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Um detetive particular de Los Angeles aceita um caso para se livrar dos seus próprios problemas particulares, mas encontra outros problemas ainda maiores ao investigar o paradeiro da filha rebelde e adolescente de uma veterana atriz.
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ótima surpresa
Night Moves é um filme que parece prometer um quebra-cabeça, mas entrega uma moldura rachada. Ele se apresenta como um thriller investigativo, mas logo se revela mais interessado em mapear as rachaduras emocionais do seu protagonista do que seguir o rastro de qualquer suspeito. É um noir solar, que troca os becos escuros por praias claras, mas ainda assim carrega uma sombra: a do homem no centro da cena.
Harry Moseby, vivido por um Gene Hackman sempre eficiente, é um detetive particular que parece tão perdido quanto as pessoas que busca. Ele está no meio de um casamento em ruínas, lidando com a traição da esposa, e mergulha em um caso de adolescente desaparecida como quem busca qualquer coisa que não seja encarar a própria vida. E aí está meu impasse com o filme: o mistério, que parecia promissor, vira pano de fundo para um drama que, pessoalmente, não me capturou. Os temas são legítimos — abandono, traição, frustração — mas são costurados de um jeito que não me fez importar.
Sou alguém que gosta de seguir pistas, de ser conduzido por uma narrativa onde cada detalhe importa. Mas aqui, o mistério é como uma trilha que só começa a ganhar forma perto do fim — e quando chega lá, já é tarde demais. Não é que o enredo falhe completamente, mas a investigação é tratada com uma casualidade que me deixou esperando mais do que recebi. A cena do helicóptero no final é visualmente marcante, quase como se o filme, finalmente, resolvesse levantar voo. Mas até lá, o motor engasga demais.
Harry, apesar da boa atuação, não é um personagem que me chamou. Talvez porque seus dilemas me pareçam mais descritos do que vividos. Senti uma distância — não pela complexidade, mas pela falta de envolvimento. Ele está sempre lidando com algo, mas eu nunca quis lidar com ele. E os outros personagens, embora curiosos, não me pareceram interessantes o suficiente para preencher esse vazio.
Night Moves tem méritos, sim. É bem dirigido, com uma atmosfera típica dos anos 70, aquele realismo mais seco, mais desencantado. Mas pra mim, a escolha de priorizar o drama em vez de desenvolver um mistério mais envolvente pesou contra. Eu queria estar preso às reviravoltas, não aos desabafos. Queria que a trama me empurrasse adiante, em vez de me deixar boiando nas emoções de personagens que, no fim das contas, não me disseram tanto assim. E talvez esse seja o verdadeiro mistério do filme: como algo tão bem conduzido tecnicamente, com tantas peças interessantes, acabou não me fazendo querer montar o quebra-cabeça.
Este neo-noir setentista destoa miseravelmente de outros títulos clássicos, inclusive, do seu temporã da mesma década, Chinatown, dirigido por Roman Polansky (não tem nem como comparar) a fita de Polansky está há anos luz acima deste noir minguado. Entretanto, mesmo sendo inferior, reserva bons momentos, sobretudo no intrigante ato final, muito embora, no decorrer do roteiro a previsibilidade vá se anunciando. Gene Hackmann (recém falecido anos 95 anos de modo misterioso) vinha com o gás todo depois do bem sucedido, Operação França o qual foi oscarizado pelo papel do detetive durão. Gene Hackmann é o grande trunfo deste filme mediano, que é bacana assisti-lo numa sessão noturna do super cine, mas que não passa de um passatempo. Completando o elenco Susan Clark, Jennifer Warren e os novatos James Woods e Melanie Griffith despertam certo interesse em suas coadjuvações. Esperei muito mais desta fita investigativa com bom elenco e que pela irregular condução de Arthur Penn foi esquecida no tempo.
Vim mais pelo pôster do que qualquer outra coisa. Filme meio parado e só final que vira uma loucura, até demais pra mim, que não entendi foi é nada. Zero objetividades.
Mas que filme chocho!
Vai do nada ao lugar nenhum.