Dirigido por
Inspirado no romance homônimo de José Lins do Rego, Riacho Doce se passa em um lugarejo do Nordeste, cenário de uma envolvente história de paixão entre o nativo Nô (Carlos Alberto Riccelli) e Eduarda (Vera Fischer).
- Local de vida simples, cuja atividade principal é a pesca, Riacho Doce tem Vó Manuela (Fernanda Montenegro) como uma respeitada líder espiritual da comunidade, que pretende que seu neto Nô herde seu lugar. Dotada de poderes místicos, ela não admite o envolvimento do neto com mulheres e, por isso, faz com que ele feche seu corpo para o amor. Todas que se aproximam de Nô ou são amaldiçoadas, ou se suicidam.
- Em meio a esse contexto, o casal sulista Eduarda e Carlos (Herson Capri) chega à cidade de pescadores com interesses distintos. Carlos pretende resgatar a carga de um navio afundado, o que provoca suspeita entre os moradores. Já Eduarda busca encontrar algo que lhe dê sentido à vida, em função das crises existenciais pelas quais passara. A moça já havia, inclusive, tentado suicídio.
- Desafiando os poderes da autoritária Manuela, Eduarda e Nô se envolvem. Para se manter unido, o casal tem que enfrentar inúmeros obstáculos, culminando em um desfecho emocionante. Após ser envergonha em praça pública por Vó Manuela, Eduarda é acusada de ser adúltera e de desvirtuar Nô de seu destino. O povo de Riacho Doce, incitado por Manuela, começa atirar pedras em Eduarda, que foge protegida pelo amado.
- Nô e Eduarda fogem em um barco e passam algum tempo no mar até encontrarem um local seguro onde o amor de ambos, enfim, possa ser vivido sem quaisquer ameaças externas.
- Assimilando a perda do neto como morte, Vó Manuela toma Cicinho (João Paulo Jr.), filho de Hermínia (Lu Mendonça) para si, e fecha seu corpo, assim como fizera com Nô.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
O impagável Carlos Alberto Riccelli faria corar de vergonha a garotada que faz teste (e é reprovada) para entrar em Malhação. Ele é Nô, o homem que tem o coração fechado para o amor. Se a série tem excelente fotografia e a igualmente excepcional Fernanda Montenegro como Vó Manuela, o casal protagonista (Riccelli e Vera Fischer) roubam a cena negativamente com suas usuais atuações desastrosas.
Casal principal sem muita química. Entretanto, valeu a pena, pois foi essa união que possibilitou o nascimento dos Chifres de Carlos.
Afinal, qual é o nome verdadeiro de Nô? Norberto? Noel? Noah? Fica aí o questionamento. Inclusive, Nô é nossa Mônica, já que tem 80 blusas iguais que usa religiosamente todos os dias.
Pedro Vasconcelos (Lucas) simplesmente insuportável. Parecia um coelho desmamado. Eu, hein. Ainda bem que morreu.
Neco de Lorenzo foi o melhor personagem. Sensatíssimo.
Os atores de Chico e Dora são dignos merecedores do prêmio Framboesa de Ouro 1990.
Helena simplesmente insuportável, muito mais que o Lucas. Ela e o Carlos se merecem. O Carlos, por sua vez, totalmente Coronga. Eduarda fez muito bem em chifrar esse supremacista branco.
Julião totalmente sem pudor ao usar aquela nano-sunga.
Fiquei extremamente decepcionada por não mostrarem a cara deformada da Teresinha.
Deixo aqui meus singelos cumprimentos à Elvira, claramente a personagem feminina mais inteligente de toda trama. Como já mencionei, o personagem masculino mais inteligente segue sendo o Neco.
Fiquei também extremamente triste pela Vó Manuela não ter morrido com a pontada no coração do Vodu. E TAMBÉM, se ela queria um sucessor, por que não usou a Miguelina, que era uma inútil para qual ninguém ligava e ninguém ia sentir falta? Enfim, meus pêsames ao Cicinho.
