Titiana Paternó (Sophia Loren) promete vingança pela morte de seu marido, assassinado a mando do barão. O advogado socialista Spallone (Marcello Mastroianni) volta ao povoado depois de anos, e promete justiça ao se apaixonar por Titiana. O primo de seu falecido marido (Giancarlo Giannini) volta de Nova York para visitar-la, e também se apaixona. Titiana se divide entre a vingança, a fidelidade ao seu marido e o amor por esses dois homens.
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Decididamente, não me pareceu uma boa história. E aí complica…
(VERSÃO DE 90 MINUTOS) Drama Tragicômico com o estilo vigoroso e apaixonado da grande diretora Lina , contando com o excelente trio central envolvido em um conturbado relacionamento em meio a ascensão do Fascismo na Itália. Bom programa.
Este é um filme para todos? Não. São mais de duas horas, aborda alguns assuntos incômodos, tende ao emocionalmente cru, mas provocante, tem o trio de italianos, todos já indicados ao Oscar Sophia Loren, Marcello Mastroianni, Giancarlo Giannini, mas é de Sophia Loren, a melhor atuação, principalmente na sequencia da violência sexual contra ela, destaque para a bela fotografia do mago Tonino Delli Colli, dos filmes de Federico Fellini, Sergio Leone, e Pier Paolo Pasolini, precisa dizer mais alguma coisa, só mestres.
É um mistério absolutamente insondável, inextrincável, por que alguns filmes fazem sucesso e outros não, recebem amplo reconhecimento e outros não, mesmo tendo grandes qualidades artísticas. Só para dar dois exemplos: Capote, de 2005, fez muito mais sucesso e teve mais reconhecimento crítico que Confidencial/Infamous, de 2006 – e os dois filmes contavam exatamente a mesma história, de como Truman Capote escreveu seu livro A Sangue Frio. Um era tão bons quanto o outro.
O outro exemplo: tanto Feliz que Minha Mãe Esteja Viva, de Claude e Nathan Miller, de 2009, quanto O Garoto de Bicicleta, dos irmãos Dardenne, de 2011, os dois falados na mesma língua, o francês, abordam o mesmo tema, essa realidade trágica de que há pessoas que não deveriam jamais ter filhos, e mesmo assim têm. São duas belas obras. No entanto, o filme dos irmãos belgas foi premiadíssimo, enquanto o feito por pai e filho franceses não foi.
É um mistério insondável, inextrincável, por que J. Edgar, o filme de 2011 de Clint Eastwood, não teve uma mísera indicação ao Oscar, nem mesmo nos quesitos técnicos, em que o filme brilha incontestavelmente, se tantos filmes do realizador foram indicados a vários prêmios nos últimos anos – e venceram em diversas categorias, incluindo as mais importantes. No Estadão, o jornalista Luiz Zanin Oricchio escreveu que o fato de o filme trazer à tona temas incômodos pode explicar por que ele foi “solenemente ignorado pelo Oscar”.
A única explicação possível é política, ideológica: Amor e Ciúme mexe num vespeiro que ninguém gostaria que fosse tocado.
Não há outra explicação.
É a típica história onde um crime acontece, todo mundo sabe, mais se trata de poderosos e ninguém quer falar. Angelo Paterno foi morto por Vito Aci Catena, todos no país sabem disso, mas ninguém tem a coragem de testemunhar. Mas um militante socialista Rosario Maria Spallone (o grande Mastroianni, totalmente com uma aparência propositalmente desleixada), entra em cena é tenta induzir Titina Paterno (a fabulosa Sophia Loren, totalmente com uma aparência também propositalmente desleixada e selvagem, isso pode surpreender alguns fãs), para exigir a reabertura do caso, onde seu marido foi brutalmente assassinado. Tudo complica ainda mais com a chegada de Nicola Sanmichele detto 'Nick' (feito por outro ator italiano extraordinário Giancarlo Giannini), o primo de Paterno assassinado, que se tornou rico graças ao contrabando e mais de uma dúzia de assassinatos. A relação entre o recém-chegado e Titina se torna por sua vez inevitável. A trama vai por um terreno perigoso o da politica dos fascistas, a diretora e roteirista Lina Wertmüller já tratou de tramas assim, e sabe conduzir uma história. O filme detém o recorde no Guinness Book of World Records como o maior título de um filme na história do cinema, no Estados Unidos o filme foi intitulado simplesmente ''Revenge'', aqui no Brasil teve o título simplório de ''Amor e Ciúme'', mas estranhamente quando foi exibido na TV teve um título mais apropriado de ''Guerra de Sangue''.
É claro que no jogo mortal de amor - como na guerra - há sempre um vencedor e um perdedor. Destaque para a poderosa e excepcional fotografia do veterano Tonino Delli Colli. Uma curiosidade Lina foi a primeira mulher a ser indicada ao Oscar de direção, Sophia foi a primeira estrangeira a ganhar um Oscar falando a própria língua materna, Marcello e Giancarlo também foram indicados ao Oscar. Esse quarteto junto só pode dar em boa coisa. Um filme que merece ser revisto e visto.