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Data de lançamento
17 Fev. 1995Duração
Um conceituado professor de Harvard (Sean Connery), que não advoga há 25 anos e é contra a pena de morte, é convencido, após uma relutância inicial, em tentar obter provas que provem a inocência de um jovem negro, que está no corredor da morte acusado de ter estuprado e assassinado de forma extremamente brutal uma jovem. À medida que ele investiga uma série de revelações surpreendentes vem à tona.
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O discurso inicial é deveras bem montado, de modo que, em seu desfecho com plot twist que surpreende, mas ao mesmo passo, distorce o belo discurso inicial. JUSTA CAUSA, é um bom filme investigativo de suspense com bom desempenho de seu elenco. O que me causou `asno` foi alguns personagens tão nojosos, como o de Laurence Fishburne, ser visto, em seu terço final como herói, neste espectro, o filme é sobremaneira perigoso. Mas tudo é bem compensado pelas boas intenções de Sean Connery e Kate Capshaw, em seus respectivos papéis. Este filme passou algumas vezes no SBT e era sempre exposto nas vídeolocadoras, inclusive, seu gigantesco poster chamando a atenção para os nomes de Sean Connery e Laurence Fishburne.
Imagine um filme que começa com um debate sobre pena de morte e termina com um crocodilo espreitando na água. Just Cause é esse salto ornamental entre o drama sério e o filme de ação, onde a justiça entra em cena, mas sai pela porta dos fundos para dar lugar ao velho conhecido: o bom e velho plot twist.
Just Cause se apresenta como um legítimo drama jurídico: um professor, Paul Armstrong (Sean Connery), se vê diante do “caso da sua vida”. Um homem negro no corredor da morte, uma garotinha assassinada, e uma polícia local que bate primeiro e coleta confissões depois. Tudo muito familiar, tudo muito americano. Mas a forma como o filme se apresenta, flertando com um discurso racial legítimo e urgente, promete mais do que entrega. De início, parece querer mesmo denunciar: a máquina judicial americana que moe homens negros e cospe penas de morte como quem carimba papelada; a brutalidade policial; o racismo institucional. E há algo quase provocativo no fato de o policial mais violento ser justamente negro — Tanny Brown (Laurence Fishburne), xerife que inspira aquele tipo de desconforto racial ambíguo: será que ele está apenas cumprindo a lei ou já virou seu próprio algoz? Por sorte, o roteiro lhe dá alguma profundidade — sua desconfiança de Bobby, o acusado, nasce de uma conexão emocional com a vítima, e não só de um viés engomado de uniforme.
Paul Armstrong, nosso advogado-professor-herói, não só defende, como investiga. Vai de Harvard ao pântano com uma dignidade que só Connery poderia carregar. Ele conversa com testemunhas, confronta delegados, leva pedradas no carro (e no ego), e descobre pistas que a polícia nunca quis achar. Mas então… o filme muda. Aquela atmosfera de tribunal — que prometia um Doze Homens e Uma Sentença para os anos 90 — vira Cabo do Medo. E a justiça, coitada, é atropelada por um thriller de vingança acelerado, sem tempo para o devido processo. A reviravolta é, no papel, deliciosa. Bobby Earl (Blair Underwood), o réu injustiçado, é libertado graças ao trabalho de Paul. Mas — surpresa! — ele é mesmo culpado. Pior: é um psicopata de manual, meticulosamente ajudado por um vizinho de cela interpretado por um Ed Harris que parece ter saído direto de uma convenção de serial killers. O plano é complexo, engenhoso, e até poético em seu cinismo: “Eu dei a vida por ele, ele vai me dar a morte.” Mas o filme não dá tempo de construir essa virada. Bobby sai da prisão e já está sequestrando a esposa e a filha de Paul num pântano infestado de crocodilos — o tipo de coisa que exige um salto de fé ou um helicóptero narrativo que nos leve direto ao clímax.
E é aí que mora a frustração. Porque Just Cause propõe ser muita coisa — um drama de tribunal, um estudo racial, um suspense psicológico — mas acaba sendo apenas um thriller apressado. A figura do psicopata, que poderia render um vilão memorável ao nível de Max Cady (Cabo do Medo) ou Peyton de A Mão Que Balança o Berço, é mal trabalhada: Bobby não tem tempo de ser sádico, de nos enervar, de se infiltrar na trama com a frieza que o personagem pede.
O filme até tenta encerrar com cenas impactantes — carros em pontes levadiças, perseguições em paisagens pantanosas, embates corpo a corpo —, mas falta densidade. Faltou tempo, ou talvez coragem, para explorar as implicações da culpa, da justiça mal administrada, e até mesmo do papel da esposa de Paul (Kate Capshaw), que teve sua mão na condenação inicial de Bobby. No fim, fica a impressão de um filme que tinha tudo para ser marcante, mas se contenta em ser eficiente. Um caso que poderia ser clássico, mas que trocou o tribunal pelo tiroteio cedo demais. E como todo bom advogado sabe, nem todo julgamento se ganha com espetáculo.
o filme começou bonito, com toda aquela mensagem de ser humano, depois mudou completamente e estragou a mensagem bonita que o filme deveria passar.
Em vez de incentivar as pessoas a serem humanas, incentivou a se transformarem em monstros.
Bom,
pela reviravolta.
Grata surpresa! Indicação do canal "meus dois centavos." Não é o melhor do gênero, mas ganha de muitos filmes do gênero atuais.