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A Inconfidência Mineira - conspiração independentista do século dezoito, em Minas Gerais, centro das riquezas coloniais. Do grupo, faziam parte poetas e nobres, incluindo o padre e o coronel da guarnição. O dentista Tiradentes é torturado, para que divulgue a sua participação, na conjura contra a coroa portuguesa; os cúmplices haviam já confessado, negando responsabilidades próprias. Tiradentes é o único a assumir-se plenamente, sendo condenado à morte.
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A história do nosso Brasil antes da república, bom demais, porém, vale a atenção nos diálogos
De acordo com Antonio Candido, os árcades mineiros representam o primeiro momento em que a produção literária da colônia adquire continuidade estética e consciência histórica suficientes para integrar um sistema literário. Essa tese historiográfica acrescenta uma nova camada de significação ao modo como Joaquim Pedro mobiliza a poesia de Tomás Antônio Gonzaga (“Marília de Dirceu” e algumas passagens das “Cartas Chilenas”), Cláudio Manuel da Costa e Inácio José de Alvarenga Peixoto na construção de suas personagens. Ao fazer com que os próprios inconfidentes falem pelos versos que escreveram, o diretor transforma a tradição literária brasileira em testemunha de sua derrota política.
A representação da abjuração dos ideais republicanos e do rastejo diante do poder imperial português após a descoberta da conspiração, contraposta às celebrações militares do Dia da Inconfidência (provavelmente extraídas de algum cinejornal da Agência Nacional), completa uma leitura histórica de impressionante força crítica. Tudo é construído com grande sutileza, embora nem sempre de modo implícito (aliás, é curioso que o filme tenha sido aprovado pela censura). À queda dos inconfidentes sucede a instauração da República por meio de um golpe de Estado conduzido pelos militares, a mesma instituição que ocupava o poder quando o filme foi lançado, em 1972. Joaquim Pedro reconstitui, com ironia e iconoclastia, esse mal de origem da República brasileira, marcada pela tutela militar sobre uma democracia sempre precária, reapropriando-se da figura de Tiradentes como revolucionário traído precisamente por aqueles que agora o celebravam.
Vc vai ver achando que vai ser um filme de época chatão, e chega lá e vê os inconfidentes meio retratados como os trapalhões, com várias cenas cômicas e várias ironias sutis, que me fizeram sorrir só de pensar como o censor interpretou cada uma, tudo contrastando de um jeito muito doido com as poesias rebuscadas e a trilha sonora meio paraíso tropical.
É até ignorância da minha parte , mas estes filmes históricos declamados e teatrais me causam um distanciamento automático. Por força do hábito, chego sempre ao final em geral sem saber o que se passou, e claro que este filme não foi exceção;
- 8/10
- a cena do interrogatório do padre em que por um segundo ele olha pra câmera e quebra a 4ª parede é genial
- um excelente elenco, belas atuações e um ótimo resumo de um importante acontecimento histórico do brasil