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Filho de Glauber Rocha, o polêmico cineasta de tantas obras-primas, Eryk Rocha realiza este documentário, um ensaio sobre o papel dos intelectuais na América Latina baseado nos anos em que seu pai ficou exilado em Cuba, de 1971 a 1972. O filme ambiciona recuperar a ligação entre os principais movimentos cinematográficos latino-americanos dos anos 60/70 - o Cinema Novo, no Brasil, e o Cine Revolucionário, de Cuba. Por meio de depoimentos de cineastas e do povo cubano entrevistado em Havana, revivemos o impacto provocado pelo cineasta e seus filmes. Para essa produção foram utilizados áudios, depoimentos, poemas, desenhos e trechos de filmes de Glauber.
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O filme sai misturando tudo que o diretor podia sobre o pai, isso fica claro na última fala de Glauber sobre o rompimento com o cinema novo e cabeças cortadas, de uma época muito posterior.
Neste ensaio em forma de documentário, um retrato íntimo e pessoal sobre o turbulento período de exílio do diretor e roteirista Glauber Rocha em Havana, que tece também uma crítica ferrenha à Ditadura na América Latina nos anos 70. Com coerência, lucidez e comentários políticos, este pequeno grande filme dirigido pelo filho de Glauber, Eryk Rocha, traça um paralelo entre o movimento Cinema Novo no Brasil e o Cinema Revolucionário Cubano, reforçando o papel dos intelectuais na formação da opinião pública num momento de censura e medo.
Reúne depoimentos de diretores cubanos que trabalharam com Rocha, como os falecidos Fernando Birri, Julio García Espinosa e o mais notório de todos, Tomás Gutiérrez Alea, além de entrevistas com atores e do próprio povo. Intercalam-se sequências de filmes e desenhos do cineasta brasileiro, além de áudios seus considerados perdidos na época em que viveu isolado na ilha da América Central.
Realizado pelo ICAIC, o Instituto de Cinema de Cuba, em parceria com produtoras brasileiras, o doc ganhou o prêmio de melhor filme no “É tudo Verdade”, um prêmio especial no Festival de Havana e concorreu ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro em 2003. Recomendo este trabalho autoral importantíssimo para desvendarmos a alma inquieta do revolucionário diretor brasileiro e ícone do Cinema Novo, mentor de obras máximas da época como “Deus e o diabo na Terra do Sol” (1964), “Terra em Transe” (1967) e “O dragão da maldade contra o santo guerreiro” (1969), falecido precocemente em 1981 aos 42 anos. E é sem dúvida uma honrosa homenagem de filho para pai – foi o primeiro trabalho de Eryk Rocha, hoje um documentarista de peso (é dele outro filme de tema semelhante, o premiado “Cinema Novo”, de 2016, ganhador do Golden Eye no Festival de Cannes).
POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema na Web
Sinceramente, este filho de Glauber Rocha não me convence como diretor: por mais que o tema seja valioso e que ele tenha conseguido organizar testemunhos preciosos, a montagem é tão presunçosa, o ritmo é tão moroso, a homenagem é tão desfocada que tudo se desperdiça... Toda hora algo muito interessante ameaçava dominar a tela, mas o diretor estragava com algum surto metido a experimental de sentimentalismo. Sinceramente, não gostei - mas, pelo menos, é bem mais suportável que o tenebroso TRANSEUNTE, urgh! (WPC>)
Repleto de conteúdo, o filme é simultaneamente esclarecedor e instigante.
não gostei da abordagem