Fato curioso: O meme do garotinho falando em rede nacional “Também, tô cagado de fome” foi a principal inspiração para Carlos Alberto Riccelli conseguir criar o tom de voz das falas de Nô.
Trilha sonora muito agradável.
Quanto ao final:
De início, pensei que todos morreriam por conta da contaminação. Então notei que Nô e Eduarda estavam na praia deserta, e seriam os únicos sobreviventes tal qual Lagoa Azul. Porém, pensando mais a fundo, questionei: se o veneno é verde, as pessoas iriam perceber que a água estava contaminada. A partir daí, era só fugir para as colinas.
Finalizado em 06/10/2020
Assisti em DVD a minissérie Riacho Doce (1990) de Aguinaldo Silva e Ana Maria Moretzsohn. A direção é de Paulo Ubiratan. Minha irmã que me emprestou esse DVD, essa minissérie é baseada na obra de José Lins do Rêgo que não li, infelizmente. É uma bela minissérie, as cenas externas foram filmadas em Fernando de Noronha e são belíssimas. A direção de fotografia é de Dante Leccioli. Os atores estão no seu auge de talento e beleza, Carlos Alberto Riccelli, Vera Fischer e Luíza Tomé. Na época que os atores interferiam menos em sua figura, menos intervenções estéticas, portanto muito mais bonitos e menos plastificados. Vera Fischer está deslumbrante com suas formas voluptuosas, com seus culotes e coxas naturais. Hoje exigiriam muita malhação e intervenções cirúrgicas de redução. Triste, a beleza de cada um é que é a mais bela. Suzy Rêgo também está lindíssima! Recentemente começaram a discutir sobre a diminuição dos capítulos das minisséries, que tirariam enrolações. Eu não sentia isso, tinha visto histórias que tinham até muito mais a contar nos 5 ou 6 DVDs como Chiquinha Gonzaga, JK e Um Só Coração, minisséries que passaram pela história, tinham núcleos ficcionais que ajudavam a entender o contexto. Riacho Doce foi a primeira minissérie que entendi essa discussão. Eu acho que a arte não pode ter amarras demais. A TV Globo pode programar a grade de programação, o tema da minissérie é decidido muito antecipadamente e pode ter dois modelos, os mais longos e os mais curtos, dependendo da obra que vão adaptar ou criar. Em Riacho Doce muitas cenas são esticadas a exaustão. É uma bela minissérie, mas a trama fica arrastada em vários momentos. As cenas em Fernando de Noronha são deslumbrantes, aproveitam para esticar bem as imagens, mas em alguns momentos a trama fica bem cansativa. Na minissérie um casal que morava na Suécia vai para Riacho Doce. Ela frágil é brasileira, no livro ela é sueca, o nome no livro também é outro. Carlos é interpretado pelo Herson Capri. A Vó Manuela é interpretada brilhantemente pela Fernanda Montenegro. Eu tenho dificuldade de embarcar na obra. Riacho Doce ainda não é das produções da TV Globo com tanta perfeição. Achava estranho que a primeira vez do casal é em cima de um morro, com o mar de paisagem, sendo que ela traía o marido e os pescadores poderiam estar no mar. Não conseguia entrar na cena e apreciar imaginando que alguém pudesse vê-los. Também há uma pequena quebra nas cenas em estúdio das externas, algo que hoje sentimos menos. Embora seja uma época que a moda não favoreça, os figurinos da Eduarda são belíssimos e são concebidos por Beth Filipeck, o elenco é incrível:
O autor fumou muita maconha com essa obra que é muito idealizada de um amor e duas pessoas integradas na natureza como desejava Rousseau, longe da sociedade corrompida.Um nivel de idealização que beia a ingenuidade, longe dos confortos da civilização, diferenças culturais que separam ambos.
Se pode fantasiar o quanto quiser, a realidade esmaga.
Espetacular !! Fernanda Montenegro é uma atriz de outro mundo, impecável, aliás, o elenco todo é primoroso. Trilha sonora belíssima, principalmente os temas instrumentais de Ary Sperling e a belíssima voz de Ithamara Koorax. Uma produção digna de todos os elogios !!