Baseado em eventos reais, o filme conta a história de Promessinha e sua quadrilha, violentos criminosos que aterrorizam a cidade de São Paulo e são implacavelmente perseguidos pela polícia.
- 7/10 - mais de 60 anos depois e pouca coisa mudou, e o que mudou foi pra pior - brutalidade policial e corrupção, quando um ladrão é pego leva a culpa por crimes que nem cometeu - e a falta de oportunidades que levam a essa vida
Então... acho que Roberto Farias quis fazer uma crítica aos jornalistas sensacionalistas que atribuíram todos os assaltos que ocorriam na cidade de São Paulo, ao Promessinha (aqui Passarinho). Os jornais "criaram" uma espécie de ladrão, hiper difícil de ser capturado pela polícia paulista. Quanto à personagem Terezinha, foi a que mais me chamou a atenção.
Ela tinha uma vida simples e pacata, trabalhava e vivia com seu pai, mas de repente, quando viu a possibilidade de se aproximar do Passarinho (por quem ela nutria uma paixão), não pensou duas vezes, e lhe deu abrigo por uma noite. Resultado: nunca mais se separou dele, tornando-se sua mulher. Porém, se sentia mal, desconfortável e constrangida quando os comparsas do seu amado estavam presentes. Quem decide se tornar mulher de bandido precisa estar preparada para ser tratada como tal. Não só pela polícia, mas como pelos comparsas de seu companheiro, e principalmente, por ele mesmo. Num trecho do filme o Passarinho diz: "O que é que há, não tá gostando da festa ?? Pra onde queria que eu te levasse ?? Mulher minha tem que andar aonde eu ando. Tá certo, essa gente é brava, mas é a minha gente. Você quer ser mulher de bandido e frequentar o quê ???" Talvez essa tenha sido uma das mais importantes cenas do filme.
Conheci "Cidade ameaçada" por meio do clássico literário "Quarto de despejo" da incrível Carolina Maria de Jesus. O filme teve algumas locações na favela onde ela morava e o livro foi ambientado. Reza a lenda que a grande escritora tenha até feito figuração em uma rápida cena. Embora nos poucos comentários daqui não tenha sido mencionada a referência, no YouTube parte dos comentários relatam ter tido conhecimento do filme pelo livro. É maravilhoso saber disso. Quanto ao filme. Atraente em vários sentidos. Eu notei algumas inspirações hollywoodianas. Os personagens de Reginaldo Faria e Eva Wilma (linda demais) muito me lembraram James Dean e Natalie Wood em "Juventude transviada". É um filme noir, tem todos os elementos, e com o clima de São Paulo super casou. O que estraga é o desgaste do tempo, infelizmente mais um filme com péssima imagem, além de um pouco arrastado. Todavia, foi bem interessante ver a fraqueza da polícia sendo escancarada juntamente ao sensacionalismo midiático. Mas o que mais chama atenção é Terezinha.
De início parece apenas uma adolescente inconsequente, deslumbrada e inocente. E ela cresce, cresce e toma o filme para si. Não é apenas uma mulher apaixonada é também um ser humano levantando outro, algo que herda da sua criação (no caso de Nico ocorre o mesmo, mas de forma contrária). A personagem de Eva Wilma que é interpretada com maestria é certamente uma das mais feministas do cinema brasileiro.
De Roberto Farias já havia visto "O assalto ao trem pagador" que continua sendo o meu preferido. Claramente está entre os mais geniais filmes do cinema brasileiro.
Não é o melhor filme de Roberto, mas ainda assim é bacana.
Bem fraco esse ,vi pela curiosidade de ter sido citado no livro quarto de despejo
- 7/10
- mais de 60 anos depois e pouca coisa mudou, e o que mudou foi pra pior
- brutalidade policial e corrupção, quando um ladrão é pego leva a culpa por crimes que nem cometeu
- e a falta de oportunidades que levam a essa vida
Então... acho que Roberto Farias quis fazer uma crítica aos jornalistas sensacionalistas que atribuíram todos os assaltos que ocorriam na cidade de São Paulo, ao Promessinha (aqui Passarinho). Os jornais "criaram" uma espécie de ladrão, hiper difícil de ser capturado pela polícia paulista. Quanto à personagem Terezinha, foi a que mais me chamou a atenção.
Ela tinha uma vida simples e pacata, trabalhava e vivia com seu pai, mas de repente, quando viu a possibilidade de se aproximar do Passarinho (por quem ela nutria uma paixão), não pensou duas vezes, e lhe deu abrigo por uma noite. Resultado: nunca mais se separou dele, tornando-se sua mulher. Porém, se sentia mal, desconfortável e constrangida quando os comparsas do seu amado estavam presentes. Quem decide se tornar mulher de bandido precisa estar preparada para ser tratada como tal. Não só pela polícia, mas como pelos comparsas de seu companheiro, e principalmente, por ele mesmo. Num trecho do filme o Passarinho diz:
"O que é que há, não tá gostando da festa ?? Pra onde queria que eu te levasse ?? Mulher minha tem que andar aonde eu ando. Tá certo, essa gente é brava, mas é a minha gente. Você quer ser mulher de bandido e frequentar o quê ???"
Talvez essa tenha sido uma das mais importantes cenas do filme.
Conheci "Cidade ameaçada" por meio do clássico literário "Quarto de despejo" da incrível Carolina Maria de Jesus. O filme teve algumas locações na favela onde ela morava e o livro foi ambientado. Reza a lenda que a grande escritora tenha até feito figuração em uma rápida cena. Embora nos poucos comentários daqui não tenha sido mencionada a referência, no YouTube parte dos comentários relatam ter tido conhecimento do filme pelo livro. É maravilhoso saber disso.
Quanto ao filme. Atraente em vários sentidos. Eu notei algumas inspirações hollywoodianas. Os personagens de Reginaldo Faria e Eva Wilma (linda demais) muito me lembraram James Dean e Natalie Wood em "Juventude transviada". É um filme noir, tem todos os elementos, e com o clima de São Paulo super casou. O que estraga é o desgaste do tempo, infelizmente mais um filme com péssima imagem, além de um pouco arrastado. Todavia, foi bem interessante ver a fraqueza da polícia sendo escancarada juntamente ao sensacionalismo midiático.
Mas o que mais chama atenção é Terezinha.
De início parece apenas uma adolescente inconsequente, deslumbrada e inocente. E ela cresce, cresce e toma o filme para si. Não é apenas uma mulher apaixonada é também um ser humano levantando outro, algo que herda da sua criação (no caso de Nico ocorre o mesmo, mas de forma contrária). A personagem de Eva Wilma que é interpretada com maestria é certamente uma das mais feministas do cinema brasileiro.
De Roberto Farias já havia visto "O assalto ao trem pagador" que continua sendo o meu preferido. Claramente está entre os mais geniais filmes do cinema brasileiro.