme que reverbera um pouco de George Romero, David Cronenberg e o Body Horror.
🪰 Sobre a produção de A PRAGA, dizem que essa delícia começou a ser filmada em 1980, e foi finalizada apenas em 2021. A fita passou por vários percalços durante esse período. Para a finalização décadas depois, a mesma ganhou regravação dos diálogos e uma introdução megalowatts foda de onde Zé Caixão roga uma maldição em você. Infelizmente Mojica não viu sua obra ganhar essa nova sobrevida, pois o amigo Zé chegou a falecer em 2020.
Filme 64 de 2024
Um filme mediano so Mojica, feliz por ter sido resgatado do limbo, mesmo que a e qualidade não seja das melhores.
O desfecho final do filme é bizarro.
Um retrogosto forte dos programas policiais da década de 80 (e que existem até hoje).
O Mojica assume um papel meio GIl Gomes, mas mais amedrontador (ou menos, talvez).
Delícia de se ver, efeitos de filme queimado são puro suco do cinema do Mojica.
Acho que é o filme dele que mais abraça o trash, entre os que eu já assisti.
Até agora, também é o que menos gostei, o que não é demérito algum, o homem era um gênio.
Adentrei a sessão relativamente descrente: confiava no taco do Mojica, brilhante até mesmo em seus trabalho póstumo (perdido após várias tentativas de finalização), mas não achava que a montagem organizadora e mui esforçada de Eugênio Puppo fosse capaz de resgatar a maestria do projeto original. De fato, no início, os enxertos das apresentações do "Cine Trash" e cenas de outros filmes pareceram forçados (em sua valiosa tentativa), bem como soa problemática a maneira como as religiões de matriz africana são mostradas aqui. Mas, do meio para o final, quando Wanda Kosmo está em cena, como o filme cresce! Idem para os repugnantes e maravilhosos efeitos de maquiagem, bem como a sensualidade inerente ao casal protagonista. Saí da sessão enjoado (por aquilo que o filme provoca - ou seja, é uma reação positiva dentro do gênero) e encantado. Filmaço! (WPC>)