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Data de lançamento
20 Fev. 1983Duração
'Mockumentary' acerca do décimo aniversário de uma revolução socialista nos EUA que, infelizmente, não sanou a abundância de racismo, homofobia, machismo e criminalização da pobreza no país...
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Um clássico feminista futurista que fala sobre sexismo, racismo, vigilância e apagamento mas num tom tão cru e direto que parece mais relato do que ficção. Potência.
O Sesc Digital, plataforma de streaming do Sesc lançado em 2020, na pandemia, resgata filmes cult esquecidos e disponibiliza os títulos de forma gratuita para apreciação do público. Está no acervo ‘Born in flames’, intitulado no Brasil como ‘Nascidas em chamas’, um documentário/ficção de 1983 exibido nos festivais de Nova York, Toronto e Berlim (onde ganhou prêmio especial), cuja trama transcorre num futuro distópico nem tão longe assim. Com a chamada ‘Segunda Revolução Cultural’, ou ‘Revolução Cultural, Social e Democrata Norte-americana’, um movimento pacífico, de orientação socialista, expande-se em Nova York o Exército das Mulheres, após o assassinato de sua líder, Adelaide Norris (Jean Satterfield), uma mulher negra de ideias radicais. Figuras femininas de classes sociais e gêneros se juntam para refundar a sociedade americana, lutando contra o racismo, a homofobia e a misoginia. Elas fazem manifestações pelas ruas, dão entrevistas e chacoalham a mente das pessoas com suas novas propostas de se pensar identidade, sexualidade e liberdade. Misturando videoclipes com fantasia, ficção científica, cenas reais da agitada Nova York dos anos 80 e entrevistas falsas – é também um ‘mockumentary’, um falso documentário, que virou um marco do cinema independente, um cinema de guerrilha/revolucionário e feminista, feito pela diretora Lizzie Borden, que depois voltaria a fazer filmes provocativos sobre sexismo como ‘As profissionais do sonho’ (1986). Traz participação das atrizes Florynce Kennedy e Adele Bertei e uma pontinha da cineasta Kathryn Bigelow como uma editora de jornal. Disponível no Sesc Digital até hoje, em ótima cópia, preservada pelo Anthology Film Archives com a restauração financiada pela Hollywood Foreign Press Association e The Film Foundation.
POR FELIPE BRIDA - BLOG CINEMA-NAWEB
Documentário paródia que mais acerta do que erra sobre um tema já batido nos dias de hoje.
- completamente genial! toda a ideia por trás e também a execução são excelentes!
- mostrando que mesmo após uma revolução, a luta pela igualdade e pelo feminismo, contra o machismo e descriminação continuam
- é uma doença permanente da humanidade deixar as minorias de lado
Born in Flames, dirigido por Lizzie Borden, é uma obra audaciosa e inovadora que mistura ficção científica e ativismo político para criar um comentário contundente sobre desigualdade, feminismo e revolução. Lançado em 1983, o filme é um produto de seu tempo, mas suas questões continuam relevantes, refletindo lutas sociais que ainda ressoam hoje.
A narrativa se passa em uma América pós-revolucionária, onde, apesar das promessas de igualdade, as mulheres e minorias ainda enfrentam opressão e injustiça. Através de uma lente feminista radical, Borden explora como diferentes grupos de mulheres se organizam para desafiar o status quo. A estrutura do filme, que mistura documentário e ficção, confere autenticidade e urgência à história, fazendo o espectador sentir como se estivesse testemunhando eventos reais.
A abordagem estética do filme é crua e direta, com uma cinematografia que utiliza câmeras de mão e uma edição fragmentada para criar uma sensação de caos e dinamismo. Essa escolha estilística pode parecer desordenada para alguns espectadores, mas é eficaz em transmitir a energia e a paixão dos movimentos ativistas retratados.
O elenco, composto principalmente por não-atores e ativistas reais, traz uma autenticidade palpável às performances. Essa escolha sublinha a intenção de Borden de romper com as convenções de Hollywood e criar algo verdadeiramente alternativo e desafiador. No entanto, essa mesma escolha pode resultar em algumas atuações desiguais, que nem sempre conseguem transmitir a profundidade emocional necessária.
O filme também é notável por seu enfoque interseccional, abordando questões de raça, sexualidade e classe com uma visão inclusiva e complexa. Ele explora as tensões dentro dos movimentos sociais, questionando como diferentes opressões podem ser enfrentadas simultaneamente.
Born in Flames não é um filme fácil de assistir; é provocativo e desafiador, muitas vezes mais preocupado em levantar questões do que em fornecer respostas. Isso pode ser frustrante para aqueles que preferem narrativas convencionais e finais claros. Contudo, essa escolha é também a sua força, pois encoraja o público a refletir e questionar as realidades sociais e políticas.