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Data de lançamento
7 Dez. 2006Duração
Cha Young-goon (Lim Su-Jeong) é hospitalizada numa clínica psiquiátrica, por acreditar que é uma ciborgue. Ela recusa toda a comida que lhe oferecem, preferindo carregar as "baterias" através de um transistor. Cha usa a dentadura da avó e fala com todos os aparelhos eletrônicos. Mas seu caso não é o único: ela está rodeada de pacientes que têm interlocutores imaginários. Quando o belo e anti-social Park Il-Soon (Rain) é internado, tudo muda para ela. Não leva muito tempo para que eles se envolvam, mas a saúde da menina piora cada vez mais.
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Há vários filmes muito bons que tratam da dinâmica institucional dos hospitais psiquiátricos. Da loucura, há ainda mais. É um grande mérito o Park Chan-wook realizar um filme desse tipo de uma maneira que o torne diferente dessa vastidão de obras feitas.
Penso que o grande perigo desse tipo de filme é reduzir os personagens aos seus diagnósticos. Quem mente é a mitomaníaca. Quem alucina é o esquizofrênico. Quem não come é o anoréxico. De maneira que o filme faça com que nós também reduzamos esses personagens a essas manifestações e reproduzamos o impedimento de que esses personagens podem ser outra coisa ou manifestar outros comportamentos. Como se também eles não pudessem falar para além desses diagnósticos, não tivessem histórias, não tivessem os porquês dessas marcas.
E penso que, nesse sentido, o diretor manejou bem. Há diversos momentos em que os sintomas se misturam: o ladrão está cantando como a cantora, a cintura elástica está na projeção de sonho dos personagens, as meias de voo estão com a Young-goon. Todos esses elementos coincidindo para que a história de resolução do conflito da personagem principal pudesse ser resolvida. Até o máximo dessa somatória resultar em uma cena em que todos compartilham da mesma dificuldade de se alimentar que ela tem. Essa forma de somar, e não dividir — algo que esses filmes e narrativas tendem a reproduzir — é um grande ponto nesse filme. Pois, também como aqueles que estão fora dessa dinâmica institucional, essas pessoas são complexas e não podem ser reduzidas aos seus sintomas. Há histórias por trás desses diagnósticos e há uma possibilidade de conversa para além deles.
Outro grande ponto para mim são os elementos de diversos gêneros no filme. Há diversas cenas de comédia que usam uma estrutura cômica para mostrar coisas muito sérias, como, por exemplo, o excesso de sentimento de culpa em um personagem. Ou a crença ferrenha na possibilidade de roubar habilidades e características. Há uma dimensão romântica que é lentamente desenvolvida até uma cena-chave em que o diretor usa uma fotografia bem clichê, mas que combina muito com o romance clichê no qual o filme está envolvido. Há uma veia de suspense que se passa nos subsolos da instituição e até uma verve de ficção científica que é construída ao longo do filme até uma cena bem emblemática à la Frankenstein. O diretor brinca nesse filme, e é com muita competência que dessa brincadeira sai um filme muito sério, porém lúdico. Pela dimensão lúdica, é possível tratar de temas tão importantes e finalizar de uma maneira tão autoral.
Outro grande ponto para mim foram as cenas de Cyborg da Young-goon. Para além da matança explícita, creio que a forma como o diretor trabalha o “delírio” por meio da fantasia é extremamente importante se pensamos no cinema como um exercício de imaginação. Nessa cena, o diretor não poupa recursos para sublimar um desejo fundamental da personagem (e seu também). E esse exercício de imaginação é fundamental para nós que assistimos; é um convite e uma realização de uma dimensão muito basal do próprio ato de assistir a um filme. E acho que ele fez isso de uma maneira muito bonita. Essa cena é incrível. (Poderia falar da cena do voo também, mas escolhi essa por ser mais explícita).
Eh tipo um sonho meio tron meio colagem de revista
Achei a historia chatinha mas as cenas sao tao bonitas, assistindo como uma colagem de revista mesmo só coisa boa
O personagem Park Il-sun é fantástico.
15/06/24