Baseado no romance de Emily Bronte, adaptado para o Japão medieval, esse drama conta história de um garoto adotado pela família Yamabé, padres responsáveis por acalmar o deus da cólera da Montanha de fogo. Ele se apaixona por Kinu, a linda filha da família Yamabé que se casa com um membro de família rival.
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Ótima adaptação
Uma adaptação completa (não só da primeira parte, como costumam fazer) do clássico de Emily Brontë, mas ambientada no Japão medieval.
O conceito por si só é interessantíssimo, me despertou uma enorme curiosidade e, embora eu tenha gostado de muitas das liberdades criativas tomadas aqui (por exemplo, sexualidade, violência e a selvageria do protagonista se mostram muito mais intensas nessa versão), infelizmente não posso dizer o mesmo da progressão do filme.
A obsessão de Onimaru por Kinu é devidamente trabalhada, mas fora isso, todo e qualquer outro elemento de drama humano é subdesenvolvido de forma gritante (e o que não faltam nesse filme são elementos de drama humano), resultando em passagens de tempo esquisitíssimas, personagens importantes (ao menos na teoria) simplesmente desaparecendo, outros que são de extrema importância para o 3º ato sendo inseridos ali sem qualquer contextualização, o que faz o filme parecer apenas um grande resumo para quem já leu o livro e uma experiência ainda mais limitada para quem não teve contato com a obra, o que é extremamente contraditório pra uma adaptação com tanto espaço para ter identidade própria e liberdade criativa.
Penúltimo filme do Yoshishige Yoshida que precedeu um hiato de 14 anos até o lançamento do seu último trabalho Mulheres no Espelho. O filme O Morro Dos Ventos Uivantes leva um clássico da literatura ocidental para o contexto do Japão, coisa que grandes diretores já fizeram com sucesso, sobretudo, é claro, Akira Kurosawa.
Amor é uma força natural que atrai paralelos. Pode ao mesmo tempo matar e manter o Homem vivo. Assim também é O Morro Dos Ventos Uivantes e o cinema de Kiju Yoshida. Belo e rústico, formal e informal, sutil e intenso...
Mantive o desejo de conferir esse filme por mais de 10 anos, desde quando li uma resenha dele numa saudosa edição da Cine Monstro, que o descrevia como um terror gótico ambientado no Japão medieval e regado a cenas explícitas de estupro, incesto e necrofilia. Só posso dizer que a espera valeu cada minuto.
Pra quem tiver afim, enviei a legenda pro LTV.