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Nascimento: 30 de Abril de 1956 (60 years)

Copenhague - Dinamarca

Lars Trier, ou Lars Von Trier (“Von” foi adotado durante o seu período de estudo na Escola de Cinema da Dinamarca), nasceu em Copenhagen no dia 30 de abril de 1956. É provavelmente um dos cineastas mais ambiciosos e visualmente distintos que veio da Dinamarca. Carl Theodor Dreyer foi o único a chamar tanta atenção 60 anos antes de Lars. Von Trier estudou cinema na Escola de Cinema da Dinamarca e atraiu a atenção do mercado internacional com o seu primeiro projeto, Elemento de um Crime (1984). Uma mistura altamente distinta entre filme Noir e Expressionismo Alemão com estilística que flerta com Dreyer, Andrei Tarkovsky e Orson Welles, a combinação de cores amarelas monocromáticas com toques de iluminação azulada e atmosfera sombria fez do filme uma experiência inesquecível.

O diretor é muito polêmico, intenso e controverso. Suas obras dividem opiniões tanto do espectador comum quanto na crítica especializada. Entre seus filmes de destaque estão Os Idiotas (1998), Dançando no Escuro (2000), Dogville (2003), Anticristo (2009), Melancolia (2011) e Ninfomaníaca: volume 1 e Volume 2 (2013).
Em 1992, Trier começou seu projeto mais ambicioso: ''Dimension'', em que são filmados apenas três minutos por ano, e que, segundo ele, não será terminado até o ano de 2024. Como não sabe quanto tempo ele ou qualquer outro membro da equipe vão viver, o diretor já deixou tudo esquematizado para que um eventual sucessor retome o trabalho. Tudo que se sabe sobre o filme, é que se trata da história de um crime.

Após trabalhar com Elemento de um Crime seus próximos trabalhos Epidemic (1987) e Europa (1991) foram igualmente ambiciosos no tema e visualmente. Seu reconhecimento mundial aconteceu com o lançamento da minissérie Riget (1994), intitulada nos EUA “The Kingdom”, um projeto que mistura horror, melodrama, mistério e o estilo de Twin Peaks (1990), série do diretor David Lynch. O surrealismo da trama fez tanto sucesso que foi lançado internacionalmente como um filme de 280 minutos.

O Dogma 95 é um movimento cinematográfico lançado a partir de um manifesto em 13 de março de 1995. Lars Von Trier é autor do dogma, ao lado do diretor Thomas Vinterberg. Foi escrito para a criação de um cinema mais realista e menos comercial, contrapondo a exploração comercial do modelo de Hollywood. As principais regras do Dogma 95 são que as gravações devem ser feitas no local sem o uso de acessórios cenográficos, o áudio deve ser captado junto com a imagem, sem o uso de trilha sonora a não ser que a música esteja tocando na cena. As câmeras dever ser usadas na mão, filme em cores, sem truques de iluminação, sem ações superficiais (Homicídios, armas, sexo, etc.), a história deve se passar no momento em que está sendo gravada; sem deslocamentos temporais e o nome do diretor não deve aparecer nos créditos. Os Idiotas (1998), filme que o tornou mais conhecido no Brasil, foi o primeiro filme de Lars que fez parte do Dogma 95. Trier permitiu até mesmo uma cena de sexo explícito no filme, que lotou as salas do circuito de arte.

Os filmes de Lars são indicados aos prêmios do festival de Cannes com muita frequência. Sua primeira indicação foi em 1984 pelo filme Elemento de Um Crime, prêmio o qual ele ganhou. Em 1991 ganhou prêmios pelo filme Europa, em 1996 por Ondas do Destino, 2000 Dançando no Escuro foi a sua primeira palma de ouro, maior prêmio do festival. Recebeu outras indicações pelos filmes Os Idiotas (1998), Dogville (2003), Manderlay (2005), Anticristo (2009) e Melancolia (2011).

Dançando no Escuro (2000), Lars fez o melodrama leste europeu de uma mulher que sacrifica tudo para salvar seu filho que está com a mesma doença de cegueira que ela sofre. O filme foi um dos primeiros a ser gravado completamente com equipamento digital. A cantora islandesa Björk, além de compor a trilha sonora, atuou no papel principal.

Em 2003, Trier, que se disse tentado pelos críticos, lançou mais um filme cujo roteiro se passa nos EUA: Dogville. Foi o primeiro filme da trilogia “EUA - Terra das oportunidades” e conta uma história dramática sobre vingança, em que o diretor discute friamente aspectos da formação das sociedades, suas relações e mazelas. Essa experiência pode ser agradável para alguns, e causar repúdio a outros, mas de um modo geral atinge o objetivo do diretor de provocar a reflexão diante da história. Na sequência teve Manderlay e Washington, que ainda não foi lançado. O filme usa referencia ao gênero do Teatro do Absurdo e foi duramente criticado nos EUA por ser considerado antiamericano.

Um dos mais polêmicos filmes de Lars, Anticristo (2009) chocou o mundo com suas cenas de violência, sexo explícito e mutilação de órgãos genitais. O roteiro simples conta de forma metafórica um momento de sua vida bem obscuro, quando sofria um quadro de depressão. Anticristo é a primeira parte da chamada “Trilogia da depressão” e é composta também do filme Melancolia e Ninfomaníaca. Charlotte Gainsbourg, protagonista do filme está presente em toda a trilogia, com personagens diferentes. O filme segue o estilo de Lars ao ser dividido em capítulos, como em um livro.

Melancolia (2011) traz uma realidade ficcional e, novamente, os sentimentos humanos colocados em foco. Essencialmente ocorrido em família (o filme é dividido em duas partes), conta a história de Justine e Claire, duas irmãs que passam juntas por uma festa de casamento fracassada e a ameaça da colisão de um planeta, chamado melancolia, com a Terra. O elenco tem participação de Kirsten Dunst, Kiefer Sutherland, Stellan Skarsgard. Uma única música compõe a trilha sonora que toca nos momentos mais importantes da trama, a música faz parte do drama musical Tristão e Isolda.

Em 2011 Lars foi banido do festival de Cannes após uma duvidosa declaração sobre o Holocausto: “Eu entendo Hitler, embora saiba que fez coisas erradas. Sei disso. Só estou dizendo que entendo o homem, não é o que chamaríamos de um bom homem, mas simpatizo um pouco com ele”. Dois anos depois voltou a ser aceito no festival.

A última história da trilogia da depressão intitula-se Ninfomaníaca (2013). Dividido em dois filmes, conta a saga de Joe (Charlotte Gainsbourg) e acompanha sua vida sexual desde a infância até a velhice. O filme contem cenas de sexo explícito, e foi lançado em uma época em que o tabu da vida sexual feminina era muito discutido.