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Data de lançamento
25 Dez. 1997Duração
Em Nova York, um escritor grosseiro e sarcástico (Jack Nicholson) tem como alvos principais um artista gay (Greg Kinnear), que é seu vizinho, e uma garçonete (Helen Hunt) que enfrenta problemas por ser mãe solteira e ter que se desdobrar para cuidar de seu filho, que tem asma crônica. Mas o destino vai fazer com que eles fiquem muito mais próximos do que poderiam imaginar.
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Elenco e atuações muito boas. Roteiro e enredo problemáticos. Mas é nítido que foi um filme bem produzido.
IMPRIMATUR - visto no cinema em 1998:
Praticamente fui obrigado a levar um amigo para esse filme (legendado), e tive que aturar o tempo todo ele perguntando a que horas acabaria... como o personagem do filme é potencialmente irritante, não sei se agrada as mulheres - mas indico que tudo pode servjustificado com o elogio feito por ele ao final... ainda gosto muito.
Avaliação em nota: 7.9
Continuo odiando o protagonista.
É um filme dos anos 90, então muita coisa ali era tratada como “normal” na época. Mas o que me surpreende é ver, hoje, tanta gente defendendo com unhas e dentes um personagem indefensável e um roteiro que de sutil não tem nada.
A redenção de alguém abertamente xenofóbico, racista, homofóbico, machista e com traços claros de psicopatia é tratada como grande trunfo da trama, como se um detalhe como “ele tem TOC” apagasse todo o resto.
Se não fossem as atuações, o que sobraria?
O filme é, acima de tudo, sobre transformação mas não a transformação mágica e idealizada. Melvin muda aos poucos, aos trancos e barrancos, quase sempre resistindo. Mas com o tempo, começa a demonstrar empatia e vulnerabilidade. A construção dos personagens é o grande trunfo do roteiro: todos são falhos, complexos e reais. Helen Hunt entrega uma das atuações mais sinceras de sua carreira como Carol, que se vê presa entre a exaustão de sua vida pessoal e o fascínio inesperado por aquele homem insuportável e brilhante. A química entre ela e Nicholson é crua e intensa, e rende momentos memoráveis como a icônica cena em que Melvin, tentando fazer um elogio, solta: “Você me faz querer ser um homem melhor”.
O filme foi amplamente reconhecido, vencendo dois Oscars: Melhor Ator para Nicholson e Melhor Atriz para Hunt. Também foi indicado a Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante (Greg Kinnear), Melhor Roteiro Original, Edição e Trilha Sonora. Algumas curiosidades ajudam a entender a força do longa: o personagem foi escrito sob medida para Nicholson, que trouxe muitas improvisações para o papel. Para interpretar o TOC com veracidade, ele consultou especialistas e pacientes. O cão Verdell, da raça Brussels Griffon, virou sensação e roubava várias cenas tanto que o próprio Nicholson brincou dizendo que "o cachorro era o verdadeiro protagonista". Apesar da ótima química em cena, bastidores revelam que houve tensões entre Nicholson e Hunt, com o diretor tendo que intervir em momentos críticos das filmagens.
Mesmo com críticas divididas alguns acusaram o filme de tratar com leveza temas delicados como homofobia e transtornos mentais Melhor É Impossível se firmou como um clássico dos anos 90. Ele mostra que a mudança pode vir de onde menos se espera, e que o afeto, por mais desconcertante que pareça, é uma força que atravessa até os corações mais endurecidos. Como disse Carl Jung, “Conheça todas as teorias. Domine todas as técnicas. Mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.” e é isso que o filme ensina: que ser humano, com todas as falhas e contradições, ainda pode ser o melhor que se pode ser.