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Duração
O amor do negro Antônio Balduíno pela loura Lindinalva. Tudo começou quando ele, ainda criança, foi morar na casa do Comendador Ferreira, pai de Lindinalva. O pequeno órfão ganhou a proteção do chefe da casa e o ódio da empregada portuguesa, Amélia. Expulso da casa dos ricos protetores, Balduíno torna-se um homem famoso entre os malandros e marinheiros da beira do cais, lutador imbatível e amante famoso. Torna-se o imperador das ruas da Bahia. Mas o gigante negro tinha o coração escravo de Lindinalva e a cabeça de Jubiabá, o pai-de-santo.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
01/07/2026
passou o tempo legal
É um bom filme, mas é um pouco confuso, talvez a edição o tenha deixado assim. Gostei do protagonista, Baldo. Mas tudo poderia ser um pouco melhorado.
- texto de jorge amado, direção do nelson, trilha do gilberto gil e atuação do grande otelo, que time!
- certo tá o balduíno: "Brancos de merda. Filhos da puta."
- uma mistura de capitães de areia com bye bye brazil
- se amavam, mas nunca poderiam ficar juntos
Por que muitos filmes brasileiros eram dublados?
Curioso...
A força do filme está em seu diretor e em sua história, que trazem o peso da luta de classes no Brasil, tendo como palco a imortal Bahia eternizada pelas páginas de Jorge Amado. Também não posso deixar de falar da excelente trilha sonora, contando com Gal Costa e Gilberto Gil. A mão do diretor garante belas cenas, como o confronto entre Balduíno e Alemão, a fala final de Jubiabá ou a dança extremamente atraente da linda Zezé Motta, que é só uma das estrelas que dão a pinta por aqui, tendo as participações muito mais que especiais das lendas Ruth de Souza, Betty Faria, Jofre Soares e Grande Otelo (que faz o personagem-título, mas aparece muito pouco, ficando um tanto vaga a sua importância do andamento do filme, apesar de sua posição como mentor de Balduíno). O filme acompanha os percalços de Antônio Balduíno - interpretado por Charles Baiano, numa atuação extremamente modesta -, colocando-o como vítima de sua posição como negro (a frase "Brancos de merda! Filhos da puta!" resume bem a sensação constante no filme) e deixando sempre presente como isso marca sua vivência, sua trajetória e suas atitudes. Sua história é entremeada por cenas da vida de Lindinalva, seu amor platônico, que compartilha do mesmo sentimento e também sofre suas agruras pela sua condição como mulher e as necessidades a que ela precisa recorrer após a negligência e o abandono. Os personagens trazem em si várias faces da sociedade brasileira, e mostram como vivemos num país extremamente racista (o mito de "no Brasil não existe racismo" é coisa de gente totalmente cega ou sem caráter) e que presencia uma cruel luta de classes que precisa ser resolvida através da união entre as raças, as classes vulneráveis e a própria burguesia, que assume também um papel de agente nessa mudança, como o diz Pai Jubiabá ao fim do filme. Há uma riqueza e tanto nas mensagens sobre a sociedade baiana e brasileira e nos recortes da vida do herói do filme que são mostrados ao público. Porém, a edição brusca, a montagem apressada, a velocidade com que as fases da infância e adolescência ocorrem dentro da narrativa e as grandes elipses temporais acabam deixando o enredo um pouco confuso; da mesma forma, a performance fraca de Charles Baiano ofusca o protagonista frente aos seus colegas. Em compensação, Catherine Rouvel, Françoise Goussard e Julien Guiomar entregam boas atuações (sendo uma co-produção francesa, temos a participação de vários atores do país). Apesar dos deslizes e da duração insuficiente para trazer uma história mais completa, Jubiabá consegue ainda se firmar como um importante conto pró-comunismo (afinal, vindo de Jorge Amado e Nelson Pereira dos Santos, o que esperar?) e sobre a vivência e cultura negra do país. Apesar de várias falhas, acerta mais do que erra e vale muito ser assistido.