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Data de lançamento
23 Julho 2026Duração
Ao assistir a peça Imperador Jones de Eugéne O’ Neill, no Teatro Municipal de Lima, no Peru, com Hugo de D’Evieri pintado de preto, Abdias Nascimento percebeu que não havia negros protagonistas no teatro brasileiro e criou o Teatro Experimental do Negro, estreando em 1945 no Teatro Municipal do R J. A partir dessa experiência surgem nomes como Ruth de Souza, Léa Garcia, Haroldo Costa, subvertendo e modernizando a história do teatro no Brasil.
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- eita, quando que esse documentário foi filmado? vários grandes artistas que infelizmente já nos deixaram dando seus depoimentos, foi emocionante demais ver as falas de cada um sobre o tema
- a importância do negro para o teatro no brasil e no mundo e também sobre a importância do teatro na vida dessas pessoas
- não sabia sobre o abdias nascimento e nem sobre o ten e todas as mudanças que eles proporcionaram para nossa cultura
- boa edição, entre os depoimentos e as imagens de arquivo, documentário essencial para todos do meio teatral e social
A Pandora Filmes lançou nos cinemas no final de semana passado esse grande (e praticamente desconhecido) documentário independente que vale o ingresso (e muito mais a reflexão). “Ecos do Teatro Experimental do Negro” tece um olhar cuidadoso, e com muita pesquisa e entrevistas, sobre os atores e atrizes pretos no palco brasileiro. O filme foca no surgimento do Teatro Experimental do Negro (TEN), fundado em 1944 por Abdias do Nascimento, e as históricas encenações mantidas pelo grupo por duas décadas (até 1961). Nascimento foi um artista múltiplo, ator, poeta, escritor, dramaturgo e artista plástico, além de professor universitário, senador e ativista dos direitos humanos. Apesar do temperamento difícil como apontam alguns entrevistados, foi uma das vozes para consolidar a arte negra nos palcos e nas telas, rompendo padrões e estereótipos da época. O TEN virou um marco cultural ao colocar elenco inteiramente negro no centro da cena teatral e transformar o teatro em espaço de afirmação política e estética contra o racismo. O TEN nasceu da indignação de Abdias do Nascimento ao que na época era a naturalização da blackface (um ator branco se pintar de tinta preta para interpretar um personagem negro). A blackface foi um recurso muito utilizado no cinema desde seus primórdios, além da TV e no teatro, levando o TEN a criar um projeto que propiciasse protagonismo a atores negros, bem como sua formação profissional (na época uma das defesas do uso da blackface foi de que haviam poucos atores e atrizes negros, o que de fato existiu mesmo, conforme apontam entrevistados do documentário). O TEN colaborou para a reafirmação da identidade negra e um local para se expandir a conscientização social. Reunia gente comum que queria ser ator: trabalhadores, empregadas domésticas e pessoas sem formação artística, oferecendo cursos de alfabetização e iniciação cultural para que pudessem atuar. Contribuíram para o grupo pensadores e dramaturgos brancos, como Darcy Ribeiro, Lúcio Cardoso e Nelson Rodrigues (que escreveu peças para o TEN, como “Anjo Negro”). A primeira peça do TEN ocorreu em 1945, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com “O imperador Jones”, uma peça clássica de Eugene O’Neill, tradicionalmente feita por brancos, só que agora por um elenco negro (citado no filme). No documentário vemos nomes ligados ao TEN, como Ruth de Souza e Léa Garcia, que se tornariam grandes atrizes do país. Outros entrevistados contam a influência do TEN em suas carreiras, como os veteranos atores Zezé Motta e Milton Gonçalves, a poetisa Leda Maria Martins, o cineasta Joel Zito Araújo e nomes da TV e do cinema atuais, como Taís Araújo, Lázaro Ramos e Ailton Graça. Daqueles filmes para sair pensando e olhar como as artes evoluíram de meio século para cá na questão racial (mesmo sabendo que ainda há muito a ser construído para se chegar à igualdade social). POR FELIPE BRIDA - No blog cinema-naweb blogspotcom