Dirigido por
Duração
Baseado na peça homônima escrita por Nelson Rodrigues. Ao presenciar um atropelamento, Arandir, um bancário recém-casado, tenta socorrer a vítima, mas o homem, quase morto, só tem tempo de realizar um último pedido: um beijo. Arandir beija o homem, mas seu ato é flagrado por seu sogro Aprígio e fotografado por Amado Ribeiro, um repórter policial sensacionalista.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Como é possível alguém gostar dessa versão?
Ela foi completamente censurada. Qual o sentido de refazer uma história ambientada em outra época, se as pessoas são retratadas como santos?
Ninguém solta um palavrão, e os personagens evitam até os comentários maldosos ou preconceituosos que, goste-se ou não, faziam parte daquele contexto histórico.
Ao eliminar esses elementos, o filme perde o peso e a veracidade. Era assim que as pessoas pensavam e agiam — ignorar isso é distorcer a realidade.
Mas, convenhamos, já era de se esperar. Essa geração excessivamente sensível jamais permitiria que o filme fosse fiel à obra original.
Clássicos não deveriam ser “reinterpretados” sob a ótica atual. A censura moderna mutila o conteúdo, dilui a força dramática e transforma o que antes era sério e impactante em um conto de fadas inofensivo.
A hipocrisia do mundo atual é sufocante: além de restringirem a liberdade de expressão, fingem que certos comportamentos e ideias nunca existiram.
A versão de 1981 permanece infinitamente superior — realista, crua, e carregada de verdade. É uma obra que nos faz acreditar no que vemos. Não é fantasia, é realidade pura.
O Murilo Benício além de ser um gostoso e um ótimo ator, ainda é um diretor foda. Já tinha assistido a versão de 1981 e fui ver esse esperando algo genético, mas o cara conseguiu transformar uma adaptação que já era muito boa em algo sofisticado, com uma cinematografia belíssima.
www. leiaeassista. com. br
Nelson Rodrigues era um sujeito fora do normal, não tem como compará-lo a outro escritor, ele era único em seu estilo e entregava histórias mirabolantes e cheirando à morte em meio a um amor tão louco quanto esta adaptação da peça de teatro brasileira homônima, publicada em 1960.
Esta criativa releitura de "O Beijo no Asfalto" marca a estreia de Murilo Benício na direção. A maneira como "O Beijo no Asfalto" foi dirigido pode ser considerada uma homenagem ao teatro, o jogo de câmera entre um cenário de teatro para o cenário do cinema proporciona uma experiência muito agradável.
Os atores lendo seus textos transferem uma maior autenticidade às cenas, assemelha-se a um making of "ao vivo", as mudanças de cenários abertos para cenários fechados com o enquadramento da câmera focado nos atores faz o espectador sentir o clima dos bastidores, das leituras dos textos e até do processo criativa por trás de cada interpretação.
A história de "O Beijo no Asfalto" como outras escritas por Nelson nos reserva surpresas de cair o queixo e sempre pelo menos um dos personagens é surpreendido com um final trágico alimentado quase sempre pelo passional, para alguns banal.
O elenco deste longa se destaca diante do roteiro adaptado, Lázaro Ramos (Arandir) encabeça lá no alto a qualidade mostrada em cena por cada ator.
O beijo de misericórdia acabou deflagrando uma série de sentimentos e amores reprimidos e que ao serem revelados instala-se uma tremenda confusão onde fora dela a morte espreita pela sua próxima vítima.
A fotografia toda em preto e branco aumenta a tensão da trama, além de inserir o filme em um contexto policial que flerta próximo à estética dos clássicos filmes noir.
- maneira bem inventiva de contar uma história que muitos já conhecem
- no lugar de ir no fácil de só atualizar para os dias de hoje, decide propor um novo olhar para a peça, aproximando os atores, o teatro e o expectador
- nelson rodrigues é gênio
- pena que a fernanda só fica na passagem de texto
- sobre as hipocrisias e preconceitos da sociedade e como agem uma mídia e policia parcial e corruptas
Filme incrível, fiquei hipnotizado. A ideia de fazer a releitura dessa forma, homenageando o teatro é simplesmente genial. Niguém quer ver uma adaptação que já foi feita, por isso o filme inova na sua releitura e entrega um espetáculo. É criativo, muito bem dirigido e tem ótimas atuações. Só faltou o beijo.