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Data de lançamento
6 Julho 2018Duração
Um operador de telemarketing descobre uma chave mágica para alcançar o sucesso profissional, enquanto seus colegas ativistas são contra práticas trabalhistas injustas. Agora, ele terá que decidir de que lado está.
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Devia ser um filme muito mais falado. Uma fantasia afrofuturista que usa do absurdo e de uma liberdade de linguagem bastante funcional para costurar as relações entre raça, exploração e capitalismo com muita destreza e bom humor. É tão cruel quanto divertido, e traz a mesma pegada fantástica que Boots Riley apresentaria futuramente em Sou de Virgem. Explica muito bem como o sistema capitalista funciona sem ser nada clichê.
Bizarro e extremamente interessante.
Desculpe te Incomodar' começa como uma comédia descontraída sobre um atendente de telemarketing tentando sobreviver, mas vai se transformando, aos poucos, numa sátira surreal que expõe como grandes empresas lucram explorando a vulnerabilidade alheia, aborda o racismo também. O protagonista abraça a ambição e, aos poucos, se vê diante de um dilema: enriquecer às custas da exploração ou juntar-se aos amigos e namorada na luta por justiça. O filme fica mais impactante quando mergulha no absurdo e na bizarrice, usando metáforas chocantes sobre desumanização quando o lucro fala mais alto. É uma mistura de humor, crítica e surrealismo muito original. E a virada final reforça a mensagem é meio bizarro nos exageros propositalmente. É dos filmes que com certeza vai ficar na memória depois de tempos.
Um bagunça anárquica muito bem organizada para mostrar o que Hollywood e a mídia não mostram, ou pelo menos maquiam muito bem. Percebam os desabrigados pelas ruas, o inconformismo com o corporativismo que escravizam seus trabalhadores para visar unicamente o seu lucro e se possível for, cometem as maiores barbaridades para manter o estado das coisas. O nosso protagonista sempre curvado é uma linguagem corporal da vulnerabilidade social, até que ele ascende, com a voz branca, pois negros em posições de poder devem "se limpar", uma clara alusão à eugenia cordial. Os brincos que sempre mudam, revelando mensagens fortes. É um filme absurdo e por isso mesmo muito bom. Há diversos fatores que merecem ser pontuados, mas renderia um textão. E verdade seja dita: nada aqui é absurdo, fantástico ou fora da realidade. Se possível fosse eles (aqueles que tem o poder e zero limites) fariam isso sem nem pensar duas vezes. A realidade é pior que a ficção.
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No começo, "Sorry to Bother You" (Desculpe Te Incomodar) parece caminhar para uma crítica direta ao mundo do trabalho e ao modo como o capitalismo engole as pessoas. A rotina no telemarketing mostra bem como a busca por sucesso pode exigir que alguém abra mão da própria identidade, e a referência a uma “voz branca” é um recurso que traduz essa adaptação forçada.
Até então, o filme parece querer mostrar como o sistema manipula, compra ideais e transforma pessoas comuns em peças descartáveis de uma engrenagem maior. O racismo aparece nesse ponto como uma barreira estrutural, já que o personagem central só consegue prosperar quando adota a tal voz que não é a sua, entretanto, a questão racial não vai adiante nem se torna o foco principal da trama.
A partir da segunda metade do filme, a narrativa muda de tom e mergulha no absurdo. O humor ácido se mistura a elementos grotescos e body horror, fazendo com que a mensagem que antes parecia clara, se enfraqueça em meio a bizarrices. Essa virada pode ser interpretada como ousadia artística, mas acaba sendo um desvio que atenua a denúncia inicial. O resultado é um filme que começa interessante, com uma crítica social afiada, mas termina deixando a sensação de que a provocação se sobrepôs à clareza da ideia.