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Igby Slocumb (Kieran Culkin) é um jovem de 17 anos que não suporta mais a vida que tem em sua casa. Com um pai (Bill Pullman) tendo seguidos colapsos nervosos, uma mãe (Susan Sarandon) afastada dele e ainda um irmão mais velho (Ryan Phillippe) que tem todos os seus desejos atendidos pelos pais, Igby decide se mudar rumo a Nova York, mais exatamente para a casa de seu padrinho D.H. Baines (Jeff Goldblum). É lá que Igby conhece Sookie Sapperstein (Claire Danes), uma garota também cheia de problemas com quem se envolve.
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Gostei dapegada desse filme, envolvente e com bom roteiro
Eu já esperava uma certa dose de drama ao assistir a A Estranha Família de Igby (Igby Goes Down, 2002), mas, do jeito que o filme foi conduzido, parece que ele nunca define direito para onde quer ir. Kieran Culkin entrega um protagonista absolutamente magnético, cínico e ferido, mas o roteiro flerta com várias possibilidades temáticas – a rebelião adolescente, o vazio da elite nova-iorquina, o luto antecipado, a busca por conexão genuína – e, no fim, não desenvolve nenhuma delas a fundo. Fica tudo na superfície, como se o filme tivesse medo de se comprometer com a própria amargura.
Senti falta do Bill Pullman. Tudo bem que o personagem do pai sofre de problemas psicológicos graves e não seria coerente mantê-lo presente o tempo todo,
mas o filme poderia ter explorado mais a relação dele com Igby através de flashbacks ou lembranças mais concretas. No meio daquela família disfuncional, ele parecia ser o único adulto que, mesmo quebrado, tinha uma possível conexão afetiva verdadeira com o filho caçula – e essa ausência pesa.
A relação de Igby com o irmão mais velho, Ollie (Ryan Phillippe), é simplesmente péssima. Ollie nunca o ajuda em nada; sempre o olha de cima para baixo, com aquele ar de superioridade republicana e fria. A mãe, Mimi (uma Susan Sarandon brilhante e odiosa), trata Igby como um fardo eterno, um peso que atrapalha a perfeição que ela projeta no filho favorito. A comparação entre os dois irmãos é inevitável e cruel, e Igby nunca tem chance.
Quando conhecemos Sookie (Claire Danes), a sinopse promete uma garota cheia de problemas com quem Igby vai se envolver de forma significativa. No começo, a química entre os dois é real, quase esperançosa –
parecia que, enfim, alguém poderia enxergar Igby de verdade. Mas não. No instante em que Ollie oferece carona a ela, eu já sabia o que viria. Só torcia para que Sookie tivesse um mínimo de caráter e resistisse. Ela não resiste. Troca Igby pelo irmão sem pestanejar e ainda justifica com uma frieza devastadora. É mais uma traição na vida dele.
E o filme é exatamente isso: um pai ausente e destruído que não consegue ser suporte, uma mãe narcisista que não liga para ele, um irmão que o menospreza o tempo todo e, para coroar, a única pessoa que parecia oferecer algum afeto verdadeiro o abandona pelo mesmo irmão que o humilha desde sempre. Fora o relacionamento ambíguo com D.H. (Jeff Goldblum),
o padrinho rico e excêntrico que aparentemente gosta dele, mas que termina socando Igby com vontade – mais uma surra na lista. O protagonista apanha de todo mundo: apanha até da Rachel (Amanda Peet), a amante do tio, viciada em heroína, com quem ele também se envolve brevemente.
No fim, após a morte da mãe (orquestrada de forma fria e quase cômica), Igby simplesmente vai embora, pega um avião e desaparece na Califórnia. Sozinho. Nenhum dos seus problemas de relacionamento é resolvido – pelo contrário, só se acumulam mais cicatrizes. O final é aberto, quase indiferente: não sabemos se ele conseguiu ser feliz, se encontrou algum tipo de paz ou sucesso que merecesse, ou se continuou se fodendo pelo resto da vida, como tudo indicava.
O filme é elegante, bem atuado, cheio de diálogos afiados, mas deixa um gosto de vazio – talvez seja essa a intenção, refletir o niilismo da geração que retrata. Ainda assim, fica a sensação de que poderia ter sido mais corajoso, mais profundo.
E, dentre todas as falas e diálogos, uma de Sookie me chamou a atenção, porque eu me identifico:
“Quando estou perto assim de outra pessoa, penso que um dia, em certo momento, este corpo que estou abraçando vai parar de respirar, parar de viver, simplesmente vai parar. Um dia você vai topar com meu nome no obituário e vai se lembrar deste momento em que ficamos tão próximos.”
Assistido em 02/12/2025
Ruim. Sem mais!
Não sabe se definir muito bem em relação ao gênero em que seguir.
Adolescente problemático vai viver a vida tentando curar seus traumas. Não acho ruim, até entretém, mas é um exemplar bem medíocre dentro desse gênero.