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Data de lançamento
11 Março 1994Duração
De maneira totalmente inesperada e bizarra, Waring Hudsucker, presidente das super lucrativas Indústrias Hudsucker, comete suicídio se atirando do alto de seu próprio edifício. Ainda atordoada pelo acontecimento, a junta de diretores da empresa, comandada pelo inescrupuloso Sidney Mussberger, tem uma idéia brilhante: colocar um idiota qualquer na presidência da Companhia e fazer o preço das ações despencar, para depois comprar tudo de volta a preço de banana. O ingênuo e idealista Norville Barnes seria o perfeito "testa de ferro" para o plano, mas ninguém contava com a desconfiança da repórter Amy Archer, que começa a perceber que há algo de podre no reino da Hudsucker.
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11.02.2003
02.05.1999
07.01.1999
Não procure nada de especial aqui!
É só um desfile de sotaques caricatos dentro de uma parábola chocha.
Mas, a trilha é muito bonita. Isso é, sem dúvidas!
Os irmãos Coen têm o dom de pegar um gênero clássico, injetar um humor afiado e criar algo que parece tanto uma homenagem quanto uma sátira. The Hudsucker Proxy (1994) faz exatamente isso com o mundo corporativo, misturando cinema noir, comédia screwball e um toque de fantasia. A história segue Norville Barnes, um jovem ingênuo recém-saído da faculdade que, por um golpe de sorte (ou de pura malícia alheia), se torna presidente de uma grande corporação. O plano dos executivos é simples: colocá-lo no comando para desvalorizar as ações, mas, claro, nada sai como esperado.
Desde a primeira cena, os Coen nos imergem nesse universo estilizado. A cinematografia é um espetáculo à parte, capturando a imponência do arranha-céu da Hudsucker Industries e o caos controlado das engrenagens do mundo dos negócios. A câmera passeia pelos corredores burocráticos, pelos elevadores repletos de informações confidenciais e pelo setor de correspondências no subsolo, onde a misteriosa “carta azul” se torna um pequeno suspense interno. Os cenários não são só pano de fundo, mas parte ativa da narrativa, tornando o filme visualmente cativante.
O elenco brilha em cada detalhe. Tim Robbins faz um Norville adoravelmente bobo, mas esperto à sua própria maneira. Paul Newman interpreta o inescrupuloso Sidney J. Mussburger com uma presença magnética e ameaçadora, enquanto Jennifer Jason Leigh é um deleite como a repórter determinada a desmascarar Norville – sua atuação é uma homenagem direta às jornalistas atrevidas dos filmes dos anos 1940. Até os personagens secundários são memoráveis, como o ascensorista cínico que transforma fofocas corporativas em pura arte e a falecida figura do fundador da empresa, cuja presença ainda movimenta os rumos da história.
O humor funciona porque se apoia em diálogos brilhantes e na repetição cômica de ideias, como a insistência de Norville em apresentar seu “grande projeto” (apenas um círculo desenhado num papel, que mais tarde se revela o bambolê). A cena da fabricação e ascensão do brinquedo é uma das melhores montagens da filmografia dos Coen, capturando a genialidade absurda de um mercado que pode transformar um simples círculo num fenômeno de vendas. O filme ainda brinca com a linguagem corporativa e com as engrenagens do capitalismo – tanto no sentido figurado quanto literal, com seus relógios, rodas girando e engrenagens do destino.
O desfecho flerta com a fantasia, algo que pode dividir opiniões, mas que se encaixa perfeitamente na lógica interna do filme. A cena da queda do protagonista, interrompida por uma força quase celestial, não é apenas um artifício narrativo; é a síntese do próprio tema do filme, sobre ascensão e queda, sobre sorte e esperteza no mundo dos negócios. Para quem busca uma experiência única, repleta de humor, estilo e personagens inesquecíveis, The Hudsucker Proxy é um deleite visual e narrativo – uma engrenagem que gira perfeitamente.