Uma jovem andarilha morre congelada no frio do inverno francês. Sua história e principalmente seus últimos dias são contados através das pessoas que cruzaram o seu caminho.
Volta e meia penso nesse filme e na Mona e suas escolhas. Alguém comentou aqui que não conseguiu se conectar muito com ela pelas suas atitudes que muitas vezes chegam a ser bem rudes com as pessoas que de alguma forma tentam ajudá - la, e eu também senti isso depois que assisti, fiquei meio irritada até com ela, e você se pergunta "mas por que passar por tudo isso?" A gente não sabe praticamente nada sobre ela, sua vida anterior e suas motivações, de onde ela veio, quem ela é de fato, além dessa armadura. Em uma conversa com o fazendeiro ela deixa uma pista, ela fala sobre trabalhar em um escritório, bem rápido mas dá a entender que ela poderia ter sido uma secretária, algo assim. E olhando pra esse mundo em que vivemos atualmente, em que trabalhamos demais, o estresse só cresce mas a qualidade de vida não muito, dá pra entender suas motivações, às vezes dá vontade de largar tudo mesmo e só ir. "Se eu me esforço pra me encaixar nesse mundo, por que você não pode se encaixar também? Só fique quieta e obedeça"
Nos extras do dvd da Obras-primas, há um depoimeto da Agnès sobre a trilha sonora e a relação dela com a caminhada da Mona. A música chamada "Vida", a caminhada para a morte. Genial.
As atuações são ótimas, fotografia belíssima, trilha sonora dosada no ponto certo entre os momentos introspectivos e os angustiantes. Gostei das cenas em conceito talking head, onde os coadjuvantes falam através de sua ótica um pouco sobre a personagem central, isto dá uma camada de profundidade à trama por agregar uma perspectiva diferente (afinal o filme é totalmente centrado na protagonista); Porém, não ajuda a decifrar quem é a jovem ou as motivações dela, pelo contrário, estes pontos são uma icógnita do começo ao fim da trama, o que ao meu ver é um equívoco, pois aqui não tem nenhuma ponte que conecta o espectador com a protagonista, e se não tem vínculo não há importância, afinal só te comove quem você identifica. A impressão que tive (ou o que o filme quis mostrar), é que, a maioria das situações que ela se pôs foram fruto das escolhas dela, porque ela teve oportunidade de mudar essa realidade mas não quis; a motivação aparente não é o passado pois não há uma melancolia medo ou revolta implícita em relação ao passado (apenas um subterfúgio), não é um escape de realidade pois ela não usa drogas pesadas e nem vende o próprio corpo pra isto, parece que ela só faz as coisas por fazer, sem refletir sobre as consequências de seus atos, vagando sozinha sem rumo e sem responsabilidades, sem sequer se importar consigo mesma com o que vai comer ou onde vai dormir amanhã, como se fosse uma história apagada ou uma identidade que nunca existiu ou não quis existir, acho que o título do filme em inglês é autoexplicativo e resume melhor que uma sinopse ou qualquer crítica.
A Varda é muito violenta emocionalmente.
Volta e meia penso nesse filme e na Mona e suas escolhas. Alguém comentou aqui que não conseguiu se conectar muito com ela pelas suas atitudes que muitas vezes chegam a ser bem rudes com as pessoas que de alguma forma tentam ajudá - la, e eu também senti isso depois que assisti, fiquei meio irritada até com ela, e você se pergunta "mas por que passar por tudo isso?" A gente não sabe praticamente nada sobre ela, sua vida anterior e suas motivações, de onde ela veio, quem ela é de fato, além dessa armadura. Em uma conversa com o fazendeiro ela deixa uma pista, ela fala sobre trabalhar em um escritório, bem rápido mas dá a entender que ela poderia ter sido uma secretária, algo assim. E olhando pra esse mundo em que vivemos atualmente, em que trabalhamos demais, o estresse só cresce mas a qualidade de vida não muito, dá pra entender suas motivações, às vezes dá vontade de largar tudo mesmo e só ir. "Se eu me esforço pra me encaixar nesse mundo, por que você não pode se encaixar também? Só fique quieta e obedeça"
Nos extras do dvd da Obras-primas, há um depoimeto da Agnès sobre a trilha sonora e a relação dela com a caminhada da Mona. A música chamada "Vida", a caminhada para a morte. Genial.
As atuações são ótimas, fotografia belíssima, trilha sonora dosada no ponto certo entre os momentos introspectivos e os angustiantes.
Gostei das cenas em conceito talking head, onde os coadjuvantes falam através de sua ótica um pouco sobre a personagem central, isto dá uma camada de profundidade à trama por agregar uma perspectiva diferente (afinal o filme é totalmente centrado na protagonista); Porém, não ajuda a decifrar quem é a jovem ou as motivações dela, pelo contrário, estes pontos são uma icógnita do começo ao fim da trama, o que ao meu ver é um equívoco, pois aqui não tem nenhuma ponte que conecta o espectador com a protagonista, e se não tem vínculo não há importância, afinal só te comove quem você identifica.
A impressão que tive (ou o que o filme quis mostrar), é que, a maioria das situações que ela se pôs foram fruto das escolhas dela, porque ela teve oportunidade de mudar essa realidade mas não quis; a motivação aparente não é o passado pois não há uma melancolia medo ou revolta implícita em relação ao passado (apenas um subterfúgio), não é um escape de realidade pois ela não usa drogas pesadas e nem vende o próprio corpo pra isto, parece que ela só faz as coisas por fazer, sem refletir sobre as consequências de seus atos, vagando sozinha sem rumo e sem responsabilidades, sem sequer se importar consigo mesma com o que vai comer ou onde vai dormir amanhã, como se fosse uma história apagada ou uma identidade que nunca existiu ou não quis existir, acho que o título do filme em inglês é autoexplicativo e resume melhor que uma sinopse ou qualquer crítica.
Pobi de Mona, só tinha um sonho...