Dr. Richard Talbot é um médico muito respeitado que se dedica à sua família e seus pacientes. Quando uma jovem mulher, Nora Prentiss, é atropelada por um carro perto do seu escritório, ele lhe presta assistência e se apaixona por ela. Em pouco tempo os dois se envolvem romanticamente e ele decide pedir o divórcio a sua esposa mas quando um paciente morre de ataque cardiaco em seu escritório, Talbot inventa um esquema complexo para assumir uma nova identidade e começar uma nova vida ao lado de Nora, mas nada funciona como o planejado.
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Um noir com boa atmosfera e uma interessante espiral de culpa e paranoia, mas que depende de uma premissa difícil de engolir:
Richard Talbot é um médico respeitável que, ao se apaixonar por Nora Prentiss, em vez de simplesmente pedir o divórcio da esposa fria, se desespera e cria um plano mirabolante para forjar a própria morte. É extremamente improvável que alguém na posição dele (um médico inteligente e bem-sucedido) enxergasse como melhor alternativa destruir a própria identidade, abandonar a carreira e viver em constante paranoia como um fugitivo, apenas para não enfrentar o julgamento social de um divórcio. E o plano ainda depende de uma enorme conveniência: um paciente morrer justamente de ataque cardíaco no consultório, permitindo que Talbot use o cadáver para encenar sua própria morte. É uma decisão tão extrema e pouco convincente que acaba comprometendo boa parte do filme.
A história até rende um interessante estudo sobre as consequências de uma escolha impulsiva, mas o filme é longo demais para o que pretende contar. Ainda assim, é difícil ignorar que todo o conflito depende de uma escolha inicial bastante forçada.
Nora Prentiss 1947, no Brasil A Sentença. Filmaço, com um bom plot e uma excelente consequência, que cria um efeito borboleta gigante, com um leque de possibilidades.
Visto o que ambos os advogados alegam no tribunal, sendo duas possibilidades plausíveis, porém nenhuma verdadeira, já que a verdade morre com os dois personagens principais.
Grande atuação de Ann Sheridan e Kent Smith — esse segundo eu não conhecia, apesar de já ter visto em outros filmes, mas nunca tinha reparado nele.
Nora Prentiss (Ann Sheridan), apesar de não ser um exemplo de mulher, sempre foi correta com Richard Talbot (Kent Smith). Em nenhum momento, ela o forçou a se separar da esposa; preferia ver o futuro dos dois separado do que exigir algo que não viesse de forma natural. Nos acontecimentos posteriores, ela sempre ficou do lado dele, mesmo com todas as mentiras (ele dizendo que estava esperando o divórcio, quando, na verdade, havia forjado a própria morte, e em várias outras situações em que ele não mereceu). Ela ficou ao lado dele após o acidente e até no tribunal.
Já Richard... mano, eu tô pra dizer que é um dos personagens mais burros e que tomam decisões erradas que eu já vi. Toma várias atitudes por impulso, como se fosse um adolescente, cansa de fazer burrada e de ser imprudente.
Quando a solução simples era pedir o divórcio (e ele quase estava fazendo isso), surge a oportunidade com Bailey (John Ridgely), e ele pensa em usar o cara pra forjar a própria morte, num plano maquiavélico. Definitivamente.
Phil Dinardo (Robert Alda) também tem um papel interessante e parece ser um cara legal, assim como a própria Nora. Ambos são diferentes daqueles personagens típicos que fazem de tudo pelo que querem e passam por cima de qualquer um. Eles parecem ter honra em suas atitudes, mesmo que muitas vezes não sejam 100% corretas.
O filme tem um bom clima noir, boa ambientação e uma tensão e curiosidade interessantes, mas, conforme você vai assistindo, vai entendendo tudo e ligando os pontos antes mesmo do final. Porém, poderia ser um pouco mais curto.
Sombria e mui bem escrita estória. A Nora Prentiss de tiradas sagazes, e me surpreendeu logo no começo
ao perdoar o moço que a atropelou
A trama é excelente, mas o filme poderia ter sido mais curto e mais ágil, tanto que quando a trama realmente acontece, o filme começa a florescer e o ápice dura até o final.
NORA PRENTISS. Adoro quando o nome de uma personagem se torna título de uma história. Geralmente, isto pode ser um plano perigoso, pois ele pode sugerir também que aquela é a persona mais importante da narrativa. O caso do filme de Vincent Sherman (diretor de clássicos dos 'women's pictures' como Joan Crawford em "Harriet Craig" ou Bette Davis em "Mr. Skeffington") brinca com a ironia do título. Ela poderia ser a personagem mais emblemática se não fosse pela rocambolesca trama de identidade do personagem masculino central, interpretado por Kent Smith. É um caso de melodrama noiresco típico! O personagem principal parece viver uma existência insuportável da qual ele não consegue se livrar. A heroína romântica aparenta ser mais perfeita do que é, uma amante e cantora de bares que se recusa a ser amante de um homem casado. Ele mostra para ela que ter pudor não leva ninguém a nada no universo decadente e embriagante que conhecemos, a noite em São Francisco. Cidade famosa por ter sido o palco de paixões fulminantes e delírios cujo trajeto tem apenas um ponto de chegada, a morte. O zig-zag das ruelas na cidade e o sentimento labiríntico ecoaria em inúmeros filmes, vide as desgraças de "Vertigo" (1958) ou o relógio em contagem regressiva de "D.O.A" (1950), tramoias que sabem como utilizar do urbano, na costa oeste dos EUA, para arquitetar uma intriga. Nora Prentiss é um exemplo de novelão policialesco que utiliza artifícios clássicos do film-noir e não se perde na própria cilada, pois a mensagem que carrega em si é uma lição de moral, extremamente irônica e condizente com os filmes lançados no pós-guerra, em que o indivíduo é a própria representação de uma sociedade que ele detesta, rotineira, enfadonha, hipócrita e moralista. A sua tentativa de se livrar dela é o sacrifício de sua própria vida, pois ele nada pode com algo que o engoliria sem mastigar. É pessimista e trágico como o contexto social que o país vivia no pós-guerra.