Um homem inocente é acusado de matar sua namorada. Na prisão, aguarda sua sentença. Seu pai, um homem alcoólatra, vai fazer de tudo para livrá-lo da pena de morte.
Joseph Losey nós entrega o assassino na primeira cena, para que não fiquemos tentando descobrir quem é o assassino, ou duvidar da integridade do acusado, sendo assim, temos mais foco para o que o roteiro se propõe: uma lição contra a pena de morte. Eu pessoalmente sou favorável a pena de morte para casos hediondos e que se pode comprovar realmente que aquela pessoa foi a culpada. Mas, achei um bom filme, na medida do possível, com alguns estereótipos que nos entregam facilmente a história.
Penso que a forma que Losey opta por filmar seus personagens e cenários são o grande ingrediente de A Sombra da Forca, que peca muito em algumas facilitadas gigantes que o roteiro entrega: os familiares contam a verdade com extrema facilidade e as motivações nem sempre parecem realistas. A cena final é grandiosa e portanto merece meu respeito;
Eu aguardava um thriller meio hitchcockiano, porém, assim que a sessão começou, ficou evidente uma abordagem contrária à espetacularização do cineasta britânico – sem menosprezar o trabalho de Alfred Hitchcock, lógico. Acontece que o desenvolvimento dos fatos no filme de Joseph Losey alcança uma profunda sobriedade dramática ao centralizar a narrativa na figura paterna deste personagem equivocadamente condenado – algo bem diferente de Hitchcock, que costuma colocar os inocentes em aventuras que comprovem tal estado. Interessante que a investigação conduzida por David Graham surge como uma espécie de martírio, uma penitência mesmo. Afinal, podemos assimilar que o alcoolismo de Graham afetou de alguma forma Alec. Nesta cruzada de provações – não apenas da constatação da inocência, mas de remorso por deixar a desejar na criação do filho, Losey acaba versando também a respeito da infâmia existente na alta sociedade daquela época. É admirável o cuidado com a construção dos ambientes – o apartamento, a prisão, a pista de corrida e a casa com os relógios – e a disposição dos atores no campo. Tamanho rigor poderia soar exageradamente teatral, mas “A Sombra Da Forca” consegue ser muito cinema. Os enquadramentos revelam e ocultam, ofuscam e clareiam, tornam elementos tangíveis e intangíveis.
A sinopse é muito interessante e o filme possui o mesmo clima de MEU PASSADO ME CONDENA, a mesma verve homoerótica, a mesma implosão de sentimentos... Entretanto, apesar de impactante, soa tudo muito forçado a execução e nas interpretações. Mas os dedos mágicos das perversões loseinianas estão aqui, uau! (WPC>)
Belíssimo noir do grande Joseph Losey. O diretor discute aqui, de forma indireta, a questão da pena de morte... Merece destaque o ótimo elenco. Repare na cena em que uma das personagens diz: "Nada me dá mais prazer do que ouvir o despertador tocar e saber que eu não preciso ir a lugar nenhum". Genial!
Joseph Losey nós entrega o assassino na primeira cena, para que não fiquemos tentando descobrir quem é o assassino, ou duvidar da integridade do acusado, sendo assim, temos mais foco para o que o roteiro se propõe: uma lição contra a pena de morte. Eu pessoalmente sou favorável a pena de morte para casos hediondos e que se pode comprovar realmente que aquela pessoa foi a culpada. Mas, achei um bom filme, na medida do possível, com alguns estereótipos que nos entregam facilmente a história.
Penso que a forma que Losey opta por filmar seus personagens e cenários são o grande ingrediente de A Sombra da Forca, que peca muito em algumas facilitadas gigantes que o roteiro entrega: os familiares contam a verdade com extrema facilidade e as motivações nem sempre parecem realistas. A cena final é grandiosa e portanto merece meu respeito;
Eu aguardava um thriller meio hitchcockiano, porém, assim que a sessão começou, ficou evidente uma abordagem contrária à espetacularização do cineasta britânico – sem menosprezar o trabalho de Alfred Hitchcock, lógico. Acontece que o desenvolvimento dos fatos no filme de Joseph Losey alcança uma profunda sobriedade dramática ao centralizar a narrativa na figura paterna deste personagem equivocadamente condenado – algo bem diferente de Hitchcock, que costuma colocar os inocentes em aventuras que comprovem tal estado. Interessante que a investigação conduzida por David Graham surge como uma espécie de martírio, uma penitência mesmo. Afinal, podemos assimilar que o alcoolismo de Graham afetou de alguma forma Alec. Nesta cruzada de provações – não apenas da constatação da inocência, mas de remorso por deixar a desejar na criação do filho, Losey acaba versando também a respeito da infâmia existente na alta sociedade daquela época. É admirável o cuidado com a construção dos ambientes – o apartamento, a prisão, a pista de corrida e a casa com os relógios – e a disposição dos atores no campo. Tamanho rigor poderia soar exageradamente teatral, mas “A Sombra Da Forca” consegue ser muito cinema. Os enquadramentos revelam e ocultam, ofuscam e clareiam, tornam elementos tangíveis e intangíveis.
A sinopse é muito interessante e o filme possui o mesmo clima de MEU PASSADO ME CONDENA, a mesma verve homoerótica, a mesma implosão de sentimentos... Entretanto, apesar de impactante, soa tudo muito forçado a execução e nas interpretações. Mas os dedos mágicos das perversões loseinianas estão aqui, uau! (WPC>)
Belíssimo noir do grande Joseph Losey. O diretor discute aqui, de forma indireta, a questão da pena de morte... Merece destaque o ótimo elenco. Repare na cena em que uma das personagens diz: "Nada me dá mais prazer do que ouvir o despertador tocar e saber que eu não preciso ir a lugar nenhum". Genial!