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Data de lançamento
9 Set. 2016Duração
Glória (Anne Hathaway) é uma mulher comum que depois de perder o emprego e terminar o seu relacionamento é forçada a deixar sua vida em Nova Iorque e voltar para sua cidade natal. Quando surgem relatos noticiosos de que uma criatura gigante está destruindo Seul, na Coreia, Glória gradualmente percebe que possui uma ligação com esse fenômeno. Na medida em que os acontecimentos na Coreia saem do controle, Glória percebe a razão pela qual sua existência aparentemente insignificante tem um efeito colossal e impactará o destino do mundo.
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Tinha assistido e acho que o filmow está desmarcando filmes que já tinha clicado em assistido.
Comecei a ver com muitas expectativas por causa da sinopse e da capa, mas me decepcionei bastante. Tinha uma história boa para ser explorada, porém, perdem tempo demais nos relacionamentos da protagonista. A explicação que deram para a situação ter começado não fez o menor sentido.
ai gente, legal a metáfora e tals, mas não colou para mim
O que mais me chamou atenção em Colossal foi a ousadia de juntar duas coisas que não costumam dividir o mesmo espaço. De um lado, há o caos de um filme de kaiju: uma mulher meio perdida, bêbada, andando sem rumo numa pracinha, faz com que, do outro lado do mundo, em Seul, um monstro gigante repita exatamente os mesmos movimentos — e a ideia praticamente se vende sozinha, porque funciona em grande escala. Um passo distraído vira destruição, um tropeço vira um prédio cedendo, um acesso de raiva vira tragédia internacional. Do outro lado, existe uma história bem mais íntima — e, para mim, bem mais interessante: aquela pessoa que chega de mansinho, educada, prestativa, quase boa demais para ser questionada, que aparece justamente quando você está no fundo do poço e parece oferecer algum tipo de conforto — até o momento em que essa presença começa a ocupar espaço demais, e o que antes era ajuda passa, aos poucos (ou nem tão aos poucos assim), a se transformar em inferno.
O problema é que, quando o filme precisa sustentar essas duas frentes através dos personagens, ele começa a escorregar. A gente conhece a Gloria já num estado meio gasto: ela bebe demais, perde o emprego, desgasta o relacionamento com o Tim. Não é uma introdução pensada pra gerar simpatia imediata — e tudo bem. Só que o resto do filme também não me conecta com ela. O que mais me incomoda é como a bebida vira quase um atalho: ela bebe, erra, se perde — isso estabelece o ponto de partida. Mas quando a história precisa que ela avance, o alcoolismo recua junto, sem resistência. Não tem muito atrito, não tem recaída, não tem aquela sensação de luta contínua; é como se o problema existisse só enquanto é útil pro roteiro. E isso enfraquece tudo, porque um comportamento que deveria desestabilizar a personagem acaba funcionando mais como engrenagem de cena do que como algo que realmente molda quem ela é. Tem um momento que resume bem isso: quando ela escreve um pedido de desculpas no chão — e dali em diante parece que algo se reorganiza rápido demais. Não é que mudança seja impossível, é que o filme não constrói o caminho dessa mudança. Ele marca o ponto A e o ponto B, mas o trajeto entre eles fica raso. Fica a sensação de que o filme quer chegar logo no confronto dos gigantes e precisa limpar o caminho para isso — pena que não me soa convincente.
Com o Oscar, o problema é outro — e talvez mais evidente. Ele surge como uma figura acolhedora: dono de bar, sorriso fácil, alguém que oferece ajuda quando a protagonista está à deriva. E depois… muda. O problema é que essa virada é brusca demais para ser comprada. O filme tenta justificar depois, sugere inveja, um ressentimento antigo, mas isso soa mais como explicação tardia do que como algo realmente construído. Se fosse uma obsessão mais clara, quase romântica — daquele tipo de pessoa que nunca teve sua chance e ficou presa nisso — talvez funcionasse melhor. Se ele estivesse presente desde o início, nem que fosse à distância, mantendo contato, criando esse vínculo torto aos poucos, a transformação teria outro peso. Até os diálogos poderiam ajudar mais nesse sentido — ele raramente fala de forma direta, e o que emerge soa mais como ameaça do que como revelação. Os flashbacks apontam para um passado mal resolvido, mas quase nada disso se desenvolve de fato. O conflito acaba esvaziado: afinal, o que ela tem, concretamente, que justificaria a inveja dele? Do jeito que está, ele não se revela — ele apenas muda. E o entorno piora tudo: os amigos dele estão ali há anos, convivem com ele, e ninguém estranha de verdade. Joel praticamente assiste às coisas acontecerem, não reage como alguém que vê a situação sair do controle, e o outro amigo simplesmente desaparece depois de uma briga. Fica difícil acreditar que esse comportamento sempre esteve ali sem que ninguém percebesse.
No fim, Colossal pensa grande — enorme, na verdade. Transforma emoções confusas, ressentimentos e dependências em monstros que atravessam oceanos e derrubam cidades. Mas trata, ao mesmo tempo, os personagens que deveriam sustentar isso de forma pequena, apressada. Surge, então, um desequilíbrio: a ideia é maior do que as pessoas que deveriam carregá-la. Ainda assim, algo permanece. A imagem de alguém, sozinho numa praça vazia, movendo o corpo sem propósito — enquanto, do outro lado do mundo, um monstro repete esse gesto e deixa um rastro de destruição — é forte o suficiente para ficar.
Esperava mais.