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Data de lançamento
26 Maio 2011Duração
O tempo só serviu para afastar as irmãs Justine (Kirsten Dunst) e Claire (Charlotte Gainsbourg). Nem o casamento entre Justine e Michael (Alexander Skarsgård) serve como desculpa para aproximá-las e, depois da cerimônia, Justine começa a ficar triste e melancólica. Quando o anúncio sobre a colisão da Terra com outro planeta chega ao conhecimento, as reações são bem diferentes. Justine está conformada, enquanto o desespero do iminente fim apavora Claire.
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Não sei explicar, mas foi alguma coisa.
Lindo e melancólico. Visualmente é um espetáculo, as atuações são impecáveis, o roteiro é incrivel, a historia é construída perfeitamente, com calma e maestria. Justine nunca mereceu Claire.
⚠️ Alerta de Spoiler: Se você não viu o filme, volte depois. 🎬🍿
Como reagir à colisão dos mundos quando o seu próprio universo particular foi aniquilado em silêncio? Como encarar a chegada do apocalipse quando a sua alma já habita o fim? Se você vive o apocalipse em seu peito, o fim dos tempos deixa de ser um pavor e se torna apenas um eco.
"Melancolia" não é um filme que se assiste; é um filme que colide no nosso coração como um meteoro. O cinema de Lars von Trier bate pesado, como um arado de ferro cortando solo seco. Sob o pretexto de uma ficção científica apocalíptica — a vinda de um planeta desgarrado que ruma em colisão direta contra a Terra —, o diretor constrói um estudo psicológico brutal sobre o caos interior de quem já está morto por dentro. Se o seu mundo particular já desmoronou em ruínas, o fim do universo deixa de ser um pavor e se torna um espelho que reflete o desespero da alma ante o fim dos tempos.
O casamento luxuoso é um pesadelo sufocante mascarado de festa de elite. Na mansão abastada, Justine (Kirsten Dunst) deveria celebrar a vida nova que nascia, mas o que se vê é a decomposição lenta de uma alma morta. Cercada por luxo, convenções sociais e uma família falida afetivamente, Justine exala o cheiro seco do desespero. A beleza ao seu redor é efêmera, inútil. A cerimônia vira um velório onde sua alma é enterrada viva. Ela se destrói; Justine se vinga da vida, sabota o noivado, humilha o patrão e se entrega ao caos. Para Justine, não há luz na superfície; o apocalipse já comeu seu brilho e tomou conta do seu sangue há muito tempo.
Quando a presença do planeta azul — batizado ironicamente de Melancolia — passa de hipótese astronômica a uma sentença de morte, o filme atinge uma voltagem poética quase insuportável. A direção de arte e a fotografia desenham quadros prateados, de uma luz fria, estática e hipnotizante, embalada pela melodia trágica de Wagner. É nesse cenário de catástrofe que as máscaras caem quando se olha para o fim. A irmã que sempre buscou o controle e a ordem entra em pânico absoluto ao ver a ciência ruir. O cunhado forte e poderoso entra em desespero e se destrói. Enquanto isso, Justine alcança uma serenidade assustadora. Para quem vive engolido pela depressão, a destruição do mundo não é uma tragédia; é a única coisa que finalmente faz sentido.
O desfecho é de uma beleza lírica e devastadora. Na iminência do impacto, Justine constrói uma cabana frágil com galhos secos no gramado, um refúgio de mentira para acolher o medo do sobrinho criança. Sentadas ali, de mãos dadas enquanto a terra treme, vemos o contraste definitivo: o pânico visceral de Claire contra o olhar estoico e em paz de Justine. O planeta intruso engole o horizonte em uma onda de fogo, luz e estilhaços, fechando o filme no silêncio e na escuridão, como a tampa de um caixão pro mundo, mas que se abre somente pra ela.
"Melancolia" de Lars von Trier é a arte do cinema em seu estado mais pesado e poético. O filme nunca abandona o drama psicológico para se tornar apenas um filme-catástrofe. As duas camadas caminham juntas do início ao fim. O filme é um retrato de que, para algumas almas, o fim do mundo é o único momento de trégua antes da paz.
Melancolia 9/10
Por muito tempo tive preconceito com Las Von Trier, parecia para mim que os seus filmes buscavam no choque uma forma de ganhar espaço no mundo de cinema e no boca a boca. Isso era bem preconceito mesmo, porque eu mal conhecia os filmes do cara. De uns tempos pra cá eu vi A Casa que Jack Construiu (há mais tempo) e bem mais recente vi os excelentes Dançando no Escuro (esse é muito bom) e Dogville.
Melancolia é bem diferente desses outros na forma, mas agrega o que tem de melhor do diretor. O filme é dividido em duas partes. A primeira com destaque absoluto para Justine na belíssima e etérea atuação de Kirsten Dunst. Tudo se passa num casamento onde o filme, de todas as formas possíveis quer e consegue fazer você se sentir desconfortável. Melancolia não está ainda presente, mas já está ali.
A segunda, com o título de Claire (irmã de Justine) é sobre a chegada já anunciada desde o início, mesmo que nas entrelinhas, de Melancolia, um planeta que está orbitando próximo a Terra, com risco de se chocar com o nosso planeta.
A metáfora óbvia, literal, é sobre a depressão e a possibilidade de uma fatalidade inevitável faz o diretor brincar com o contraste dos sentimentos, do niilismo, da angústia, do vazio, da aceitação e do desespero. Filmaço. E é de longe a cinematografia mais bonita dos filmes que vi dele.
https://www.instagram.com/reel/Da3nFuIBEWs/?igsh=MWI3OXd6bHB1MWlveA==
Não sabia da existência desse vídeo. O Diretor sabotou seu filme e a indicação da sua principal atriz nas premiações. kkkkk
Baita filme que resolvi rever, e digo que sempre fica melhor a cada nova visita.
Só não leva a nota máxima pois perde um pouquinho do fôlego na segunda metade do capítulo da Claire.
Do mais é um filmaço reflexivo até a alma, que fica na mente por vários dias.
" Sometimes i hate you soo much, Justine."