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Data de lançamento
14 Nov. 2000Duração
Um espantoso desastre de trem choca os Estados Unidos. Todos os passageiros morrem, com exceção de David Dunne (Bruce Willis), que sai completamente ileso do acidente, para espanto dos médicos e de si mesmo. Buscando explicações sobre o ocorrido, ele encontra Elijah Price (Samuel L. Jackson), um estranho que apresenta uma explicação bizarra para o fato.
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Lento, mas cativa aos poucos. De brinde tem plot twist.
Você conhece a trilogia Eastrail 177 que é composta pelos filmes Corpo Fechado, Fragmentado e Vidro do diretor M. Night Shyamalan? Hoje eu quero conversar com vocês sobre o primeiro filme dessa trilogia, Corpo Fechado, que apresentou um novo universo das histórias de super-heróis. A trilogia Eastrail 177 ganhou este nome devido à referência ao acidente de trem que David Dunn ( Bruce Willis ) sofreu. Calma que vou tentar explicar melhor. Corpo Fechado passou despercebido por várias pessoas, eu mesma só dei conta dele quando assisti Fragmentado e comentei com um amigo sobre o filme. Ele comentou sobre a cena que liga os dois filmes e percebi que não tinha assistido Corpo Fechado. Assisti e achei sensacional.
Corpo Fechado é um filme cheio de detalhes e pontos importantes. Shyamalan usa cores para marcar seus personagens. Para quem está assistindo conseguir destingir quem realmente é o vilão e herói da trama de forma bem realista. Parece que cada detalhe é deixando ali de propósito como um campo de observação para mexer com o subconsciente do espectador. Isso é legal demais. A forma como o universo dos quadrinhos é apresentado no filme é outro detalhe à parte. Por causa da fragilidade de Elijah, o universo dos quadrinhos tem uma grande importância. Até quem não tem finalidade ou pouco conhecimento com o mundo dos HQs e revistas em quadrinhos fica com vontade de aventurar dentro deste universo.
Entretanto a fragilidade Elijah permanece apenas nos ossos, pois a mente deste personagem é fantástica. Suas intenções são perigosas, principalmente em torno da própria teoria que no mundo existem pessoas com dons extraordinários e estão vivendo uma vida comum. No principio David tenta ignorá-lo, mas Elijah têm argumentações convincentes que chama atenção e David Dunn começa a se testar. O filme toma um rumo inusitado. O universo de Corpo Fechado é extremamente bacana de assistir. Se ainda não assistiu Corpo Fechado aconselho que assista, pois é um filme absolutamente original.
Assistir a "Corpo Fechado" me leva de volta pra minha época de ouro do cinema, onde a experiência de buscar um VHS ou DVD na locadora trazia expectativas que a gente não tem como explicar. Eu esperava mais um grande suspense dramático do Bruce Willis, um pouco mais maduro e no auge da sua presença cênica, sob a direção de um M. Night Shyamalan que vinha de um monstro de filme na década passada. O que recebemos, no entanto, foi algo infinitamente mais silencioso, denso e desconcertante: um filme de quadrinhos realista antes mesmo de o cinema entender o que isso significava.
O trunfo da obra não está no espetáculo ou na ação, mas na sufocante atmosfera de dúvida. A história se recusa a admitir que seu protagonista possui algo de extraordinário. David Dunn é um homem comum, triste, lidando com um casamento desgastado e com uma desconexão profunda de si mesmo. Ele sobrevive a uma tragédia impossível sem nenhum arranhão, mas o filme constrói essa descoberta com tanta lentidão e gravidade que a gente acaba compartilhando da sua negação. Quando ele descobre, não há euforia no poder que ele tem; há um fardo moral. O heroísmo aqui não nasce de um desejo de grandeza, mas da insistência quase dolorosa em testar sua importância pro mundo.
No extremo oposto está Elijah Price, em mais uma atuação poderosa de Samuel L. Jackson. Elijah é, talvez, o vilão mais fascinante e contraditório que eu vi no cinema. O homem mais frágil do mundo, cujos ossos se partem como gravetos ao menor impacto, mas dono de uma mente terrivelmente obsessiva e superior. A sua condição física de puro terror gera um cinismo profundo, uma necessidade quase doentia de provar que a vida real possui uma estrutura lógica — com a teoria de que, se a sua existência é uma maldição de fraqueza, precisa existir alguém indestrutível no outro lado da balança pra justificar sua vida e trazer equilíbrio ao mundo.
Existe uma inocência trágica no personagem de Bruce Willis, um homem que não entende e nem se importa com a mitologia das HQs, mas que acaba confrontado pela frieza calculista de um sociopata fascinado por essa mesma linguagem. Elijah enxerga os quadrinhos não como entretenimento infantil, mas como a última forma de registro histórico da essência humana.
Quando a revelação final acontece, o choque não vem de um grande combate físico, mas da constatação aterrorizante do que a obsessão é capaz de fazer. O vilão mais fraco em termos físicos revela-se o mais perigoso justamente porque sua mente manipulou o destino de dezenas de vidas para justificar o seu próprio lugar no universo.
"Corpo Fechado" de M. Night Shyamalan envelheceu como um clássico cult absoluto. Ele não busca a fórmula rápida do entretenimento moderno; ele prefere o drama psicológico, as camadas de relacionamento familiar e a tensão constante entre a dúvida e a fé. É uma obra um pouco melancólica sobre corpos quebrados e almas despedaçadas, mostrando que a verdadeira força e a verdadeira vilania acontecem no silêncio da vida real.
IMPRIMATUR - visto no cinema em 2000:
Como virei fã de imediato do M. Night Shyamalan, criei muita expectativa pelo filme...
Assim, hoje eu não gosto tanto e ficou pior depois que o diretor resolveu convocar o personagem para outros filmes, pois a forma como ele proseguiu a questão tirou o resto do encanto.
Avaliação em nota: 7.4
Gostei do filme Fragmentado, esse Corpo Fechado não gostei, muito cansativo e chato pra caramba, não indico para o meu inimigo.